quarta-feira, 30 de março de 2011

legião urbana, giz, com imagens do filme "um amor pra recordar"

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litania 10

um passo, dois passos, três passos... subir é difícil. é preciso ter cuidado. se tirarem a escada a queda é fatal.

adenildo lima

litania 9

sonhar é um bom caminho para fugir da dor.

adenildo lima

litania 8

mãe é sempre mãe, já os lírios do campo são apenas lírios.

adenildo lima

litania 7

quando você crescer nunca esqueça que ser criança é bem melhor. não desgravide da sua.

adenildo lima

litania 6

em cada beco que passo, sempre vejo um passo esquecido num olhar solitário.

adenildo lima

litania 5

não vivo de ilusão, mas ela é a única realidade que existe.

adenildo lima

litania 4

o meu nada em mim é tudo o que eu preciso para acordar todas os dias e viver um novo dia.

adenildo lima

litania 3

prefiro plantar as sementes a ficar sonhando que elas nasçam.

adenildo lima

litania 2

a vida é aquilo o que vivemos, o que os outros pensam ou desejam, fazem parte da vida deles.

adenildo lima

litania 1

escrever é uma fuga, uma louca fuga, de quê, não sabemos.

adenildo lima

renato russo - mais uma vez

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um ato de amor 10

dizer que dar toda a liberdade, alegando que confia, para saber até aonde vai a confiança de alguém, isso não é confiança, é pior do que desconfiança. se puder, fuja; não há amor.

adenildo lima

um ato de amor 9

se não há confiança, não insistam... são inimigos, e inimigos não se amam.

adenildo lima

um ato de amor 8

um ato emotivo não é amor; parece. o amor tem seus controles.

adenildo lima

um ato de amor 7

o amor é inocente, e sem interesses... quando isso surgem, fuja, não é amor.

adenildo lima

um ato de amor 6

difícil não é lembrar que um grande amor partiu; difícil é saber que ele nunca existiu.

adenildo lima

um ato de amor 5

quando todos partem, descobrimos que a solidão, em nós, é a melhor companheira.

adenildo lima

um ato de amor 4

a solidão não é o fim, e muito menos o começo, é um estar consigo mesmo.

adenildo lima

um ato de amor 3

amar é bem mais do dizer-se apaixonado.

adenildo lima

um ato de amor 2

não, amor não vem com espectativas; vem apenas por amar.

adenildo lima

um ato de amor 1

amar não é o bastante para quem precisa ser amado.

adenildo lima

terça-feira, 29 de março de 2011

aquarela - toquinhos e vinicius

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Dois animais famintos

Sim, eram dois animais:

Um se encontrava nos rejeitos

De uma lacuna chamada democracia.

O outro era apenas irracional.

Sim, eram dois animais:

Um bem mais forte,

Dentes grandes e feroz,

Lutando com todas as forças

Para não perder seu alimento.

(E ele estava certo.

O outro animal, ali, era intruso)

Sim, eram dois animais.

Um deles venceu a luta

Naquela disputa bruta

De saciar a fome

Que sem nome consome

Aos poucos. E some...

Sim, eram dois animais.

De repente um dos dois

Encontrou-se num posto de saúde.

- O que aconteceu com esta criança?

- Ah, ela estava disputando comida no lixo com um porco.

E foi mordida por ele.

- Nossa (!!!...???)

adenildo lima

Entrevista com a professora mediadora, Edna...

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delírios 1

Se há uma coisa realmente justa, é a morte.

adenildo lima

delírios 2

Entre a morte e a vida, a certeza que tenho é que não posso fugir delas.

adenildo lima

delírios 3

Morrer é um sono eterno. Puf!!! Nunca mais...

adenildo lima

delírios 4

Não há dúvida que acredito na vida, só não queira que eu acredite que é eterna.

adenildo lima

delírios 5

Depois que descobri que vou morrer, achas que significa alguma coisa para mim ouvir que não me quer mais?

adenildo lima

delírios 6

Viver é uma aventura que dura menos de um segundo.

adenildo lima

delírios 7

A ganância humana é tão estúpida que nem conseguimos perceber quando a morte chega.

adenildo lima

delírios 8

E quando eu penso na morte, vejo apenas meu corpo deitado em algum lugar. Mas é estranho, nunca acredito que seja eu mesmo.

adenildo lima

delírios 9

A morte, inimiga perfeita da sorte, e certeza absoluta da vida.

adenildo lima

delírios 10

Quem somos nós, afinal? Lembras, quando Gabriel morreu? Todos disseram: o corpo dele se encontra em tal lugar. E Gabriel, onde está, ou quem era, ou, ainda mais, quem é...?

adenildo lima

domingo, 27 de março de 2011

Fela Kuti - Teacher Don't teach Me No Nonsense

fela kuti foi, e é, um dos maiores cantores do continente africano, e do mundo.

