segunda-feira, 9 de abril de 2012

Diálogo de bar: um poeta e um filósofo

Meu caro amigo poeta, falar de amor e escrever em versos é diferente da realidade. A mulher é inspiração nos seus poemas, mas você ainda não descobriu o poder que ela tem para domar o homem. É natural, caro poeta, é assim que a natureza fez e quer. Pela mulher o homem é capaz de deixar amigos, família, vida pessoal... e no final ainda é capaz de dizer que todos o abandonou.

Meu caro amigo filósofo, se algum dia eu não for capaz de ter o controle de mim mesmo, deixarei a vida solta nos arrebados das esquinas e ruas da cidade, e não mais farei versos, pois sou capaz e sempre fui de conviver com uma mulher e, antes de tudo, ela que saiba que amigo é coisa para se guardar, por isso não os deixarei jamais.

Tudo bem, Caro poeta, aprenda mesmo a guardar os amigos, em breve eles só existirão em suas lembranças.

O quê? Quer dizer que todos os meus amigos vão morrer, caro filósofo?

Não. Mas você será apenas um vulto ambulante caminhando por aí.

Se você me conhecesse jamais falaria isso...

Um intervalo de tempo...

Perguntou o filósofo a um amigo: por onde anda o poeta do bar? E ouviu: Já não existe mais, está preso pelo amor.

O quê...?...

Assim é a vida, refletiu o filósofo: em algum lugar alguém ainda irá ouvir as árduas palavras de um filósofo...

O bar continua, os amigos também, só não se sabe se todos continuam vivos, afinal de contas tudo aqui descrito não passa de mera ficção e se tiver algo a ver com alguma realidade existente, é mera coincidência, assim é a arte, já o poeta, talvez já nem beba mais...


adenildo lima.


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