segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FELIZ 2013

Agradeço a todos e a todas leitores e leitoras que me dão motivo para escrever, postar neste espaço. Espero ter, em alguns momentos de suas vidas,  tê-los feitos sorrir ou chorar, e com um motivo: o amor. Tenho a esperança de em 2013 poder escrever bem mais e poder, também, sempre escrever textos que façam parte da vida de alguns: leitores e leitoras; amigos e amigas.


UM FELIZ 2013 PARA TODOS NÓS.... OBRIGADO!!!!

adenildo lima

sábado, 29 de dezembro de 2012

Assista ao documentário legendado “La Educación Prohibida”

Lançado segunda-feira (13) no YouTube, “La Educación Prohibida” (legendado em Português) é uma produção independente que entrevista cerca de 90 educadores europeus e latino-americanos sobre formas inovadoras de se pensar o espaço e as práticas escolares. Durante quase duas horas e meia, o documentário segue um raciocínio cativante, oferecendo várias reflexões úteis para que professores e alunos se relacionem mais harmoniosa e criativamente. Embora não trabalhe explicitamente o conceito de Educomunicação, o filme tem cenas ficcionais que intercalam as entrevistas e guardam surpresas ligadas ao protagonismo infanto-juvenil.

O link abaixo para assistir ao documentário. Um excelente filme!!!!

http://www.ncep.ufpr.br/novo/?p=1493 


adenildo lima

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Diálogo final

"pai, qual o motivo que todo mundo fica desejando que o próximo ano seja feliz? por acaso o ano é triste, pai"?
"não, filha, é o medo que o ano seja triste, e também uma maneira de confraternizar com o outro'?
" como assim, o ano ser triste"?
"na verdade, sabrina, a tristeza depende de cada um, assim como a alegria. você, por exemplo, é feliz".
"e o que é ser feliz"?
"a felicidade é algo simples, muito simples, é necessário apenas que a gente ame".
"e qual a diferença do ódio e do amor, pai"?
"filha, o ódio destrói aos poucos, primeiro quem odeia, e muitas vezes, o odiado. já o amor constrói  ambas as partes".
"então quer dizer que ser feliz precisa apenas que a gente ame"?
"para quem ama, tudo na vida tem sentido, tem cheiro, tem cor, tem sabor".
"entendi, pai. entendi que o próximo ano será feliz para quem amar e conquistar amores".
"isso mesmo! que todos possam descobrir a essência principal do FELIZ ANO NOVO!!!".

adenildo lima


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O ato de escrever

Amigo leitor, para escrever, antes de tudo é preciso amar. E muito! O amor é algo indispensável na vida de todos nós; ou deveria ser. A escrita é algo íntimo do autor consigo mesmo. E é também um ato de coragem. Sim, é sabido que muitos escritores escrevem para ganhar dinheiro. E eu digo que feliz do autor que consegue sobreviver com o dinheiro da escrita. E acrescento que é infeliz o autor que escreve apenas pensando em ganhar dinheiro. Pode parecer estranho, mas o amigo leitor com certeza entende o que estas linhas dizem por detrás das palavras. E talvez ele nem seja um autor infeliz. Só que para ser escritor precisa de algo mais: é necessário amar o ato de escrever.

Escrever, amigo leitor - isso é, se eu tiver para este texto que estou escrevendo - um amigo leitor, ou um leitor amigo para lê-lo. Sim, retomo ao que iniciei neste parágrafo. Escrever é uma maneira de poder comunicar-se com o mundo, mesmo que o mundo seja apenas aquele do próprio autor. Quando escrevemos, a nossa alma sente um alívio e um prazer inexplicável que só quem escreve pode senti-lo, pois o segundo a sentir, ou talvez não, é o leitor; isso é quando o escritor tem a sorte de ter um deles.

Mas o que é gostoso da escrita "sem a responsabilidade" de publicar em uma página de jornal, por um determinado valor, é justamente a liberdade de não se prender aos detalhes, já que o único detalhe é escrever um bom texto. E para ser um bom texto não quer dizer que precise das normas determinadas por uma gramática ou por muitos que acreditam ser escritores. Escrever precisa ter alma. Sim, o texto precisa ter alma. E para ter alma é preciso ter essência.

Pois é, amigo leitor e amiga leitora, a escrita é algo assim: queria escrever mais, mas o texto acaba de dizer que já concluiu para este momento.