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improviso 10

cantar ainda é um grande passo para fazer brotar sorrisos e lágrimas nos olhares das máquinas ambulantes.

adenildo lima

improviso 9

não é que eu deixei de te amar, foi você quem não soube continuar esse amor.

adenildo lima

improviso 8

o teu medo de se entregar a mim, não é medo de se entregar a mim, é medo de você mesma.

adenildo lima

improviso 7

se deus existe? é óbvio que sim. pelo o menos enquanto você acreditar.

adenildo lima

improviso 6

o capitalista é igual a uma prostituta, só que sem alma.

adenildo lima

improviso 5

o que muda no ser humano não é o ser humano, é o seu comportamente em cada lugar, mas, ele em si, nunca deixou de ser o mesmo.

adenildo lima

improviso 4

amizade entre homem e mulher é verdadeiramente um enigma.

adenildo lima

improviso 3

o sorriso da criança é o que falta na alma dos adultos.

adenildo lima

mallu magalhães - vanguart

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improviso 2

enquanto sonhamos com dias melhores, não conseguimos ver o dia passando.

adenildo lima

improviso 1

muitos vivem intensamente as amizades; outros criam amigos imaginários, e ainda esperam em encontrá-los na eternidade.

adenildo lima

Mallu Magalhães - Tchubaruba

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pra pensar 10

entre o irracional e o racional, a diferença é apenas teórica.

adenildo lima

pra pensar 9

se você tiver tempo, não pense sobre a vida; viva!

adenildo lima

sábado, 26 de março de 2011

katy perry - hot n' cold

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pra pensar 8

falar de amor é uma grande bobagem, o importante mesmo é olhar as máquinas com aquele espelho refletindo sua imagem.

adenildo lima

pra pensar 7

só precisamos mesmo acordar, e isso não levará muito tempo, já que a vida é breve.

adenildo lima

pra pensar 6

um mote pra um poema

aonde eu vou
é onde eu moro

adenildo lima

pra pensar 5

poema é a coisa mais vã que existe; se você não concorda, já é um grande passo. (?)

adenildo lima

pra pensar 4

engana-se quem pensa que o ser humano muda; ele apenas procura se encaixar no ambiente em que se encontra.

adenildo lima

pra pensar 3

a loucura é a maior sanidade que podemos enxergar num ser humano.

adenildo lima

pra pensar 2

bom mesmo seria ter a liberdade de pensar; muitos pensam que têm. esses são felizes, nunca entraram num centro acadêmico.

adenildo lima

pra pensar 1

o conhecimento, ao contrário do que falam, é uma faca de dois gumes ferindo aos poucos.

adenildo lima

sexta-feira, 25 de março de 2011

a paciência e a lágrima

onde ficou aquelas lágrimas
e para aonde elas vão
estão perdidas por aí
no olhar de uma criança
de uma mãe
de uma família
esquecida pelo Estado

o que fazer com essas lágrimas
são lágrimas vindas de dores
de sentimentos doloridos
são lágrimas procurando rimas
buscando uma resposta
são lágrimas com uma pergunta
solta por aí
com apenas questionamentos
ignorados

o que fazer quando a paciência
vai perdendo a paciência
e ela, a paciência, perde a esperança
de esperar

a paciência saiu por aí
com lágrimas molhando a face
com um sorriso humano
e com uma esperança de ser percebida

mas o que fazer quando a paciência
vai perdendo a paciência
já as lágrimas estão tristes nos versos do poeta
até o momento não encontraram nenhuma rima

adenildo lima

quinta-feira, 24 de março de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um sonho de uma criança inocente

Hoje eu acordei querendo voltar a ser criança, mas uma criança bem inocente, daquelas que não conhecem o ódio e o rancor, que têm apenas na alma a ilusão de um mundo feliz. Ao acordar desejei um mundo onde todos pudessem amar. Amar apenas, mesmo odiando. Odiando os contrastes na sociedade atual que temos, odiando a falta de afeto nas pessoas, mas odiando sem nenhum ódio. Nenhum ódio rancoroso.

Desejei, também, ao acordar, vê um mundo compartilhado pelo diálogo. As pessoas sentadas numa mesa, não para planejar a morte de milhões de inocentes, mas para organizar uma maneira para evitá-la.

