segunda-feira, 29 de julho de 2013

Náusea pós-moderna

Este é o tipo de texto que dificilmente alguém vai lê-lo até o final na internet, pois ultrapassa 140 caracteres, isto é, todo o tempo que temos, hoje, favorecido pela tecnologia exige que tenhamos menos tempo, inclusive olhar o outro nos olhos e parar para escutá-lo, falta tempo. A cada dia que se passa a humanidade parece estar cada vez mais artificial; eu disse: parece, não afirmo nada. Nesta época vivida é até possível comprar amor pela internet. Como?! Alguém pode questionar com tom exclamativo. E eu responderei: pare e observe mais, pois os seus passos estão muito apressados!


Vivemos em tempos individuais; vivemos! Mas isto não quer dizer que sejamos; e somos! O ser humano carrega em si o desejo individualista implícito. Tantas vezes vejo no olhar das pessoas a felicidade maldosa quando escuta do outro que não está bem.  Por que será que existem felicidades assim?; se possamos chamar isso de felicidade. E o desejo de ter se faz presente cada vez mais no ser que chamamos de humano. E o desejo de ser cada vez mais desaparece.


Como falei no início, que dificilmente alguém faz a leitura completa de um texto que ultrapassa os 140 caracteres na internet; neste terceiro parágrafo já estou escrevendo sem saber se existe algum leitor. É possível que exista, sim. Mas vamos voltar ao que estávamos comentando. Falo comentando, pelo motivo de o texto ser um diálogo de quem escreve com quem vai ler, quando lido. E é isso que faço, procuro dialogar, muitas vezes com alguém que eu nem conheço. Este é o ofício de quem escreve, a solidão. Uma solidão satisfatória, cheia de graça, assim como o amor que é compartilhado sem nada cobrar.


Vivemos numa época tão caótica  que ao sermos gentis, ao fazer algo bom para alguém, causa desconfiança. É importante que sejamos cautelosos. É importante que sejamos observadores, sim! Mas não podemos esquecer que flores têm espinhos, e o que é mais importante delas não são as pétalas e sim a essência. É de suma relevância não perdemos a sensibilidade. Precisamos beijar a pessoa amada com os mesmos lábios que beijamos o espelho. E não importa que seja por um momento apenas, pois a pena de quem ama é simplesmente amar.


A correria louca e brusca que a sobrevivência exige não pode ser maior do que o ar que respiramos. Existe tempo para tudo: para amar, para sorrir, para brincar, para respeitar e para ser respeitado, para dormir e para acordar, para amar e para ser amado, para sentir e para ser sentido, para doar e para receber. Existe tempo para tudo, inclusive para morrer. Sim, não fique triste, amigo leitor; isto é, se existe um leitor, já que estamos, ou estou no quinto parágrafo. E talvez o tempo para morrer seja um dos mais importantes da nossa vida. Estranho, né?

É claro que é estranho!

Mas saiba que o mais importante da vida é que ela seja vivida...

adenildo lima



  

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Maria

Existem tantas Marias. Sim, eu sei!
Mas uma sempre marca a nossa vida.
A minha é diferente. E falarei!
Falarei da vida e não da despedida.

Oh, Maria! O silêncio é o que proclamarei!
O amor e o beijo na face na saída.
Foi tudo muito rápido; o que direi?!
Tua face ali, gélida, adormecida.

Em mim o silêncio se fez presente.
Momento fulminante a levou. Enfim,
Nessa hora o amor é dor e calmante

Numa calmaria gritante, quente e fria.
Maria! Sangue do mesmo sangue assim:
Enfim, guardo de ti o olhar que a mim, ria.

adenildo lima

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Uma canção de amor

Deixe-me cantar. Sei que cantando posso abraçar a sua alma com o toque mais íntimo que os versos de um poema nos abraçam. Deixe-me cantar uma canção de amor! Mesmo que seja apenas uma canção de amor. Sim! E como seria bom se cantássemos juntos uma canção. E que seja uma canção de amor sem voz, sem palavras, sem gestos; apenas com o abraçar dos nossos olhares. Ah, deixe-me que os nossos olhos se abracem. Mas não esqueça de cantar para mim, também, uma canção de amor, de amor. Sim... e que seja uma canção de amor...