Carinhosamente,

adenildo lima.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Fonte das Alagoas abraça a imensidão do mar azul

Nunca o vi
Mas já o conhecia
Se é bom ou ruim
Não sei
Sei que é humano
E poeta
Já tinha lido seus textos
E já sabia que ele bebeu da mesma água
Que bebi ao nascer
Água das Alagoas
E agora em lápide
Escrevo seu nome:
Lêdo Ivo.

adenildo lima

sábado, 22 de dezembro de 2012

Filme- "Febre do Rato" (2011) Claudio Assis.

 Fonte:
http://www.youtube.com/watch?v=D6AQXtm08oU


Sinopse e detalhes

Zizo (Irandhir Santos) é um poeta inconformado e anarquista, que banca a publicação de seu tablóide. Em seu mundo próprio, onde o sexo é algo tão corriqueiro quanto fumar maconha, ele conhece Eneida (Nanda Costa). Zizo logo sente um forte desejo por Eneida, mas, apesar de seus constantes pedidos, ela se recusa a ter relações sexuais com ele. Isto transtorna a vida do poeta, que passa a sentir falta de algo que jamais teve.

 Febre do rato é uma expressão típica do Nordeste, que significa estar fora de controle. Metáfora apenas aparente para Zizo, personagem principal de Febre do Rato, o filme. Poeta por vocação, ele dedica a vida à publicação de seu jornaleco, cujo nome é o mesmo do título. O objetivo é expor suas ideias, repletas de propostas anárquicas que valorizam o livre arbítrio das pessoas, sem se prender às amarras morais impostas pela vida civilizada. Quem não conhece o mundo de Zizo pode imaginar que ele esteja com a febre do rato, ou seja, fora de controle. Só que a verdade é justamente o oposto.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-202614/

Encontro com Milton Santos


O mundo global visto do lado de cá, documentário do cineasta brasileiro Sílvio Tendler, discute os problemas da globalização sob a perspectiva das periferias. O filme é conduzido por uma entrevista com o geógrafo e intelectual baiano Milton Santos, gravada quatro meses antes de sua morte.

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=UJd5YKhR9gE

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O olhar

Os olhares parecem sempre perdidos
No olhar das pessoas que amam.

Um sorriso sem compromisso...
Um abraço sem interesse...

O conviver
Apenas por amar...

As pessoas que amam
Estão sempre abertas

Para ouvir...
Para falar...
Para compartilhar...

Sim
Compartilhar o que de mais humano
Guardamos num olhar

Afinal

As palavras não dizem
O que expressam para mim

O seu olhar...

adenildo lima

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Absinto

Na janela do destino
há uma rua sem tamanho – meu bem.
Aonde espero que a promessa me chegue
como derradeira instância.
Cumpro com o tempo
meus compromissos,
deito na calçada minha alma lavada
das sobras do dia – calos e brios.
Na janela, sem menino,
o vento dobra a esquina,
escolhe em estranhos
o apreço inesperado de receber saudação.
A saudade é um horizonte
espremido na fresta de um olhar
onde guarda, cedo, fotografias
em tons de amarelo.
Na janela, o absinto
la de fora invade o peito
cheio de clausura para despertar
invernos para o amanhã.

Márcio Ahimsa

http://tecerpalavras.blogspot.com.br/2012/12/absinto.html 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer: fazer 100 anos é uma merda!

http://www.youtube.com/watch?v=EAGE3tOgyvk

Nas curvas do tempo

um traço ondulado no ar
um humanismo que deve ser vivido
por muitos em sua simplicidade
as palavras preferem o silêncio
e deixa a grandiosidade em seu nome:
OSCAR NIEMEYER.


adenildo lima

domingo, 25 de novembro de 2012

palavras

se é uma descoberta,
não sei.
se é algo extraordinário,
também não sei.
só sei que as palavras são pessoas.
e sendo pessoas,
são como pessoas.
nelas encontramos vida,
amor, dor, emoção, sentimento...

as palavras são como lírios
no campo
ditas no olhar de cada um
através dos gestos
transmitidos pelo toque dos lábios suaves
da boca que fala.

e a boca fala com o olhar
que ama
e se ama com as palavras
com o toque
com o sentimento
e amar é tudo que sei

pois

se me odiarem
amarei apenas

e se me odiarem mais uma vez
amarei outra vez

e se insistirem em me odiar
sei que a insistência do amor
vencerá

pois só sei amar

em palavras e gestos e sentimentos e atos

e palavras são como pessoas
e são pessoas em seu pleno ato de amar.

adenildo lima.

