sábado, 11 de agosto de 2018

Joanita


O relógio desperta cinco horas da manhã. Joanita se contorce toda na cama. Desliga-o, ainda dormindo. Dez minutos depois o barulho se repete. Ela salta da cama, sabe que o tempo não espera nem um minuto a mais nem um minuto a menos, principalmente se for numa cidade agitada como São Paulo, onde as pessoas não vivem, tentam sobreviver na angústia plena do existir.

Sim, e a existência para Joanita não era diferente. Trabalhava de segunda a sábado. Saía de casa todos os dias às seis horas e só voltava às vinte, com exceção de sábado, que ela saía às oito e voltava às dezessete. Às vezes ficava pensando, refletindo sobre a vida árdua que levava. Reclamar não era do seu perfil, gostava de encarar os empecilhos do dia a dia, desafiando-os com o objetivo de ver até onde podia ir.

Para ela, todos os dias podiam ser iguais se não fosse criativa o suficiente para driblar a rotina, procurava sempre ganhar o tempo lendo. Lia uma média de cinquenta livros por ano, dos clássicos aos best-sellers. E como todo o ser humano, ela tinha um sonho, o de um dia poder ser alguém. E ser alguém para Joanita era alcançar um pouco dos desejos implícitos em si.

Sonhava em ser professora, porque, para ela, não existia profissão mais honrosa. Em alguns momentos já se sentia velha e achava que não seria mais possível adentrar uma universidade; mas ela só tinha trinta anos. Por que me sentir velha?, questionava-se. Sempre fui tão decidida, desde a minha infância nunca abaixei a cabeça diante de nada, por mais obscuro que fosse, concluía.

E assim Joanita seguia o ritmo do cotidiano: lendo, observando, sonhando e trabalhando. Um dos escritores que ela tanto amava era Guimarães Rosa, dizia que o livro Grande sertão: veredas é o sopro humano regido numa só voz como representação universal. Já tinha lido-o três vezes. E todas as vezes que lia adentrava uma vereda diferente da existência humana sertão afora.

– Você lê muito é porque gosta ou para fugir um pouco da solidão, já que vive só?, perguntou um dia Carla, a sua vizinha.

Joanita respondeu que viver só nunca foi um problema na vida dela, pois aos quinze anos de idade saiu da casa dos pais e foi tentar a vida sozinha. Esclareceu também que sempre namorou, mas casamento não era uma palavra existente no dicionário dela, por isso a leitura sempre foi um alimento e não uma fuga de si, dizia. Porque ler, enfatizava ela, é poder fazer com que o Eu em Si possa se comunicar com o mundo, com outras culturas, aliás, é sair da normalidade cotidiana de milhões e milhões de pessoas que não valorizam o conhecimento como algo essencial para o viver.

Assim Joanita seguia seus dilemas, sonhos e realizações sem nunca abaixar a cabeça. E, um dia, Carla sem ter percebido nada antes, descobriu que ela tinha partido para outro lugar, sem deixar pistas. Até hoje não se sabe ao certo se conseguiu ser professora, se casou ou se apenas vive conforme acredita ser o melhor para ela.

Porque no fundo no fundo o ser humano degusta a felicidade quando não se permite ser amarrado pelos moldes existenciais
... ou, quem sabe, Joanita é apenas uma personagem de uma história perambulante por aí. Refletiu Carla ao pensar na sua vizinha não mais presente.

Adenildo Lima


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Livraria da Gente


Livraria da Gente📚 VENHA NOS VISITAR! 😀
Rua Dionísio da Costa, 20 - Vila Mariana | SP
(Próx. às estações Vila Mariana e Chácara Klabin)
Segunda a Sexta, das 10h às 19h
Sábado, das 10h às 17h
Telefone: (11) 2309-2748
WhatsApp: (11) 97375-1324

Mais informações:





segunda-feira, 30 de julho de 2018

Beatrix


Borges resolveu sair num domingo à tarde para um passeio no parque. Pegou um livro, pôs debaixo do braço e seguiu seus passos ruas adentro na cidade de São Paulo até chegar ao local almejado. Abriu o livro e resolveu ler o conto O Aleph, de Jorge Luis Borges, considerado o maior escritor da Argentina. Ele só não esperava que fosse conhecer alguém no passeio, pois saiu completamente descompromissado de quaisquer intenções, queria apenas fazer sua leitura, apreciar a paisagem e observar, em alguns momentos, os transeuntes.
– Oi, tudo bem?, de repente perguntou uma garota ao se aproximar dele.
– Sim, estou bem, e você?, falou Borges.
Ela respondeu que sim e sentou ao seu lado. Olhou a capa do livro lido por ele, fez um gesto que não gostava e, em seguida, disse apreciar Carlos Drummond de Andrade.
– Você gosta de poesia? Perguntou Borges.
– Sim. É tão gostoso adentrar o universo de um poema. Cada verso nos remete a um mundo único e ao mesmo tempo infinito, repleto de possibilidades.
Borges concordou, mas disse não gostar de poesia. Ela ficou surpresa como se estivesse perguntando como é possível alguém viver no mundo sem gostar de poesia? Um silêncio adentrou entre eles por um tempo, porém foi interrompido por uma pergunta:
– Qual o seu nome?
– Beatrix.
– Beatrix?! Falou ele um pouco surpreso.
– Sim, Beatrix, disse ela, e acrescentou: eu podia me chamar Bruna, Ana, Raquel, Fabiana, Luci... sei lá, tantos nomes eu podia ter, só que me chamo Beatrix em homenagem a um dos personagens mais importantes da literatura universal.
– Qual?
– Nossa! Você não sabe? Ah, desculpa, você não gosta de poesia. É a personagem do livro A divina comédia, de Dante Alighieri. Eu amei! É uma leitura tão saborosa, instigante.
Borges olhava para ela, surpreso, como se quisesse entender a personalidade daquela garota. Ela chegou do nada. Parece que também estava sozinha ali passeando no parque. E não demonstrava ter mais de vinte e dois anos de idade. Tão culta, pensava ele. Até parece ter saído das páginas do livro de Jorge Luis Borges.
– Preciso ir, falou ela.
– Já?! Perguntou ele.
Respondeu que sim, pois já me sinto realizada pelo nosso bate-papo, disse ela, e em seguida pegou na mão dele, deu-lhe um beijo, ao acoplar seus lábios no dele, e saiu. Borges ficou totalmente sem reação, olhando para ela que aos poucos desaparecia do alcance dos seus olhos.


Adenildo Lima

domingo, 8 de abril de 2018

Uma gota de sangue num verso

Dói em mim
Toda pancada dada
Num inocente,
Porque foi em mim
Que ela foi intencionada.
Dói em mim
A morte de Luther King,
Mas antes doeu
E dói
Todo o preconceito
Que o levou à luta,
À morte.
Dói em mim
A condenação de todos
Os inocentes que estão presos
Ou condenados,
Porque foi a mim
Que a condenação de Mandela
Foi intencionada.
Dói em mim
O silêncio dos inocentes,
Porque, ao se calarem,
Permitem a voz do Ditador.
Dói em mim
A (in)justiça que condena sem provas,
Porque é a mim
Que eles estão condenando.
Dói em mim
A esperança e o sorriso
Roubados de uma criança,
Porque é a lágrima ou o sangue
De um povo
Que será derramado amanhã.

Adenildo Lima

quarta-feira, 21 de março de 2018

22 de março - dia mundial da água

Imaginem: uma criança descobre que a água doce em breve pode acabar, e que diversas espécies de seres vivos estão sendo ameaçadas de extinção.

Estes dois livros contam a história de Vinícius - uma criança que acredita e sabe que o futuro da humanidade e a existência da vida aqui na Terra dependem de cada um.

Livraria Cultura: https://lnkd.in/dK3yaxg

Livraria da Gente: https://www.livrariadagente.com.br/buscar?q=Adenildo+Lima



quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Uma gota de sangue num verso

Dói em mim
Toda pancada dada
Num inocente,
Porque foi em mim
Que ela foi intencionada.
Dói em mim
A morte de Luther King,
Mas antes doeu
E dói
Todo o preconceito
Que o levou à luta,
À morte.
Dói em mim
A condenação de todos
Os inocentes que estão presos
Ou condenados,
Porque foi a mim
Que a condenação de Mandela
Foi intencionada.
Dói em mim
O silêncio dos inocentes,
Porque, ao se calarem,
Permitem a voz do Ditador.
Dói em mim
A (in)justiça que condena sem provas,
Porque é a mim
Que eles estão condenando.
Dói em mim
A esperança e o sorriso
Roubados de uma criança,
Porque é a lágrima ou o sangue
De um povo
Que será derramado amanhã.

por Adenildo Lima

domingo, 3 de dezembro de 2017

Miguel de Cervantes y Autran Dourado: La ambición de la palabra escrita es la de permanecer

Libro: Miguel de Cervantes y Autran Dourado: La ambición de la palabra escrita es la de permanecer, de Marta Pérez Rodríguez

"Este libro es el resultado de la tesis presentada en la Facultad de Filosofía, Letras y Ciencias Humanas de la Universidade de São Paulo (USP), para la obtención del título de Doctorado en Lengua Española y Literaturas Española e Hispanoamericana."
"La publicación de un libro es siempre motivo de satisfacción; que sea la culminación – por el momento – del esfuerzo académico e intelectual de Marta Pérez Rodríguez constituye para mí un momento muy feliz. Espero que a este sigan otros muchos logros: su trabajo y constancia nos lo aseguran. José Montero Reguera Catedrático de Literatura Española En Vigo"
Portal dos livreiros: https://lnkd.in/dagsAVz



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Documentário: Para gostar de ler

Se sonhas com um mundo melhor: COMECE LENDO PARA UMA CRIANÇA
Para gostar de ler - Excelente documentário




Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=lR-q-bFNeYM

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Livraria Cultura Paulista - Contação de história do livro O copo e a água

