sábado, 31 de março de 2012

'Sem voz estaria morto', diz Lula em entrevista exclusiva

Folha - Como o sr. está?
Luiz Inácio Lula da Silva - O câncer está resolvido porque não existe mais aqui [aponta para a garganta]. Mas eu tenho que fazer tratamento por um tempo ainda. Tenho que manter a disciplina para evitar que aconteça alguma coisa. Aprendi que tanto quanto os médicos, tanto quanto as injeções, tanto quanto a quimioterapia, tanto quanto a radioterapia, a disciplina no tratamento, cumprir as normas que tem que cumprir, fazer as coisas corretamente, são condições básicas para a gente poder curar o câncer.
Foi difícil abrir mão...
Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou. [Fica com a voz embargada e os olhos marejados]. Eu, que convivi com ele tanto tempo, não tinha noção do que ele passou. A gente não sabe o que é pior, se a quimioterapia ou a radioterapia. Uns dizem que é a químio, outros que é a rádio. Para mim, os dois são um desastre. Um é uma bomba de Hiroshima e, o outro, eu nem sei que bomba é. Os dois são arrasadores.
O sr. teve medo?
A palavra correta não é medo. É um processo difícil de evitar, não tem uma única causa. As pessoas falam que é o cigarro [que causa a doença], falam que é um monte de coisa que dá, mas tá cheio de criancinha que nasce com câncer e não fuma.
Qual é a palavra correta?
A palavra correta... É uma doença que eu acho que é a mais delicada de todas. É avassaladora. Eu vim aqui com um tumor de 3 cm e de repente estava recebendo uma Hiroshima dentro de mim. [Em alguns momentos] Eu preferiria entrar em coma.
Kalil [interrompendo] - Pelo amor de Deus, presidente!
Em coma?
Eu falei para o Kalil: eu preferiria me trancar num freezer como um carpaccio. Sabe como se faz carpaccio? Você pega o contrafilé, tira a gordura, enrola a carne, amarra o barbante e coloca o contrafilé no freezer e, quando ele está congelado, você corta e faz o carpaccio. A minha vontade era me trancar no freezer e ficar congelado até...
Sentia dor?
Náusea, náusea. A boca não suporta nada, nada, nada, nada. A gente ouvindo as pessoas [que passam por um tratamento contra o câncer] falarem não tem dimensão do que estão sentindo.
Teve medo de morrer?
Eu tinha mais preocupação de perder a voz do que de morrer. Se eu perdesse a voz, estaria morto. Tem gente que fala que não tem medo de morrer, mas eu tenho. Se eu souber que a morte está na China, eu vou para a Bolívia.
O sr. acredita que existe alguma coisa depois da morte?
Eu acredito. Eu acredito que entre a vida que a gente conhece [e a morte] há muita coisa que ainda não compreendemos. Sou um homem que acredita que existam outras coisas que determinam a passagem nossa pela Terra. Sou um homem que acredita, que tem muita fé.
Mesmo assim, teve um medo grande?
Medo, medo, eu vivo com medo. Eu sou um medroso. Não venha me dizer: 'Não tenha medo da morte'. Porque eu me quero vivo. Uma vez ouvi meu amigo [o escritor] Ariano Suassuna dizer que ele chama a morte de Caetana e que, quando vê a Caetana, ele corre dela. Eu não quero ver a Caetana nem...
Qual foi o pior momento neste processo?
Foi quando eu soube. Vim trazer a minha mulher para um exame e a Marisa e o Kalil armaram uma arapuca e me colocaram no tal de PET [aparelho que rastreia tumores]. Eu tinha passado pelo otorrino, o otorrino tinha visto a minha garganta inflamada.
Eu já estava há 40 dias com a garganta inflamada e cada pessoa que eu encontrava me dava uma pastilha No Brasil, as pessoas têm o hábito de dar pastilha para a gente. Não tinha uma pessoa que eu encontrasse que não me desse uma pastilha: 'Essa aqui é boa, maravilhosa, essa é melhor'. Eu já tava cansado de chupar pastilha.
No dia do meu aniversário, eu disse: 'Kalil, vou levar a Marisa para fazer uns exames'. E viemos para cá. O rapaz fez o exame, fez a endoscopia, disse que estava muito inflamada a minha garganta. Aí inventaram essa história de eu fazer o PET. Eu não queria fazer, eu não tinha nada, pô. Aí eu fui fazer depois de xingar muito o Kalil.