sábado, 24 de novembro de 2012

diálogo sobre o amor

"pai, o senhor ama a mamãe?"
"amo, filha".
"o amor é o que, pai?"
"o amor... o amor..."
"sim, pai, o amor!"
"ah, é uma coisa boa."
"só isso?!"
"ah, é um pouco mais, filha ... é um sentimento infinito."
"o infinito fica onde?"
"ham..."
"o infinito, pai, fica onde?"
"ah, filha, fica num lugar bem longe."
"como assim...?"
"ah, filha, o infinito é algo que não tem fim."
"e isso quer dizer que o seu amor pela mamãe nunca vai acabar?"
"isso mesmo, filha, acertou!"
"ah... estranho isso..."
"estranho...?... por que, filha?"
"se nós vamos morrer, o amor não pode ser infinito."
"é que a vida é infinita enquanto percebemos a existência dela."
"nossa, pai, isso é muito confuso."
"entendo. eu também acho".

adenildo lima

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Há um pingo de lágrima perdido no olhar. Todo um sonho desfeito nos feitos de um malefeito dos ditos ditados soltos por aí. Viver é o mais complicado. A vida é apenas uma paráfrase...

adenildo lima

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

encontro íntimo

quando a noite acorda
e os abraços se abraçam
nos braços de quem amamos
o sol tem sentido e faz sentido

quando os olhares se olham
e se beijam nos beijos
acariciados pelos lábios
o sabor tem gosto de amor
e amor só se sente
quando os sentidos têm cheiro

adenildo lima

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Elas...

Anita, Gabriela, Manoela; Ela. Quando suas pernas descobertas pelo véu do tempo, sinto o cheiro do teu corpo adentrando as minhas narinas, meninas! Anita, quando teus beijos beijam os meus beijos no encontro íntimo dos lábios, o corpo sente o bater dos corações se amando; e isso é amor, Gabriela. Sim, Gabriela, teus seios pontudos encostados em meu peito, sinto a tua alma me abraçar no sentido da paixão que é o jeito. Oh, Manoela, teus suspiros, Manoela! Teus abraços, Manoela! Sim, Manoela, tua voz sensual misturada aos gemidos de amor, fazendo-nos fugir das lembranças ardidas da dor. Manoela; Ela, ou elas. Sim, Ela. O sexo é todo sonhar acordado, o imaginar nos delírios de amor. O amor é o que vem primeiro; já o sexo é a realização das consequências.

adenildo lima

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

flores e laranjeiras

o dia acorda com um sorriso
as crianças
sorrindo, o dia abraça os olhares
apaixonados
e os abraços sentem o calor
que só quem ama
pode senti-lo.

adenildo lima

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

um poema

e quando o amor já não tem mais o mesmo sabor:
o que fazer ?
e quando a solidão se transforma num vão:
e perde a essência poética?

e quando os sonhos misturam-se com as lágrimas:
como seguir?
e quando o dia transforma-se em noite:
e perde o brilho do horizonte?

e quando o amor de querer o melhor para o outro não é entendido:
o que saborear?
e quando viver deixa de ser prazeroso para ser obrigação:
o que desfrutar?

um poema apenas?
um beijo apenas?
uma pena apenas?
um sorriso apenas?

...um poema apenas...

adenildo lima

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Mesmo se estiver escuro, não desanime da caminhada, pois sempre haverá uma saída...

adenildo lima

sábado, 15 de setembro de 2012

a criança que falta

uma criança na guerra
estanca os tanques
de guerra
faz pairar o olhar dos soldados
e congelar o dedo no gatilho
apenas uma criança
que em seu olhar
pergunta:
por que todos não são crianças...?...

adenildo lima

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Para refletir

Precisamos ser no mínimo:
                                        HUMANOS.

Será que é muito...?...

adenildo lima

sábado, 1 de setembro de 2012

Oscar Niemeyer - A vida é um sopro


http://www.youtube.com/watch?v=l5ozbqgUBCs

Para refletir

O ser humano não muda, educar-se de acordo com o ambiente para conseguir a sobrevivência.

adenildo lima

Coldplay e Rihanna - princes of china


http://www.youtube.com/watch?v=1Uw6ZkbsAH8

sábado, 11 de agosto de 2012

22ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo

Os livros "Lobisomem pós-moderno", em coautoria com Márcio Ahimsa, e "O copo e a água", ilustrado por Açcunciara Aizawa Silva, foram selecionados pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, para compor a ESTANDE na 22ª Bienal Internacional do Livro, 2012.

