terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Férias nas noites nordestinas

Estou de volta

Minhas queridas e meus queridos, estou de volta. Fiz uma viagem maravilhosa pelo Nordeste, um dos melhores momentos da minha vida, aproveitei demais até, até demais rs. Fazia dez anos que eu não ia lá, reencontrei os amigos - todos com a maior transparência - Fiquei um pouco em Maceió, fui à algumas praias, desci de rappel, bebi muitas cervejas, fiquei alguns dias na cidade que nasci, Colônia Leopoldina, fui ao agreste pernambucano, conheci várias cidades: Jurema, Lajedo, Garanhuns, Caruaru e tantas mais... Também fui pro Recife, Olinda e vários sítios... E muitas cervejas. Aproveitei muito mesmo! Os voos foram maravilhosos. E não esquecendo, estive presente nas aberturas do carnaval de Maceió e do Recife; o de Recife foi em Olinda, com várias bandas, o famoso OLINDA BEER. É, agora estou de volta e começarei a escrever as cartas que faltam neste blog.

adenildo lima

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Um aviso:

Olá, minhas queridas e queridos, desculpem a ausência por estes dias, e ficarei mais um pouco...rs... viajo dia 15 e só volto em fevereiro, farei um percurso pelo nordeste: Alagoas, Pernambuco... etc.

Ao voltar, finalizarei com as postagens das cartas, acho que tem mais umas 15.


bjs e abraços,

adenildo lima

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Carta nº 15

São Paulo, 24 de dezembro de 2009

saudações

meu prezado amigo, você não sabe como estou encantada com a sua carta, você poderia e pode ser um romancista, amei ler a minha história transformada em ficção, ficou tão romântica, tão poética... Acredita que eu li e reli 15 vezes? Que conto maravilhoso, uma história romântica misturada com um drama trágico; amei! E como não vou falar mais pra ninguém dessa história, peço que muitos fiquem com essa contada por você, pois esse é um assunto que não pretendo mais comentar. Chorei bastante, ao ler e reler a carta, mas foi bom esse momento que dividi contigo.

Eita, Carlos, hoje é dia 24, todo mundo está comemorando o natal, vou ficar em casa com meu avô, quem não gostou nada disso foi o meu namorado. Namorar é bom, mas às vezes enche o saco,queria porque queria que eu fosse com ela pra praia, ficar com a família dele lá, foi a maior briga, por parte dele. Eu não fui, Carlos, e nem vou, quero ficar em casa com meu avô, com alguns amigos, sinto que preciso desse momento. Ah, passa aqui em casa, à noite, tá, tô te esperando, vamos abrir uma bebida, e bebemorar.

Na vida tem muitas coisas que podemos comemorar, principalmente as coisas mais simples, essas sim, são as mais importantes! Às vezes eu acho que o nível social do meu namorado, deixa-o um pouco distante de mim, talvez seja a família dele, quem vai saber, né? Mas penso que a mãe dele deve falar: Você! menino de classe, namorando com aquele moça. Não sei, talvez eu esteja enganada. Mas vamos deixar esse assunto pra lá.

Ontem o meu avô contou tantas histórias africanas, falou da escravidão. Nossa, como foi sofrida a vinda dos povos africanos, naqueles navios... Nossa! queda dói em contar.

Carlos, preciso te mostrar os poemas que selecionei para compor o novo livro, estou tão intusiasmada com este projeto. Preciso mesmo que você leia, como você sabe, a sua leitura e crítica são muito importantes para mim.

Meu lindo, finalizo por aqui, e te espero à noite aqui em casa, ok?
Mil beijos no seu coração,

Natali Velasquez.

por: adenildo lima

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Carta nº 14

São Paulo, 22 de dezembro de 2009

Saudações

Natali, que carta linda você escreveu, até parece história de filme esse seu romance. Por que nunca me falou hein? Mas ficou faltando uma coisa: como terminou essa sua história de amor? O que deu...? Quero saber, de repente a gente escreve um romance inspirado em fatos reais. E qual título daríamos? Que tal "Assim nasceu o amor". Aí faríamos todo um enredo, contava a história de cada um, separadamente, dentro do livro, daria para começar a história com o encontro de vocês no barzinho e, sempre entrelaçando os capítulos, sem deixar a história linear. Você deve perguntar: Mas o Carlos escreve alguma coisa? São só ideias, minha Natali, é que achei muito linda a sua história, e você vai me desculpar, mas vou tentar dar um final pra ela.

"5h da tarde, num barzinho, ao ar livre, lá na Avenida Paulista, um grupo de amigos marcam um encontro para comemorar o aniversário de Vinícius. Vinícius, rapaz calmo, com um olhar forte, observador, comemora seu niver com muita felicidade. Na frente dele está Natali. Natali é uma menina extrovertida, batalhadora, mesmo tão jovem, já conseguiu muitas coisas por consequências do seu esforço. Ela começa a conversar com ele e, no olhar dela, é possível perceber um brilho diferente, um sorriso aberto, uma alegria inexplicável.

Depois de 3h comemorando, as pessoas começam a ir embora, Vinícius também. Quando Natali foi dar o abraço de despedida, não encontrou palavras para dizer que foi um prazer ter o conhecido, ficou nervosa, sentiu vontade de pedir o telefone ou o e-mail dele para ficar mantendo contato, mas não teve coragem e, sem que ela esperasse, ele deixou o e-mail dele escrito num guardanapo. As bochechas dela ficaram vermelhas, vermelhas... E por detrás de seu olhar escondido, guardava a esperança de um beijo.

Mesmo apaixonada, ela só escreveu depois de dois dias, não queria demonstrar, procurou deixar que ele percebesse e, ao mesmo tempo, ela esperava ser conquistada, pois toda mulher que ama, espera uma conquista. E foi o que ela fez.

Depois de muitos e-mails e telefonemas, marcaram um encontro, foram a um parque, passearam, conversaram muito, muito mesmo! Ficaram mais próximos um do outro. Ele percebia, através das palavras dela, que ela estava gostando muito dele. ELe também, aos poucos, estava se apaixonando. Naquele dia mesmo, ali, no parque, tentou beijá-la, ela rsistiu, dizendo que se conheciam muito pouco para já começar um relacionamento. ELe respeitou.

Mas no próximo encontro seria impossível não rolar o primeiro beijo. E o beijo aconteceu. Quando ela encostou os ládios nos lábios dele, sentiu o corpo tremer, sentiu uma sensação diferente de todas que as outras, já sentidas, ao beijar. Descobriu, ali, naquele beijo, o nascimento do amor na vida dela. E começaram a namorar.

Quando ela conheceu vinícius tinha apenas 17 anos, e Vinícius 23. Namoraram durante dois anos. Amavam-se e amaram-se intensamente. Mas a vida tem suas contradições.

Vinícius estava vindo de um show - ele cantava nos barzinhos -.Carregava nas costas o seu violão e, sem esperar (e quem espera um momento desse?), uma bala perdida atingiu o seu coração. Foi socorrido, mas já chegou morto no hospital.

Natali entrou em depressão existencial, prometeu pra ela mesma nunca falar daquela história tão linda e tão encantadora que eles viveram, pois chorava profundamente, se fosse relembrar.

Só depois de seis anos que ela conseguiu abrir seu coração, através de uma carta, ao escrever pra uma pessoa, que ela considera muito especial, um amigo que, aos olhos dela, dispensa comentários. Mas mesmo assim, é possível encontrar na carta uma alegria misturada com dor. Uma história sem fim.

E quando se ama, realmente, não existe um fim".

É, Natali, perdoa-me, transformei a sua história em ficção, mas não fica brava comigo não, a sua história, eu acredito que não tem nada com essa que contei. Essa parece mais um conto. rs

Com muito carinho um beijo e um abraço bem carinhosos no seu coração,

Carlos Eduardo.
por: adenildo lima

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Carta nº 13

São Paulo, 21 de dezembro de 2009

Saudações

Olá, Carlos, tudo bem? Nesta carta quero apenas escrever coisas bonitas, palavras doces e carinhosas, a você, meu amigo, que tanto amo, que tenho um carinho enorme, bem grandão! E vou começar falando de amor, como não existe palavra mais forte do que ela, eu não poderia começar com outra.

Quando eu tinha 19 anos, conheci um rapaz num bar qualquer, começamos a conversar, e ele transmitia-me tanta energia, algo tão bom; confesso, apaixonei-me! (eu nunca tinha te falado isso, né?) E conversamos sobre a vida, sobre arte, sobre as coisas simples; ele era tão simples, olhava-me com um sorriso escondido em cada olhar, guardando mistérios, tudo aquilo me excitava tanto, senti vontade de beijá-lo, de abraçá-lo, e dizer que estava apaixonada à primeira vista. Quando ele levantou-se para ir embora meu corpo tremeu, fiquei gelada, pensei em pedir o contato dele, não tive coragem. Ele veio, abraçou-me, um abraço tão carinhoso que me transportou de onde eu estava.