E agora nem sei se eu estava mesmo sonhando acordado ou sonhando dormindo, mas sei que continuo sonhando, e fazendo a minha parte.

adenildo lima

terça-feira, 22 de março de 2011

shakira - waka waka (this time for africa

gosto da shakira, acho-a bem sensual, sem ser pornográfica, que é muito diferente sensualidade de pornografia, e poucas mulheres conseguem expor o corpo, e ser apenas sensual... isso é meu ponto de vista... rs... mas eu gosto da shakira ...rs...

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improvisos iii

ah, teus cabelos longos e estirados, deixando a pele do teu rosto, dando destaque ao teu sorriso, como ficas sensual.

adenildo lima

julieta venegas - me voy

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improvisos ii

não me ignore, ainda falo a língua dos surdos e mudos, você é quem não sabe a leitura da alma.

adenildo lima

marisa monte e julieta venegas - ilusão

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improviso

viver ainda é a única ilusão que nos dá esperança de um novo amanhã.

adenildo lima

the cranberries - just my imagination

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Folha entrevista o novo secretário da educação, SP

Estado não se preocupou em ter docente motivado

NOVO SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO AFIRMA QUE PROFESSORES ESTÃO SEM MOTIVAÇÃO DEVIDO A BAIXOS SALÁRIOS, CARREIRA PROFISSIONAL RUIM E FALTA DE DIÁLOGO
DENISE CHIARATO
EDITORA DE COTIDIANO

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

Dois dias após assumir a Secretaria da Educação de SP, o ex-reitor da Unesp Herman Voorwald, 55, já tem uma avaliação da rede: os professores estão desmotivados e com salários baixos.
Indicado pelo governador Alckmin, cujo partido, o PSDB, está há 20 anos no comando de SP, Voorwald afirma que o Estado não se preocupou em aumentar o comprometimento dos servidores. Mas ele, que não é filiado a partido político, diz não saber o porquê dessa situação.
A prioridade agora, afirma, é "resgatar a dignidade" dos professores, por meio de diálogo, aumento salarial e uma nova carreira -os recursos para isso, porém, ainda não estão garantidos.
Em sua primeira entrevista exclusiva, concedida à Folha na sexta-feira, o novo titular da gestão Alckmin (PSDB) sinalizou que deverá alterar o exame implementado pelo governo Serra (PSDB) que concede reajuste salarial aos professores mais bem-classificados em uma prova.
O problema, diz, é que no máximo 20% dos docentes podem receber o reajuste -ainda que parcela maior tenha atingido a nota mínima fixada. Essa e outras constatações surgiram após reuniões do secretário com os seis sindicatos da categoria.
Engenheiro com carreira na Unesp, Voorwald (lê-se Vuervald) afirma que ainda não conhece as escolas estaduais. Abaixo, a entrevista em que analisa a situação da maior rede de ensino do país.



FOLHA - Qual sua avaliação inicial da rede?
Herman Voorwald - A informação que tive das entidades é que há muito pouco contato [da administração] com a rede. Se o objetivo é dar o melhor aprendizado ao aluno, a pessoa que dá o aprendizado precisa se manifestar sobre as atividades que fará na aula.

Alguma preocupação se destacou nas conversas?
Já tinha isso comigo: a qualidade de ensino está relacionada ao comprometimento das pessoas.
Nas universidades estaduais paulista ocorreu isso. Em 1989, quando conseguiram autonomia, sempre priorizaram recursos humanos, para assegurar um quadro de servidores que garantisse qualidade institucional.
Não sinto o mesmo na educação fundamental e média. Honestamente, em uma semana que estou aqui, não sinto que a preocupação seja ter um quadro comprometido. Pretendo resgatar a dignidade dos professores, o que passa por salário e carreiras dignos. Se conseguir dar um passo nesse sentido, acho que trarei algo novo.
Outro fator importante é o diálogo. As pessoas reclamam que a rede não consegue se manifestar.
Eles colocaram isso de uma forma muito clara na progressão continuada. A fala foi que o sistema foi gestado na administração e imposto, de cima para baixo.
As entidades são unânimes na defesa da progressão, mas não no modelo de hoje. A solução é avaliar se o conteúdo foi absorvido. Em não sendo, precisamos encontrar maneira de recuperar o conteúdo -foi o que faltou.

Como o sr. analisa a situação dos professores temporários?
Temos cerca de 30 mil temporários [sem estabilidade]. A proposta é que até 2013 cheguemos a 10 mil. Tenho claro que deve haver uma carreira. Num processo que você não tem correção linear do salário ao longo dos anos, aqueles que não tiverem compensação [por meio de exame] ficam desestimulados.