adenildo lima

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pré-lançamento do livro "VARAL", da poetisa MARIA VILANI

Meus amigos e amigas, este livro é de uma grande amiga minha. E foi feito por mim, meus irmãos e pelo nosso primo, o artista plástico João Paulo de Melo. A arte de capa é dele. É um trabalho independente, publicado com o nosso selo editorial. Vamos lá.....

adenildo lima

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O amor é natural

Meu amor, você só esqueceu uma coisa.
O quê? - perguntou Júlio.
Esqueceu de dizer que não me ama.
O quê?!
Sim, você esqueceu de dizer que não me ama.
Mas que loucura é essa, Paula?!
Não, não é loucura, é pura verdade. Uma mulher conhece o toque suave dos dedos de um homem quando a ama.
Será?
Sim, sem dúvida. Antigamente os seus beijos tinham sabor, os seus abraços tinham carinho e você era tão natural. Aliás, como sempre falávamos, o amor é natural.
Mas Paula, isso é imaginação sua. Eu acredito que continuo te amando como antes, como sempre a amei.
Não. No início no do nosso casamento - no primeiro ano - tudo era muito natural, não existia preocupação de um agradar ao outro; apenas agradava. Hoje sinto que até mesmo as flores que você compra já não têm mais a mesma essência. Parece que nós temos medo de conversar sobre isso. E não devíamos ter medo.
Paula, mas qual o motivo que te leva a pensar isso?
Não são motivos, Júlio, é a realidade. E o que é, é, não podemos negar.
E o que vamos fazer, meu amor?
Não sei, conversar já é um grande começo.

adenildo lima

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Pré-lançamento do livro de Adenildo Lima e Márcio Ahimsa


MAPA DO LOCAL:
https://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&q=Rua+Professor+Oscar+Barreto+Filho,+350&ie=UTF-8&amp hq=hnear=0x94ce4f14a3b2fef3:0x314c3104ec7c5a71,R.+Prof.+Oscar+Barreto+Filho,+350+-+Grajau,+S%C3%A3o+Paulo,+04822-300&gl=br&ei=6v_0T_rvKKTm0QGC5oTWBg&sqi=2&ved=0CAUQ8gEwAA

O encontro que não aconteceu

Há um sorriso guardado na lembrança, de uma madrugada fria, aquecida pelo fogo de uma fogueira improvisada. Olhares se olhavam com carinho, meio perdidos, sentindo estranheza diante do ainda não conhecido; parecia rolar um clima. Menina com seu jeito de adolescente solta ao além, ao léu do tempo, como se demonstrar rebeldia servisse para intimidar aquele rapaz.

Todos vão dormir, ficam apenas os dois, entre olhares e breves palavras. O dia parece que quer surgir, mas os corpos se deitam, separados, e dormem. E só as lembranças ficaram guardadas, hoje, eles nem existem mais, para eles mesmos.

adenildo lima

sábado, 23 de junho de 2012

Um diálogo educativo

- Professora, quanto que eu tirei na prova?
- Ainda não corrigi, menina.
- Nossa, a senhora nem sabe o meu nome?
- E você, sabe?
- Ah, professora...
- Pois é, para quem tem seiscentos alunos fica difícil de saber o nome de todos. E como eu gostaria de saber, de chamá-los pelo nome, de conhecê-los um pouco mais...
- Desculpa, eu compreendo a Senhora. Mas o que deixa a educação nessas condições?
- É difícil explicar o que já é visível.
- Agora lembrei, a senhora já tratou desse assunto, com outras palavras... mas será que eu vou passar na sua prova?
- Sinceramente, posso dizer para você que a prova não é o único meio para avaliar um estudante; eu nem gostaria de tê-la, mas...
- Então eu vou passar? É que eu quero fazer faculdade, profa.
- Fique tranquila, aluna igual a você não pode ser avaliada apenas por uma prova: você é participativa, faz todos os trabalhos, frequenta as aulas..., como poderia ser reprovada?
- Dona Márcia, muito obrigada.
- Dona Márcia?! Você sabe meu nome?
- É claro, né, fessora? É que normalmente nós não chamamos os nossos professores pelo nome. Professores e Professoras são como pais e mães, dificilmente chamamo-os pelo nome.

A professora riu, abraçou-a e saiu pensando na possibilidade de um dia o professor poder trabalhar com situações favoráveis, com menos alunos em salas de aula, com recursos e com uma carga não tão exaustiva.

adenildo lima

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Zé Ramalho com seu novo CD...

