domingo, 25 de maio de 2008

Momentos da vida

Trem lotado. Empurra, pisa, xinga, comentários e comentários. Pedro puxa conversa com uma garota, ali, sentada. Começam a falar sobre a situação do seu país. E, em poucos minutos, descobre, por detrás daquele olhar cansado, a essência da alma daquela jovem.

Ela comenta que trabalha num restaurante, e acrescenta que é mãe... Em sua mão direita carrega uma aliança e foge do assunto quando se fala em casamento. E enfatiza as palavras ao falar do seu filho. Pedro fica encantado com ela. Ela tem um olhar diferenciado. Pede a pasta dele para levar. Ele sorrir e a entrega com gestos de agradecimentos. E continuam conversando.

Pedro sente vontade de manter contato com ela. Alguma coisa o impede. Os dois descem juntos no mesmo ponto, saem conversando, depois se despedem com palavras satisfatórias, diante daquele breve encontro, e talvez nunca mais eles se vejam.

Por Adenildo Lima

sábado, 24 de maio de 2008

As palavras

As palavras têm sabor, experimente-as! Para falar da importância da leitura na vida humana, sempre falo esta frase. É necessário que as pessoas saibam que as palavras são como o alimento que satisfaz uma determinada fome. Quando criei-a, pensei nisso.

A humanidade, em geral, tem fome de conhecimento e sente prazer diante dele. Mas a cada segundo que se passa estão roubando-o, tirando-o... é preciso que apareçam alguém, na maior parte das vezes, e dizer: o conhecimento é o bem mais precioso que o ser humano tem.

Por que os políticos, vou falar do nosso país, não investem na educação? A educação é um grande caminho para se conhecer melhor a sua cultura, e assim, valorizá-la. Se você não conhece os valores que tem, não pode ser considerado um cidadão, a não ser, uma máquina guiada por tudo o que dizem.

O saber é muito precioso. Pegar um livro e viajar em cada palavra é descobrir-se e descobrir vários mundos e, diante destes mundos, fazer o seu. Estou cansado de ouvir as pessoas dizerem que o Brasil é demócratico, isso é a maior prova da ignorância de nós brasileiros.

Em um país onde a polícia invade a casa de um cidadão que mora na periferia sem nenhuma autorizaçao judicial. Isso é democracia? Num país onde é tirado até o direito do pobre falar. Isso é democracia? É essencial ler, interpretar o mundo ao seu redor.

Um garçom carrega na bandeja um prato cheio de comida para saciar a fome daquela pessoa que está ali sentada à mesa. Depois de saciado, o cidadão levanta e sai satisfeito. Vamos pegar as palavras como um dos principais alimento para o saber? vamos...?
Por Adenildo Lima

quinta-feira, 22 de maio de 2008

The end

Onde está o fim do caminho que eu não conheço? Dizem que tudo na vida tem começo e tem fim, mas é difícil saber onde se começa alguma coisa e onde se termina. Se formos comparar a vida com a existência do universo, nossa existência ficará tão mínima que talvez não a percebemos.

Deus. Os religiosos não conseguem encontrar o início de sua existência. Será que ele começa a existir a partir do momento em que você começa acreditar nele? Já Renato Russo - grande cantor e compositor brasileiro - cita em uma de suas músicas que "o pra sempre sempre acaba".

A existência, na maioria das vezes, parece não existir. Alguém já parou pra pensar referente a isso? Ontem assistindo umas bandas covers, fiquei me perguntando se um artista cover existe. Cheguei à conclusão que não. Ninguém consegue vê-lo, ninguém vai ao Show por causa dele. E, ele, está em que lugar?

The end. O fim começa a existir desde o momento da existência de alguma coisa, não importa o lugar, o idioma, a cultura; assim como o mal precisa do bem pra sobreviver, o bem também precisa do mal pra encontrar sentido na sua existência. E até hoje não consigo entender o motivo e a razão que leva um estudioso para defender uma TESE, precisar de tantas citações.

Parece que não temos mais ideias próprias, parece que temos medos da nossa própria existência, do que falamos, do que pensamos... - isso é... se ela realmente existe.
Por Adenildo Lima

terça-feira, 20 de maio de 2008

Parem!!!