Nossa! Carlos, a paixão é um sentimento muito louco, como pode, né, num primeiro encontro, assim, por acaso, a gente apaixonar-se? E o que veio depois foi maravilhoso! Ficamos conversando, e marcamos um encontro logo em seguida, na terceira vez que nos encontramos, nos beijamos loucamente (eu acredito que você pensou que ficamos logo no primeiro encontro, depois daquele que nos conhecemos no barzinho, né? eu sei, Carlos, você deve ter pensado), mas não fiz isso não, mesmo apaixonada, encantada por ele, esperei um momento mais íntimo, um momento mais romântico (é, Carlos, não fique rindo de mim, ao ler "um momento mais romântico", toda mulher gosta de um encontro marcante, algo sentimental, e isso é tão bonito, Carlos, eu sei que você também é um rapaz romântico, e não diga que não, pois sou sua amiga e te conheço há bastante tempo, tá - rs).

Já escrevi tanto e só falei de mim, agora que percebi, desculpa (rs). Então você está apaixonado? É, eu percebi nas palavras escritas na carta anterior. E por uma mulher comprometida? - ou quase comprometida - pelo o que você falou, acho que ela ainda não deixou o namorado, estão apenas com uma briguinha besta, sabe... Ah, Carlos, cai fora dela, meu amigo, é complicado relacionamento assim, vai à procura da outra que você comentou, acho que você está apaixonado por essa segunda mulher na sua vida, e nem percebeu - tá podendo hein, meu amigo, fiquei até com ciúmes, vai que de repente você esquece sua amiga aqui, fica apaixonado e já era a velha amizade dessa menina que tanto te ama. Faz isso não, tá - Mas como você mesmo falou, deixa o vento te levar, pois o importante é ser feliz, e depois que eu descobri que só existe uma vida, preciso aproveitar cada segundo como se fosse uma década. Faz isso, tá, não deixe o tempo passar sem vivê-lo. E o tempo é cruel, muito cruel! Não espera nada, e vai numa boa, às vezes correndo, noutras vezes devagar, depende sempre da maneira que pensamos e agimos. Só não deixe de viver!

Meu lindo, termino esta carta com muito amor no coração, desejando-te um maravilhoso dia.

De sua amiga louca que tanto te ama,

Natali Velasquez.

por: adenildo lima



domingo, 20 de dezembro de 2009

Carta nº 12

São Paulo, 2o de dezembro de 2009

saudações,

minha querida Natali, boa tarde. Acabo de fazer a leitura de sua carta, e como estou emocionado, você conseguiu resumir em poucas palavras a face mascarada desta sociedade em que vivemos, dessas datas comemorativas criadas pelo mercado para vender os produtos nas lojas, desse país do carnaval e do futebol em que vivemos, onde as festas ajudam a matar a fome do cidadão sem comida, sem escola, sem saúde; do cidadão sem nome perdido nas esquinas de cada rua, buscando com o olhar algum caminho, que nem mesmo eu sei pra onde.

E como o mundo anda na contramão, Natali, ontem mesmo, conversando com um grupo de amigos-colegas... Acredita que todos falaram que olham o ser humano pela roupa que veste, pelo tênis que usa?...! Verdade, Natali, eu até estrapolei um pouco na minha defesa, pois preciso defender aquilo que acredito. É, Natali, como você sabe eu acredito no ser humano que tem um cérebro, e não uma roupa, que quem pensa é o cérebro e não o dinheiro no bolso dele; e o pior, Natali, lá tinha pessoas formadas em letras, em psicologia...

É, minha amiga, é duro este mundo em que vivemos, pra onde vamos, né? Mas vamos mudar de assunto, este tema numa hora desta deixa a gente nervoso, e não quero você nervosa ao fazer a leitura de minha carta. Lembra da minha ex-namorada? Ah, ela continua com o rapaz, com o qual estava me traindo, espero que ela seja bem feliz, e que possa aproveitar bastante. Aqui entre nós, acho que estou gostando de uma menina, ela parece ser legal, a única coisa ruim é que ela acaba de sair de um relacionamento, tá mesma situação que eu, aí, não estou querendo me entregar, acho que ela vai voltar em breve pro ex-namorado, não sei, acho que vou viver conforme o vento me levar rs.

Minha querida, deixo um beijo e um abraço deste teu amigo que tanto te ama,

Carlos Eduardo.

por adenildo lima


sábado, 19 de dezembro de 2009

Carta nº 11

São Paulo, 19 de dezembro de 2009

Saudações

Carlos, como você está? desculpa a ausência por esses dias. Estive ocupada com alguns detalhes da vida, final de ano, uma correria daqui, outra dali; você sabe como é.

Eita, Carlos, chegou o final do ano, estamos na semana do natal. São tantas homenagens, são tantos desejos de felicidade; e será que o papai noel vem este ano? Esse papai noel. Ah, este papai noel, esse velho capitalista miserável filho de um mãe que não o pariu, vestido de anjo, aparece para iludir as crianças carentes, vem trazendo uma esperança abstrata, uma esperança que eles mesmos quando tiram aquela roupa de papai noel, permitem que as crianças morram cheirando cola debaixo dos viadutos, assim, como você citou na carta, ao me escrever. Sabia, Carlos, eu não gosto de festas, essas festas natalinas, essas alegrias falseada nos olhares das pessoas. Desculpa, mas eu não gosto, eu preferia o sorriso de uma criança feliz, o sorriso de uma mãe feliz, mas quem disse que elas podem sorrir com essa educação, com essa saúde, com esse descaso; e o pior, tudo isso nesse tempo de festa a elite tenta esconder com a roupa de papai noel.

Meu amigo, desculpa, acho que hoje estou sem muito assunto.

Um beijo e um abraço bem forte no seu coração! Tenha um bom sábado!

Natali Velasquez

por adenildo lima

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Carta nº 10

São Paulo, 15 de dezembro de 2009

Saudações,

Natali, bom dia, como estou feliz por ter me encontrado contigo no final de semana, foi muito bom conversar, colocar os assuntos em dia, brincar, rir... Conversamos tanto, né?

Sabe o que eu fiquei pensando? Ah, você não vai adivinhar, eu sei. Foi ouvir você falando da sua infância, mas foi interessante porque falaste de uma maneira tão gostosa, que ao invés de chorar, a gente ria, e ria, e ria.

Sua infância foi muito doída. Nossa! e saber que exitem milhões de crianças passando por isso que você passou. Começar a trabalhar, praticamente, com menos de 5 anos de idade, ali, debaixo de um sol queimando, cuidando dos animais naquele sítio, e depois, pegar um instrumento maior do que você mesma e entrar terra adentro, para capinar, plantar, colher, alimentar os animais...

Mas mesmo assim, eu digo que a sua infância foi melhor que a de muitas crianças da cidade grande como, por exemplo, São Paulo. Às vezes eu passo pela manhã, ali, no centro da cidade, o que vejo de crianças cheirando cola, pedindo esmola, sem escola. E muitas pessoas acham que isso é poesia. Você não, você viveu, mesmo sendo uma vida sofrida, aprendeu e teve o amor familiar. Toda tarde, sentavam-se naqueles bancos, ao redor da mesa, e jantavam, antes faziam uma oração, agradecia a deus, e riam, pois tinham uma felicidade transparente.

Engraçado foi ouvir você falando dos seus cabelos arrepiados, do nariz escorrendo, das roupas cheias de remendo; confesso, era pra chorar, mas você falou de uma maneira muito divertida, acho que é por isso que eu te amo tanto, você é sempre feliz, dificilmente entrega-se ao desânimo da vida, encontro-te sempre alegre, rindo à toa.

Ah, e agora você é uma moça formada, concluiu seu curso superior. Parabéns, parabéns mesmo, você é muito esforçada, merece todo o respeito do mundo, e feliz de quem um dia te conheceu, e feliz de quem um dia vai te conhecer. E pensando bem, você tem mesmo é que rir, aproveitar cada momento da vida.

Linda, agora termino com muito amor e felicidade por ter te encontrado nesse final de semana, como falei no início desta carta.

De seu amigo que tanto te ama,
Carlos Eduardo.

por: adenildo lima

sábado, 12 de dezembro de 2009

Carta nº 9

São Paulo, 12 de dezembro de 2009

Saudações,

meu prezado amigo, Carlos, acabo de ler sua carta, e estou muito triste com a situação que você está passando, é um momento complicado, difícil e, ao mesmo tempo, a gente não quer acreditar que é verdade, vocês se davam tão bem, você sempre teve um carinho enorme por ela; como pode ela ter feito isso com meu amigo?