Como o sr. avalia a rede, em termos de infraestrutura, de organização pedagógica?
Ainda não conheço as escolas. Vamos fazer um diagnóstico, objetivando que a infraestrutura seja a ideal.
De qualquer forma, tive um sentimento da rede de absoluto desconforto de como a administração entende o processo de educação. O sentimento é muito ruim. Senti uma desmotivação, uma leitura de desconsideração do papel do professor.
Há o sentimento que o Estado não tem preocupação em formar bem os jovens. Esse sentimento não é bom.
A fala foi geral, e a sinalização foi o quanto se paga para um professor que ingressa [R$ 1.835, para jornada de 40 horas semanais]. Como você quer ter alguém comprometido, formado em boa universidade?

Qual é o salário adequado?
É difícil dizer. A fala aqui foi que deveria ser aumentado, o que eu concordo.

Então está definido que haverá aumento?
Não conversei com o governador sobre isso. Mas ele já colocou que educação é sua prioridade.

O PSDB está há quase 20 anos no poder. O que levou a esse quadro de desestímulo que o senhor aponta?
Não sei dizer se foram apenas implicações econômicas ou de prioridade. Sei que minha prioridade é que recursos humanos serão o diferencial. Os programas da secretaria são bons, a gestão é boa, o material é bom.
Podemos fazer reformas de prédios, se necessário. Tudo isso é administrável. O que não se consegue administrar matematicamente é o sentimento daquele que ministra dentro da sala de aula.

O sr. já estabeleceu metas de melhoria no ensino?
Não pensei quantitativamente. Apesar de ser engenheiro, não tenho olhar só para tabelas. Sei que número você trabalha como quiser.
Mas tenho a leitura que um trabalho muito forte precisa ser feito no ensino médio, que está enfrentando os piores indicadores. Sem isso, você não terá ensino superior de qualidade, e o menino não vai ingressar no mercado.
A proposta, que já vinha sendo discutida, é integrar o ensino médio com o profissional. Permitir, por meio de convênios, que o menino complete sua formação com disciplinas técnicas, para habilitá-lo para o mercado de trabalho. Ele já sairia com uma habilitação, como técnico em mecânica ou eletrônica. Claro que o aluno não será obrigado a fazer isso.
Em outra vertente, ele pode ter disciplinas gerais para o mercado de trabalho dentro do currículo do ensino médio. E as universidades podem oferecer cursinho para os que decidirem não ir para habilitações técnicas.

O sr. manterá a política de pagamento aos professores com base no desempenho?
O mérito tem de estar presente numa discussão de carreira. O que eu entendo é que, se é para avaliar o mérito, a regra precisa estar clara e as pessoas que atingiram o mérito devem ter o resultado.
As falas foram que isso não ocorreu. Uma quantidade atingiu a nota mínima, mas só uma porcentagem obteve o resultado financeiro. E aqueles que também atingiram e não ganharam?

O deputado Gabriel Chalita (PSB) teve influência na escolha do seu nome?
Conheço o deputado Chalita não com profundidade. Tenho respeito por ele, mas não há nenhuma ligação que possa levar à conclusão que houve ligação da parte dele. Não tenho essa informação.

O sr. conhece alguém que tenha filho em escola estadual?
Meus filhos são mais velhos. Minha família mora na Holanda. Meus parentes aqui são os da minha esposa, nenhum em idade escolar.
Fiz o antigo primário, colegial, em escola pública. Claro, era uma outra época.
Não teria dificuldade em colocar meu filho em uma escola pública. O que temos de buscar é a qualidade. O Estado teve uma política de expansão violenta. Agora precisa de uma política de qualidade, outra etapa da história.

Fonte:http://sergyovitro.blogspot.com/2011/01/entrevista-da-2-herman-voorwald.html

Monólogo

Parecia uma madrugada qualquer, e podia ser, se você não tivesse aparecido por lá. Eram, aproximadamente, 3h. Uma chuva serena caía molhando o concreto da rua, e trazendo uma taciturnice ao ambiente. Eu, estava contemplando o tempo e cada olhar perdido nas esquinas. E num olhar eu me perdi, o seu.

Você veio dançando, com os braços abertos, com os cabelos soltos e com um vestido transparente deixando sob mistérios a tua pele quase nua. E ao som de uma canção ninar orquestrada pela chuva você transformou o vão da rua em um palco, e eu sendo o seu único espectador.

