quarta-feira, 23 de setembro de 2020

MEU POEMA NA REVISTA QUATRO CINCO UM

O meu poema "Silêncio velado" e um breve depoimento sobre a Pandemia saem na revista Quatro cinco um, uma das mais respeitadas do Brasil.

Para fazer a leitura na íntegra acesse o link: Quatro Cinco Um - a revista dos livros  




quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Na linha do tempo

Esses dias, remexendo os velhos papeis que se fazem tão novos quando revividos, encontrei uma carta sua. Me falavas de amor, demonstrado por meio de uma saudade de corpos ausentes, que se faziam presentes e juntos pela lembrança vivida e revivida ali naquelas linhas; inclusive do beijo molhado, ao se deixar fazer-se poesia, harmonia poética do existir que ultrapassa as intempéries do tempo. Ainda bem que o passado só existe para quem não soube amar os pequenos detalhes cotidianos, pois, sim, claro, vivo sempre no presente pós-moderno que sou.

por Adenildo Lima

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Semifinalista no Prêmio Guarulhos de Literatura, 4ª Edição, 2020

O meu livro de poemas 'A presa da cadela' (inédito), foi um dos Semifinalistas no Prêmio Guarulhos de Literatura, 4ª edição, 2020.

sábado, 11 de julho de 2020

Diego Ochs – em cantos de um lugar no tempo


O cantor e compositor Diego Ochs lançou o seu primeiro álbum Tudo por fazer, em 2012 e, agora, em 2020, ou seja, oito anos depois, vem à luz o segundo, titulado Quonde: cantos de um lugar no tempo.

Foto divulgação
Diego Ochs, logo no seu primeiro álbum, apresentou-se com maturidade como cantor e compositor, com letras muito bem trabalhadas, onde, algumas, nos remetem à crítica contundente, construída por meio de metáforas que dão vida, voz, aos personagens vistos pelo olhar do outro à margem da sociedade, isto é, pessoas existentes no nosso dia a dia, mas ignoradas como pessoa humana pela desumanidade do outro.

O álbum Tudo por fazer, ao meu ponto de vista, nasceu clássico. Tem uma sonoridade suave, poética aos ouvidos; aliás, Diego Ochs, quando ouvido pela primeira vez, nos faz parecer que já o conhecemos: no palco, tem uma presença ímpar capaz de contagiar o público e, mesmo para alguém que nunca tenha tido conhecimento do seu trabalho, ao ouvi-lo, fica com a impressão que já o escutou em algum lugar no tempo.

Sim, Diego Ochs é um cantor que tem a facilidade de atingir o que poucos artistas conseguem, o público em suas múltiplas facetas, quer seja do jovem ao adulto, quer seja do popular ao erudito. E é por isso que foi destacado no parágrafo anterior que o seu primeiro álbum já nasceu clássico, pois as oito faixas se conversam entre si por meio da harmonia e das letras num tom que nos leva a pensar, de forma respeitosa, a condição humana do outro, e isso, sem importar a idade ou a instrução intelectual do ouvinte.

São críticas, algumas, com um tom de ironia, como fica visível na música O cara, em parceria com Silvano Ozyrys, “Fosse eu o cara / Seria forte e bonito /Não seria poeta / Seria um atleta ou talvez um erudito”. Ou seja, num país como o Brasil, onde a arte é tão pouco valorizada – e o poeta muito menos – o que importam mesmo são imagens criadas dentro de uma fôrma, conforme exige o mercado; já o Ser Poeta, que importância tem neste mundo fragmentado onde até o amor se dissolve? Porque como descreve a letra da música Inverdade vos digo, “o amor não é a melhor coisa que existe”.

E, infelizmente, temos que concordar que o amor não é a melhor coisa que existe, pois nesses tempos de liquefação tão pouco ou quase nada vale o amor. Mas, por outro lado, é possível encontrar um eu lírico que lamenta, “Não diga que o amor se foi / Porque se o nosso amor se foi / Uma ferida que há tanto dói / Vai se abrir numa chuva de ais.”; aliás, pensamos, um corpo humano sem amor deixa de ser humano e passa a ser apenas um corpo, um fantoche. Sim, claro, sabemos também que a crítica não é ao atleta ou ao erudito, mas sim às múltiplas facetas construídas para serem vendidas no dia a dia como a melhor coisa do mundo.