Parem! O Brasil se levanta para o ataque. E levanta a bandeira democrática com suas cores verde, amarela, azul, branca e vermelha. No farol é o vermelho que nunca fica verde. A criança espera o sinal verde para poder atravessar, mas não consegue e a escola fica lá no outro lado.
A criança, cansada de tanto esperar, resolve vender balas para conseguir um dinheiro e assim poder matar a fome que a consome. A cor vermelha aos poucos se transforma em um rio de sangue nos becos, nas periferias, nos faróis das grandes cidades... Já o verde nunca chega.
O azul aparece diante dos olhos das mães que têm esperanças de um futuro melhor. Calma, esperem, o Brasil se prepara para o ataque. Guardem suas crianças que a bela democracia brasileira vem aí.
por Adenildo Lima

Lembranças

Neste exato momento me veio uma lembrança doce e suave do meu "primeiro amor" - mas será que existe primeiro amor ou todos os amores são os primeiros em nossa vida? Sempre amamos diferente, cada pessoa é única e ao estarmos com ela vivemos e somos um pouco dela. Na verdade eu não sei o que é o amor - como sempre falo.
Lembrando as noites sem dormir, as cartas de amor, as horas e horas ao seu lado sem ter forças pra sair; acho que era paixão. Apaixão é uma ilusão destruidora, mas eu a amava. Dela, guardo seus olhos verdes, seu carinho amigável, o respeito, horas e horas conversando sobre a vida. É verdade, uma grande amizade pode se transformar em paixão.
E, lembro também, o nosso primeiro beijo. Aquele beijo foi tão importante que explicá-lo é impossível. Através dele, eu descobri um pouco o que é um sentimento forte diante de outra pessoa. Por isso falo que a amava, não era apenas atração física, era respeito, era desejo; era amor mesmo (rs).
Hoje, estamos seguindo nossos caminhos, ela é mãe, eu continuo solteiro... há muitos anos não mantemos mais contato, mas tenho o mesmo carinho por ela, acredito que ela também. Possivelmente a sua família tenha preenchido aquele espaço do seu melhor amigo: eu.
Por Adenildo Lima

sábado, 17 de maio de 2008

?a guerra?

A guerra. Por que a guerra? Respondam-me, por favor, o por quê? Por que ir à guerra? A guerra. Por quê? Por que matar o seu irmão? Por que atirar contra pais, filhos... Por quê? Por que o homem se deu ao ridículo da vida com esta tal civilização? Por que o homem carrega uma arma? Por quê? Por que os policiais continuam sendo escravos... Por que eles vão à guerra? Por quê? Por que menos de 20% da população mundial tem o donímio de toda a sociedade? Por que sujam a água com sangue se depois não pode bebê-la? Por quê? Por que lutar pela destruição? Por quê? ... Quem não tem amor cria o seu e adormece.
Por Adenildo Lima

Um ato de coragem ou de covardia?

Júlia acordou, olhou o mundo a sua volta - o sol, a cidade grande em sua demasia, as pessoas correndo contra o tempo, as pessoas escravizando os outros - o contraste! Júlia, uma garota conceituada na vida, bem estudada, estava concluindo seu mestrado e, em sua tese tentava defender que o homem comum é que é o verdadeiro intelectual da humanidade.

Júlia há alguns dias não estava mais suportando o peso da desigualdade social. Olhava seus colegas estudiosos e percebia que eles estavam ali (não era para ajudar a nação), era apenas, para se sentirem "deuses" e ainda mais tentar menosprezar o menos favorecido. Teve medo de ser um deles. Ela que tanto sonhou com uma formação (Mestrado/doutorado), teve medo de tê-la.

Júlia teve vontade de escrever uma carta, suas mãos pesaram e ela conseguiu apenas escrever uma linha "Gostaria que o ser humano, mesmo desigual, fosse igual a um poema com sua essência". Nesta frase, ela concluiu sua Tese. Falou tudo o que não tinha conseguido falar durante 3 anos de estudos.

Júlia sentiu o vento frio apertar seus dedos e o seu corpo deitando no chão misturado com um cinza avermelhado. Sentiu a liberdade se misturando ao vento e ainda conseguiu ver um rio de lágrimas.

Júlia não sabe mais o que aconteceu. E muito menos eu!
Por: Adenildo Lima

sábado, 10 de maio de 2008

Confissão

O meu maior motivo de escrever
É o de não conseguir explicar com palavras
o que penso.

E quando escrevo também não sei o que escrevi.

Por: Adenildo Lima

Paredes

Pedro armou a rede num ferro que vinha da parede. O ferro quebrou, a rede rasgou, o sonho passou. Ele abriu a janela. Deu bom dia ao sol em plena meia-noite, deu boa tarde à lua, em pleno meio-dia. Pedro tinha perdido o controle do tempo, já que o tempo é relativo - ficou feliz.