Mas não se preoculpa, Carlos, a vida é um ir e vir sempre, nunca perdemos nada, sempre ganhamos, nessa história quem saiu perdendo foi ela. Traição é um assunto muito complicado, se ela não estava sentindo-se bem com você, falasse, conversasse numa boa, são dois adultos, por que fazer isso? Não fica nervoso, nem se sentindo mal, você não tem culpa nenhuma, agora é só partir pra novos caminhos, afinal a vida é um ir e vir constante.

Nossa, Carlos, mudando um pouco de assunto. Hoje parei pra pensar um pouco, e percebi como o tempo anda muito rápido, já estamos no dia 12 de dezembro, o final do ano já está aí. Este ano foi muito corrido pra mim, mas consegui concluir a faculdade, isso é uma grande vitória, exigiu muito esforço e coragem, como você sabe, mas é muito gostoso quando chegamos no final, até mesmo porque sabemos que o final é sempre um novo começo, e é isso que vou fazer.

Sabia, Carlos, que estou acreditando que realmente o Brasil está melhorando? Estou bem otimista, bem crente! até estou acreditando que a educação vai melhorar. Precisamos acreditar, né? Termos cidadãos conscientes, lutando contra o preconceito mascarado que temos em nossa pátria, lutando pelo conhecimento dos direitos e deveres de cada um, como ensino nas salas de aulas... Estou acreditando muito, e vou fazer minha parte, sempre!

Meu querido, fica com meu beijo e carinho, qualquer coisa é só me procurar, beleza?

De sua eterna amiga, que tanto te ama,
Natali Velasquez.

por: adenildo lima

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Carta nº 8

São Paulo, 11 de dezembro de 2009

Saudaçõe,

Natali, minha linda, desculpa a ausência, estive meio enrolado, aconteceu uma coisa meio chata comigo, e achei melhor me reseravr um pouco, ficar um pouco comigo mesmo, meio ausente. Leva a mal não, tá, foi o que eu achei que fosse melhor pra mim, no momento.

A Veruska, minha namorada, como você sabe, ou melhor dizendo, minha ex-namorada, estava me traindo, encontrei-a com outro, nem acreditei. Tá sendo difícil pra mim, Natali, Acredita, até chorei? Chorei mesmo, não tenho vergonha de falar pra você, não. O meu choro não foi por não tê-la mais, mas sim, pela covardia que ela fez. Como pode, né?

Desculpa, minha querida, tô sem assunto, depois te escrevo mais.

Beijos,

Carlos Eduardo.
por: adenildo lima


Carta nº 7

São Paulo, 11 de dezembro de 2009

Saudações,

Carlos, o que aconteceu com você?! Nossa, quanto tempo sem me escrever, você sabe que sinto falta de suas palavras, do seu carinho... Tenho tantas coisas pra conversar contigo; ontem mesmo, sentei na calçada e fiquei imaginando nossos longos diálogos, nos belos passeios que fazíamos. Lembrei daquela tarde, nós, sentados, olhando a água em seu silêncio, às vezes um silêncio carinhoso, noutras vezes, um silêncio barulhento, e o sol se escondendo aos poucos, como se estivesse abraçando a lua, e a noite vindo calmamente... Foi tão lindo, lembra?

Meu querido amigo, será que você tá com raiva de mim? não, né?
Faz isso comigo não, tá, não deixe de me enviar cartas, de falar de você, de vir aqui em casa... Eu te amo muito, você sabe disso, a nossa amizade é tão sincera. A semana passada, lá no meu trabalho, eu estava conversando com duas colegas, e elas não acreditaram quando falei de você, ficaram até com vontade de te conhecer, disseram que é muito difícil encontrar um amigo assim, e até brincaram dizendo que somos apaixonados. Magina, loucas, elas são.

O meu avô, perguntou por você. Tá vendo, ele gosta de você, sim. Ele é uma maravilha de pessoa, me conta cada história. Disse que na época dele, o namoro era apenas um olhar para o outro, nada mais, e que não existia essas coisas de beijo na boca. O namorado ia na casa da namorada, se falavam como dois estranhos, e sentavão-se um longe do outro, pra conseguir um beijinho no rosto, era um milagre. Nossa, como os tempos mudam, né, Carlos? Nos dias atuais, antes mesmo do primeiro beijo já estão procurando um lugar pra transar.

Pensando nas palavras do meu avô, fiquei refletindo, como o sexo anda banalizado, não tem mais aquele amor, aquele carinho, os casais não se olham nos olhos, não costumam viver um momento harmonioso, transam como se o melhor de uma relação fosse apenas o sexo. O que é o sexo sem amor pra uma mulher, né? Pelo menos falo das mulheres que se valorizam, pois têm muitas...

Carlos, sabia que às vezes tenho medo de casamento? Sei lá, e se esse meu namorado atual não for o homem que sonho, que espero pra ser o pai dos meus filhos, o esposo que me acorde com um beijo...? Você precisa conhecê-lo, gosto de apresentá-lo para os meus amigos. Ele é legal, Carlos, nunca me tratou com diferença, respeita a minha classe social, e parece que não tem vergonha de me apresentar para os amigos dele; ah, mas se algum dia ele tiver vergonha de mim, eu deixo ele, Carlos, deixo sim, essas coisas não perdoo mesmo, prefiro morrer solteirona a casar com um homem que não me ame.

Nossa, nem percebi, como já escrevi, desculpa, estou te alugando.
Mas por favor, me escreve, preciso saber de notícias suas.

De sua eterna amiga, que tanto te ama,

Natali Velasquez.

por: adenildo lima

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Carta nº 6

São Paulo, 9 de dezembro de 2009

Saudações,

Carlos, meu querido, desculpa não ter te escrevido ontem, sofri demais no trânsito, como você viu, a chuva causou mesmo. Nossa cidade é uma loucura sem tamanho, ao mesmo tempo que é a capital da arte, aqui no Brasil, é um caos total. Se são Pedro ficar nervoso, já era a nossa cidade - rs -. Ah, você comenta sobre meus poemas. Poesia, poesia, pra que poesia?

Sabia, Carlos, que muitas vezes fico fazendo esta pergunta. Aqui entre nós, ser poeta é inútil demais, não serve pra nada, acho que ninguém escolhe ser poeta, é a natureza que diz: você! rs - tô brincando, como você sabe, mas ninguém escolhe ser poeta mesmo não, é uma escolha da natureza. O pintor consegue vender seu quadro e compar um prato de comida. Agora vá o poeta vender um poema. Ele morre de fome rs.

Acho que você está pensando que estou revoltada. Não, não, tô apenas brincando, pois continuo escrevendo, têm dias que escrevo um monte, têm outros dias que não sai nada, o processo de criação é um mistério. Tem pessoas que não acredita em inspiração, ah, eu acredito, Carlos, sem inspiração não sai nada não viu. O que eu acho que acontece é que as pessoas pensam que inspiração é a entrega da obra completa ao artista. Isso não. Inspiração, pra mim, é igual uma gota de chuva caindo, e aos poucos vai se misturando, misturando e... acontece o que aconteceu ontem: uma tempestade. rs

Fico feliz por você gostar dos meus textos, logo logo eu te mostro alguns poemas que escrevi ultimamente. Você comentou que podíamos nos ver neste final de semana. Farei o possível, mas tõ enrolada, vou fazer uns bicos pra juntar uma grana, pois pretendo viajar neste começo de ano, não aguento mais tanto estresse, tanta correria, às vezes até esqueço que sou humana, e penso que sou máquina. Olha a que ponto cheguei.

Meu querido amigo, mil beijos no seu coração, de sua eterna amiga

Natali Velasquez.

por: adenildo lima


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Carta nº 5

São Paulo, 8 de dezembro de 2009

Saudações,

minha querida Natali, fico triste por você ter ficado reprovada numa prova. Na verdade nem fico triste por você, pois sei que você passaria numa boa, fico triste pela situação em que se encontra nossa educação. Isso que você comentou não é mentira, nao, existem professores que reprovam mesmo, é terrível isso. Mas você passa numa boa, na substutiva. Que bom que está finalizando, né, faculdade cansa tanto, parabéns por essa conquista, sei o quanto você se esforçou pra conseguir esse diploma que está prestes a chegar.

Natali, hoje acordei meio confuso, meio pensativo, sabe? tem dias que acordamos pensando que o dia é noite e que a noite é dia. Aí, li sua carta e fiquei todo feliz, ao ler suas palavras sobre a amizade, encontrei vida.

A amizade é algo que todos nós precisamos. E precisamos sempre zelar por ela, pois colegas temos muitos, mas amigos temos pouco. Saber que existe alguém que podemos confiar, que podemos parar pra conversar, pra ouvir atentamente. Nada melhor!