Adenildo Lima

terça-feira, 23 de julho de 2013

Pedras e flores

Vejo o seu olhar no espelho. E ele se parece muito com o meu. E você também dirá que esses olhos no espelho são seus. Penetrante como a própria vida, o semblante busca forças para caminhar. Por um deslize um sorriso mistura-se com uma lágrima que cai pela face fanada. E parece que nada naquele momento tem ou faz sentido. Sim! O olhar envergonha-se do próprio olhar procurando um pouco de sensibilidade humana que, muitas vezes, encontrada no silêncio de uma pedra.

O corpo sente-se cansado, abalado, emergido do próprio eu. E tudo o que aquele olhar quer em seus momentos ensejantes, é amor. E ama! Mas ao olhar no espelho enxerga a desilusão perdida em uma esquina no olhar de uma menina ou de um menino, pois já não se sabe quem é, porque poucas vezes conseguimos adentrar o outro; a sua realidade, que não deixa também de ser nossa.

E tudo o que o olhar procura e busca é amor. Mas os motores das máquinas são fortes e aos poucos tomam lugar das batidas de um coração...

adenildo lima

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Jardim das flores

Quando a madrugada caiu Júlia apressou os passos, queria chegar ao jardim das flores. Nunca tinha conseguido das flores a essência, por isso quis aproveitar a garoa com o silêncio das três horas da madrugada.

Júlia era uma menina, a idade não lembro, mas já tinha mais de dezoito anos. Lia poemas e gostava de música instrumental. Tinha no olhar o jeito mais sedutor que possamos imaginar. E foi por isso que eu não resisti aos seus encantos e magia que só o olhar de uma mulher pode transmitir.

Mas o que ela queria mesmo era sentir a essência das flores. E por um instante juntos, disse ela, descobri que das flores o que importa mesmo é o beijo, já que é possível sentir o abraço da alma.

Adenildo Lima

Por um momento de reflexão

Ah, deixe-me dizer que os sonhos são escadas. E sendo escadas, é necessário subir os degraus, e com cuidado, pois é perigoso cair.

adenildo lima

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A arte e o artista

A arte e o artista

A arte não deve surgir e ser esperada por expectativas, e sim, por construções, luta; batalha! O que vier que faça parte de toda uma caminhada.


adenildo lima

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Nuvens neblinadas

Há um silêncio no ar nos gritos dos olhares caminhantes. Há uma interrogação no ar nas nuvens neblinadas de questionamentos soltos no vão... da existência. O olhar da menina implora uma flor. O sorriso do rapaz abraça a solidão. E milhares de pessoas saem para se olharem nas faces, já que vivemos em tempos remotos, em tempos de amizades virtuais, em tempos de poucos abraços.

E tudo caminha adiante, parece. Os gritos sem harmonia surgem no infinito do corredor, que pode ser perigoso para um futuro prestes, presente. É necessário e importante que o respaldo concretizado nos objetivos sejam concretos. A menina caminha rua adiante e diante dos seus olhos: uma máquina enorme! Alguns deram-lhe o nome de Máquina da Pós-modernidade.

Quando as perguntas se confundem com as respostas e as respostas se desentendem com as perguntas: o que fazer? O sorriso do rapaz parece ser contemplado com uma lágrima. O mendigo continua no mesmo lugar, isto é, se não foi pisoteado. A mãe também continua contemplando o sonho sonhado nos braços de um lar, já que poucos podem ser considerados lares.

Deselegante abraçar as flores sem apreciar os espinhos. É ruim gostar das flores sem espinhos. A semente precisa ser cuidada com carinho e com responsabilidade. Não sejamos hipócritas, pois não cultivar o crescimento das árvores é ignorar que a sua sombra pode nos acolher. Em algum lugar do mundo os soldados marcham conforme determinam seus superiores. Não sejamos máquinas!