SINAIS DOS TEMPOS      



SINAIS DOS TEMPOS - ZÉ RAMALHO
12 CANÇÕES INÉDITAS TODAS DA AUTORIA DE ZÉ RAMALHO
DISPONÍVEL EM PRÉ-VENDA, DIA 15/06/12
INAUGURANDO O SELO AVÔHAI MUSIC
PRÉ-VENDA:

Livraria Saraiva

Livraria Cultura

Fnac
     

sábado, 16 de junho de 2012

Talvez...

Talvez você tenha esquecido. Disseram-me que a palavra "talvez" é um advérbio de dúvida. Respondi que já não lembrava mais das regras da gramática; lembrava apenas de você. Sim, de você, do seu jeito de ser, da sua maneira de viver, de andar, de me olhar, do teu carinho. Parece que o tempo passa muito rápido, que as lembranças são uma ponte para não deixar morrer algum momento ou tempo bons vividos. Mas não vivo de passado, por isso digo talvez você tenha me esquecido...

adenildo lima

O amor

Em muitos momentos as pessoas me perguntam o que é o amor. E eu sempre digo que não sei responder, pois só conheço o meu. Sabemos que é uma palavra infinita, sem explicação. E só quem vive um momento inesquecível pode dizer como ele é, mas o amor de acordo com o que ele viveu. Não é que ele tenha milhões de faces. Na verdade, tem a essência de acordo com a sensibilidade de cada um. Sei que tudo o que eu faço na vida é amar. Aprendi com o dia a dia que o ódio é um sentimento que destrói primeiro a si, para depois destruir ao outro. Não quero que aconteça isso comigo, e nem com o outro.

Dizem que amor verdadeiro só de mãe. Concordo. Já que mãe só temos uma. E se só temos uma, amor verdadeiro só o dela. E isso não quer dizer que o ser humano só pode amar uma pessoa uma vez na vida. Precisamos amar sempre. E que todos os amores sejam verdadeiros; já que não conheço amor falso. Se é falso, quem disse que é amor?

Amar é doar-se ao outro e fazer pelo outro sem nenhum interesse e não deixar de amar a si mesmo...

adenildo lima

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Prêmio da Música Brasileira consagra Criolo

O rapper Criolo, 36, foi o maior vencedor da 23a edição do Prêmio da Música Brasileira, levando três troféus em cerimônia na noite desta quarta-feira, no Teatro Municipal do Rio.
O artista paulistano foi eleito a revelação da música nacional no último ano e levou ainda os prêmios de melhor cantor e álbum ("Nó na Orelha") em sua categoria (Pop, Rock, Reggae, Hip Hop, Funk).
A premiação, apresentada por Luana Piovani e Zélia Duncan, foi marcada por várias "dobradinhas", em que o melhor cantor (ou cantora) de cada categoria levou também o troféu de melhor álbum: além de Criolo, Dori Caymmi (MPB), Alcione (Canção popular), Herbert Lucena (Regional).