Falando de amizade e dos momentos bons que dois amigos passam, lembrei de algo, e quero te pedir desculpas. Sabe, aquele tempo em que você tinha perdido alguém da sua família, você insistiu tanto pra conversarmos, pra termos um momento; não sei, e nem sei explicar o motivo de ter fugido. Sei lá, eu sabia que você precisava de mim, sabe? mas pensava milhões de coisas, e também não éramos muito amigos, na época. Mas peço desculpas, sei o quanto aquele momento te fez falta, pois você via em mim, o acalento amigo. Mas o mais importante é que conseguimos manter a amizade, fazê-la mais fortte, e torná-la mais importante, afinal vivemos numa cidade tão solitária, né, não dá mais pra ignorarmos as pessoas importantes e preciosas que aparecem nas nossas vidas; mesmo que seja por um acaso, e como não acredito em acaso, acho melhor acreditar no amor, vou semeando essa semente, mesmo que seja no concreto, pois sei que nasce flor onde existe amor - que poético - rs.

Falando em poesia, como andam seus poemas, nunca mais li nada seu. Eu gosto de seus textos, você escreve muito bem, Natali. Depois quero saber seus planos pro futuro, talvez neste final de semana, eu passe aí na sua casa, ou a gente marca pra sair, sei lá, me fala depois, beleza?

Minha linda, agora tenho que ir, o tempo me chama.

De seu amigo louco e sincero,

Carlos Eduardo.

por: adenildo lima

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Carta nº 4

São Paulo, 7 de dezembro de 2009

Saudações,

Meu querido amigo, como é bom receber suas cartas, elas trazem uma paz, um carinho misturado com uma preocupação social. E nada melhor do que saber que tenho o seu amor, tão sincero e fiel. O meu avô é uma comédia, mas ele gosta de você, sim, é engano seu pensar que não. Logo que eu cheguei ele me falou que você tinha passado aqui e que tinha deixado uma carta, e questionou o motivo de tantas cartas. Eu ri, e dei um beijo carinhoso nele. Ele ficou todo feliz. Meu velhinho já está com 82 anos vividos, tem muitas histórias, e como eu gosto de ouvir ele contando, ali, sentado naquela cadeira, ele me olha, com um carinho de pai, e começa a contar. Eu viajo. Como é bom ouvir suas Estórias!

Hoje eu peguei o resultado das provas. Fiquei em uma, mas posso fazer a prova substutiva, acho que na próxima semana. A professora me deixou na maior cara de pau, acredita, Carlos, só porque nas aulas dela eu questionava? Como eu não aceitava muitas coisas que ela falava, me ferrei! Tenho certeza que foi falta de profissionalismo por parte dela, me reprovar, eu escrevi um texto, acho que ela não acreditou que foi eu que fiz, pois ela pediu pra eu citar a fonte. Falei que não podia citar fonte dos meus próprios textos, e ri. Nossa! foi o caos. Tem professores bons, mas a decadência educacional está em todos os lugares.

Vou falar um pouco de você, pareço egoísta, só falo de mim (rs). Parabens, você ainda consegue aproveitar um pouco dessa vida corrida que levamos na grande São Paulo. Esta cidade é uma loucura, a gente acorda às 5h, sai do trabalho às 5h - da tarde -, entra na sala de aula às 7h e, quando chega em casa, o relógio já marca meia-noite. Somos praticamente vizinhos e o tempo consegue nos separar. Mas ainda bem que a gente consegue manter nossa amizade firme.

Falando em amizade, pode ficar tranquilo, o meu noivo nunca demonstrou ciúmes, ele sabe que temos um respeito enorme um pelo outro. E o importante é o respeito. Que nós nos amamos, nunca escondi isso dele, mas ele sabe que o nosso amor é amor de amigos-irmãos. E como sou feliz com a nossa amizade, ela me faz muito bem, se preciso for, atravesso o Mar Vermelho de costas para não perdê-la. (rs)

Meu lindo, agora vou dormir, estou com muito sono.

De sua amiga que tanto te ama,

Natali Velasquez

Por: adenildo lima


Carta nº 3

São Paulo, 7 de dezembro de 2009

Saudações,

olá, minha querida Natali, recebi sua carta ontem mesmo, mas não tive tempo de responder, estive andando à toa por aí, e cheguei tarde da noite em casa. Foi boa a viagem, aproveitei bastante. Em alguns momentos, lembrei de você.

Natali, sabia qu ontem parei um pouco e fiquei pensando na loucura da vida? Nossa! a vida é muito louca, tem coisas que não conseguimos entender, por exemplo, parei em um determinado momento e fiquei observando uma multidão de gente, lá num show,ontem. Uma cantora interpretava seu papel no palco, uma multidão ria, cantava, brincava, outras catavam latas jogadas pelo chão, e algumas mais, estavam ali como se o mundo tivesse virado as costas pra elas.E será que não virou, né?

Nossa, eu comecei escrevendo, pensando em fazer algo alegre, mas isso faz parte da vida, né? Depois que li sua carta fiquei pensando na vida corrida que você leva, estudos, trabalho, namoro, às vezes até me pergunto se sobra algum tempo pra você viver. Mas viver é o que mesmo, né? (rs)

Ontem quando fui deixar a carta lá na sua casa (eu mesmo fui, sabia que você não estava, aí fui), o seu avô tá bem fraquinho, num tá? Sabia que ele não gosta de mim? Quando eu cheguei lá ele estava sentado naquela cadeira de balanço que tem na área de sua casa, ele me olhou, fez um gesto que não gostou de me ver, e falou que você estava trabalhando. Eu ri, e pedi pra ele entregar a carta a você. Ele disse que você tem namorado, e pediu pra eu deixar você em paz. Falei que somos grandes amigos, acho que ele não acreditou.

Nossa amizade é complicada, as pessoas ainda pensam que nós somos apaixonados um pelo outro, na verdade nos amamos, né? uma amizade dessa que temos é difícil encontrar por aí. Quem é chato nessa história é o tempo, quando você está em casa, estou trabalhando, quando você está trabalhando estou em casa. Às vezes até penso em ligar, mas não gosto de telefone. Um colega disse que nós podíamos nos comunicar por e-mail. Falei que estou sem internete, e você também, né? Ah, parece que escrever cartas é mais gostoso.

Minha querida, ontem fiquei pensando referente ao seu futuro casamento. Nossa! eu ainda nem conheço seu namorado, acho que ele tem ciúmes de mim, sabia? Homem nunca confia nos amigos da namorada, às vezes até finge, mas confiar mesmo, é difícil. Mas evita de falar meu nome pra ele, beleza? Isso causa um certo ciúme.

Ah, sobre o que eu falei nas cartas anteriores, esquece! amigos não guardam essas bobagens. Oh,e qualquer coisa que você não gostar, por favor, me fale, hein.

Hoje escrevi bastante, agora vou tomar um banho.

Carinhosamente,

de alguém que te ama muito!

Carlos Eduardo

Por: adenildo lima

domingo, 6 de dezembro de 2009

Carta nº 2

São Paulo, 6 de dezembro de 2009

Saudações,

meu ilustre amigo, Carlos, recebi suas cartas, li as duas atentamente, têm muitas coisas que precisamos conversar; muitas coisas mesmo! Às vezes você acaba exagerando em alguns termos usados, e parece que brincadeira passa a ser ironia. A primeira carta, procurei palavras para respostar, não encontrei, não que eu fosse fugir de você, ou ficar com raiva, não, jamais farei isso, jamais! Somos adultos e conversamos sempre pra deixar tudo exclarecidos.

Você comenta que ignorei você, isso não é verdade, confesso que estava com muita pressa, e o vi apenas de relance, por isso passei direto; peço desculpas. Realmente, estou pra casar, acho que no próximo ano, já que este ano está terminando. Ele parece ser uma boa pessoa, estamos nos dando bem, e como você sabe, toda mulher sonha com esse dia: casar com aquele vestidão, concretizar aquele momento mágico da vida. (rs)

Precisamos marcar um dia pra conversar, ri das coisas ruins e brincar com as maravilhas que a vida oferece, pois mesmo ela sendo difícil, vale a pena seguir, né?

Carlos, fiquei sabendo que você anda meio conturbado. O que te atormenta, menino? Prometo, logo que eu puder, tiver um tempinho, vou puxar suas orelhas. Eu também ando correndo, confesso que essa correria afasta as pessoas, mas vamos fazer assim, vamos nos comunicar da maneira que nos couber, que nos for viável, tudo bem.

Desculpa a pressa, agora tenho que ir, aguardo respostas.

De sua eterna e tão sincera amgia,

Natali Velasquez.