Você dançou no dedilhar da ponta dos dedos dos pés. A chuva caía e caía lentamente. Os bicos pontudos dos teus seios faziam-se aparecer no tecido molhado e excitante aos meus olhos. Ali, tinha um palco, tinha uma artista e um único espectador. Aplaudi, apreciei... todo o seu encanto. Era madrugada e o frio do decair da noite fez com que teu corpo molhado viesse ao meu.

E você veio com aqueles lábios carnudos, com os mamilos pontudos encostando em mim fazendo meu coração bater. E, ali, nos beijamos, nos abraçamos fortemente. Lambi seu pescoço com a ponta da língua fazendo-te me apertar as costas com tuas mãos suaves. E a madrugada presenciou um dos momentos de amor mais sublime que eu já vivi. E ainda hoje sinto o teu corpo abraçado ao meu, e teu cheiro adentrando as minhs narinas.

adenildo lima

sexta-feira, 18 de março de 2011

Amanda

O ano era de 1999, já se passaram 12 anos, mas Sandro ainda não conseguiu esquecer aquela imagem gravada em sua memória, vendo Amanda entrando na sala de aula para iniciar o curso de direito, direcionando o olhar lá para os fundos da sala. Na época, ela sonhava em mudar o mundo, sonhava em se envolver no meio social, ser voluntária, ser advogada dos pobres... e sonhava tantas coisas mais. Já Sandro, um rapaz inteiramente desprovido de qualquer sentimento social, totalmente ignorante a esses assuntos, ou se fazia ser ignorante, já que o seu sentimento de burguês, mesmo não sendo, era forte dentro dele. Sendo mais claro, um puta de um idiota.

O olhar de Amanda para Marcelo foi muito forte. Foi um olhar retribuindo a resposta de uma interrogação nos olhos dele. Marcelo era um cara simples, estudioso ao extremo, tinha o poder das perguntas e das respostas através de um simples olhar. E isso fez com que fosse percebido por ela. Sandro começou a bancar o verdadeiro idiota, querendo conquistá-la com um "eu te amo", dizendo todos os dias. Com um "você é maravilhosa', 'você é a mulher que me faz sonhar". E continuava com essas baboseiras, inclusive, todos os dias levando uma flor para ela, esquecendo o principal que um homem deve fazer com uma mulher, dar-lhe atenção.

Amanda com seus cabelos negros por cima dos ombros, com uns óculos , dando-lhes charme, e um jeito meigo de ser, já não conseguia esconder que estava apaixonada por Marcelo. Ela, até amava Sandro, mas era um amor que se deve ter aos idiotas, só.

Sim, e o tempo foi passando, e já se passaram 12 anos. Sandro ainda hoje espera um olhar daquele que Amanda dirigiu para Marcelo.

"E ao vencedor, as batatas".

adenildo lima

esmero espaço

há um sorriso perdido
em algum lugar
procurando encontrar
um carinho seu,
meu, nosso...

de todos nós

há uma lágrima
lacrimejando alguma face oculta
na disputa de um abraço
para amar,
sonhar,
desejar...

viver

e viver é tudo o que eu quero
nesse esmero espaço
de laços e enlaços
que chamamos de vida

adenildo lima

segunda-feira, 14 de março de 2011

Teresa

Esses dias lembrei de Teresa. Nem sei o que me levou a lembrar dela. E essa lembrança está comigo há quase quinze dias. Já faz aproximadamente dez anos que a vi. Na época, eu trabalhava de balconista na lanchonete do Hospital e Maternidade Modelo, na Rua Tamandaré, SP. E ela era secretária do pai dela, que era médico. Mas como "todos" os funcionários de um hospital passam pela lanchonete, Teresa logo no início foi lá, pela manhã. Não lembro exatamente o que ela comprou, mas tenho guardado aquele sorriso transparente.

Sim, guardo dela o sorriso transparente. Tinha, acredito que dezoito anos, acabara de concluir o ensino médio. Namorava um rapaz que sempre ia buscá-la num carrão. Às vezes ela parava, assim, por segundos, para conversar comigo. Lembro que ela falou que estava estudando para prestar vestibular, que estava precisando de uma grana, por isso estava trabalhando com o pai. Demonstrava em algumas palavras uma determinada insatisfação pela vida que tinha, e parece que se sentia bem ao parar por segundos para conversar comigo. E tudo aquilo me deixava uma pergunta, um questionamento.