E as máquinas podem manipular as imagens, e as flores podem perder a essência. Sejamos cautelosos, pois vivemos em tempos e momentos de festas, em momentos de uivos e de milhões de perguntas. Importante não são os questionamentos, importante mesmo é saber alcançar as respostas.  Porque procurar entender as metáforas é esquecer que vivê-la é mais poético.

Do poema o que ainda me resta é que enquanto milhões não se olham mais na face, a poesia desperta em mim a sensibilidade humana em algum olhar perdido no vão da existência...

Adenildo Lima

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Flor de jasmim

Observo-te flor do campo com essência
De jasmim. Em mim teu cheiro adentra a alma
E acalma o ensejo da luta na existência
De tê-la um dia na fantasia que clama.

A noite cai. Imagino teu olhar no meu.
A tarde entardece. Sinto sua ausência.
Sonhando recrio o que não nasceu,
Mas floresceu o amor como a adolescência.

E o amor é sempre criança que sonha
Nos braços da pessoa amada, desejada;
Que quer carinho. Ah, o amor é como fronha:

Abraça e envolve o ser  e a vida sonhada.
Ah!Quero a simplicidade dos lírios
E a essência das flores na caminhada.

adenildo lima

terça-feira, 28 de maio de 2013

Apreciando os lírios do campo

Não! Não quero ficar sem você esta noite. Está frio, e o seu corpo me aquece. Não quero esperar pelo dia de amanhã; pode ser tarde demais. Também não quero que você vá embora. E não quero ser aquecido pelo calor do sol. É o teu calor que me traz felicidade, o sol é apenas um complemento. Gosto de ouvir a sua voz suave ao tocar dos meus lábios em sua face.

O tempo não é tudo o que nos resta. O que nos resta mesmo é aproveitar o tempo em que estivermos juntos. Não me pergunte o que virá; como nunca perguntamos. A nossa vida sempre foi o desfrutar, mesmo que o sabor fosse amargo, as metáforas da vida. O importante não é apreciar a semente, plantá-la e cultivá-la pode ser mais interessante. O fruto virá depois, mas não precisa questionar isso.

Não precisa falar muitas palavras, o silêncio, para quem ama, diz bem mais. Os nossos olhos quando se olham, adentram-se o sentimento mais profundo. E nada é mais intenso do que dois corpos juntos vividos como se fossem apenas um. E quem disse que não passam a ser? Quando o amor se faz presente o corpo sente e se transforma em alma.

E o amor é a alma que acalma os sentimentos de dores desta humanidade...

adenildo lima.

Nós que aqui estamos por vós esperamos



fonte: https://www.youtube.com/watch?v=maDnJcVbAoQ

sábado, 11 de maio de 2013

Adultos descobrindo o amor...

O que é o amor?, Você me pergunta. E quem disse que eu sei responder?

No silêncio da noite, sentados à mesa, as mãos se abraçam. Os olhares se namoram e se enamoram. O coração faz bater e bate os desejos apaixonados dos dois. E Carolina pergunta para Vitor o que é o amor. A voz cala, as mãos procuram responder, os olhos se fecham, os lábios se tocam. E só para quem sente o amor é possível explicá-lo e, na maioria das vezes, num silêncio!

 adenildo lima.

sábado, 4 de maio de 2013

Sonho de pássaro

O silêncio do teu olhar
O jeito de você olhar
São metáforas
Os teus olhares num só olhar
Para mim

E quando nossos olhos adentram-se
Formam um
Um sentimento forte
Doma nossos corpos
Num

Em algum momento
Sinto sua presença
E lembro teu olhar
O teu jeito de ser
O amor em nós

Em nós o amor parece
Semente que nasce todos os dias
E nasce
Em cada beijo
Em cada abraço
Em cada sorriso
Em cada diálogo
No silêncio do olhar
Do nosso olhar

E quando nossos olhos se abraçam
O amor é tão prazeroso
Tão gostoso

Pois amor mesmo

É o silêncio das almas que se abraçam num silêncio

de amor

Num barulho

de amor

E que seja de amor...