Aqui, destaco também, a música Farrapos, talvez ela seja a mais forte, musicalmente falando, a letra faz um jogo de ritmos ao mesclar a poesia do existir com a melodia cotidiana das ‘garotas de programa’, que ficam em algum lugar da Avenida Farrapos, localizada na capital de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde Diego Ochs nasceu. A harmonia e o ritmo de Farrapos soam suave aos ouvidos: “Meninas em farrapos / Com seus trapos / Mostram o seu ganha pão”, assim como mescla diversos nomes em um ritmo que nos remete ao próprio existir, “Estela, Isabela, Florisbela, Conceição ou Geni”.

E, em um toque de mestre, o último nome dialoga com um dos personagens mais conhecidos da Música Popular Brasileira, Geni, de Chico Buarque.

Capa do álbum Tudo por fazer

O álbum Tudo por fazer, onde o próprio Diego foi um dos produtores musicais, é possível dizer que seja o alicerce de sua carreira artística; inclusive metaforizado no próprio título, pois no mundo da arte o artista sempre está por fazer alguma coisa a mais, e este é o segredo de se manter existente, vivo, em movimento, neste mundo mágico que é o universo da arte.

Sendo assim, Quonde: cantos de um lugar no tempo é, como toda a obra de arte o é, a continuidade, nesse caso específico, do seu primeiro álbum Tudo por fazer. Quonde foi lançado em junho, nas plataformas digitais, ou seja, foi lançado num momento de pleno caos, onde o mundo vive o vassalo da pandemia do coronavírus, mas, por outro lado, Diego Ochs se apresenta no seu mais recente trabalho falando de amor, de amizade, de esperança, falando do próprio existir, de forma poética, e não como muitos poderiam esperar, um álbum denso.

Quonde não é um álbum denso, assim também como Tudo por fazer não o é, mesmo tendo um teor mais crítico, como já supracitado. Nesse novo trabalho Diego, que reside na cidade de São Paulo já há um bom tempo, apresenta-se, em algumas músicas, como se estivesse convidando-nos para conhecer um pouco da cultura do Rio Grande do Sul. E isso é notado em Camomila, por exemplo, “Eu venho de um lugar tão longe / Onde vigora a medicina popular / Eu venho de uma terra ao longe / Se tá doente usa erva pra curar”.

Aqui, o artista se apresenta para o público, por meio de sua narrativa de vida, como uma forma de dialogar com o passado, em um diálogo que se faz com o presente e com os momentos vindouros. Assim, também, como na música titulada Serra, onde discorre por lembranças de um passado recente: “Vem / Pega o caminho da Serra / E me encontra em Morungava (Vem pela RS-020) / Passando por Taquara e São Chico / Iremos a Gramado ou a Canela (Três Coroas, Nova Petrópolis...)”. E continua com um convite amigável: “Vem / Encontra quem tu és / E sonha / Com os amigos que esperam / Do lado de cá.”

Ou seja, a música Serra, na verdade, é um convite aos ouvintes para adentrarem o mundo particular do artista, existente nesses cantos que se fazem concretos em algum lugar no tempo.

Capa do álbum Quonde

O álbum Quonde, conta com uma produção musical muito bem trabalhada, de Caio Balestra e Nan Marconato, com assessoria e direção vocal de Andressa Lé, em parceria com o LéM7 Studio, na cidade de São Paulo. A voz, os instrumentos, a letra; aliás, a música em sua composição final, está harmônica, tudo em seu devido lugar, pronta para ser levada aos palcos, resultado de um trabalho de produção que levou um pouco mais de dois anos.

E, ao falar em palco, é importante ressaltar que Diego Ochs tem uma afinação, ao vivo, que não se diferencia de uma gravação em Estúdio. Pode tranquilamente se apresentar com voz e violão, que o público, com certeza, sairá em êxtase por ter vivido a epifania do momento musical. Porque todo o momento artístico, quando dialogado com a plateia, faz com que ela se sinta parte integrante do espetáculo; e é. Assim como o trabalho musical de Diego que consegue fazer um elo harmônico com os ouvintes, ou com os presentes, quando apresentado ao vivo.