Depois, fui para uma sala onde estava o Kalil e mais uns dez médicos. Eu senti um clima meio estranho. O Kalil estava com uma cara meio de chorar. Aí eu falei: 'Sabe de uma coisa? Vocês já foram na casa de alguém para comunicar a morte? Eu já fui. Então falem o que aconteceu, digam!' Aí me contaram que eu tinha um tumor. E eu disse: 'Então vamos tratar'.
Existia a possibilidade de operar o tumor, em vez de fazer o tratamento que o senhor fez.
Na realidade, isso nem foi discutido. Eles chegaram à conclusão de que tinha que fazer o que tinha que fazer para destruir o bicho [quimioterapia seguida de radioterapia], que era o mais certo. Eu disse: 'Vamos fazer'.
O meu papel, então, a partir dessa decisão, era cumprir, era obedecer, me submeter a todos os caprichos que a medicina exigia. Porque eu sabia que era assim. Não pode vacilar. Você não pode [dizer]: 'Hoje eu não quero, não tô com vontade'.
O senhor rezava, buscou ajuda espiritual?
Eu rezo muito, eu rezo muito, independentemente de estar doente.
Fez alguma promessa?
Não.
Existia também uma informação de que o senhor procurou ajuda do médium João de Deus.
Eu não procurei porque não conhecia as pessoas, mas várias pessoas me procuraram e eu sou muito agradecido. Várias pessoas vieram aqui, ainda hoje há várias pessoas me procurando. E todas as que me procurarem eu vou atender, conversar, porque eu acho que isso ajuda.
E como será a vida do sr. a partir de agora? Vai seguir com suas palestras?
Eu não quero tomar nenhuma decisão maluca. Eu ainda estou com a garganta muito dolorida, não posso dizer que estou normal porque, para comer, ainda dói.
Mas acho que entramos na fase em que, daqui a alguns dias, eu vou acordar e vou poder comer pão, sem fazer sopinha. Vou poder comer pão com aquela casca dura. Vai ser o dia!
Eu vou tomando as decisões com o tempo. Uma coisa eu tenho a certeza: eu não farei a agenda que já fiz. Nunca mais eu irei fazer a agenda alucinante e maluca que eu fiz nesses dez meses desde que eu deixei o governo. O que eu trabalhei entre março e outubro de 2011... Nós visitamos 30 e poucos países.
Eu não tenho mais vontade para isso, eu não vou fazer isso. Vou fazer menos coisas, com mais qualidade, participar das eleições de forma mais seletiva, ajudar a minha companheira Dilma [Rousseff] de forma mais seletiva, naquilo que ela entender que eu possa ajudar. Vou voltar mais tranquilo. O mundo não acaba na semana que vem.
Quando é que o senhor começa a participar da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo?
Eu acho o Fernando Haddad o melhor candidato. São Paulo não pode continuar na mesmice de tantas e tantas décadas. Eu acho que ele vai surpreender muita gente. E desse negócio de surpreender muita gente eu sei. Muita gente dizia que a Dilma era um poste, que eu estava louco, que eu não entendia de política. Com o Fernando Haddad será a mesma coisa.
O senhor vai pedir à senadora Marta Suplicy para entrar na campanha dele também?
Eu acho que a Marta é uma militante política, ela está na campanha.
Tem falado com ela?
Falei com ela faz uns 15 dias. Ela me ligou para saber da saúde. Eu disse que, quando eu sarar, a gente vai conversar um monte.
E em 2014? O senhor volta a disputar a Presidência?
Para mim não tem 2014, 2018, 2022. Deixa eu contar uma coisa para vocês: eu acabei de deixar a Presidência da República, tem apenas um ano e quatro meses que eu deixei a Presidência.
Poucos brasileiros tiveram a sorte de passar pela Presidência da forma exitosa com que eu passei. E repetir o que eu fiz não será tarefa fácil. Eu sempre terei como adversário eu mesmo. Para que é que eu vou procurar sarna para me coçar se eu posso ajudar outras pessoas, posso trabalhar para outras pessoas?
E depois é o seguinte: você precisa esperar o tempo passar. Essas coisas você não decide agora. Um belo dia você não quer uma coisa, de repente se apresenta uma chance, você participa.
Mas a minha vontade agora é ajudar a minha companheira a ser a melhor presidenta, a trabalhar a reeleição dela. Eu digo sempre o seguinte: a Dilma só não será candidata à reeleição se ela não quiser. É direito dela, constitucional, de ser candidata a presidente da República. E eu terei imenso prazer de ser cabo eleitoral.