A pergunta até hoje não sei qual era, mas sei que me fazia bem aqueles segundos em que conversávamos. Muitas vezes fiquei observando-a sair da lanchonete, caminhando em direção ao hospital. Um avental bastante longo, vestia aquele corpo esquelético que, com o charme dos seus cabelos longos, parecia aos meus olhos uma obra de arte andante. E, em mim, vinha um desejo de um dia namorá-la, mas logo esse desejo era deixado de lado, pois a diferença social não me permitia ir além, de admirá-la.

Lembro que uma vez eu passei defronte o escritório, onde ela trabalhava, dentro do hospital, apenas para receber de relance um sorriso. E recebi. No fundo, no fundo... acredito que ela tinha uma determinada simpatia por mim, humanamente falando. Era um sorriso tão sincero, aos meus olhos. Na época tínhamos quase a mesma idade, mas eu ainda estava no último ano do ensino médio, correndo contra os obstáculos da vida para poder concluí-lo. Ela já se preparava para entrar na universidade.

Um dia ela me perguntou qual curso eu iria fazer, falei que ainda não tinha uma escolha determinada, mas pensava em Psicologia, Direito... mas que tinha um sonho em segredo dentro de mim, o de ser escritor. Ela riu, não sei se desacreditando ou com um ponto de interrogação perdido no ar. E continuamos a conversa. Em alguns momentos ela, com aquele jeito meio rebelde cravado na alma de menina burguesa, querendo dar um pulo e não seguir os ditames que a família exige, disse que estava levando a vida e acreditava que em breve casaria.

Sei que se passaram dez anos, aproximadamente. Não sei como ela está. Possivelmente esteja com filho, ou com filhos. Casada, ou separada. Talvez tenha conseguido concluir um curso superior, e talvez não. Talvez lembre que um dia trabalhou lá, ou esteja trabalhando, exercendo uma outra função, já que aquela era apenas um passa tempo. E de mim, tenho plena certeza que ela não lembra. Não sei qual o motivo de eu pensar assim, mas não acredito que ela lembre que eu existi. E se por acaso nos encontrássemos hoje, talvez parássemos para conversar um pouco mais. E ela iria perguntar como estou.

Responderia que concluí o curso superior, que não trabalho mais na área de restaurante, que consegui realizar o sonho de ser escritor, que no momento estou fazendo mestrado, que nunca casei, que não tenho filhos... e perguntaria a ela se o nome dela é escrito com Z ou com S. Ela iria rir, com certeza, diante de uma pergunta tão banal, mas foi esta pergunta que nos aproximou na época, lembro.

Adenildo Lima

Qual é a relação entre culpado, responsável e vítima?

Para responder uma pergunta desta, primeiro, precisamos saber que cada caso é um caso completamente diferente, mas podemos pegar como base alguns exemplos, e um deles, posso citar, o de uma estudante de turismo numa universidade do Estado de São Paulo. Ela foi para o campus acadêmico com um vestido curto, e isso, segundo os fatos relatados pela imprensa, causou uma, se posso dizer: rebelião. Centenas de alunos saíram das salas de aula gritando e, até agredindo-a, verbalmente, chamando-a de prostituta, dizendo que iriam estuprá-la etc., sendo preciso chamar a polícia para escoltá-la.

Esse assunto foi notícia no mundo inteiro, até aos dias de hoje é possível ouvir comentários. A universidade, a primeira atitude a tomar foi expulsar a aluna, alegando “flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”. E aí fica um questionamento: o que é um desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade de uma entidade educacional?

Moramos num país tropical, se formos a Universidade de São Paulo, USP, em tempo de calor, veremos as meninas com vestes inteiramente curtos. E até mesmo professoras, como já vi em muitas escolas e faculdades. A pergunta que fica é: a estudante é vítima, culpada, ou responsável pelo o que aconteceu?

Eu gostaria de dizer que ela é vítima. Ela foi estudar com trajes que sempre usou, conforme relata as reportagens, com o próprio depoimento dela. Mas no momento em que aconteceu o reboliço contra a ela dentro da universidade e, em seguida ganhou as páginas da internet, e a mídia em geral, ela foi punida com a expulsão e, automaticamente, vista como responsável pelo o que aconteceu. Será que ela é culpada, vítima ou responsável? Sinceramente não sei. Mas sei que em nosso país, e em nosso mundo o culpado é sempre o menos favorecido. E isso acontece com as nossas crianças, adolescentes e jovens quando entram em conflito com a lei.

