segunda-feira, 30 de abril de 2012

a vida

enquanto a chuva cai, em algum olhar lava a lágrima de alguém que contempla o tilintar dos seus pingos. um casal se beija, uma criança chora, uma família sonha e tudo faz parte da vida.

adenildo lima

sábado, 28 de abril de 2012

O amor

O amor transforma
Crianças em adultos
E adultos em crianças

adenildo lima

OBS:
       Estes versos foram um improviso, ontem, dia 27 de abril, no momento em que eu estava dialogando com os alunos referente ao tema "amor".

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Diálogo em família

- Mãe, já posso namorar?
- Namorar?!, você só tem 12 anos...
- E a senhora, começou com quantos?
- Num interessa!
- Como não interessa?!
- Não interessando e pronto!
- Ah, entendi, então já posso namorar?
- Vá pedir para o seu pai.
- Para o meu pai?
- Sim!!!

Vou lá então...

- Pai, eu posso namorar?
- Pode o quê?!
- Namorar, pai...
- Deixa de conversa, menina, você ainda é uma criança.
- Criança, não, já fiz 12 anos: sou adolescente!
- Adolescente...
- Sim, pai, adolescente. então, posso namorar?
- Vá conversar estes assuntos com a sua mãe.
- Com a minha mãe?!!
- Lógico! e isso é assunto de conversar com homem? Filha mulher conversa com a mãe...
- Filha mulher... já viu filha homem, pai?
- Oh, o respeito, menina... vai embora falar com a sua mãe.

O que eu faço agora?...

- Mãe, meu pai disse que sim.
- Que sim o quê?
- Que eu posso, é a senhora que decide.
- Eu que decido?!
- Sim, ele disse.
- Sei de nada não, garota.
- Então eu que decido, mãe?
- Não!!!
- Mas já sou adolescente...
- Adolescente... onde anda aprendendo essas coisas?
- Na escola, mãe..
- Na escola?!
- Sim, na escola se aprende até a namorar.
- O quê?!!

Adenildo Lima

Diálogo solo

"Você sabe qual é o motivo de existir?"
"Já ouvi alguns comentários."
"Mas você acreditou?"
"Acreditou em quê?"
"Ah, no que você ouviu..."
"Entendi."
"Entendeu o quê?"
"Caramba, você é complicado, hein!"
"Ah, sim, a vida é assim mesmo".

adenildo lima

sábado, 14 de abril de 2012

A uma passante

A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;

Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como basbaque extravagante,
No tempestuoso céu do seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.

Brilho... e a noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?

Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!

Charles Baudelaire - tradução de Guilherme de Almeida: Flores das flores do mal de Baudelaire. Editora 34, 2010, SP.

Canção de uma enamorada

Quando me fazes alegre
Penso por vezes:
Agora poderia morrer
Então seria feliz
Até o fim.

E quando envelheceres
E pensares em mim
Estarei como hoje
E terás um amor
Sempre jovem.

Bertolt Brecht - tradução de Paulo Cesar de Souza: poemas 1913,1956. editora 34, SP, 2000.

O nascido depois

Eu confesso: eu
Não tenho esperança.
Os cegos falam de uma saída. Eu
Vejo.
Após os erros terem sido usados
Como última companhia, à nossa frente
Senta-se o Nada.

 Bertolt Brecht - tradução de Paulo Cesar de Souza: poemas 1913,1956. editora 34, SP, 2000.

Não digo nada contra Alexandre

Timur, ouvi dizer, deu-se ao trabalho de conquistar a terra.
Eu não o entendo:
Com um pouco de cachaça a gente esquece a terra.
Não digo nada contra Alexandre.
Apenas
Conheci pessoas nas quais
Era notável
Muito digno da vossa admiração
O fato de que
Simplesmente vivessem.
Os grandes homens transpiram suor demais.
Eu vejo em tudo apenas a prova
De que não aguentarei ser sós
E fumar
E beber
E coisas assim.
E devem ser muito mesquinhos
Para que lhes possa contentar
Fazer companhia a uma mulher.