Letícia Moreira/Folhapress
Rapper Criolo ficou com três prêmios da noite
Rapper Criolo ficou com três prêmios da noite
A cerimônia também homenageou João Bosco por seus 40 anos de carreira, convidando diversos artistas para interpretarem seus sucessos; destacaram-se Criolo cantando "De Frente pro Crime" em versão samba-jazz, Ivete Sangalo com uma versão segura de "Corsário", o bom humor de Alcione, imitando os floreios vocais do homenageado em "Quando o Amor Acontece" ("Tô recebendo João Bosco, gente", disse a cantora).
O próprio Bosco subiu ao palco para fechar a premiação, cantando "O Mestre-Sala dos Mares", "Papel Machê", "Desenho de Giz" e a que teve o maior coro da noite: "O Bêbado e a Equilibrista".
OS VENCEDORES:
Revelação do ano - Criolo
Canção do ano - "Sinhá", de Chico Buarque e João Bosco
DVD do ano - "Sinfônico 40 Anos", de Chitãozinho e Xororó
MPB
Álbum - "Poesia Musicada", Dori Caymmi
Grupo - Passo Torto
Cantor - Dori Caymmi
Cantora - Mônica Salmasso
Pop, Rock, Reggae, Hip Hop, Funk
Álbum - "Nó na Orelha", Criolo
Grupo - Mundo Livre SA
Cantor - Criolo
Cantora - Marisa Monte
Canção popular
Álbum - "Duas Faces - Jam Session", de Alcione
Dupla - Chitãozinho e Xororó
Grupo - Banda Calypso
Cantor - Cauby Peixoto
Cantora - Alcione
Samba
Álbum - "Nosso Samba Tá na Rua", de Beth Carvalho
Grupo - Fundo de Quintal
Cantor - Arlindo Cruz
Cantora - Fabiana Cozza
Regional
Álbum - "Não Me Peçam Jamais que Eu Dê de Graça Tudo Aquilo que Eu Tenho pra Vender", de Herbert Lucena
Dupla - Kleuton e Karen
Grupo - Ponto Br
Cantor - Herbert Lucena
Cantora - Socorro Lira
Instrumental
Álbum - "The Art of Samba Jazz", Dom Salvador Sextet
Solista - Hamilton de Holanda
Grupo - Zimbo Trio
Categorias especiais
Projeto especial - "O Samba Carioca de Wilson Baptista", vários artistas
Eletrônico - "Lá Onde Eu Moro", de João Ermeto
Erudito - "Liszt: Harmonies du Soir", de Nelson Freire
Infantil - "Embolada", de Rita Rameh e Luiz Waack
Língua estrangeira - "Goodnight Kiss", de Delicatessen
Projeto visual - Evandro Borel, por "Não Me Peçam Jamais que Eu Dê de Graça Tudo Aquilo que Eu Tenho pra Vender", de Herbert Lucena
Arranjador - Gilson Peranzzetta, por "Iluminado", de Dominguinhos.

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1104476-premio-da-musica-brasileira-consagra-criolo.shtml

terça-feira, 12 de junho de 2012

entrelaçados

a parte partida
em mim
não é ferida

não, não é...

o semblante escondido
pelos passos
apressados
são sonhos
sonhados e desejados

entrelaçados...

as luzes escura
encandeiam
o meu olhar

ah, o teu olhar
ainda lembro
relembro
o timbre de sua voz

suave
doce
íntima
em mim
esperando
teu sim

mas saiba
a parte partida
em mim
não é ferida
é um lapso
do começo em mim
da ida...

adenildo lima

domingo, 3 de junho de 2012

ainda há sonhos e esperanças para os adultos que nunca deixaram de ter a alma de criança

adenildo lima

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cerejeiras

Um passeio num lugar qualquer, as imagens que vêm e que vão; a juventude relembra a velhice, a velhice abraça a juventude. Um olhar triste, outro alegre; a esposa não veio, o esposo também não; uma criança chora no olhar de alguém que ama. O som suave do violão movido pelos dedos de uma jovem menina traz alguma esperança para o lugar triste e solitário. Viver passa a ser um momento difícil, as folhas caem, as flores perdem os espinhos; e flores sem espinhos não são flores. A mulher está grávida; o homem trabalha 24h. por dia e já nem sabe como será pai, mas a estrada é infinita; a solidão abraça a madrugada, os cachorros latem e tantas dúvidas constróem o cenário: cenário de amor. E amor não rima com dor. São duas palavras com lugares diferentes no olhar de quem contempla a vida no dia a dia.

Mas o sorriso dela com aquele jeito de criança apaixanoda é o que move seu caminhar...

adenildo lima.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Thaeme e Thiago - Ai que dó!

video

Encontro marcado

Antes de encontrar Maria, preciso da calmaria que me move.

adenildo lima

terça-feira, 15 de maio de 2012

Incógnita

A vida é uma incógnita. Uma notícia de alguém que nasce, outra de alguém que, talvez possamos dizer, renasceu; já que o fim é sempre um começo. Para quê? Não sei. No dia a dia aprendi a conviver com a vida pelos momentos vividos: o presente, o hoje, o agora. Amigos se vão, namoradas se vão; tudo se vai. A morte é a separação de algo. Já a vida é o que nos resta. Em alguns momentos as lembranças; noutros, o esquecimento de não querer lembrar mais.

Não sou adolescente, e isso não quer dizer que eu não seja jovem, mas os meus pensamentos não são mais de adolescente. Não tenho esperança de mudar o mundo. Se eu conseguir fazer uma mudança, para melhor, na minha vida e na vida das pessoas que por aquele momento se encontram comigo; já mudei um monte de mundos.

Eu vejo a morte em muitas coisas, assim como vejo a vida: uma criança que nasce pode ser a vida para um e a morte para outro. A morte de alguma coisa sempre acontece: o casamento, por exemplo, é um tipo de morte e de vida. Como?! Não sei! Não tenho a resposta das coisas; já é difícil vivê-las, imagine ficar respondendo-as!