Por: adenildo lima

sábado, 5 de dezembro de 2009

Carta nº 1

São Paulo, 5 de dezembro de 2009

Saudações,

Minha querida Natali, depois de duas noites, quase sem conseguir dormir, venho por meio desta carta, expressar e procurar explicar o que estou sentindo; tudo bem que não se explica sentimentos, se vive, mas neste caso, me sinto no direito de escrever, eu até poderia ir a sua casa, ou te ligar, ou algo parecido, mas gosto das palavras, das palavras escritas; faladas também.

Vou começar pela última carta que te escrevi. Eu acho que as palavras não conseguiram dizer o que eu queria (às vezes elas são tão cruéis comigo). Na verdade eu estava apenas brincando, procurando uma maneira pra fazer você rir, mas acho que ficaste brava, não me escreveu, e virou a cara quando me viu, não é normal você agir assim, até mesmo porque somos amigos, e amigos dialogam, conversam, e até mesmo quando brigam é com objetivo de tornar a amizade mais saudável (tudo bem que não gosto de brigas).

Natali, em alguns momentos, nesses dias que fiquei pensando em você (não que eu não pense sempre), eu lembrei de tantos momentos bons na nossa vida, que já vivemos, pois a nossa história até parece ficção, um filme romântico, sabe? aquelas histórias que só acontecem nos palcos, mas a nossa história aconteceu no palco da vida. Que lindo, né? Natali, não sei se realmente você está brava comigo. Nesses dias que estamos ausentes, fiquei sabendo que você está pra casar; fiquei feliz, sabia, por você? O importante de tudo o que aconteceu com a gente foi esta amizade que temos, e espero que nenhuma bobeira possa atrapalhá-la.

Minha querida, também quero te dizer que ultimamente não ando bem, ando meio conturbado com as coisas, não sei, na verdade nem quero falar isso contigo, mas se a carta anterior te feriu, peço desculpas, não foi a minha intenção. Ah, tenho tantas coisas pra conversar contigo, mas deixa pra lá, na próxima carta, escrevo mais.


Carinhosamente,

Carlos Eduardo.

por: adenildo lima

o ridículo do amor

esses dias lembrei de você

ao ler um livro

narra a história de um senhor

e uma jovem menina

e eles escrevem cartas

cartas de amor

ou será poesia

às vezes polêmicas

mas até nisso vejo leveza

choro riso

e os dois se amam tanto

sentimentos puros e simples

como nossa amizade

vou ler um livro também)

o tempo está passando rápido demais

afinal amar é aquilo que não sabemos

é o belo ou o ridículo

como diz álvares de campos

todas as cartas de amor são
ridículas.
não seriam cartas de amor se não fossem
ridículas
”.

e amar

é amar

por simplesmente

amar

e continua álvares de campo

mas, afinal,
só as criaturas que nunca escreveram
cartas de amor
é que são
ridículas
”.


adenildo lima

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

História parte 1

Numa casa com um quarto, uma sala e uma pequena cozinha morava seu João. Sozinho. Sim, ele morava sozinho. Trabalhava como jardineiro de uma escola pública; cuidava das flores. (amigo leitor, a história de seu João é linda que me sinto emocionado ao descrevê-la, mas preciso contá-la, só que resumidademnte).

Cuidava das flores, quando chegava em casa não tinha muita coisa para fazer, sentia um vazio, uma solidão, nunca teve filhos, a esposa faleceu e ele não se casou mais. Até que um dia conheceu Juliana. Juliana era uma adolescente de apenas 15 anos de idade, morava com a avó, senhora tradicional. Juliana sofria muito nas mãos de dona Benedita.

De um lado seu João, do outro lado Juliana, jovem, simpática, mas vivendo, praticamente, da mesma vida que o jardineiro. Que eles eram solitários? Não, acredito que não, viviam apenas sozinhos. E o que é ser sozinho, né, amigo leitor?

adenildo lima

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Nauseando 7

Um poema. Pra que serve um poema? - Perguntou Elisa. Pra nada, ou pra tudo, vai depender do leitor. - Respondeu José. Um poema foi o que Elisa recebeu no dia do seu aniversário do rapaz que ela estava namorando. Esperava receber um presente de grande valor representativo, no sentido dinheiro. Mas não foi isso que Carlos deu pra ela.

Carlos amou Elisa por uma década e alguns anos mais. Muitas noites deitava e não conseguia dormir, ficava pensando em estar ao lado dela, vivendo com ela, amando-a e sendo amado. Por ela ele mudou o jeito de viver, a maneira de vestir-se, o comportamento; mudou inteiramente pra conquistá-la. E deixou até de arrumar namorada.

Elisa era do tipo menina-boneca, às vezes meiga, noutras vezes burguesinha. Carlos era o rapaz que de bem material tinha apenas um um par de chinelos, uma bermuda e uma camiseta e, no olhar, um pouco de poesia. Ele quando a via com outro, entrava em desespero, até chorava. Era um rapaz de uma sensibilidade incrível, respeitador, trabalhador; tinha tudo o que uma grande mulher procura num homem.

Com mais de 10 anos de batalha, ele conseguiu conquistá-la. Digo, namorá-la, conquistá-la não sei. O amigo leitor a partir de agora fica sabendo o que Elisa foi capaz de fazer com ele. E eu também ficarei sabendo, já que estou escrevendo sem saber como este texto vai terminar.

Elisa tinha olhos verdes, cabelos loiros, pele amarelada e media 1,60m de altura. Tinha um corpo em forma violonado e um sorriso contagiante. Ao começar namorar com Carlos, os primeiros dias até que foram bem legais, mas Ele era do tipo de homem que confiava tanto nela, e estava tão feliz por ter "conquistado-a" que não media palavra para falar dos seus sentimentos.

Elisa pela primeira vez percebeu que podia fazer o que bem quisesse com ele, já que ele estava cego, louco e incapaz de reagir àquela paixão. E foi o que ela fez.

Depois de 3 meses de namoro, desprezava-o, tratava-o como se ele fosse um incapaz. E foi justamente no dia do aniversário dela que tudo aconteceu. Ela rasgou o poema, jogando-o nos pés dele. "pra que eu quero um poema, deixa de ser brega, idiota!"

Ele ouviu aquilo e ficou sem querer acreditar, pois além do poema ele tinha comprado outro presente, o presente que ela tanto queria. Mas ela não sabia, era surpresa, pois o poema representava a sensibilidade de um homem apaixonado, mas quem disse que era isso que ela queria?

Carlos sentiu vontade de chorar, mas naquele momento ele descobriu o segredo da vida - pelo menos pra ele, pra vida dele - olhou pra ela fixamente, falou do presente que tinha comprado, cuspiu na face dela e finalizou com esta frase:

"Melhor seria se eu tivesse me apaixanado por um verme, já que você, neste momento, tem menos importância do que as bactérias que vão comer teu corpo."

Falou isso, virou-se e foi embora. E aprendeu a respeitar o tempo, sem perdê-lo nas ilusões improvisadas.

adenildo lima


domingo, 29 de novembro de 2009

Um eterno amor

Natali entregou-se completamente, acreditou no amor como nunca dantes. E como ela amava! Mas o amor é algo que precisa ser vivido, e não apenas esperado. E ela viveu! Conhecia Vinícius há um ano, mas nunca tinham transados. Transa para ela era muito pouco, sonhava em fazer amor, em viver um grande amor. E viveu!

Combinaram para passar o final de semana numa chácara, junto à natureza, recebendo o ar fresco e ouvindo o som do cantar dos pássaros. Natali tinha de Vinícius, todo respeito e amor possível que uma mulher espera de um homem, e isso lhe fazia bem.

Tomaram banho na piscina, acompanhados com o carinho da lua. Saíram e foram para o quarto. Uma música acompanhava e contemplava aquela hora tão esperada pelos dois. Vinícius tira a roupa de Natali com a ponta dos dedos e, acariciando a pele do corpo dela com a sensibilidade da ponta da língua. Natali vai ao extremo. Nunca tinha vivido um momento daquele antes.

Natali excita-se ao sentir o cheiro de Vinícius entrando pelas narinas. Sente o sexo sendo acariciado pelo carinho apaixonante dele. Sente os corpos juntandão-se e se transformando-os em apenas um. Ela o beija, geme e sente o amor como nunca dantes.

Os pássaros cantam, a natureza contempla aquele momento: os dois amam-se! Natali atinge o orgasmo, por um segundo ela desmaia. Vinícius abraça o seu corpo, beija os seios, e dormem!

Natali levanta da cama enquanto Vinícius dorme. Por um segundo sentiu medo de nunca mais viver aquele momento. Natali decidiu morrer amando, tendo a certeza que foi amada. E deixou uma carta explicando sua decisão.