Bertolt Brecht - tradução de Paulo Cesar de Souza: poemas 1913,1956. editora 34, SP, 2000.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Os amores de Geraldo Vandré

Quem na vida  já viu o beija-flor beijando a flor?

                                   Se já, podemos falar de amor...
                                                                           De dor...
E quem sabe, das flores que ainda não enxerguei...

                                                        Tudo isso para não dizer que não falei...
adenildo lima

terça-feira, 10 de abril de 2012

Grajaú, onde São Paulo começa - documentário


Declaração de amor

O tempo passa. E o tempo é tudo o que eu tenho. Olhei pela janela, a neblina deixou meu olhar embaraçado. Quis chorar, as lágrimas acariciaram a minha face. O abraço-amigo, o abraço do amigo, o seu sorriso nos momentos tristes e felizes da minha vida era tão bom para mim, me fazia tão bem. Caminhando, no horário de quase meia-noite, ontem, enquanto vinha da escola que leciono, lembrei de você. Tudo pareceu tão vivo, tão lúcido, tão real em mim a sua presença. E hoje é dia dez. Foi justamente num dia dez que eu nasci, só que no mês de dezembro. E foi justamente, pai, num dia dez de outubro, há quase cinco anos, que o que chamam de morte, nos separou em vida. Diz que o tempo faz a gente escquecer. Maldito tempo, ou bendito; não sei, só sei que ele não é tão forte para vencer o amor: um amor de filho, um amor de amigo. Você me ensinou a ser amigo, pai, a respeitar todas as diferenças existentes neste mundo, inclusive me ensinou que ser humilde é a maior riqueza que alguém pode ter. Com você aprendi que o ódio é um sentimento que destrói primeiro a si, para depois destruir aos outros, por isso, o único sentimento que tenho é o de amar, se serei um dia compreendido, não me interessa; intressa-me apenas que estou fazendo a minha parte. Sonhei com você esses dias, você estava tão real, tão vivo... nas lembranças. E eu lembrei de uma frase que falaste: "Guarde as fotografias, depois somos só lembranças". Tudo isso me conforta. Lembro também quando tu falavas que o estudo pode não ser a saída, mas é um grande começo. E assim estudo, mesmo não suportando o linguajar enfurrado, ou selecionado para a construção de uma frase, porque sei que diamantes são apenas diamantes, por isso prefiro as pedras, pois sei que delas brotam água para saciar a minha sede. Aprendi que precisamos lutar por nossos objetivos. E como luto! E todos que batalhei, conquistei até hoje! São poucos, mas são os que eu almejo. E sinto que o mundo em breve, muito em breve receberá meus livros de poemas, já escritos; e são vários! E se demorar, para quem sonha e acredita, o tempo é apenas uma passagem onde nos faz refletir melhor. Pai, com você aprendi que viver é ter a sensibilidade de ouvir, talvez seja por isso que luto tanto para que o diálogo se faça presente na educação. Acredito que tudo isso me fez entender que flores sem espinhos não são flores.

adenildo lima

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Diálogo de bar: um poeta e um filósofo

Meu caro amigo poeta, falar de amor e escrever em versos é diferente da realidade. A mulher é inspiração nos seus poemas, mas você ainda não descobriu o poder que ela tem para domar o homem. É natural, caro poeta, é assim que a natureza fez e quer. Pela mulher o homem é capaz de deixar amigos, família, vida pessoal... e no final ainda é capaz de dizer que todos o abandonou.

Meu caro amigo filósofo, se algum dia eu não for capaz de ter o controle de mim mesmo, deixarei a vida solta nos arrebados das esquinas e ruas da cidade, e não mais farei versos, pois sou capaz e sempre fui de conviver com uma mulher e, antes de tudo, ela que saiba que amigo é coisa para se guardar, por isso não os deixarei jamais.