A música que abre o álbum Quonde, titulada: Sem querer eu quero, fala de um amor que parece discorrer pelas cordas do violão, e percorre um caminho, movido por um sentimento, até o coração, ao fazer despertar num eu lírico que se diz não querer senti-lo, mas que não consegue reprimi-lo e, por isso, acaba se sentindo bem: Eu sei / É assim / Não quero /Mas no entanto / enfim, está aqui..”. Ou seja, Sem querer eu quero é uma canção que dialoga com experiências vividas por todos, pois, quem de nós ainda não viveu um sentimento que, mesmo não o querendo, se sente bem ao tê-lo?

Mas, aqui, antes que eu chegue ao parágrafo final, quero dar um destaque especial para a música denominada Vinte e cinco.

Sim, claro, esclareço que vinte e cinco é apenas uma metáfora usada pelo compositor para poder falar da existência humana, porque, na verdade, “Este rosto magro não é o meu / Esta barba não fui eu quem quis / Estas mãos vazias ninguém me deu / Estes olhos tristes eu nunca vi / Mas sei / Sou eu...”.  E se formos pensar filosoficamente, eu sou o outro. Então, este Eu visível nesta canção é a poesia do existir de cada um de nós repleto de sonhos, empecilhos, vitórias, solidão e batalha na jornada rotineira da vida.

E, ao falar em batalha, é importante enfatizar que a produção musical foi muito feliz na composição harmônica dessa música: o ritmo nos leva a um compasso como se estivéssemos numa guerra, numa luta cotidiana que, aqui, é a luta para manter a sobrevivência, e isso vai de encontro com a letra e a melodia do existir de cada ser humano, que se faz presente nessa canção.

Agora, caminhando para as palavras finais, é possível dizer que o trabalho musical de Diego Ochs tem diversas influências – assim como todo artista tem – mas, aqui, penso que seja importante destacar que a sua maior influência, pelo menos ao meu ponto de vista, é Vitor Ramil, cantor e compositor renomado, também nascido no Rio Grande do Sul. Mas, por outro lado, esclareço que Diego tem estilo próprio, com identidade e característica suas, pois uso a palavra influência apenas como uma forma de referência.

Aliás, fica o convite para o público ouvir ou assistir o trabalho de Diego Ochs e, assim, tirar suas próprias conclusões.

Atualmente, ele está com o show: passado, presente e futuro, onde canta músicas do seu primeiro e do seu segundo álbum, e mescla com músicas inéditas, ou seja, canções que poderão estar num futuro álbum.

Dito isso, desejo sucesso e força na caminhada ao cantor e compositor Diego Ochs.

Avante...

Obervação: Os dois álbuns estão disponíveis nas principais plataformas digitais.

E para ouvi-los no youtube, clique nos linques abaixo:

Primeiro álbum: Tudo por fazer

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Contos da Quarentena – Finalistas do Concurso da TV 247

O meu conto, que ficou entre os finalistas do Concurso "Contos da Quarentena" da TV 247, está neste lindo box.

Mais informações no site da Editora: Kotter Editorial
"Esse livro reúne os melhores contos todos finalistas do grande Concurso de Contos realizados pela TV 247. São contos extraídos de um universo de 1.708 contos escolhidos por um júri coordenado por Sálvio Nienkötter que contou com alguns dos nomes mais proeminentes da literatura nacional, como Luiz Rufatto, Ricardo Aleixo e Marcos Pamplona, que julgaram os finalistas, sendo que a grande seleção dos finalistas foi realizada por Raul K. Souza, Daniel Osiecki e Marcos Pamplona. O nível literário ficou muito acima do esperado, podemos dizer que temos aqui representados grande parte dos mais finos contistas em atividade no Brasil.
A princípio seria publicado apenas um volume da antologia, devido à numerosa e qualidade dos contos, a caixa Contos da Quarentena reúne os volumes I, II e III (cada título em pré-venda separadamente)."

terça-feira, 30 de junho de 2020

A parteira

Trecho do prefácio:

"Esta é uma poesia de vozes e tradições misturadas, que proporcionarão experiências diferentes a cada leitura. Mas imagino que todas passem pela análise da sociedade brasileira por um viés de crítica diante da situação de orfandade em que se encontram milhares de brasileiros. A cada verso, o leitor é chamado a reparar a condição do outro, viver a experiência do outro, e, assim, reavaliar sua visão do mundo e suas atitudes para transformá-lo. (...)