Na rua descalça passava uma moça de calça sem alça. Descalça a menina ria. Pedro tentava entender. O sol estava quente, seus olhos ardiam. Ele teve vontade de gritar por ela, mas a rede já tinha rasgado e o peixe se foi sem ninguém perceber. E, ao receber um telegrama, ficou sorridente.

Voltou para o seu recanto, olhou as paredes, todas estavam sem rostos. Seu olhar perdido procurava alguma coisa... Eram lembranças que avançavam sua mente. Pedro chorou. Amou. Gritou - nada naquele momento estava no lugar. A menina com o seu belo sorriso lhe dava um pouco de felicidade. Na cidade o feliz não tem cor de liz, ou da flor que diz. Infelicidade é coisa rara para quem não consegue encontrar o sorriso perdido nas paredes de sua casa.

As lembranças quando alcançam a luz que em nada mais reluz. O amor passa a ser dor. A vida é pequenina, que chora que ri; mas as paredes não estão mais no mesmo lugar e Pedro parece pedra.
Por: Adenildo Lima

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A arte

Uma obra de arte todo mundo admira, olha, sente-se encantado e até sai um pouco da realidade, essa realidade crua e nua em que vivemos. E falar da obra de arte mais bela que a natureza já fez, não é tão simples assim.

Tem momentos que eu fico sentado em qualquer calçada, e deixo meus olhos trazer a essência daquela beleza inexplicável. Às vezes eu percebo que ela por detrás daquela moldura tem uma alma capaz de amar, de ser amada, de se fazer feliz e ao mesmo tempo infeliz.

Diante destes itens já é possível perceber que esta arte também é perigosa. Mas por ela muitos correm quilômetros e quilômetros de estrada afora. Alguns até enlouquecem ou derrama suas lágrimas para lavar o que eles não conseguem ver.

Eu sou um apreciador da arte, que seja moderna, que seja clássica, só não pode ser vulgar. Poder sentir com as mãos a essência que a arte tem é maravilhoso, beijá-la e se possível, abraçá-la forte e poder dividir momentos infinitos. A arte é infinita: em seus traços, em seus olhares escondidos, em cada representação humana. A arte é divina.

Admirar a arte é começar a fazer parte dela e ela parte de você.

Por: Adenildo Lima

domingo, 4 de maio de 2008

Estamira

Neste feriado de 1º de maio assisti um dos melhores documentário já feito por um cidadão brasileiro, ganhador de 23 prêmios em todo o mundo. Marcos Prado mostra uma mulher que mora no lixão há 20 anos. Ela é vista, por muitos, como esquizofrênica, louca, bruxa e tantas outras coisas. E neste texto, Eu, depois de tantas tentativas querendo escrever um pouquinho só, vou mostrar meu ponto de vista diante da situação.

“A minha missão, além d’eu ser Estamira, é revelar a verdade, somente a verdade. Seja mentira, seja capturar a mentira e tacar na cara, ou então ensinar a mostrar o que eles não sabem, os inocentes… Não tem mais inocente, não tem. Tem esperto ao contrário, esperto ao contrário tem, mas inocente não tem não’. ‘Que Deus é esse? Que Jesus é esse, que só fala em guerra e não sei o quê?! Não é ele que é o próprio trocadilho? Só pra otário, pra esperto ao contrário, bobado, bestalhado. Quem já teve medo de dizer a verdade, largou de morrer? Largou? Quem andô com Deus dia e noite, noite e dia na boca ainda mais com os deboches, largou de morrer? Quem fez o que ele mandou, o que o da quadrilha dele manda, largou de morrer? Largou de passar fome? Largou de miséria? Ah, não dá!’ ‘Foi combinado alimentai-vos o corpo com o suor do próprio rosto, não foi com sacrifício. Sacrifício é uma coisa, agora, trabalhar é outra coisa. Absoluto. Absoluto. Eu, Estamira, que vos digo ao mundo inteiro, a todos, trabalhar, não sacrificar’. ‘Todos homens tem que ser iguais, tem que ser comunistas. Comunismo. Comunismo é a igualidade. Não é obrigado todos trabalhar num serviço só, não é obrigado todos comer uma coisa só, mas a igualidade é a ordenança que deu quem revelou o homem o único condicional, e o homem é o único condicional seja que cor for”. www.estamira.com.br

Estamira, a tua lucidez não nos deixa ver que nós brasileiros somos hipócritas, e para não sermos vistos como loucos, te chamamos de louca com a tua plena lucidez. Se os políticos do Brasil fossem loucos, esquizofrênicos e bruxos iguais a você, o nosso país seria o melhor lugar do mundo para se viver. Se estas frases fossem ditas pelos intelectuais... desculpa, ditas não, escritas. Os nossos intelectuais não dizem nada, se escondem por detrás de um título e escrevem suas merdas, podres e ridículas, tentando se mostrarem os sábios da nação, sem fazerem nada por ela. (se estas frases fossem ditas pelos estudiosos, muitos diriam: nossa! este cara tem uma visão, tem um conhecimento filosófico...).