Sim, é uma comparação, talvez até considerada sem lógica, mas ao meu ponto de vista, não. Como podemos culpar uma criança que pode ter em suas mãos uma arma para assaltar? É apenas uma criança. Vamos culpar a família? Já que a constituição no artigo 227 diz que É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

Como culpar a família se muitas vezes aquela criança nem uma “Família” tem? Culpar a sociedade? Como se a sociedade não recebe um amparo do Estado? É, diante de tudo isso me resta apenas dizer que o responsável pelas infrações: É o Estado, o sistema político de um país, já que sabemos claramente que é mera ficção, até o momento, este artigo 227 da constituição de 1988.

Assim, no final da história, se forem bem analisados pela justiça, os atos cometidos pela criança, pelo adolescente... na verdade, eles são apenas vítimas de um sistema político que não tem como prioridade o bem-estar da sociedade, mas sim, seus próprios interesses. E, por pior que pareça tudo isso, nos deixa uma abertura, instigando de nossa parte, a luta para fazer valer à pena a constituição que temos.

adenildo lima

domingo, 13 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Professor é igual a lixo para o sistema governamental de São Paulo

Tudo o que precisamos é viver, mas está difícil. A vida já não é mais um direito humano, passa a ser a cada dia que se passa uma necessidade de sobrevivência de cada um. E como é complicado sobreviver. Os quatro cantos do mundo estão fechados com apenas quatro guardas, mantendo todo o poder através do dinheiro. Sim, isso é uma metáfora, sabemos que não são quatro guardas, mas sabemos que é uma minoria que tem o poder nas mãos. Educação?!!! Ser professor na cidade de São Paulo é humilhante, o sistema governamental trata os profissionais como lixos; sem falar da burocracia que encontramos nas diretorias de ensino, nas escolas... mas tudo isso, sim, é um reflexo dos mais de quinze anos do mesmo governo. Educar pra quÊ? Pergunto eu, pobre mortal. E a resposta vem nas salas de aulas lotadas, nas escolas desprovidas de recursos educacionais, nas lágrimas lacrimejando na face desesperada dos docentes, muitos que, acreditavam e acreditam que pode fazer um país melhor. Educar pra quê? pergunto mais uma vez, se a sociedade, se a juventude sem conhecimento é bem mais fácil de ser manipulada. E como é, disso sabemos.

Mas mesmo assim ainda há um sorriso perdido no olhar de alguma criança, fazendo com que tenhamos esperanças para seguir, pois para ser professor não é preciso apenas carne e ossos, é preciso, na verdade, ter ALMA, só que até a alma dos mestres estão sendo massacradas.

adenildo lima

Que país é esse? - na voz dos Paralamas

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A educação brasileira diante do mundo

Longo caminho até 2022

O Brasil ganha pontos no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), mas continua abaixo da média e atrás de quase todos os outros países do ranking. Até quando?

Por Marcos Graciani

O Brasil melhorou seu desempenho no último Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) – teste desenvolvido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde), que aplica questões de matemática, ciências e leitura. A pontuação brasileira foi a terceira que mais cresceu – 33 pontos, chegando a 401. Pode parecer alentador para um país acostumado a levar bomba nos testes internacionais de educação. Mas não é. Hoje, o país ocupa a nada honrosa 57a posição no Pisa, à frente de apenas oito países. A China, primeira colocada, totalizou 556 pontos. Se o Pisa fosse um campeonato de futebol, o Brasil estaria bem próximo da zona de rebaixamento.

Se analisados regionalmente, os resultados do Pisa mostram os Estados do sul um pouco melhores que a média nacional. O destaque fica por conta de Santa Catarina, que perde apenas para o Distrito Federal (veja tabela ao lado). A despeito da evolução, o Brasil ainda precisa percorrer um longo caminho no desafio de preparar melhor seus estudantes com até 15 anos – que formam o público-alvo dos testes da Ocde.

Mesmo tendo melhorado nas três disciplinas, o Brasil ainda apresenta problemas básicos. O mais grave deles é na matemática: mais de 60% dos alunos brasileiros estão abaixo do “nível 1” da escala Pisa – quando o mínimo esperado seria atingir a média do “nível 2”. “Isso significa que nossos alunos de 15 anos estão chegando ao final do ensino fundamental sem dominar as competências e habilidades que deveriam ter aprendido até a 5ª série”, esclarece Maria Helena Guimarães de Castro, membro do Conselho Acadêmico Consultivo da Pearson Sistemas de Ensino do Brasil.