A parteira é um poema de narrativas, de protagonistas que se alternam e se ligam por uma linha tênue, apenas um pequeno veio de água correndo que, no meu entendimento, é a vida. São vidas que estão por um fio, porque as histórias se passam na secura da nossa terra, onde tudo é escasso. Até o amor – um bem que, na caracterização dos personagens, parece nascer com as mulheres e que os homens ainda estão procurando".


Isabel de Andrade Moliterno - Mestra e doutora em Letras pela Universidade de São Paulo (USP).


Capa do livro A parteira

Sinopse:

"A parteira, a meu ver, é o grito social mais urgente, depois de Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto; e Poema Sujo, de Ferreira Gullar, que li até hoje.


É uma narrativa artisticamente trabalhada! Modestamente eu sei reconhecer o valor de uma obra literária. Este poema é de uma riqueza inigualável! Em todos os aspectos, parece que nasceu do jeito que se lê, não me parece ter um desleixo, um excesso."

Dias Miranda

Escritor e dramaturgo

domingo, 21 de junho de 2020

É com pesar...

...É tão difícil aceitar quando alguém que a gente tanto ama nos deixa fisicamente
Isabel Andrade Moliterno, uma amiga, uma das pessoas mais próximas a mim. Foi minha professora na graduação, esteve presente na banca da minha dissertação de mestrado, era a madrinha de toda a minha literatura, lia todos os meus livros inéditos que eu mandava pra ela, e prefaciou o meu livro A parteira. Um ser humano sem igual. Hoje, 21 de junho, deixou de existir, fisicamente, dentre nós.
Confesso: nunca foi tão difícil escrever um texto como está sendo agora.
Guardarei comigo o sorriso e a poesia do existir
A vida quando se desfaz fisicamente
Se transforma em versos
Porque a existência é sim um poema
Que se eterniza feito essência
Nas lembranças e no existir
Que alguns chamam de amor
Outros
Chamam de eternidade


sexta-feira, 19 de junho de 2020

Finalista no Concurso Contos da Quarentena da TV Brasil 247

Sou um dos finalistas do Concurso "Contos da Quarentena", do 247

Foto divulgação do 247

"O concurso "Contos da Quarentena", lançado em abril pela Editora 247, responsável pelo site Brasil 247 e pela TV 247, está na reta final de sua realização. O júri da primeira etapa do concurso finalizou a leitura de 1.827 textos inscritos e elegeu dentre eles os 68 melhores contos."

Confira os classificados Aqui:

sexta-feira, 29 de maio de 2020

O mundo de Vinícius

Para mais informações sobre o livro, acesse o link: https://www.livrariadagente.com.br



terça-feira, 10 de março de 2020

Meus poemas na revista Piedra del Molino, nº 31, Espanha

Agradeço a Carlos Jiménez Vázquez, a tradutora Mei Santana e a toda equipe da revista. E também agradeço a professora doutora Marta Pérez Rodríguez pelo carinho e dedicação que ela tem com a minha literatura.





terça-feira, 3 de dezembro de 2019

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

21ª Festa do Livro da USP

Todos os meus livros, publicados pela Editora da Gente, estão presentes na 21ª Festa do Livro da USP. 
Dê uma passada no estande nº 11 (FiloCzar) e confira os super descontos. Não perca! 📚








  

domingo, 10 de novembro de 2019

O passageiro do voo dois mil e alguma coisa...


