sábado, 5 de maio de 2012

O ser humano está condenado à solidão

O filósofo francês, Jean-Paul Sartre, um dia disse: "O homem está condenado a ser livre". E eu digo: O ser humano está condenado à solidão". Não falo da solidão solitária, falo da solidão presente, da solidão sonhada e tão desejada; principalmente nos dias atuais; a solidão consigo mesmo! Estamos aos poucos, e muito depressa, nos tornando máquinas. Somos mais máquinas do que gente. E gente aqui se refere a sensibilidade humana. O trabalho dos tempos pós-modernos escraviza a humanidade, fazendo-a ser solitária de si mesma: um celular que toca a todo o momento para tratar de temas da empresa, muitas vezes no momento mais sagrado, aquele do descanso.

O ser humano sonha com tantas coisas: sonha em ter uma casa, uma família, uma vida; sonha em casar-se; e conheço tantos casados a ponto de explodir pela solidão, com a ausência da pessoa amada, do filho sonhado, não visível no filho tido. Uma multidão caminha rumo ao nada, e o nada é tudo o que resta para muitos. E conviver com a solidão parece que se faz necessário para suprir a própria carência do vazio dos sonhos um dia sonhados. O amor, muitas vezes, desfigura-se na face ausente de um olhar. E já não há mais significado para o amor; todos têm o seu próprio significado. A folha perdida, voando no infinito da imensidão, parece ter mais sentido do que o abraço das pessoas. E as pessoas são tão ausentes de si mesmas. E parece que tudo o que lhes resta é a solidão.

A solidão se faz presente nos corpos presentes de duas pessoas caminhando rua adentro, ou deitadas numa cama, quando o sexo já não faz mais sentido. E quando o sexo não faz mais sentido... a vida, as dores do dia, a labuta do caminhar perdem o sabor; e muitos passam a sonhar em viver a vida na imagem de um filho. Muitas vezes o filho sonhado nunca aparece. E ter um filho pode ser o início para a dedicação da própria vida vista na vida do outro; a solidão se faz necessária! E é por isso que a amo tanto, pois sei que só uma pessoa solitária seria capaz de escrever alguma coisa, já que o ato de escrever é também solitário, assim como a própria arte.

Viver parece que não faz mais tanto sentido...

Mas eu prefiro a solidão sozinha à acompanhada...


adenildo lima.

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