Agora algo eu preservo na vida: procurar cumprir com as minhas palavras, pois elas dizem um pouco do que eu sou...

adenildo lima

sábado, 5 de maio de 2012

O ser humano está condenado à solidão

O filósofo francês, Jean-Paul Sartre, um dia disse: "O homem está condenado a ser livre". E eu digo: O ser humano está condenado à solidão". Não falo da solidão solitária, falo da solidão presente, da solidão sonhada e tão desejada; principalmente nos dias atuais; a solidão consigo mesmo! Estamos aos poucos, e muito depressa, nos tornando máquinas. Somos mais máquinas do que gente. E gente aqui se refere a sensibilidade humana. O trabalho dos tempos pós-modernos escraviza a humanidade, fazendo-a ser solitária de si mesma: um celular que toca a todo o momento para tratar de temas da empresa, muitas vezes no momento mais sagrado, aquele do descanso.

O ser humano sonha com tantas coisas: sonha em ter uma casa, uma família, uma vida; sonha em casar-se; e conheço tantos casados a ponto de explodir pela solidão, com a ausência da pessoa amada, do filho sonhado, não visível no filho tido. Uma multidão caminha rumo ao nada, e o nada é tudo o que resta para muitos. E conviver com a solidão parece que se faz necessário para suprir a própria carência do vazio dos sonhos um dia sonhados. O amor, muitas vezes, desfigura-se na face ausente de um olhar. E já não há mais significado para o amor; todos têm o seu próprio significado. A folha perdida, voando no infinito da imensidão, parece ter mais sentido do que o abraço das pessoas. E as pessoas são tão ausentes de si mesmas. E parece que tudo o que lhes resta é a solidão.

A solidão se faz presente nos corpos presentes de duas pessoas caminhando rua adentro, ou deitadas numa cama, quando o sexo já não faz mais sentido. E quando o sexo não faz mais sentido... a vida, as dores do dia, a labuta do caminhar perdem o sabor; e muitos passam a sonhar em viver a vida na imagem de um filho. Muitas vezes o filho sonhado nunca aparece. E ter um filho pode ser o início para a dedicação da própria vida vista na vida do outro; a solidão se faz necessária! E é por isso que a amo tanto, pois sei que só uma pessoa solitária seria capaz de escrever alguma coisa, já que o ato de escrever é também solitário, assim como a própria arte.

Viver parece que não faz mais tanto sentido...

Mas eu prefiro a solidão sozinha à acompanhada...


adenildo lima.

Lula agradece às universidades e diz que dia será inesquecível em sua vida. Leia o discurso


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta sexta-feira (4) títulos de doutor honoris causa das cinco universidades públicas fluminenses, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Em seu discurso, ele agradeceu às universidades, destacou o valor pessoal que esse reconhecimento tem para ele e afirmou que este dia será inesquecível em sua vida.


Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Lula e a presidenta Dilma durante a cerimônia. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
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A cerimônia, que aconteceu no Teatro João Caetano, no centro do Rio, contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff, do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, do prefeito Eduardo Paes e dos ministros de estado Aloízio Mercadante (Educação), Marco Antônio Raupp (Ciência e Tecnologia), Edison Lobão (Minas e Energia), entre outras figuras políticas. Também esteve presente o ex-ministro da Educação e atual pré-candidato à prefeitura paulistana, Fernando Haddad. A atriz Camila Pitanga foi mestra de cerimônias.

Esta transcrição não inclui os improvisos feitos na introdução e nos agradecimentos inciais, mas já inclui outros improvisos menores feitos ao logo do discurso.

Leia abaixo o discurso do ex-presidente. 

Amigos e amigas,

É com imensa honra que recebo os títulos de Doutor Honoris Causa das cinco universidades públicas do Rio de Janeiro.
 E a minha honra é maior ainda por recebê-los conjuntamente, em uma única solenidade, nesse memorável Teatro João Caetano, de tanta importância na história cultural do Rio de Janeiro e do Brasil, e com a presença da presidenta Dilma, tão gratificante para mim e para todos nós que estamos aqui.

 Agradeço de coração aos reitores e aos conselhos universitários, assim como aos professores, servidores e alunos da UFRJ, da UFF, da UERJ, da Rural e da UNIRIO por me concederem essas prestigiosas láureas e pela deferência de fazê-lo numa cerimônia compartilhada.