fonte:http://www1.folha.uol.com.br/poder/1069313-sem-voz-estaria-morto-diz-lula-em-entrevista-exclusiva.shtml

quarta-feira, 28 de março de 2012

No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade, declamado em vários idiomas

video



http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet269.htm

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
                              Carlos Drummond de Andrade
    

fonte:
http://www.memoriaviva.com.br/drummond/

segunda-feira, 26 de março de 2012

pedido de permissão

tudo o que eu peço ao humano, é que ele permita que eu o ame...

adenildo lima

Documentário: Palavra (En)cantada - de Helena Solberg


http://www.youtube.com/watch?v=cMJK0h5WsfQ&feature=related

silêncio

o grito do silêncio é gritante aos ouvidos dos surdos que se dizem bons ouvidores

adenildo lima

Poemas cantados...


sábado, 24 de março de 2012

LOBO-GUARÁ

Para Ivo Barroso

Acossado, um lobo-guará
escondeu-se dentro de João,

Acossado, um lobo-guará
escondeu-se dentro de João,
que, invisível em sua miséria,
fez-se perfeito esconderijo
do Mal, seu ingênuo hospedeiro.

fez-se perfeito esconderijo
do Mal, seu ingênuo hospedeiro.
Não muito longe, os cães da Usina
latiam em coro e varriam
o ar, com estridentes limalhas.

latiam em coro e varriam
o ar, com estridentes limalhas.
Essa Usina fica próxima
dos festivos lencóis de cana,
a mais verde e voraz das sílfides.

dos festivos lençóis de cana,
a mais verde e voraz das sílfides.
Uma noite, João despertou
com o rumor de altos latidos
e papoulas despedaçando,

com o rumor de altos latidos
e papoulas despedaçando,
pela numerosa alcateia.
Mas, quando João abriu a porta
e, desarmado, os encarou,

Mas, quando João abriu a porta
e, desarmado, os encarou,
todos os cães retrocederam,
e o silêncio cobriu de pó
cinza essa noite de glória.

e o silêncio cobriu de pó
cinza essa noite de glória.
Ao cão que rosnava mais alto,
o cão líder, João o chamou
e, orelhas baixas, ele veio

o cão líder, João o chamou
e, orelhas baixas, ele veio
ser estrangulado primeiro,
privilégio que "estava escrito"
onde, até hoje, ninguém sabe.

privilégio que "estava escrito"
onde, até hoje, ninguém sabe.
Um após outro os foi matando,
até que o sol, enlouquecido,
resolveu cremar todos eles.

até que o sol, enlouquecido,
resolveu cremar todos eles.
Quando já ia alta a amanhã,
o último cão, quase um bebê,
foi morto no colo de João.

o último cão, quase um bebê,
foi morto no colo de João.
A partir dessa longa noite,
no perímetro do mocambo,
veio o medo plantar seus cactos.

no perímetro do mocambo,
veio o medo plantar seus cactos.
E entre uivos, rezas e rosnados,
lá dentro João pedia a Deus
para seu lobo adormecer.

lá dentro João pedia a Deus
para seu lobo adormecer.

Poema de Alberto da Cunha Melo, do livro "O cão de olhos amarelos e outros poemas inéditos". Editora Girafa, SP, 2006.


KISS ACÚSTICO MTV


sexta-feira, 23 de março de 2012

O parto

O meu corpo está completo, o homem - não o poeta.
Mas eu quero e é necessário
que me sofra e me solidifique em poeta,
que destrua desde já o supérfluo e o ilusório
e me alucine na essência de mim e das coisas,
para depois, feliz ou sofrido, mas verdadeiro,
trazer-me à tona do poema
com um grito de alarma e de alarde:
ser poeta é duro e dura
e consome toda
uma existência.