Vinícius chorou, ficou triste, mas ele sabia que precisava respeitar a decisão dela. E por amá-la tanto. A respeitou.

adenildo lima

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Nauseando 6

Na calçada, numa rua sem nome, sem começo e sem fim, estava sentado um senhor com umas barbas brancas, bem grandes! Tênis rasgados, roupa suja; um diário, um livro de poesia, um de filosofia e outro de litaratura. Ele estava lendo DOSTOIÉVSK.

Caminhando, como se estivesse correndo, vinha Natália. Jovem, com uma bolsa nas costas, um vestido solto ao léu; ao ver o senhor, desviou a caminhada.

- Bom dia, filha. Não precisa ter medo de mim, pra onde você vai com tanto charme, eu também eu vou pro mesmo lugar, com a minha simplicidade.

Ela assustou-se. Parou, e ficou lá onde estava. Olhou-o, como quem não quer nada, e perguntou?

- Para que serve a leitura para o senhor? Tantos livros!
- Jovem, eu que te pergunto: para que serve o saber para uma menina de sua idade?

A reação dela era de espanto, não esperava parar e ficar conversando com mendigo. Teve curiosidade de saber o que o levou para as ruas. Sentiu vontade de perguntar, não teve coragem. Olhou para o celular, estava um pouco atrasada, a empresa do pai dela, esperava-a.

- Anda com pressa, jovem? Não adianta correr tanto. Você sabia que pode chegar primeiro do que eu para o lugar que estou me aproximando?
- Desculpa, senhor, não entendi. O que o senhor quer dizer com isso?
- Não quero dizer nada, se as palavras não disseram, quem sou eu para querer explicá-las. Mas te olhando bem, posso ser sincero? Você tem um belo corpo.
- Vai pra merda!!!
- Calma, garota, só estou pensando ele indo de encontro a terra, voltando, transformando-se em cinzas ou lama. Mas não se preocupe, se você está fazendo alguma coisa de útil, pode ser lembrada, depois que partir.

Ela já estava ali, há uns dez minutos, aproximadamente. Olhou, de relance, a capa do livro de poemas.

- O senhor gosta de Fernando pessoa?
- Não tenho nada contra a ele. Mas se eu tivesse o conhecido, talvez não gostasse tanto dos seus escritos.
- Como assim, senhor?
- Como assim, filha, você pergunta? A arte é uma coisa, já o artista, outra. Leio porque preciso respirar, e escrevo porque não tenho espaço para falar. Os meus escritos são vômitos, tudo o que tentam forçar para eu engolir, que eu não aceito, vomito.
- Nossa! Nunca tinha ouvido isso antes.
- Você vive num mundo da fantasia. A univerisadede, te ensina o quê? A tua vida de filha de empresário, te ensina o quê? Me fala!!!

Ele alterou-se um pouco. Ela ficou o observando. Era estudante de filosofia, mas nunca tinha ouvido um discurso tão filosófico, tão real. E ele falava da vida, como um verdadeiro vivente, a vida vivida nas entrelinhas do dia-a-dia, a vida sentida, ao contrário da vida dos livros, que ela tinha.

Natália perguntou o nome dele. Ele disse que não tinha nome. Perguntou o que ele gostaria de ganhar no natal. Ele disse que não acreditava em papai noel. Natália queria fazer alguma coisa. O quê? Não se sabia. Ele pediu pra ela ir embora. Ela foi.

Quase todos os dias ela passava ali, e olhava, com um olhar procurando alguém. Aquele senhor não se encontrava mais naquele lugar. Ela queria fazer alguma coisa de útil para se sentir importante. (Tinha tudo o que queria e depois que ouviu as palavras daquele senhor, descobriu que não tinha feito nada de importante em sua vida).

E, num determinado tempo, numa manhã sombria, no lugar daquele senhor, estava um jovem, barbas cortadas, cabelo penteado e todo sorridente.

- Natália! - ele gritou.
- Quem é você? - ela perguntou.
- Não lembra de mim, Natália? Mas você lembra quando tentou me humilhar, lá na empresa do seu pai, lembra, né?

Ela assustou-se. Tentou ir embora. Ele pediu que ela ficasse mais um pouco.

- Natália, lembra do senhor que estava aqui, naquele dia? Foi você que o pôs aqui. Mas ele cortou o cabelo, arrumou a barba e vestiu uma roupa nova. Viu como ele mudou? Hoje ele é até encontrado nas livrarias.

- Natália, agora sou eu que te pergunto: quem é você?

adenildo lima


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Feira do livro na USP



Queridos e queridas acontece na USP a 11ª Festa do Livro da USP/2009 - Dias:
25-26-27 de novembro, das 9h às 21h.

LIVROS A PARTIR DE 50% DE DESCONTO !!! metade do preço !!!!!! VAMOS!!!!!!!!

Saguão do Prédio de Geografia e História da USP - FFLCH
Av.
Prof. Lineu Prestes, 338 - USP

Cidade Universitária - São Paulo - SP

Abraços, e vamos lá!

adenildo lima

A pós-modernidade

Estamos vivendo num mundo confuso, num mundo de perguntas sem respostas, de respostas sem perguntas; estamos vivendo no mundo das faces inventadas, o mundo pós-moderno.

O dia ou a hora em que surgiu o mundo pós-moderno, não sei, e acredito que não sabemos. Muitos estudos citam o ano de 1930, lá no mundo hispânico. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman acredita que a pós-modernidade surge com Freud no livro O mal-estar na civilização.

Na verdade não sabemos, eu sei que o termo pós-modernidade ganha ênfase no mundo a partir dos anos 50. Eu, particularmente falando, vou pegar o Brasil como base para este texto. Digo que o pós-moderno chegou no Brasil depois da Ditadura, isso por volta de 1984/5. E por quê?

No modernismo reinava o pensamento de esperança, o de chegar em algum lugar, de quebrar as regras construídas pelos modelos paradigmáticos, como por exemplo, os sonetos parnasianos, os modelos europeus etc. A pós-modernidade, no ponto de vista meu e, acredito que ponto de vista de muitas pessoas também, não há mais esperança, não existe um ponto de partida e muito menos um ponto de chegada no olhar dessa humanidade que corre desesperada sem saber pra onde. Por isso digo que o pós-moderno chegou no Brasil depois da ditadura, pois naquela época ainda existia um sonho, uma luta, um desejo de chegar em algum lugar.

A internete é a maior revolução na pós-modernidade, ela liga o mundo em um só segundo, mas ao mesmo tempo deixa as pessoas tão solitárias, e tão desligadas. E o pós-moderno é isso, é a busca da liberdade, é a busca de estar livre. Mas livre como? Os adolescentes têm milhões de amigos, mas ao mesmo tempo estão ausentes da própria família e, quando procuram um abraço, a tela virtual não é o suficiente para fazer isso. E as amizades, naquele momento, parecem inexistentes.

O mundo atual é o espaço dos rostos maquiados, inventados, recriados. Este é o momento de desconforto, de nunca estar bem, sempre querendo se renovar, sempre querendo imitar o primeiro popstar que aparece na mídia.

Resumindo, já que estou com sono e preciso dormir: o ser humano pós-moderno desconhece do próprio ser, é um estrangeiro sem coragem de encarar o espelho.

adenildo lima


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Rumo à história

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

falta a pontuação

quando os dias passam as horas passam juntas mas os dias são apenas dias e as horas são apenas horas e o amor é algo que as pessoas pensam que existe mas o dia já passou as horas também e já não há mais tempo para amar resta apenas um segundo e um segundo é muito pouco tempo para perder e para amar e para viver e para querer e o amor é sempre ausente e quando fica bem próximo não acreditamos e sem querer ficamos naquela dúvida que duvida do sol que nasce da tarde que entardece do riso que chora da lágrima que ri e o tempo corre e as horas passam e as palavras já não dizem nada e dizem tantas coisas e os dicionários perdem o valor e a gramática não serve mais para consulta e os poemas perdem os versos e os poetas já não significam mais nada e nadando os faróis se fecham se abrem com a tristeza dos peixes querendo viver em terra seca na rua sem saída onde as crianças parecem felizes com uma bola no pé e os professores choram desesperados porque as crianças nas escolas choram e em casa não têm comidas e viver é uma briga mas no chão de concreto nasce flor e os espinhos não resistem as tempestades e murcham e secam e caem ah mas as pessoas que amamos sempre estão tão distantes e parecem ausentes

adenildo lima

filosofia de bêbado

maria já não ama mais
deixou o amor escapar
pelas fechaduras das portas
abertas
e abertas as portas
as janelas ficaram observando
o que passava
maria hoje ama mais
mas precisa aprender
que amor não se aprende
se vive

adenildo lima

observando os pomares

quando um poeta cala
tenha cuidado
é momento de
observação

adenildo lima

deixa

Diexa deixa a deixa
deixa Diexa
a deixa
deixa

adenildo lima

silêncio, o poeta fala

quando surge um silêncio nos palácios dos reis os túmulos se agitam e uma voz parece não querer calar

