terça-feira, 3 de maio de 2016

Silêncio inesperado

Quando se ama, ame-se apenas, dizia uma frase exposta na entrada de um parque. Caio olhou, leu atenciosamente, mas não procurou entender, pois tinha acabado de sair de um relacionamento amoroso com Ana.

Ana decidiu que ia viajar, conhecer outros mundos, outras culturas e falou: Caio, nosso relacionamento termina aqui. Sim, foi assim mesmo que ela disse. E ele simplesmente ficou calado. O que dizer num momento como esse? Talvez o silêncio seja uma boa resposta.

Caio, você não vai dizer nada?, perguntou Ana, ele continuou calado. E ela tentou explicar o motivo que estava terminando o namoro. Ele ouvia atentamente, mas permanecia calado. E isso incomodou bastante a decisão dela. Fica claro que você nunca me amou!, exclamou Ana.

Ana se sentiu sozinha, sentiu-se traída diante do silêncio de Caio, gostaria de berrar na cara dele que sempre o amou, mas que precisava partir, que estava enfadada com a rotina, que não queria casar, que queria ganhar voo e sobrevoar sobre as montanhas, que queria viver outras vidas.

Mas qual o motivo que levou Ana a ficar brava diante do silêncio dele? O que ele iria falar? Pedir que ela não fosse? Dizer que ia ficar triste? O que adiantariam comentários se ela já estava decidida? Sim, é claro, ele percebeu isso, e simplesmente ficou calado. Qual o erro de ele ter ficado em silêncio?

Era tudo o que Ana queria entender. Viveram juntos três anos: passeavam, brincavam, tomavam vinho nas noites frias, se aqueciam ao fogo das lareiras, quando iam passear nas fazendas; aliás, viveram tudo harmonicamente bem, o que não quer dizer que não tenha se tornado rotina.

Sim, talvez tenha sido isso, e por isso Ana resolveu que precisava buscar outros rumos. Mas ela esperava que Caio reagisse à sua decisão, que lhe apoiasse ou a desapoiasse. E ele nada disso fez: ficou calado. E se eu desistir da viagem?, perguntou ela. Nesse momento Caio riu e, em seguida, saiu.

Ana sentiu-se só. E a solidão às vezes atormenta um pouco. Sinceramente, ela não esperava que ele aceitasse a sua decisão daquela maneira. Mas, decidida, ela partiu. Já se passaram três anos que Ana mora noutros países. E Caio como está?

Talvez ele esteja feliz por ter recebido o olhar acolhedor e sorridente de Amanda, ao entrar naquele parque, logo após ter sido deixado por Ana. Mas ele nem sabe quem é Amanda. Sabe apenas que ela é uma estudante em pleno momento de conclusão de curso.

Sim, Amanda veio sorridente ao encontro de Caio para lhe entrevistar sobre uma pesquisa para conclusão de sua graduação. E ele simplesmente respondeu à suas perguntas, e no final perguntou seu nome. Amanda, ela disse. Boa sorte com a sua futura vida de turismóloga, disse Caio. E ela riu.

E ele guardou aquele sorriso tão meigo, tão doce e tão acolhedor. Já Ana, deve estar em Portugal, na Holanda, na Noruega, ou em qualquer outro lugar do mundo.

Afinal, a vida é o que se vive, reflete Caio nos braços de Anabella, que ainda não tinha entrado na história, ou talvez estivesse refletida na face de Amanda.

Adenildo Lima

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