A mulher queria trepar de qualquer jeito, mas o homem não tinha dinheiro suficiente para pagar a trepada dela. A noite estava muito bonita, tinha um homem morto lá no meio da avenida e uma criança pedindo comida num restaurante. O homem sentou na calçada e tentou abraçá-la com amor. Ela recusou. Ele abriu a carteira. Ela sorriu. Mas o maldito não tinha o dinheiro. Uma festa no outro lado da avenida estava rolando, e os adolescentes estavam todos felizes. Era tão bonito olhar aqueles jovens viajando como se fosse em um conto de fadas, acho que a noite pra eles era verdadeiramente como vê estrelas na imensidão coberta de neblina.
Fonte da Imagem: https://exame.abril.com.br/ciencia/boeing-adia-teste-tripulado-de-sua-nave-espacial-para-2019/
A mulher se levantou e saiu com passos lentos à direção do homem que tinha deixado de ser homem para ser o corpo de um homem. Ao chegar diante dele, ela pôs a mão em sua carteira e tinha duas notas de cinquenta reais. Foi tão gostoso que ela gozou ali mesmo, e nem lembrou mais do homem vivo que não tinha o dinheiro suficiente. Foi embora e nem percebeu que aquela carteira era de um homem que tinha feito a mais bela viagem para a eternidade.

A madrugada começou a se aproximar, o sereno da noite começou a esfriar o corpo da mulher dos cem reais. Ela precisava se aquecer. Uma viatura fazia ronda, mas os faróis estavam apagados e não conseguiu ver o corpo do homem da avenida. Uma saia pequena, umas pernas bonitas, uns seios bem decotados – a mulher era atraente! Os policiais eram homens gentis e deram carona a ela pra protegê-la do frio da madrugada.
Google Imagens
Coitada dela! Quando o sol nasceu estava tão quente que o seu corpo ficou todo bronzeado. A madrugada é bela e a mulher nem sabe se é fria ou quente. O homem na calçada continua sentado com o seu amor querendo abraçá-la. A viatura às vezes para defronte ao bar e troca uma ideia com os jovens viajantes. E alguém continua voando no voo dois mil e alguma coisa.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Minha participação no 1º Festival Mário de Andrade

Virada do Livro - 1º Festival Mário de Andrade
Conto com a sua presença
A Livraria da Gente está no Corredor do Livro, nos dias 5 e 6 de outubro de 2019, na rua Cel. Xavier de Toledo, entre a rua 7 de Abril e o Teatro Municipal.


Virada do Livro

A Livraria da Gente está no Corredor do Livro, neste final de semana, nos dias 5 e 6 de outubro de 2019, na rua Cel. Xavier de Toledo, entre a rua 7 de Abril e o Teatro Municipal.

Mais informações: 1º Festival Mário de Andrade


domingo, 14 de julho de 2019

Entrevista que eu concedi ao blog Entre Linhas, no ano de 2015


1.
    De onde surgiu a motivação para ser escritor e se alguém o influenciou?

Não me lembro de ter sido influenciado por outra pessoa para iniciar meus escritos, mesmo tendo plena consciência que sempre somos influenciados por alguma coisa ou pessoa e, em especial, as experiências vividas no dia a dia.  Acredito que na minha infância o que me despertou ao gosto pela leitura foi ouvir meu pai lendo a bíblia e ensinando-me a lê-la, e minha mãe declamando alguns poemas populares, desses que passam de geração em geração, e um primo meu que quando passava por lá, onde eu morava, contava histórias. E isso, penso eu, aguçou em mim a busca pelo sabor das palavras. Por outro lado, é importante ressaltar que tive a minha infância e adolescência num sítio, no município de Colônia Leopoldina, uma pequena cidade no estado de Alagoas, para chegar a uma escola precisava andar de uma a duas horas a pé. Ou seja, os primeiros contatos que eu tive com a leitura foram ao observar o raiar do sol pela manhã, ouvir o cantar dos pássaros ao amanhecer de cada dia e sentir o cheiro de terra adentrando minhas narinas, trazendo-me cheiro de vida, essência poética para o meu existir. Já aqui em São Paulo, quando cheguei em 1998, fiquei perplexo com o contraste vivenciado por mim: a correria, o barulho dos carros, muito diferente do canto dos pássaros lá no Nordeste. Mas, hoje, estou completamente habituado na cidade grande, sem perder a minha história, a minha narrativa, a essência de tudo o que me faz ser o que sou atualmente.

2.      Por que você gosta de escrever?

Escrever é o que me faz viver. Não me vejo sem escrever. Acredito que a minha vida não teria graça se hoje eu não estivesse saboreando o sabor de cada palavra, vivendo a experiência de cada personagem. Às vezes eu penso que se não existisse a arte, a vida seria um vão sem essência, sem sabor, sem cor; neutra.