adenildo lima

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

e mortal

que a vida passa por um piscar de olhos isso é verdade e diante dessa situação nós humanos não aceitamos ter momentos tão breves e assim construímos nossos deuses nossos alicerces dando sentido a uma continuidade incerta e a certeza passa a ser algo conforme a crença de cada um e os dias voam e as horas correm e os minutos já não são mais minutos e os segundos perderam o seu valor diante dessa multidão de faces do cidadão pós-moderno que procura a cada instante se encontrar se renovar se maquiar trocando pelo primeiro rosto encontrado nas esquinas e eu pergunto o sentido de deixar de viver em vida para esperar uma vida que ainda não conhecemos pois não tenho religião mas também não sou ateu acredito no amor no amor das pessoas que com um olhar carinhoso olha os detalhes simples e além do amor o que resta a não ser viver cada segundo sim cada segundo e um segundo é muito importante é o tempo suficiente para declararmos o nosso amor por alguém através de um olhar mas que a vida corre com muita pressa corre sim e quando olhamos o tempo já não é mais dia no lugar do sol uma lua tímida aparece com seu frio para acarinhar os nossos abraços os nossos sonhos das noites ninar ninando o grito dos adultos e os uivos dos lobos em orquestra harmônica de um mundo melhor

adenildo lima

domingo, 15 de novembro de 2009

Um livro solitário na estante

Não reclame de minha ausência, Lúcia, me ausento porque te amo, fujo porque sei que não posso estar contigo, e não choro porque não tenho você para secar minhas lágrimas. Lúcia, não reclame do meu desaparecimento, entre mim e você, eu sou mais eu, eu preciso me preservar, você me fez sofrer demais; não, não diria você, você não tem culpa. Que culpa você tem de eu me apaixonar? Você não sabe o quanto é duro quando, pelas janelas dos meus olhos você passa com seu namorado, rindo, toda feliz. Mas, por favor, entenda: não é a sua felicidade que me deixa triste, talvez seja a culpa de mim mesmo de nunca ter declarado esse amor que tenho por você. É, Lúcia, mas esse amor é grande demais e eu tive medo que ele te assustasse, tive medo que você não acreditasse e, como sempre te falei: "O medo é a derrota de quem nunca teve a coragem de conhecer a vitória". Não reclame de minha ausência, Lúcia, você não sabe o quanto estou feliz pelo o que você está vivendo, tudo bem que eu gostaria que fosse comigo, mas entre mim e você eu sou mais eu, pois se eu me entregar a este amor que te tenho, posso até morrer só e, sendo mais eu, podemos ser nós mesmos.

Lúcia, não reclame de minha ausência, pois nesse momento não é egoísmo meu ser mais eu, por favor, entenda.

adenildo lima

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

carinho ninar

Era sexta-feira, Viviane saiu rua afora, nas noites paulistanas. Desceu na estação brigadeiro, e ficou passeando pela paulista. Cabelos soltos, vestido ao léu, sentou num lugar qualquer, ficou observando as pessoas passando, indo e vindo vindo e indo. Observa também os bares, todos lotados, noite quente. E as pessoasali tirando um pouco do estresse do trabalho. Sentou-se, sozinha, numa mesa posta na calçada. Sentada e saboreando uma cerveja, ficou olhando o movimento dos transeuntes. Lá dentro, um rapaz cantava e tocava Zé Ramalho. E como o relógio não espera ninguém, já era meia-noite. Tirou de sua bolsa um diário e fez um rascunho qualquer.

o mundo corre na velocidade
do lugar onde você mora
as pessoas são o que é a cultura
daquele lugar
o ser humano é uma metamorfose
ao mesmo que é racional
é máquina
ao mesmo tempo que é máquina
é selvagem
nós somos o que sonhamos ser
e não somos o que somos
somos, na verdade, uma metáfora

Ela escreveu estes versos, embrulhou e pôs na bolsa. Não sabia se era um poema, apenas escreveu para expressar o que estava sentindo. Depois pagou a conta e foi passear abraçada à noite.

adenildo lima

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

um sentimento de amor

Hoje, olhando sua foto , tive saudades de você. Não uma saudade do tempo que passamos juntos, mas uma saudade do tempopo em que estamos distantes, com uma ausência meio sem explicação. Olhei o sorriso refletido na imagem da fotografia, e te vi, rindo para mim. No meu olhar, caiu uma lágrima, confesso que não queria chorar, mas aquela gota de lágrima caindo dos meus olhos demonstrava amor, um amor tão sincero que sempre tive por você e, confesso que mesmo apaixonado, nunca deixei transparecer em meu olhar. Na caixa de e-mails, você não mais aparece, o telefone da minha casa ficou mudo, e minhas mãos pesam quando penso em te ligar, não sei, talvez você esteja ocupada, e eu não quero te atrapalhar.

Saudades é não mais ouvir sua voz, e suas palavras rindo para mim em cada e-mail.

adenildo lima

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pra onde?

Os dias passam pelas esquinas das ruas. Verônica sabe disso, mas nunca parou para pensar. Pega o ônibus todos os dias, e vai trabalhar. Em cada olhar perdido nas ruas da cidade, a vida passa, passa lentamente numa correria que nós não percebemos, não temos tempo para pensar, observar os nossos olhares perdidos. E perdidos continuamos correndo sem saber pra onde.

adenildo lima

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Alerta

Natasha

Natasha. Se ela existe eu não sei, mas ela não me parece estranha. Um dia desses ela foi confundida com uma atriz da novela das oito; noutro dia, com uma cantora americana. Ela gosta muito de fazer transformações: pinta o cabelo igual ao da menina do comercial, veste uma roupa igual à roupa da cantora que aparece na televisão, calça um par de tênis da última geração, troca de celular, normalmente, todo mês, fica horas e horas na internete, mas esquece de fazer a atividade escolar, tem milhões de amigos e, assim mesmo, se sente tão sozinha.

Será que Natasha existe, ou é pura imaginação minha para escrever este texto?

adenildo lima

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Na ala e na ola

Um sapato sem cadarços
Dois sapatos sem cadarços
Um pé descalço
Dois pés descalços
Um vento frio
Uma madrugada
Uma calçada
Uma barriga sente fome
Um saco de cola
Uma coco cola
Uma criança sem escola
Uma rua cheia de crianças com bola
Uma lágrima no olhar da mãe
Um sorriso solitário da criança pedindo pão
Um aperto de mão do político
Uma maldade no coração dos políticos
Um pai
Uma mãe
Um menino
Uma menina
Um pé descalço
Dois pés descalços
Coca cola
Bola
Cola
Isso substitui
Escola?

adenildo lima

Amizade

Na nossa vida aparecem pessoas que começa a fazer da nossa existência. Algumas vão embora muito rápido, aparecem apenas como personagem no dia a dia. Já outras pessoas são seres que vêm para ficar, para fazer parte mesmo dos nossos dias vividos, das nossas dores, dos nossos amores. Eu prezo muito a amizade.

Faço amizade com todo mundo, alguns são apenas, mas outros são amigos. Que amigos que não vejo há dez anos, mas com este mundo globalizado onde a internete tem o poder de, às vezes, separar que vivem próximos e o poder de, às vezes, juntar quem vive longe. Várias vezes encontro amigos nesse mundo virtual. E como a nossa amizade continua a mesma, como é incrível; amizade é algo eterno.

Por isso, vamos preservar sempre os amigos que temos!!!

adenildo lima

DVD

Ela me pediu um beijo. Dei um abraço. Ela reclamou. Eu disse que estava cansado. Deitei, virei e dormi.

adenildo lima

sorriso cabido

um sorriso cabido num olhar
disfarçado
da menina que tinha
acordado
coube apenas abraçar o sol
sozinha
pessoas subiam e desciam
a calçda
da rua que ficava parada
ela abraçou a boneca
e, tristemente riu,
viu
que a vida dela não era uma
aquarela
olhou pro sol e
desejou
a primavera

adenildo lima

terça-feira, 3 de novembro de 2009

uma gota de saudade caiu de uma folha no meu jardim

uma saudade aperta o peito e eu sigo sem jeito estrada afora sem data e sem hora. a imensidão do tempo me faz lembrar você, o mar, as ondas calmas da praia, o vento suave, o sorriso da mulher desconhecida na poltrona da frente, no ônibus, a balsa cortando a água para me levar para ilha. uma saudade aperta o peito e eu sigo sem jeito. uma poesia construída na infinitude da natureza que beleza, me apaixono por tudo aquilo, um gole de cerveja para refrescar a mente, o corpo cai na água e abraça suavemente a imensidão do mar, uma criança brinca, outra corre na areia, sorrisos ganham o silêncio mar adentro; amigos se divertem, conversam sobre a vida, sobre o bom de viver, outros apenas vivem. uma saudade aperta o peito e eu sigo sem jeito estrada afora sem data e sem hora. lembro da infância; e muitos me respeitam pela infância que tive, um respeito carinhoso para alguém que tanto ama a vida e tanto lutou e luta sempre buscando respeito, lembro também das brincadeiras de adulto, e quem disse que sou adulto? aquela criança vive em mim sem fim, enfim, ser criança é tão bom. uma saudade aperta o peito e eu sigo sem jeito estrada afora sem data e sem hora. lembro da mulher amada e tenho saudades da mulher odiada, pois sei que ela tem tanto amor pra dá, lembro dos beijos saborosos, sim, saborosos com sabor de amor, que hoje, vem com saudade; ah, lembro também do carinho carinhoso do meu pai.

uma saudade aperta o peito e eu sigo sem jeito estrada afora sem data e sem hora.

adenildo lima

É novembro

Olá, queridos leitores e leitoras, depois de uma bela viagem nesse feriado volto ao trabalho. É bom viajar um pouco, descansar, desci na sexta e cheguei hoje pela madrugada, estava em Ilha Bela, lá é muito lindo, quando alguns amigos me convidam eu aproveito e vou...rs...