... toda a nossa existência...

adenildo lima

quinta-feira, 11 de abril de 2013

as flores no asfalto vistas no olhar de cada um que passa

o que é a arte? pobre de mim que faço esta pergunta. se não sou capaz de vivê-la, por que questionar? são necessários os questionamentos; precisamos observar as crianças: elas são tão inteligentes! perguntam mesmo, elas sabem que precisam conhecer para viver. mas, afinal, o que é a arte?

se algum dia alguém me perguntar qual é o papel do artista, responderei que o papel do artista é fazer arte. agora se me questionarem o motivo de o artista ir ao palco. a resposta é muito simples: feliz do artista que como ser humano consegue os aplausos do público.

a arte é algo solitário, por mais incrível que pareça que não, é. para quem faz arte eu acredito que seja algo muito íntimo, muito profundo em seu silêncio ou grito no abraçar com a essência solta ou presa no ar. a arte, pode até não parecer, é um grito de dor ou de amor no despertar da alma de um sobrevivente que caminha sobre flores, espinhos e pedras.

e como é difícil saber o que é arte. definir, em alguns momentos, é resumir. é óbvio que existem pessoas criativas e existem artistas. talvez a diferença de ser artista com a de ser uma pessoa criativa esteja no inexplicável: para alguns, o artista nasce. para outros, a criação se adquire.

o papel do artista é fazer arte. e quando possível, vivê-la. mas cada um vive de acordo com sua maneira, com o seu jeito de ser. alguns conseguem compor e cantar. outros, apenas compõem. e outros, apenas cantam. a arte é infinita nesse mar profundo chamado existência.

já as flores têm a essência conforme os sentidos de cada um... 

 adenildo lima


segunda-feira, 8 de abril de 2013

O silêncio...

Quem disse que no silêncio
Não se carrega a dor da perda de alguém
(principalmente quando existe amor)...
Nunca estamos preparados para alguns
momentos inesperados...

Sabemos que é preciso aceitar
Pois todos em algum dia
Também passarão por isso...

Ultimamente aprendi a amar no silêncio
E demonstrar quando posso...

Observo as pedras que choram
Observo as flores que nascem
Observo o tempo

... O tempo...

Prefiro falar da vida...

adenildo lima

sábado, 6 de abril de 2013

Olhar de criança

Ria. O mar é um grande lago. Nós que não percebemos. As crianças sabem disso. E como seria importante se todos nunca esquecem que existir é ter consciência que o conhecimento é limitado. E que a busca pelo conhecimento é uma maneira de manter a sobrevivência; em alguns momentos, não a nossa: a de vários. Por que tantas interrogações se podemos saborear a vida? Ria. O mar é infinito e não quer dizer que ele não seja um grande lago ou um lago grande.

Na vida não é preciso ganhar o mundo. Conquistá-lo é mais importante. E conquistar algo não é ter domínio sobre ele. É necessário o diálogo, a língua de quem não está mais entre nós é o silêncio. Aprenda a ouvir. A sua razão é apenas mais uma razão. Pode até ser a Razão, mas não a definitiva. Banhe a sua face com a água do amanhecer das montanhas. Aprenda a observar o beijo do beija-flor beijando a fulô. O ser quando amado, deixa de ser apenas um ser para ser o ser amado.

A existência pode nos enganar e, em alguns momentos, podemos dizer que somos melhores do que os demais. No fim todos somos iguais. Assim se concretiza a finitude ou infinitude da vida. Precisamos entender que choro que choramos não é por quem não se encontra mais entre nós: é pela parte deixada como vazio em nós. Amar é entender que todos somos iguais, mesmo sendo desiguais até demais.

As metáforas dos versos de um poema não existem para explicar alguma coisa. Elas são apenas metáforas e ganharão sentido de acordo com cada um. Ria! O mar pode até parecer infinito, mas um dia tudo acabará e só o amor permanecerá em algum ser vivo. O lago também é um mar, nós que não percebemos isso. As crianças sabem disso.

O canto do pássaro em sua miniatura não deixa de ser tão extraordinário quanto o canto de uma orquestra. É preciso observar as flores, elas sempre têm alguma coisa para nos dizer. Assim, também, como as pedras.

