terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Ivan Junqueira, apenas um poeta



"Poeta, ensaísta, crítico e tradutor, Ivan Junqueira fala da ambiência cultural que influenciou sua trajetória literária e de alguns acontecimentos que marcaram a história do país. Nascido em Ipanema, em 1934, Ivan relembra o menino amedrontado pela Grande Guerra, os amigos de praia e livros, a desistência do curso de Medicina e o encontro iniciático com Aníbal Machado. Em diálogos com Alexei Bueno, Antônio Carlos Secchin e Ferreira Gullar, debate questões sobre o fazer poético e a gênese da poesia moderna. Depoimentos de outros poetas e escritores contemporâneos colaboram na feitura desse breve perfil de quem se define como apenas um poeta a quem Deus deu voz e verso, mas que confirmam sua condição de um dos maiores poetas brasileiros vivos."

Explicações do amor em pleno século 21

Não, eu não me importo
Se o amor para muitos
Perdeu o sabor.
O que eu quero mesmo
É senti-lo, vivê-lo:
Um sorriso
Um abraço
Um beijo
Um olhar apaixonado
Dentre olhares que se abraçam
Num silêncio que só quem ama
Pode entendê-lo.
E se me perguntarem
Se sou romântico...
Por que não? Pegunto.
Amor é eterno
E mesmo que dure um segundo
Sempre traz lembranças boas.
No fundo no fundo
Eu tenho pena das pessoas
Que não têm tempo para amar
Ou aquelas que já se esqueceram
Que sem amor a vida também
Perde o gosto.
Pois o que me importa mesmo
É sentir o teu abraço
O teu sorriso
E a poesia no silêncio
Metaforizado em tuas palavras.
Afinal, amor não se explica
Se vive
Se sente
E se concretiza num silêncio
Que só quem ama
Pode entendê-lo...

Adenildo Lima

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Dentre a saudade e a solidão...

Saudade. O que é a saudade? Perguntou-me a jovem garota, natural de um país da Europa. Por um segundo eu também me perguntei: o que é a saudade? Não sei, ela respondeu com um sorriso no olhar. Mas você sabe o que é solidão? Perguntei. Deve ser a mesma coisa que saudade. Respondeu ela. E mais uma vez eu me perguntei: o que é solidão?

Houve um silêncio entre mim e ela. Em seguida disse que a palavra solidão não existe no idioma dela. Não?! Falei entre risos. Não. Respondeu com um olhar interrogativo.

Mais uma vez o silêncio se fez presente...

E amor você sabe o que é? Sim, é claro, respondeu ela. E eu acrescentei: e a falta de amor você sabe o que é? Seria solidão? Interpelou ela. Também não sei, falei. E ela riu.

Veja, falei chamando a atenção dela, o importante é que entre mim e você reine dentre a saudade e a solidão o amor. Porque o amor é um sentimento nobre, e só ele é capaz de harmonizar a convivência humana.

E a solidão? Perguntou ela. A solidão, respondi, é um sentimento que precisa ser degustado com amor.

Adenildo Lima