Agradeço a todos pelo mês de outubro, a todos que visitam este espaço. Agora vamos viver um belo mês de novembro.

adenildo lima

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Travesseiro de concreto

Era um dia de sábado, aproximadamente umas 19h, Lígia estava sentada no banco da praça central da cidade. Um olhar distante, um sorriso perdido no rosto infante, observava as pessoas indo e vindo, alguns sentavam nos bancos, outros brincavam como crianças num parque de diversão, eram casais de namorados. E apaixonados são como crianças no vão do tempo, todos felizes. Mas Lígia não estava namorando, muito menos passeando. Ali era a sua casa, era onde ela deitava, dormia, acordava e a vida nada mudava, e até parecia que não passava. Jovem, tinha aproximadamente uns 22 anos. Veio para cidade grande à procura da vida, não encontrando foi morar numa cidade do interior, e o único lugar que encontrou como hospedaria foi a praça, com aquela cama dura, com aquele travesseiro de concreto. Estava sozinha, não tinha ninguém por ela, lembrava constantemente de sua família, lembrava da roça, do canavial, do plantio de mandioca; da vida que levava lá no interior do país. Sabia, como ninguém, plantar, colher e comer. "Na cidade grande é diferente, se não tivermos cuidados, nós que somos comidos". - Ela se lamentava, ali, no banco da praça. Seus cabelos pretos e longos, sua cor queimada pelo sol, seus olhos verdes... estavam ao léu no banco da praça. Procurou emprego em todos os lugares possíveis. Ouvia sempre a mesma coisa: tem experiência? Não, né? Então não serve. E a história dela é dolorida, ela não veio por espontânea vontade, ela conta que foi seduzida por um comercial que ela assistiu na casa da tia dela na cidade, o comercial mostrava São Paulo como o centro do mundo, como o melhor lugar do mundo. E pode até ser, mas não pra ela. Lígia viveu mais ou menos um ano na praça. De repente sumiu. Nunca mais viram aquele olhar, aqueles cabelos pretos e longos depois daquela. Nunca mais!

adenildo lima

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Minhas colunas na revista

Olá, leitoras e leitores deste espaço, vou deixar um link de uma revista onde sou colunista, tenho lá, todos os meses um artigo cultural, se puderem, passem por lá....rs... é só copiar e colar o link que vai direto para página. Essa revista tem uma tiragem mensal (impressa) de 15.000 exemplares. Isso me deixa feliz, pois lá eu falo de um assunto que amo muito: arte.

http://www.companysul.com.br/edicoes/edicao-28/cultural.html

http://www.companysul.com.br/edicoes/edicao-29/cultural.html

http://www.companysul.com.br/

OBS: não tenho nenhum vínculo com a revista, além de colunista

Brigado a todos

adenildo lima

a lua é testemunha

era noite de lua cheia e isabella saiu caminhando estrada afora. estávamos num sítio, vivendo e aproveitando um pouco da riqueza natural que a natureza oferece. ela era ousada e se ousava a tirar o fôlego dos pobres rapazes, ali, presentes. depois, convidou ezequiel pra um passeio a luz do luar. caminhando estrada afora, com um vestido que acompanhava o movimento do vento, deixando os cabelos soltos ao léu. e do nada, convidou ezequiel pra sentar a beira de um pequeno lago. alguns animais vinham, bebiam água, sorriam pra eles e iam passear pelos matos. os dois, ali, continuavam conversando. isabella aos poucos ia encostando as pernas nas pernas de ezequiel. o corpo dele tremia de êxtase. ela merguçha na agua, ainda vestida e o seu vestido fica todo molhado deixando aparecer as marcas sensuais do corpo. ezequiel tenta disfarçar o olhar. ela o convida a sentir o carinho da água. em seguida aceita. e os dois se banham juntos. e o corpo dela ao encostar no dele, o dele no dela, as roupas caem, os corpos ficam nus, e eles se amam loucamente.

e nas loucuras do amor, uma folha cai, e a natureza os contempla.

adenildo lima

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

máquinas

É dia de sol, mas o dia passa pela janela do escritório. A janela está aberta, mas estou preso à vida, esta vida privada que levamos. A hora demora, os segundos sufocam... O tempo, o tempo, o tempo, o tempo... anda relógio miserável, filho de uma mãe que não te pariu... anda, anda, anda... mas o relógio não anda, os ponteiros não saem do lugar, e uma máquina fica na minha frente controlando-me, maldita máquina, tudo bem que não sois tãop ruim quanto a máquina humana, mas aos poucos me destrói... e a vida passa sem pressa com muita pressa para chegar o final de semana, mas o final de semana é muito curto e passa muito rápido e a segunda-feira chega, invade sem pedir licença. E na vida real o filme de charles chaplin se repete, só que em tempos pós-modernos, matando com mais suavidade.

adenildo lima


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Gabriela marca

Gabriela marca, sim, o nome dela é Gabriela marca, mas ela não existe, e existe. O momento que será descrito neste texto é atual, o cenário é em pleno século xxi.

Possivelmente ela tenha 17 anos de idade, não tenho a idade precisa, mas é o que me parece, 17 anos de idade, jovem garota a flor da pele, mas quem está lendo este texto, nesse exato momento, talvez esteja se perguntando: Por que ela existe? Por que ela não existe? E eu respondo que não sei, mas através das palavras, acredito que possamos desvendar esse mistério.

Sim, isso é um mistério. Se estivéssemos falando de filosofia, tudo bem, pois a filosofia deixa claro que tudo existe e tudo não existe (desculpa, claro não, a filosofia complica mais - rs - brincadeira, deixa os estudante de filosofia lerem este texto rs). Mas aqui não estamos falando de filosofia, estamos falando de Gabriela marca, uma jovem garota de 17 anos de idade, possivelmente.

Conversando com a mãe dela, descobri que ela passa por várias confusões de identidade. Têm dias que ela pinta o cabelo, noutros dias, se veste igual a menina da televisão. Adora ir ao shopping, diz ela que, lá se sente bem, fica olhando as vitrines, se olha no espelho, veste uma roupa, compra um tênis... tudo de marca, se não for de marca - a mãe dela diz que -, ela não se sente à vontade, perde a vontade de passear, de ir pra escola, se sente neutra, por isso precisa de uma roupa para marcar sua identidade através das marcas.

A mãe dela ri, brinca, fica preocupada e diz que não aguenta mais. Pobre de dona Cláudia, ganha apenas um salário mínimo, e sua filha nem sabe o que é isso, quer mesmo é produtos de marcas para marcar sua identidade.

É, dona Cláudia, essa é a época pós-moderna em que vivemos. Será que a Gabriela tem alguns objetivos?

adenildo lima

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

pequena crônica

Hoje, quando joãozinho acordou, estava chuvendo e, na imensidão do tempo, uns raios davam bom dia ao dia que seria corrido e estressante. Joãozinho, então, resolveu deitar mais um pouquinho, dormiu mais 30 minutos. Levantou, tomou banho, fez um café e tomou. Saiu em destino ao ponto de ônibus, ao chegar, não conseguiu entrar, veio um , dois, três, quatro ônibus... e nada! Mesmo calmo, ele xingou o poder público, e saiu em destino ao terminal de trem. No caminho, dentro do trem, começa conversar com uma jovem, aparentemente uns 20 anos de idade, simpática e muito conversadeira, sempre com um sorriso aberto. Conversamos, discutimos um pouco sobre a vida e, antes que ela fosse embora, perguntaram-se: o que é a vida, né? e riram.

adenildo lima