Eu não quero muito de você, sonho apenas que permita que eu possa te amar. E não pergunte como é o meu amor. O meu amor é como as flores: tem o cheiro ou o sabor que você degustar ou sentir.

O mar pode não parecer um lago, mas é um grande lago, as crianças sabem disso.

Por isso...

Ria...

adenildo lima


domingo, 31 de março de 2013

Nota de falecimento

Aviso aos parentes e amigos:

Referente ao sepultamento da minha irmã, será amanhã às 9:30 da manhã, nesta segunda, dia 1º de abril. Ela, Maria de Lourdes, foi vítima de um infarto no início da noite desse sábado. Deixo este recado, através dos meus sentimentos em nome de toda a família e amigos.

Endereço do local do sepultamento:

Cemitério Vale da Paz, 600, Eldorado, Diadema.
Tel: (11) 4059-3609

Adenildo.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Doces bárbaros

http://www.youtube.com/watch?v=ycKahf13niU

Sem voz e sem audição: só amor

O tempo nunca é o suficiente quando esquecemos que a vida é um relapso que passa diante dos nossos olhos, disse Anália para o seu avô que, ali, sentado numa poltrona, completava 90 anos. Seu Jeremias levantou a cabeça e deixou para ela um sorriso no olhar. Em seguida fechou os olhos e nunca mais conseguiu abri-los.

Anália e o sr. Jeremias sempre foram muito amigos: conversavam, brincavam, quando ainda era criança; tudo bem que mesmo aos 20 anos de idade não tinha deixado de ser criança, pois ser criança é nunca perder a sensibilidade que todo adulto deve ou deveria preservar, isto é, a sensibilidade incrementada com amor.

Sim, Anália falou essa frase para seu Jeremias, através da transmissão comunicativa do olhar. Ele já não ouvia mais, também não falava. Mas quando duas pessoas se amam nada pode impedir que haja o diálogo para a convivência agradável. E foi assim que eles viveram durante os últimos 10 anos.

adenildo lima

sexta-feira, 22 de março de 2013

Diálogo a dois: E a sós!

"Bruna, você sabe o motivo de as flores do jardim não terem mais o mesmo significado?"
"Sim, sei. A essência das pétalas tem o perfume de acordo com a nossa sensibilidade, Pedro."
"E você acredita, Bruna, que não estamos mais sensíveis para entender o silêncio das flores?"
"Acredito, Pedro. Nossos olhos não se olham como antigamente. Nossos corpos não se abraçam como antes. E o nosso dia a dia não tem mais o mesmo sabor".

Ao ouvir as palavras de Bruna, Pedro parou por um momento e ficou refletindo. De seus olhos caíram uma lágrima. E confesso que aquela lágrima não era apenas uma lágrima. Tinha um sentido tão profundo que só eles dois podiam compreender.

Eram jovens, estavam casados há três anos. Sempre foram bons amigos. O diálogo era a base de todo o relacionamento. E se amavam, sem dúvida! Mas aquele momento, Pedro sabia que podia ser algo decisivo em suas vidas. E tudo o que eles não queriam era a separação.

"Pedro, por que o silêncio?"
"Desculpa, Bruna. Estava pensando em nós."
"E o que você pensou?"
"Pensei em nosso amor."
"E...?"
"E descobri que está difícil para continuarmos. E sei que o motivo de você gostar de outra pessoa não é culpa sua."
"Ham?!! Como assim?..."

Naquele momento Bruna paralisou, pois não sabia que Pedro tivera conhecimento dos mistérios do seu coração. E ele sabia. Sabia que as noites em que ela ficou rolando na cama sem conseguir dormir, era a sua consciência doendo pelo beijo dado em outro corpo que não era o dele.

Bruna chorou diante de sua declaração. Não podia negar: sabia que realmente ele sabia dos segredos mais profundos carregados em sua alma, que nem mesmo ela queria aceitar. E pediu perdão:

"Pedro, você me perdoa?"
"Bruna, quem ama não deixa de perdoar. Mas isso não quer  dizer que vamos continuar marido e mulher. Amigos, SIM."