3.      Quais são os livros/autores/personagens favoritos e porquê?

São muitos. Só este ano já li 18 (dezoito livros), e só se passaram quatro meses de 2015. Mas vou aproveitar a oportunidade para falar do livro que acabo de concluir a leitura: Diário de Bitita, de Carolina Maria de Jesus. Diário de Bitita é um livro que em cada linha discorre um pouco de vida, de morte, de amor, de dor, ao descrever a vida da própria autora, em tom poético. Ela escreve com maestria, mostra um Brasil dos primeiros 50 (cinquenta) anos do século 20, diante de todos os seus percalços e sonhos, na esperança, no olhar de um povo alegre e sofredor. Diário de Bitita torna-se leitura necessária para quem deseja conhecer um pouco mais desse nosso país chamado Brasil, e para quem gosta de apreciar a boa literatura. E, por outro lado, para quem deseja conhecer um pouco mais da face humana refletida em vários reflexos, multifacetada.

4.       Quais e quantos livros lançados e como se deu a carreira?

Até o momento tenho três livros publicados. Comecei em 2009 com o livro: “O copo e a água”, literatura infantil. E estou trabalhando para publicar a 2ª edição, este ano. Depois veio em 2012 o livro de poemas: “Lobisomem pós-moderno”, em parceria com o poeta Márcio Ahimsa, com cinquenta e poucos poemas de minha autoria e cinquenta e poucos poemas de autoria dele. E só um poema é em coautoria. E no final de 2013 publiquei “A parteira”, que é um poema narrativo composto por um pouco mais de 1500 (mil e quinhentos) versos. Em 2014 ficou com o 2º lugar no Prêmio Poetizar o Mundo com Livros.

5.       Você utiliza algum material como referência para escrever, ou é pura e simplesmente inspiração momentânea?

Sinceramente, não acredito que “inspiração momentânea” possa transformar alguém em escritor. Acredito que todo o escritor precisa ler e ler e reler tudo o que ele puder e estiver ao seu alcance. Escrever, ao meu ponto de vista, é um processo contínuo, que exige paciência, dedicação, amadurecimento e coragem. Sim, coragem, escrever também é um ato de coragem. Escrever é inventar novos mundos, pessoas... é desnudar-se em cada obra concluída.

6.       O que você mais gosta nas próprias histórias e se o seu gênero literário encontra dificuldades no mercado?

Acredito que dificuldades sempre vamos encontrar. E isso não é ruim. Ajuda o artista a amadurecer mais. O que eu mais gosto no que escrevo é quando recebo o retorno de algum leitor, de alguma leitora, é o maior prêmio.

7.        De qual forma, ser escritor afetou a sua vida e quando a escrita virou profissão?

É sempre uma felicidade muito grande, a cada momento que concluo algum trabalho literário. E no ofício de escrever vou ser sempre amador. Quando a escrita vira profissão muitas vezes o escritor deixa de escrever por si, perde a essência. E é importante dizer que desejo muito poder viver dos meus escritos, mas que isso não seja uma profissão. Na vida de escritor quero ser como uma criança que brinca, que encontra sentido nas coisas mais simples, que nós adultos, não conseguimos observar no dia a dia.

8. Uma dica valiosa para novos escritores seria?

Ler e ler e ler e depois reler. Depois escreva, reescreva, escreva e não se canse de escrever. Mostre para as pessoas, mas esteja apto e maduro para ouvir críticas, comentários. E tenha muito cuidado com os elogios.

9. No seu entender, qual o papel do leitor para um escritor?

Sem leitor não pode existir escritor.

10.   Como você enxerga a explosão dos livros digitais e se isso compromete os impressos?

Os livros digitais são bem-vindos. Tudo ganha seu espaço e não tira o espaço do outro, é ilusão pensar que o livro digital vai tirar o espaço do livro impresso. O livro impresso continua. O livro digital ganhará seus adeptos. E o ganho de tudo isso? Teremos mais leitores...

#Pra finalizar um espaço onde você pode deixar o que quiser, o que não foi perguntado, o que gostaria de responder:

Antes de tudo agradeço pelo espaço para poder compartilhar um pouco das minhas experiências com a literatura. Aproveito também para dizer que este ano teremos a publicação da 2ª edição do livro “O copo e a água”, e a publicação de mais um poema narrativo.