Nauro Machado - um dos nossos maiores poetas contemporâneos

do livro "Seleção, melhores poemas", organizado por Hildeberto Barbosa Filho. Global editora, 2005.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Palestra: Mediação de conflitos no ambiente escolar


Palestra proferida no dia 16 de março de 2012, na Universidade Anhanguera Educacional, Campo Limpo, para estudantes dos cursos de Letras, História e Pedagogia.






segunda-feira, 19 de março de 2012

sábado, 17 de março de 2012

pétalas apodrecidas

enquanto esperamos as conquistas chegarem às nossas portas e janelas, o corpo adormece numa cama qualquer. para o corpo, é necessário exercício, ele pede isso; e as flores quando caem no chão, já não são mais as mesmas: elas perdem a essência e, muitas vezes, só restam os espinhos e as pétalas apodrecidas...

adenildo lima

quinta-feira, 15 de março de 2012

valerie

valerie, você vem como o sonho de liberdade perdido em algum olhar. vem e passa diante mim. teu vestido me abraça com um jeito leve e solto. tuas sandálias pisam a terra, e teus pés são parte integrante do chão que reclino os meus desejos. desejos de criança que deseja colo, que espera um carinho, que fica feliz com o sonho de liberdade. valerie, teus lábios molhados pela ponta de tua língua, me excita ao prazer de tê-la. e você vem como quem não quer nada. e passa. eu te observo, valerie, te desejo, te espero; sonho com teu corpo no meu abraçando os meus braços e abraços num enlaço aconchegante que chamo de amor, de carinho, de prazer.

valerie, teus cabelos soltos, movidos pelo vento, deixa o teu olhar de mulher num diálogo qualquer que eu espero um dia poder vivê-lo contigo. tua experiência, valerie, mostrada em teus passos, em teu jeito, em teu balancear ao andar: sinto-me criança em teus olhares, sinto-me perdido e encontrado nas loucuras de uma paixão, de um amor, de um prazer... vivido apenas por mim, valerie...

valerie, o caminho é apenas o destino, o que eu preciso mesmo é de sua companhia...

adenildo lima.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Entrevista com Geraldo Vandré - Imperdível!!!

FONTE; GLOBO NEWS-
PROGRAMA DOSSIÊ GLOBO NEWS
JORNALISTA-GENETON MORAES NETO

Depois de quatro décadas de isolamento, o cantor e compositor Geraldo Vandré, que se transformou em um dos maiores enigmas da MPB, resolve finalmente quebrar o silêncio. Autor de clássicos como "Disparada" e "Pra Não Dizer que Falei das Flores" -- esta, transformada em hino de manifestações contra a ditadura militar - Vandré deu uma entrevista ao repórter Geneton Moraes Neto no dia em que completava 75 anos de idade. Desde que voltou do exílio, no segundo semestre de 1973, ele não falava para a televisão.

Acessem o link!!! Vale a pena assistir, e como vale!!!

http://www.youtube.com/watch?v=TYextKTVePY


adenildo lima

quinta-feira, 8 de março de 2012

amadurecimento humano

o ser humano começa a amadurecer quando descobre que não existe destino, que o futuro sempre esteve diante dos seus olhos, que os seus amigos são suas escolhas, que viver é ter consciência, é amar aos inimigos mais do que aos próprios amigos. o ser humanos começa a amadurecer quando não se envergonha de chorar, pois ele sabe que a lágrima é a demonstração de um sentimento que poucos têm, principalmente nesta correria angustiante em que vive este homem pós-moderno. o ser humano começa a amadurecer quando entende as decisões dos outros, mesmo que não aceite, quando prefere ouvir, no lugar de falar asneiras,.

o ser humano começa a amadurecer quando descobre que o conhecimento é para ser compartilhado, vivido, multiplicado; jamais posto e imposto como imposição. o ser humano amadurece quando descobre que amar aos outros é antes de tudo amar a si mesmo.

adenildo lima.

colírios

o teu corpo esbelto ao sol como girassol, aos meus olhos, é como colírio aos delírios de um homem.

adenildo lima

quarta-feira, 7 de março de 2012

Lembrete

amigos e amigas que visitam este espaço, desculpa pelos poucos textos que estou publicando ultimamente: estou resolvendo algumas coisas pessoais, mas prometo que toda semana terá texto ou textos publicados... rs... estou em fase final de mestrado, em época de pesquisa...

abs,

adenildo lima.