domingo, 9 de dezembro de 2018

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Documentário - Páginas Censuradas

“Uma das primeiras providências da maioria dos regimes autoritários é censurar a liberdade de expressão e opinião, uma forma de dominação pela coerção, limitação ou eliminação das vozes discordantes”, observa Sandra Reimão, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e da Escola de Comunicações e Artes (ECA), ambas da USP. “Telejornais, jornais, revistas e livros costumam ser alvos de atos de censura.”


Fonte:

Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=Ki8mquBTWic

Texto: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/pesquisa-mostra-livros-censurados-durante-a-ditadura-militar/

Dois olhares e um sentimento

O importante não é dizer
Que ama
Importante mesmo
É amar
E quando se ama
É percebível no cruzamento
Dos olhares que se abraçam
Harmoniosamente

Adenildo Lima

sábado, 20 de outubro de 2018

Aforismos sobre:

Educação

Educar é compartilhar conhecimento, por meio de um diálogo onde professor e aluno aprendem juntos. Afinal, o saber só é válido quando posto em prática para o bem-estar da sociedade.

Cultura

O que torna uma pessoa em um ser humano é a cultura vivida por ela no decorrer de sua história de vida, porque a cultura é vida; aliás, é a própria vida.

O silêncio e a censura

É em tempos de censura que o silêncio deve gritar mais alto


Flores e armas Se queres harmonizar a humanidade, incentive-a ao conhecimento. O amor ainda continua sendo a única "arma" que pode vencer o mal.

O existir

Viver é acreditar que mesmo diante dos maiores obstáculos da vida, não podemos abaixar a cabeça


(Lembrando La Fontaine


Por que você fez isso?, perguntou o juiz.

Mas eu não era nem nascido., respondeu o interrogado.

Mas o seu pai era., completou a excelência e decretou a pena).


(A cor da salina

Acorda, Brasil!
Que a corda enforca primeiro
Os menos favorecidos).



Amar
Amar é compartilhar com a outra pessoa a diversidade humana, por meio de um diálogo e vivência onde ambas as partes saem ganhando, e não se sentir propriedade dela, ou ser propriedade. Amar é, antes de tudo, sentir-se amado nos momentos mais difíceis e saber que pode ser acolhido num colo ninar pela pessoa amada.


Perspectiva frontal

Só existe um sentido quando a gente acha que as coisas perderam o sabor; vivê-las novamente com outras perspectivas e, claro, ter consciência que fracassar é um grande motivo para ir à busca daquilo que almejamos



Entre o ser e o existir

Se o nosso corpo precisa de alimento. A essência do nosso ser
precisa de conhecimento:

As palavras têm sabor, experimente-as...

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Pai, afasta de mim o fascismo


Versão: Adenildo Lima
Cálice: Chico Buarque e Gilberto Gil














Pai, afasta de mim o fascismo
Pai, afasta de mim o fascismo
Pai, afasta de mim o fascismo
Que faz escorrer sangue demais

Como aguentar tanto ódio e rancor
Sentir a dor ou engolir calado
A morte do mestre Moa, resta agora
Gritar mais alto o silêncio dos inocentes
E fazer despertar a liberdade
Pois é melhor ser filho da outra
Noutra luta vencer a maldade
Esse fascismo que nos atordoa

Pai, afasta de mim o fascismo
Pai, afasta de mim o fascismo
Pai, afasta de mim o fascismo
Que faz escorrer sangue demais

Como é difícil aguentar calado
Se calado o ódio avança
Quero lançar um grito humano
Na expectativa de ser escutado
Esse silêncio pode gritar mais alto
E impedir quem nos atordoa
Atordoado eu sigo atento
Num sentimento de amor e paz

Pai, afasta de mim o fascismo
Pai, afasta de mim o fascismo
Pai, afasta de mim o fascismo
Que faz escorrer sangue demais



De tanto ódio mataram Marielle
Fazendo emergir o coiso fascista
Como é difícil, pai, ficar calado
Com a voz presa na garganta
Esse fascismo solto no mundo
É preciso impedir seu avanço
Mesmo calado no olhar resta o sonho
De pessoas gritando ele não