As palavras têm sabor, experimente-as...


Link para acessar a entrevista no:

Blog Entre Linhas

terça-feira, 9 de julho de 2019

Gestores culturais em foco


Entrevista que eu concedi ao Itaú Cultural


Qual é a importância de compartilhar com outros gestores as suas experiências na área cultural? Como você vê essa troca?
A cultura é uma partilha que, antes de tudo, precisa ser dialogada com a diversidade. Ou seja, compartilhar é encontrar meios para melhor gerir a cultura, no lugar onde se encontra o gestor cultural. Todas as vezes que conversamos com outros gestores, o nosso olhar se amplia para a inovação, sem esquecermos que a cultura é viva, e se movimenta, e se inova, e envelhece. Isso porque muitas vezes pensamos um projeto no período da manhã e, ao final do dia, já precisamos inová-lo e repensá-lo. A cultura é como a própria existência humana, uma narrativa que constrói ou destrói laços no dia a dia. Portanto, o diálogo entre gestores culturais é de suma relevância para atingir o sucesso almejado.
 Quais são os desafios ou qual é o maior desafio que um gestor/produtor cultural enfrenta hoje no Brasil?
Os desafios são muitos! Principalmente nos dias atuais, quando o próprio artista gere a sua arte. O século XXI está repleto de artistas independentes e, para um artista independente, as dificuldades são maiores. Quem vai assessorar o seu trabalho? Quem vai fazer chegar a sua música ou o seu livro ao público? Sem dizer que pouquíssimos artistas independentes têm recursos financeiros.
Na área literária, sobre a qual tenho mais conhecimento, vejo que, mesmo com certo avanço neste início de século, ainda existem desafios enormes para o escritor independente. Um bom exemplo é a preferência que se dá nas feiras literárias aos escritores que estão na mídia ou que ganharam prêmios literários. E estes continuam elitizados, ou seja, basta olhar a lista dos ganhadores para ver que a maioria deles é de editoras renomadas. Observe os convidados das festas literárias e veja que são aqueles que circulam na mídia, que ganharam prêmios ou são autores de editoras renomadas. Talvez o grande desafio para o escritor independente, que também é o seu próprio produtor cultural, seja transpor algumas muralhas já concretizadas no meio literário.
Para o gestor cultural, entretanto, de uma forma geral, os desafios sempre vão existir. E não vejo isso como algo ruim. Para que essas dificuldades sejam superadas, cabe ao gestor conhecer bem o lugar onde ele se encontra. Nem sempre o produtor/gestor cultural vai atingir o sucesso, mas, se ele não tiver coragem para encarar as dificuldades, é melhor que não se atreva nessa área.
 Em que consiste o trabalho do gestor/produtor cultural? Quais são as habilidades e as competências necessárias para que um gestor/produtor cultural tenha êxito em sua atuação?
Um gestor cultural precisa ser flexível, apto a ouvir e aberto ao diálogo. E diálogo aqui não se resume a um bate-papo, mas a algo bem mais amplo. O gestor cultural precisa ter habilidades e competências para mediar conflitos que possam (e vão!) surgir em sua equipe. Antes de tudo, ele precisa ter liderança e plena consciência de que na gestão cultural não se trabalha sozinho e de que o sucesso alcançado é fruto do trabalho de toda a equipe.
 Como você avalia as políticas culturais praticadas na sua cidade?
Vejo as políticas culturais praticadas na cidade de São Paulo com grande dinamismo. Às vezes pensamos que as coisas estão caminhando bem, mas, então, o quadro político muda e tudo (re)começa!
Na periferia, onde a arte e a cultura são movidas pelo espírito e pela força de um povo que respira e inspira arte, existe uma produção independente muito acentuada: publicação de livros, surgimento de novos cantores, artistas plásticos em busca de espaços para expor a sua arte... Aliás, São Paulo é uma cidade muito dinâmica. É possível ver uma manifestação artística e cultural diferente em cada bairro. Ser gestor cultural na cidade de São Paulo exige movimentação constante por parte desse profissional, caso ele não queira que seus planos e projetos fiquem ultrapassados.