Sim. Têm alguns que não se encaixam nestas minhas palavras. Estamira com suas palavras no documentário, fala da bosta que está a saúde e a educação brasileira. Ela consegue enxergar tudo isso trabalhando num lixão, catando os restos dos restos das comidas que os burgueses jogam fora. Já a nossa sociedade não consegue ver isso. Somos um monte de parasitas, de dementes, individualistas vivendo na maior guerra que o mundo já teve: o capitalismo!

Estamira podia ser apenas um léxico novo neste campo semântico de vocábulos. Mas esta palavra não é um neologismo. É o grito que o mundo todo precisava ouvir e saber como está caminhando a sociedade brasileira. Eu, Adenildo Lima, deixo claramente explícito o meu ponto de vista diante desta situação, eu também sou louco, esquizofrênico, bruxo e tantas coisitas mais.

Por: Adenildo Lima

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Gramática

Ah, odeio gramática! Mas amo as palavras, amo as vírgulas sem regras, os pontos sem finalização, a interrogação respondendo o que muitos não conseguem entender, os verbos sendo usados sem precisar de tempo, apenas comendo na hora certa, trabalhando, estudando... e quando tudo se junta ao gênero, número e grau. Se ficar bem organizado, podemos até fazer uma oração com a palavra Revolução e no final finalizar com Igualdade, respeito e Educação.

Por: Adenildo Lima

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O ato de escrever

Escrever é um ato muito solitário. Precisa de muita atenção para se fazer uma frase. Cada palavra é uma partícula da sensibilidade do escritor. Eu costumo dizer que não escrevo, apenas procuro nas palavras uma expressão para dizer o que não consigo explicar falando. Quando termino de escrever me calo. Me vejo mudo, mas escuto alguns trovões zunindo ao meu ouvido. São pessoas dizendo alguma coisa que eu também não sei.

As pessoas, às vezes, confundem meus textos comigo, e eu falo que eles são meus filhos que deixo perdidos por aí. Alguns riem, outros pedem que eu explique o que o poema quer dizer. E eu falo que ele quer dizer tudo o que ele entendeu. Se ele nada entendeu, o poema não quer dizer nada. O texto tem sua vida própria, assim como nós. Tentar explicar o que se escreve é confessar com a própria boca que o que foi escrito não significa nada.

Sim. Têm pessoas que escrevem para atingir o valor mais alto em dinheiro. Transformam as palavras em meros produtos de consumo. Não sei o que dizer diante desta situação. O que eu escrevo, eu mesmo vejo que não vale um real. Muitas vezes quando releio meus textos consigo até enxergar a lágrima de uma criança procurando a mãe. Quanto vale isso? Se um real é muito pouco, um milhão também não paga. Disso tenho certeza.

Escrever é um ato de coragem. Confesso. Captar as essências perdidas além do que os olhos conseguem enxergar, é difícil. Escrever é uma transa sentimental além de um simples orgasmo. É parar, é pensar, é apagar, é reescrever... E não ter medo do que vão dizer. O que as pessoas falam é necessário respeitar. Escrever, eu acho que é ser livre para expressar o que pensamos ou o que queremos dizer e não conseguimos.

A expressão da escrita é um ato de liberdade de cada cidadão. Não consigo entender o motivo de ainda seguirem regras para fazer uma redação. Tenho quase certeza, é por isso que se torna tão difícil escrever num vestibular. Seria tão fácil o aluno escrever o seu texto. Todo mundo sabe que um texto precisa de começo, de meio e de fim. Escrever é um ato difícil, mas o que é difícil mesmo é escrever como querem e não como devíamos escrever. Lembro que a minha primeira redação no primeiro ano do primário, ao entregá-la, a professora disse que era um belo poema.

Na verdade eu nem sabia o que era poesia, como não sei até hoje. Mas ao lembrar deste fato tiro uma conclusão de que escrever é apenas escrever, se preocupar pra que?

Por: Adenildo Lima