Ele falou essas palavras... Levantou-se e beijou sua face carinhosamente. E tudo indica que Bruna entendeu que o amor é o respeito ao outro sem ferimentos.

E quem respeita e ama sempre quer que o outro seja feliz...

adenildo lima


sexta-feira, 15 de março de 2013

Ato sublime

Não me digas que não me amas mais. Quero que saiba que tenho um compromisso sério comigo mesmo: o de sempre amar. Não me digas que as coisas boas podem ser esquecidas. Quero que você saiba que bom mesmo é amar. Não precisa fechar a porta, se no olhar ainda tem esperança de cruzar vários batentes. O bom da vida não é apenas viver. Digo sempre que bom mesmo é sentir o sabor do que vivemos. E eu pergunto: qual sabor tem o ódio? qua sabor tem o amor?

Se você me perguntar qual sabor tem o ódio. Digo que não sei. Na vida só aprendi a amar. Se é bom amar? Você me pergunta. É a única coisa que me faz bem. As demais são apenas consequências do meu ato de amar. E mais uma vez eu te peço: Não me digas que não me amas mais.

O bom mesmo da vida, meu amor, é amar...

adenildo lima.

Michael Jackson - They Don't Care About Us

... eles não ligam pra gente...

fonte: http://www.youtube.com/watch?v=QNJL6nfu__Q

sexta-feira, 8 de março de 2013

Para ela...

A noite cai. E as lembranças surgem como lírios no campo. Uma imagem forte nasce e renasce em meu pensar. É ela. É a imagem dela. Depois de tanto tempo... O tempo tem esse dom, o de fazermos viver e reviver o passado em um pensar apenas. "É você mesma?" -, perguntei. "Sim, sou eu mesma" - falou ela, com ar de mistério. Por um segundo não quis acreditar, pois estava diante de uma obra de arte mais perfeita já feita pelas mãos da mãe-natureza. Era algo divino... talvez... não sei. Seus olhos adentraram os meus. Por um segundo a minha imagem refletiu em seu olhar. E a imagem dela também nos meus.

A madrugada chega e abraça-nos ao relento do tempo, saboreando-nos com o vento suave e doce batendo em nossas faces. Conversas e conversas, histórias e histórias relembradas. Ali, sentados, ficamos tecendo a linha do tempo. E o tempo com suas regras e liberdades espontâneas, assim, como um poema nas páginas de uma gramática. Vivificamos a vida num saborear de um bate-papo. E tudo era felicidade, naquele momento.

E o momento passou a ser lembranças boas. "Vivi, você me amava?". "Tudo o que vivemos foi amor, Vinícius.". "Mas você me amava?". - Insisti. "O amor é o que vivemos sem deixar arrependimento." - Respondeu ela. E continuamos a conversa. Ela disse que estava casada a dois anos. E já tinha um filho. Falou também que nunca me esqueceu. E não  esperava me encontrar ali ao ar livre, num churrasco organizado pela empresa.

O sol aparece, silenciosamente, no amanhecer do dia. A festa continua no salão. E só naquele momento percebi que precisava acordar... "pois aos lírios do campo contemplo com um olhar. E você, descrita nestas linhas, deixo as minhas palavras de admiração.". Pensei, enquanto abraçava o amanhecer, refletido na obra de arte mais perfeita já feita pela as mãos da mãe-natureza.

adenildo lima.

terça-feira, 5 de março de 2013

O livro Lobisomem pós-moderno está na livraria cultura

Olá, pessoal, o livro de poemas Lobisomem pós-moderno de autoria de Márcio Ahimsa e Adenildo Lima está na livraria cultura. É só comprar. E se for pela internet, a livraria entrega em qualquer lugar do Brasil.

Link para acessa a página na livraria:

http://www.livrariacultura.com.br/Produto/LIVRO/LOBISOMEM-POS-MODERNO/30771336



sexta-feira, 1 de março de 2013

Livro "Varal", de Maria Vilani, na Livraria Cultura

Para quem ainda não adquiriu o livro de poemas de Maria Vilani, é possível comprá-lo em qualquer lugar do Brasil, pela LIVRARIA CULTURA.