Pai, afasta de mim o fascismo
Pai, afasta de mim o fascismo
Pai, afasta de mim o fascismo
Que faz escorrer sangue demais

Talvez já esqueceram a ditadura
Que humilhou, torturou e matou
Hoje aplaudida pelo fascista
Vamos erguer a nossa voz
Vamos gritar um pouco mais alto
E impedir o ódio e o rancor
Seguir firme é preciso
Quero a paz e a democracia


Pai, afasta de mim o fascismo
Pai, afasta de mim o fascismo
Pai, afasta de mim o fascismo
Que faz escorrer sangue demais

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Lívia


Aos vinte e seis anos de idade, Lívia não tinha o hábito de leitura. Lia no máximo dois livros por ano; sim, é claro, ela não estava muito longe da média leitora por pessoa no Brasil. Não, não estava. Achava os livros enfadonhos, uma perda de tempo. Não teve incentivo à leitura na infância e, mesmo com quase trinta anos, nunca tinha sido apresentada ao mundo mágico de cada história que fica nos esperando no decorrer de cada página de um livro.

Um dia, ela entrou numa livraria de bairro, que ficava próxima da sua casa. Teve curiosidade de folhear, de olhar, pegar vários livros. Com olhar tímido e o corpo acanhado, deu boa tarde ao vendedor, enquanto entrava. Primeiro, olhou uns quadros de um artista plástico contemporâneo. Ficou olhando, olhando...

– Não entendo nada, disse com um sorriso disfarçado no olhar, como se estivesse se sentindo perdida ali.
 – Mas obra de arte não é pra ser entendida, disse o vendedor.
– Não?! Como assim? E é pra quê?
– Ah, obra de arte é para ser apreciada, sentida e, quando possível, vivida.
– Nunca tinha ouvido uma definição como essa sua. Sempre pensei que obra de arte era coisa para os intelectuais, concluiu.
– Também, respondeu ele, mas antes de tudo penso que a arte em si é para os corpos que carregam essência humana, ou seja, para humanos, completou.

Ela disse que o ponto de vista do rapaz era interessante, como se estivesse concordando com ele. Em seguida se dirigiu às prateleiras de livros. Folheou um, folheou outro. E lia sinopse e olhava a capa e lia o nome do autor.

– Você já leu literatura oriental? Indagou o vendedor.
– Nunca li nada, disse ela.
– Tem um autor que eu gosto muito. Antes, eu também não conhecia, mas ao conhecer Yasunari Kawabata nunca mais parei de lê-lo.

E enquanto falava ele mostrava um livro, mostrava outro, comentava sobre a narrativa e sobre o autor.

– Vou levar esse, então, disse Lívia.
– Pode levar. E tenha certeza que não vai se arrepender, porque A casa das belas adormecidas é um clássico do Kawabata.
– Então vou levar, disse ela.

E, realmente, o vendedor tinha razão, ao dizer que o livro A casa das belas adormecidas, do prêmio Nobel Yasunari Kawabata, é um clássico da literatura universal. É um livro com uma narrativa sensível e discorre sob e sobre as múltiplas faces da humanidade. Aborda com maestria a solidão, aquela falta do encontro consigo mesmo, num fio condutor da existência onde, para o narrador, a vida já busca seus últimos passos, na velhice vivida de um personagem, que procura suprir sua carência ao ir para a casa das belas adormecidas.

E o livro foi tão impactante para Lívia que três dias depois ela voltou à livraria para agradecer ao vendedor pela dica de leitura. Ele conta, também, que ela se transformou numa leitora assídua...
...Afinal, as palavras têm sabor, basta apenas que cada um experimente-as, pensou o vendedor.

Adenildo Lima

sábado, 11 de agosto de 2018

Joanita


O relógio desperta cinco horas da manhã. Joanita se contorce toda na cama. Desliga-o, ainda dormindo. Dez minutos depois o barulho se repete. Ela salta da cama, sabe que o tempo não espera nem um minuto a mais nem um minuto a menos, principalmente se for numa cidade agitada como São Paulo, onde as pessoas não vivem, tentam sobreviver na angústia plena do existir.