Tudo bem, Caro poeta, aprenda mesmo a guardar os amigos, em breve eles só existirão em suas lembranças.

O quê? Quer dizer que todos os meus amigos vão morrer, caro filósofo?

Não. Mas você será apenas um vulto ambulante caminhando por aí.

Se você me conhecesse jamais falaria isso...

Um intervalo de tempo...

Perguntou o filósofo a um amigo: por onde anda o poeta do bar? E ouviu: Já não existe mais, está preso pelo amor.

O quê...?...

Assim é a vida, refletiu o filósofo: em algum lugar alguém ainda irá ouvir as árduas palavras de um filósofo...

O bar continua, os amigos também, só não se sabe se todos continuam vivos, afinal de contas tudo aqui descrito não passa de mera ficção e se tiver algo a ver com alguma realidade existente, é mera coincidência, assim é a arte, já o poeta, talvez já nem beba mais...


adenildo lima.


LEGIÃO URBANA E PARALAMAS DO SUCESSO JUNTOS


 http://www.youtube.com/watch?v=akMr-ex4sds

sábado, 7 de abril de 2012

se...

hoje eu esqueci que tinha esquecido das palavras necessárias para falar de solidão, ausência, amor; amizade. tudo para ser válido é preciso ter como conclusão a amizade. é o sentimento maior, é respeitoso, é calmo, não quer nada em troca; é o verdadeiro amor em ação. e há quem diga que não há amor falso ou amores falsos. ela sumiu, desapareceu assim de repente. disseram-me: sara casou. casou?!!, perguntei, assustado. acho que casou ou está vivendo junto com um rapaz. legal! pensei comigo mesmo e disse: a nossa amizade não passou de um passa tempo para ela. as pessoas são gélidas geladas por dentro com um sorriso disfarçado no olhar. por quê? deixar de viver para si para viver para os outros é morrer e não perceber que está andando como um zumbi pelas estradas sem vida. sara, sara a dor em teu peito que só sara, sara quando descobrires que não há mais amor conservados por ti. aí ela aumentará e a solidão te fará companhia...

adenildo lima.

o novo cd de zeca baleiro - o disco do ano - acesse o link e ouça-o!

http://sonora.terra.com.br/cd/240610/zeca_baleiro_o_disco_do_ano

quinta-feira, 5 de abril de 2012

no meio o impasse

eu não queria. você também não. tudo foi tão depressa, e rápido! começamos bem: éramos amigos, companheiros e conversávamos sempre. não sei o motivo de ter mudado tanto. será que foi o casamento? o casar não seria para melhorar? confesso que não consigo compreender. namoramos durante dois anos. tivemos uma vida enamorada de dar inveja..., às vezes fico até querendo culpar o casamento.será que foi a falta de diálogo? é, cansamos um do outro. eu ficava o dia todo trabalhando. você também. chegávamos em casa à noite, muito mal olhávamos nos olhos. sim, o nosso olhar perdeu o sabor. antes, tinha gosto, transmitia prazer, harmonia. ficamos, posso dizer, como dois irmãos. e casal não é irmão. será que a nossa a amizade complicou? por que perdemos o tesão um pelo outro? por quê? será que  você já pensou como estou pensando agora? a vida passa rápido e tudo parece perdido. lembra quando nos vimos ontem? você me olhou como nos olhávamos antes do casamento. vi nos seus olhos que não guarda de mim nenhum rancor, e nem deveria, pois não há motivos, terminamos harmoniosamente. o que me incomoda é que nós não conversamos mais. por quê? não entendo. nós não somos inimigos. será que não conseguiremos enfrentar que não somos mais, vamos dizer assim: "namorados", e sim, eternos amigos...?

será...?

adenildo lima

quarta-feira, 4 de abril de 2012

esperar o amor chegar não é tão importante assim. importante é transformar os pequenos atos em momentos de amor.

adenildo lima