Confiram:

http://www.livrariacultura.com.br/Produto/LIVRO/VARAL/11090480


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O palco e o artista

São imagens que passam diariamente diante dos nossos olhos. E imagens podem até parecer apenas um vulto. Não, não são. Digo que todas as fotografias têm uma história. Uma menina dança no meio da rua. O público passante aplaude um artista que canta ao vão momento. E encanta. Uma mãe chora no seu habitat, ali, encostada ao travesseiro de concreto. Outros correm. Um minuto a mais ou um minuto a menos pode valer um emprego; e os olhares passam despercebidos. E eu costumo dizer que toda imagem tem uma história. Sim. E em muitos momentos a história que os nossos olhos enxergam.

Um pai acalenta sua criança nos braços. E tantas crianças existentes nem sabem que existe colo de pai. E isso é: uma imagem sempre tem um texto além do texto visto. E o músico continua cantando. As calçadas e a rua passam a ser o palco de lembranças, saudades, amores; sonhos... realidades...!...

E poucos sabem que o palco da vida é construído no caminhar de cada passo dado...

adenildo lima

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Brincando de amante

Sim, diga-me apenas que me ama! Mas não diga apenas que me ama. Só diga se realmente amar. Amar ou amar-me? Sim, ame-se, depois me ame: se possível! E não procure saber o que é o amor, se puder vivê-lo, viva-o bem mais e melhor. Melhor mesmo é amar. Depois curta o que conquistou.

adenildo lima

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Mote de uma existência

Sim, hoje eu acordei para descrever as lágrimas dos olhares das pessoas não vistas pelos seus olhos. Também acordei para falar de amor, o mote de todos os meus textos. Sei que a correria da vida numa cidade como São Paulo é além do exigido pelas nossas pernas. Sim, eu sei que muitas cenas passam despercebidas pelos nossos olhos, que o nosso olhar, muitas vezes, não consegue enxergar uma flor nascendo no asfalto de concreto. E como é difícil!

Difícil mesmo é se emocionar. Emoção é a ação de um sentimento. Numa terra onde os cérebros estão se convertendo em fios e parafusos. O que é sentimento mesmo?! Esquecemos de observar as coisas simples, os simples detalhes da vida, vivido no dia a dia. E são eles que são importantes: uma lágrima no olhar de uma mãe, é amor. E como eu sempre digo "mãe é algo sagrado"; o abraço de um amigo é um gesto de confraternização, mas tenhamos cuidados com todos que se dizem amigos, muitos estão ao seu lado apenas para poder alcançar um passo contrário, e te condenar.

O dia a dia de nossas vidas é construído por milhões de detalhes. E tenhamos cuidados com os detalhes, pois amar é bem mais que elogiar apenas. Um elogio, muitas vezes, vem dentro de um contexto perigoso. Tomamos precauções com os elogios. E nem todos os olhares carinhosos são realmente bons. Lembramos que Monalisa tem a face vista pelos nossos olhos, conforme demanda o nosso cérebro. E aprendamos: um texto nunca diz o que está escrito, lembrem-se sempre do contexto. Um ser humano nunca é o que aparenta ser - é um pouco mais ou um pouco menos.

E você, mulher, tem no corpo a alma de arte mais perfeita já vista pelos meus olhos, articulada pelas pinceladas da mãe-natureza; colabore para que a sua alma transmita essência para ele. Imagine um poema sem poesia!!!