A contação de história do livro O copo e a água aconteceu no dia 2 de setembro de 2017, na Livraria Cultura da Paulista - Conjunto Nacional.





sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Livraria Cultura da Paulista - Conjunto Nacional

A contação de história do livro O COPO E A ÁGUA será sábado, 2 de setembro, na Livraria Cultura  da Paulista - Conjunto Nacional, conforme convite abaixo:

Mais informações no link abaixo:

https://www.livrariacultura.com.br/loja/livraria-cultura-conjunto-nacional-2000003/evento/contacao-de-historia-do-livro-o-copo-e-a-agua-com-o-autor-adenildo-lima-6012010

terça-feira, 29 de agosto de 2017

LIVRARIA CULTURA DO SHOPPING IGUATEMI SÃO PAULO

A 'Contação de História' do livro 'O COPO E A ÁGUA' aconteceu no dia 27 de agosto, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi São Paulo.






segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos - SP

A contação de história do livro 'O COPO E A ÁGUA' aconteceu no dia 26 de agosto, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Contação de História do livro O COPO E A ÁGUA

A contação de história do meu livro O copo e a água aconteceu no dia 22 de julho, na Livraria Cultura do Shopping Market Place, SP.






sábado, 22 de julho de 2017

Contação de História do meu livro O COPO E A ÁGUA

Hoje, sábado, dia 22, mais uma contação de história (comigo) do meu livro O COPO E A ÁGUA, no Shopping Market Place.

Mais informações no link abaixo:

https://www.livrariacultura.com.br/loja/livraria-cultura-shopping-market-place-2000007/evento/contacao-de-historia-do-livro-o-copo-e-a-agua-6011623

domingo, 16 de julho de 2017

Livraria Cultura - Contação de História do livro O COPO E A ÁGUA

A Contação de História do livro O copo e a água aconteceu no dia 15 de julho de 2017, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping, São Paulo.

OBS: No próximo sábado, dia 22, será na Livraria Cultura do Shopping Market Place








Para mais informações sobre o evento do dia 22, acesse:


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Contação de história do livro O copo e a água, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping São Paulo

No dias 15 de julho farei uma CONTAÇÃO DE HISTÓRIA do meu livro O COPO E A ÁGUA, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping, conforme convite abaixo:






Link para acessar a página do Evento no site da Livraria Cultura:


BOURBON SHOPPING:


terça-feira, 13 de junho de 2017

Palestra sobre Leitura e Literatura

A palestra foi proferida na Biblioteca da Escola Jardim Noronha V, São Paulo - SP, para os alunos do Ensino Fundamental II, ao convite da professora Ysmaylla.




terça-feira, 6 de junho de 2017

gestores culturais em foco | adenildo lima

Entrevista que concedi ao Itaú Cultural

"Ex-aluno do curso de especialização em gestão e políticas culturais do Itaú Cultural, Adenildo Lima fala sobre o perfil desejado de um gestor cultural, além de identificar os principais desafios da atuação desses profissionais."

"Na área literária, sobre a qual tenho mais conhecimento, vejo que, mesmo com certo avanço neste início de século, ainda existem desafios enormes para o escritor independente. Um bom exemplo é a preferência que se dá nas feiras literárias aos escritores que estão na mídia ou que ganharam prêmios literários. E estes continuam elitizados, ou seja, basta olhar a lista dos ganhadores para ver que a maioria deles é de editoras renomadas. Observe os convidados das festas literárias e veja que são aqueles que circulam na mídia, que ganharam prêmios ou são autores de editoras renomadas. Talvez o grande desafio para o escritor independente, que também é o seu próprio produtor cultural, seja transpor algumas muralhas já concretizadas no meio literário."
Para fazer a leitura na íntegra, clique no link logo após as imagens :



segunda-feira, 5 de junho de 2017

sexta-feira, 2 de junho de 2017

"Visita inesperada" de Adenildo Lima (Cuento inédito)

Sai mais um texto meu traduzido para o Espanhol.

Parabéns à equipe do BLOG CORREVEIDILE pela excelente tradução.


Segue o primeiro parágrafo. Para fazer a leitura na íntegra, clique no link abaixo, logo após as imagens:

"Carlos Eduardo tenía fiebre. Sudaba, sentía frío, el cuerpo le temblaba. Cansado y sin ánimo, se acostó. Eran las diez de la noche. Pero lo que no esperaba era que recibiría una visita inesperada mientras dormía." 



LINK PARA ACESSAR O TEXTO NA ÍNTEGRA:

http://blogcorreveidile.blogspot.com.br/2017/05/visita-inesperada-de-adenildo-lima.html

sábado, 29 de abril de 2017

Palestra sobre LEITURA NOS ANOS INICIAIS

A palestra foi proferida no dia 11 de abril de 2017, para o corpo docente do Ensino Fundamental I, da E.E. Calhim Manoel Abud, São Paulo - SP.

Ficam aqui os meus agradecimentos ao corpo docente e aos demais profissionais da Unidade Escolar, pelo carinho e recepção.