No âmbito da leitura, fica evidente a necessidade da criação de um indicador nacional de alfabetização. Só assim será possível medir com precisão se as crianças de até 8 anos de idade deixam a 2ª série do ensino fundamental sabendo, de fato, ler e escrever. A Coreia do Sul mostra como chegar lá: entre 2000 e 2006, o desempenho dos estudantes evoluiu significativamente, de 525 para 556 – suficiente para colocar o país na liderança dessa disciplina no Pisa. As escolas coreanas estimulam exaustivamente o hábito de ler e escrever. Também aplicam um modelo de provas diferenciado, com ênfase em perguntas abertas e dissertativas – que exigem do estudante a capacidade de construir e expressar um raciocínio. Outra estratégia de sucesso é o incentivo à leitura em voz alta na sala de aula e a realização de peças de teatro com a participação dos alunos.

Salto planejado


Felizmente, o Brasil não está parado. Um dos objetivos traçados pelo Plano Brasil 2022, do governo federal, é elevar a nota dos estudantes brasileiros no Pisa para 473 pontos – um salto de 72 pontos em uma década, bem superior aos 33 alcançados entre 1999 e 2009. Para tanto, o plano prevê um novo modelo educacional que atinja desde o ensino fundamental ao superior. “Os problemas começam na alfabetização, na infância, e passam pelo ensino médio, que tem um formato aberto demais, criando um inchaço curricular e pouco atraente”, destaca Gustavo Ioschpe, economista especializado em educação. Para ele, uma solução possível é expandir a oferta de cursos profissionalizantes de período mais curto nas universidades. “Hoje, a oferta ainda é pequena, o que nos faz ter uma taxa de matrícula nas universidades inferior à de outros países”, garante.

A desigualdade do sistema de ensino é outro agravante – basta passar os olhos nos indicadores do Pisa. Enquanto os estudantes de escolas particulares alcançam a média de 502 pontos, os da rede pública estacionam nos 387 pontos. Um dos fatores que pesam a favor do ensino privado está na dispobilidade de recursos humanos. Nas escolas particulares, os professores são mais qualificados e o material didático, mais completo do que o oferecido pelo Estado. No entanto, em alguns casos, mesmo os professores que lecionam em escolas particulares carecem de formação adequada. Do total de 1,9 milhão de docentes brasileiros, 32,1% trabalham sem diploma universitário. As piores estatísticas são as das regiões norte e nordeste, onde quase metade dos professores atua sem formação superior. Já no sudeste, sul e centro-oeste, os sem diploma representam 20% do total, conforme os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Para alcançar as metas traçadas até 2022, o plano parte do princípio de que apostar na formação de professores é fundamental. Especialistas em educação citam a Finlândia como benchmark. O país procurou atrair jovens talentos para a área docente por meio de um plano de carreira pautado em bons salários, carreira estável e meritocracia. Os esforços deram certo: hoje, cerca de 20% dos alunos mais preparados do ensino médio acabam se tornando professores. Já no Brasil, a falta de qualificação do quadro docente faz com que os estudantes brasileiros se sintam desanimados não só para ensinar, mas até para aprender. De acordo com dados do Movimento Todos pela Educação, 40% dos alunos desistem do ensino médio por desmotivação. “Também é preciso oferecer temas que caibam na vida dos estudantes, ou seja, um currículo mais próximo da realidade”, critica Mozart Neves Ramos, conselheiro do Movimento Todos pela Educação, do qual AMANHÃ é apoiadora.

Alento

Ainda que existam muitas barreiras a serem vencidas, há quem louve o esforço do governo em avaliar o ensino nacional. Práticas como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Prova Brasil são vistos como molas propulsoras da busca por uma didática de melhor qualidade. “Ainda que o Enem tenha tido alguns acidentes de percurso, o automóvel está no caminho certo”, compara Luiz Roberto Curi, diretor nacional de ensino superior e pesquisa do Sistema Educacional Brasileiro (SEB).

Outro ponto importante na busca pelo estado da arte do sistema educacional é o surgimento de grupos como o Movimento Todos pela Educação, que reúne empresários interessados em qualificar a educação no Brasil. Uma das missões do grupo é fazer com que os pais participem ativamente da vida escolar dos filhos – especialmente nas famílias de baixa renda. Outra frente está em um relatório lançado em dezembro, no qual o movimento ergue cinco bandeiras para viabilizar o cumprimento das metas educacionais. A mais importante será fazer com que o Inep – responsável por aplicar a Prova Brasil e o Sistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb) – se responsabilize por gerar um relatório com os principais diagnósticos mostrados nos testes em cada escola. “Desta maneira saberemos onde está a deficiência do professor”, propõe Ramos, do Movimento Todos pela Educação.

Fonte: http://networkedblogs.com/fgyut