Sim, hoje eu acordei para descrever as lágrimas dos olhares das pessoas não vistas pelos nossos olhos. Também acordei para falar de amor...

adenildo lima


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Declamação do poema: Fátria, África Brasil, de Adenildo Lima



Publicado em 04/02/2013
 
SARAU NA CASA DAS ROSAS

Declamação do poema "Fátria, África Brasil", de Adenildo Lima (declamado por ele), do livro "Lobisomem pós-moderno", publicado pela EDITORA DA GENTE, 2012.
A apresentação aconteceu no dia 02 de fevereiro de 2013, organizado pelo "Sarau a Plenos Pulmões".
Fonte:  https://www.youtube.com/watch?v=jaKUKqs4biw

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A primeira vez

Rasguem as roupas, disse-me Vinícius. Gosto de você nua, sem panos sobre a pele, sem cor, assim como a bruma; uma metáfora. E ele me olhava dentro dos olhos, naquele quarto, cujo lugar só existia uma luz, clareando nossas faces. Meu corpo tremia, era a minha primeira vez, mas suas mãos suaves eram puro aconchego e, ali, o sexo passava a ser um pequeno detalhe, o que importava mesmo era o amor transbordado por nós. E o meu corpo, aos poucos, era despido pelo acariciar dos seus dedos com o toque suave de sua língua em minha pele.

Sim, tudo parecia um sonho, uma metáfora que não pode ser explicada mas sentida, vivida em cada tom poético, aliás, o o momento do sexo é pura poesia, pensava eu. Natali... Chamava o meu nome, com uma voz suave dentro dos meus ouvidos, fazendo-me arrepiar toda: era a minha primeira vez. E tudo na primeira vez é uma novidade a ser descoberta. Assim como o ato sexual será sempre a primeira vez...

adenildo lima

sábado, 26 de janeiro de 2013

Metamorfose

Com a vivência que a vida nos oferece no decorrer dos dias e dos anos, vamos descobrir que todo um mundo construído ao nosso redor, é um mundo de guerras bruscas. Com o tempo descobriremos que amigo não é aquele que estava ao seu lado, e sim, aquele que está ao seu lado. E como é difícil pessoas assim. Não importa se na vida só amamos, o que importa é que o amor quando vivido sozinho, não passa de uma tentativa de amor, e isso não quer dizer que você não ama.

O amor para ser amor precisa ser compartilhado, assim como o ar que só tem sentido para os seres vivos, por dar-lhes sentido, mesmo que não saibam. Um dia você vai descobrir que mesmo tendo a razão, não poderá mais usufruir dela, por isso diante de tantas guerras postas ao seu lado, ame apenas. E não importa o que vão dizer de sua conduta, para quem ama, mesmo sozinho um dia encontrará saída.

O beijo molhado nos lábios da pessoa amada, não quer dizer que seja sempre saboroso; restará uma lembrança, mas o sabor doce um dia pode ser um doce amargo. Com a vivência descobriremos que a vida passa muito depressa, e deixar de saborear o doce beijo da pessoa amada, mesmo que seja naquele momento, é perder um momento de amor. E como é bom amar.

Lembre-se, pode ser tarde demais no dia que você descobrir que precisa viver. A vida é o hoje, é o agora. E não tenha medo das pessoas ruins. Ruim para quem? Bom para quem? Se a pessoa para você não presta, ame-a! E isso não quer dizer que precisa ficar ao lado dela, já que não pode compartilhar o amor. O ódio é um veneno que mata primeiro a si mesmo. Depois, talvez, atinja ao outro.

Com a vivência você vai descobrir que muitos ficam ao seu lado, apenas para poder enxergar uma falha sua, para te condenar. É preciso ter cuidado com os olhares que brilham diante dos seus. Mas se você quer aprender uma lição, aprenda a amar. É difícil? Pode ser que seja, mas se você se ama, já é um grande começo.

Não se desespere com as mudanças que presenciamos no dia a dia. A tempestade pode destruir, mas não pode tirar o que você tem de melhor: a essência humana.

Com a vivência você vai descobrir que o grito mais estrondoso é o silêncio.

Ame apenas...

adenildo lima

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Milton Nascimento - A sede do peixe

 

Publicado em 30/07/2012
Em dezembro de 1997, no Rio, Milton Nascimento juntou amigos e convidados como Caetano Veloso, Alcione, Skank, Nana Caymmi e Gilberto Gil no especial "A Sede do Peixe". Dirigido por Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, o programa foi exibido inicialmente pelos canais Multishow e HBO.