Sim, e a existência para Joanita não era diferente. Trabalhava de segunda a sábado. Saía de casa todos os dias às seis horas e só voltava às vinte, com exceção de sábado, que ela saía às oito e voltava às dezessete. Às vezes ficava pensando, refletindo sobre a vida árdua que levava. Reclamar não era do seu perfil, gostava de encarar os empecilhos do dia a dia, desafiando-os com o objetivo de ver até onde podia ir.

Para ela, todos os dias podiam ser iguais se não fosse criativa o suficiente para driblar a rotina, procurava sempre ganhar o tempo lendo. Lia uma média de cinquenta livros por ano, dos clássicos aos best-sellers. E como todo o ser humano, ela tinha um sonho, o de um dia poder ser alguém. E ser alguém para Joanita era alcançar um pouco dos desejos implícitos em si.

Sonhava em ser professora, porque, para ela, não existia profissão mais honrosa. Em alguns momentos já se sentia velha e achava que não seria mais possível adentrar uma universidade; mas ela só tinha trinta anos. Por que me sentir velha?, questionava-se. Sempre fui tão decidida, desde a minha infância nunca abaixei a cabeça diante de nada, por mais obscuro que fosse, concluía.

E assim Joanita seguia o ritmo do cotidiano: lendo, observando, sonhando e trabalhando. Um dos escritores que ela tanto amava era Guimarães Rosa, dizia que o livro Grande sertão: veredas é o sopro humano regido numa só voz como representação universal. Já tinha lido-o três vezes. E todas as vezes que lia adentrava uma vereda diferente da existência humana sertão afora.

– Você lê muito é porque gosta ou para fugir um pouco da solidão, já que vive só?, perguntou um dia Carla, a sua vizinha.

Joanita respondeu que viver só nunca foi um problema na vida dela, pois aos quinze anos de idade saiu da casa dos pais e foi tentar a vida sozinha. Esclareceu também que sempre namorou, mas casamento não era uma palavra existente no dicionário dela, por isso a leitura sempre foi um alimento e não uma fuga de si, dizia. Porque ler, enfatizava ela, é poder fazer com que o Eu em Si possa se comunicar com o mundo, com outras culturas, aliás, é sair da normalidade cotidiana de milhões e milhões de pessoas que não valorizam o conhecimento como algo essencial para o viver.

Assim Joanita seguia seus dilemas, sonhos e realizações sem nunca abaixar a cabeça. E, um dia, Carla sem ter percebido nada antes, descobriu que ela tinha partido para outro lugar, sem deixar pistas. Até hoje não se sabe ao certo se conseguiu ser professora, se casou ou se apenas vive conforme acredita ser o melhor para ela.

Porque no fundo no fundo o ser humano degusta a felicidade quando não se permite ser amarrado pelos moldes existenciais
... ou, quem sabe, Joanita é apenas uma personagem de uma história perambulante por aí. Refletiu Carla ao pensar na sua vizinha não mais presente.

Adenildo Lima


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Livraria da Gente


Livraria da Gente📚 VENHA NOS VISITAR! 😀
Rua Dionísio da Costa, 20 - Vila Mariana | SP
(Próx. às estações Vila Mariana e Chácara Klabin)
Segunda a Sexta, das 10h às 19h
Sábado, das 10h às 17h
Telefone: (11) 2309-2748
WhatsApp: (11) 97375-1324

Mais informações:





segunda-feira, 30 de julho de 2018

Beatrix


Borges resolveu sair num domingo à tarde para um passeio no parque. Pegou um livro, pôs debaixo do braço e seguiu seus passos ruas adentro na cidade de São Paulo até chegar ao local almejado. Abriu o livro e resolveu ler o conto O Aleph, de Jorge Luis Borges, considerado o maior escritor da Argentina. Ele só não esperava que fosse conhecer alguém no passeio, pois saiu completamente descompromissado de quaisquer intenções, queria apenas fazer sua leitura, apreciar a paisagem e observar, em alguns momentos, os transeuntes.
– Oi, tudo bem?, de repente perguntou uma garota ao se aproximar dele.
– Sim, estou bem, e você?, falou Borges.
Ela respondeu que sim e sentou ao seu lado. Olhou a capa do livro lido por ele, fez um gesto que não gostava e, em seguida, disse apreciar Carlos Drummond de Andrade.
– Você gosta de poesia? Perguntou Borges.
– Sim. É tão gostoso adentrar o universo de um poema. Cada verso nos remete a um mundo único e ao mesmo tempo infinito, repleto de possibilidades.
Borges concordou, mas disse não gostar de poesia. Ela ficou surpresa como se estivesse perguntando como é possível alguém viver no mundo sem gostar de poesia? Um silêncio adentrou entre eles por um tempo, porém foi interrompido por uma pergunta:
– Qual o seu nome?
– Beatrix.
– Beatrix?! Falou ele um pouco surpreso.
– Sim, Beatrix, disse ela, e acrescentou: eu podia me chamar Bruna, Ana, Raquel, Fabiana, Luci... sei lá, tantos nomes eu podia ter, só que me chamo Beatrix em homenagem a um dos personagens mais importantes da literatura universal.
– Qual?
– Nossa! Você não sabe? Ah, desculpa, você não gosta de poesia. É a personagem do livro A divina comédia, de Dante Alighieri. Eu amei! É uma leitura tão saborosa, instigante.
Borges olhava para ela, surpreso, como se quisesse entender a personalidade daquela garota. Ela chegou do nada. Parece que também estava sozinha ali passeando no parque. E não demonstrava ter mais de vinte e dois anos de idade. Tão culta, pensava ele. Até parece ter saído das páginas do livro de Jorge Luis Borges.
– Preciso ir, falou ela.
– Já?! Perguntou ele.
Respondeu que sim, pois já me sinto realizada pelo nosso bate-papo, disse ela, e em seguida pegou na mão dele, deu-lhe um beijo, ao acoplar seus lábios no dele, e saiu. Borges ficou totalmente sem reação, olhando para ela que aos poucos desaparecia do alcance dos seus olhos.


Adenildo Lima

quarta-feira, 21 de março de 2018

22 de março - dia mundial da água

Imaginem: uma criança descobre que a água doce em breve pode acabar, e que diversas espécies de seres vivos estão sendo ameaçadas de extinção.

Estes dois livros contam a história de Vinícius - uma criança que acredita e sabe que o futuro da humanidade e a existência da vida aqui na Terra dependem de cada um.

Livraria Cultura: https://lnkd.in/dK3yaxg

Livraria da Gente: https://www.livrariadagente.com.br/buscar?q=Adenildo+Lima



quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Uma gota de sangue num verso

Dói em mim
Toda pancada dada
Num inocente,
Porque foi em mim
Que ela foi intencionada.
Dói em mim
A morte de Luther King,
Mas antes doeu
E dói
Todo o preconceito
Que o levou à luta,
À morte.
Dói em mim
A condenação de todos
Os inocentes que estão presos
Ou condenados,
Porque foi a mim
Que a condenação de Mandela
Foi intencionada.
Dói em mim
O silêncio dos inocentes,
Porque, ao se calarem,
Permitem a voz do Ditador.
Dói em mim
A (in)justiça que condena sem provas,
Porque é a mim
Que eles estão condenando.
Dói em mim
A esperança e o sorriso
Roubados de uma criança,
Porque é a lágrima ou o sangue
De um povo
Que será derramado amanhã.

por Adenildo Lima

domingo, 3 de dezembro de 2017

Miguel de Cervantes y Autran Dourado: La ambición de la palabra escrita es la de permanecer

Libro: Miguel de Cervantes y Autran Dourado: La ambición de la palabra escrita es la de permanecer, de Marta Pérez Rodríguez

"Este libro es el resultado de la tesis presentada en la Facultad de Filosofía, Letras y Ciencias Humanas de la Universidade de São Paulo (USP), para la obtención del título de Doctorado en Lengua Española y Literaturas Española e Hispanoamericana."
"La publicación de un libro es siempre motivo de satisfacción; que sea la culminación – por el momento – del esfuerzo académico e intelectual de Marta Pérez Rodríguez constituye para mí un momento muy feliz. Espero que a este sigan otros muchos logros: su trabajo y constancia nos lo aseguran. José Montero Reguera Catedrático de Literatura Española En Vigo"
Portal dos livreiros: https://lnkd.in/dagsAVz