Estejam certos de que o dia de hoje, para mim, será inesquecível.

 Antes de tudo, porque são alguns dos principais centros de excelência acadêmica do país que prestam essa homenagem. Instituições que respondem por boa parte da melhor produção científica e humanística brasileira. Seria impossível destacar aqui, mesmo sinteticamente, tudo de bom que essas universidades já fizeram, e fazem, nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, pelo Rio de Janeiro e pelo Brasil. Sem falar na extraordinária contribuição de seus ex-alunos ao progresso material e espiritual do país.

Vocês não podem imaginar o que significa para alguém como eu, que não teve as oportunidades escolares que todo jovem deveria ter, mas que sempre acreditou no potencial libertador do conhecimento, e que a vida inteira apoiou a luta pela educação, tornar-se Doutor Honoris Causa dessas magníficas universidades.

 Mas também porque é o Rio de Janeiro que me homenageia.

 Este Rio de Janeiro pelo qual tenho um profundo carinho.

 Este Rio de Janeiro que frequento há quase 40 anos e onde me sinto perfeitamente em casa, como se tivesse nascido, crescido e vivido aqui.

 Este Rio de Janeiro universalmente admirado, motivo de orgulho para todos os brasileiros, seja pelas suas incomparáveis belezas naturais, seja pela sua esplêndida arte popular e erudita. Não só pelo alto nível de sua vida intelectual mas também pela contribuição ao desenvolvimento nacional, de seus trabalhadores e de suas empresas, tanto públicas como privadas.

 Mas, sobretudo, o que me faz amar o Rio – é o seu povo! Esses homens e mulheres livres, insubmissos, criativos, generosos, acolhedores. Nascidos aqui ou vindos de outras terras, mas igualmente banhados pelo inconfundível espírito carioca. Sempre prontos a sustentarem as bandeiras mais democráticas e emancipadoras. A maior riqueza do Rio de Janeiro é a sua gente. É por causa dela que, mesmo tendo deixado, há mais de cinquenta anos, de ser a capital política e administrativa do país, o Rio de Janeiro continua a ser – e sempre será, meu caro governador, – a capital da alma brasileira.

 E o que me deixa mais feliz é essa nova época que o Rio de Janeiro está vivendo. Os cariocas e fluminenses recuperaram a sua auto estima. Voltaram a ter verdadeiras lideranças políticas e administrativas, capazes de enfrentar e resolver os problemas crônicos do estado e da cidade. A participação da sociedade está sendo formidável. Em parceria com o Governo Federal, o Rio de Janeiro tem cada vez mais sucesso no combate à criminalidade e nas diversas iniciativas de inclusão social. Além disso, os fortes investimentos industriais e de infraestrutura estão fazendo com que o Rio se coloque novamente na vanguarda econômica e tecnológica do país.

 Amigas e amigos,

 Entendo essa honraria não como um reconhecimento pessoal, mas como uma homenagem ao povo brasileiro que, nos últimos nove anos, realizou – pacificamente – uma verdadeira revolução econômica e social, dando um salto histórico no rumo da prosperidade e da justiça.

 Depois das chamadas “décadas perdidas”, o Brasil voltou a crescer de modo consistente e sustentável, gerando empregos, distribuindo renda, promovendo inclusão social e reduzindo as disparidades regionais.

 Deixamos para trás um passado de frustrações e ceticismo. Os brasileiros e as brasileiras voltaram a acreditar em si mesmos e na capacidade do país superar desafios. Graças a um novo projeto de desenvolvimento nacional, com intenso engajamento da sociedade nas políticas públicas, fomos capazes de tirar 28 de milhões de pessoas da miséria e de levar cerca de 40 milhões para a classe média, no maior processo de mobilidade social que este país já conheceu.

Resgatamos grande parte da nossa dívida com os pobres e excluídos e, ao mesmo tempo, modernizamos o país, preparando-o para os novos desafios do século XXI.

A descoberta de vastas jazidas de petróleo no pré-sal é a face mais visível – mas está longe de ser a única – da mudança de patamar científico e tecnológico do Brasil.

Conseguimos unir o econômico ao social, transformando o Brasil num enorme canteiro de obras e empregos. Por toda parte se viam – e se veem – obras de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, estaleiros, refinarias e usinas hidrelétricas. Ao mesmo tempo, não há município brasileiro onde o Governo Federal não tenha realizado – e continue realizando – significativos investimentos em saneamento básico e   moradia popular, melhorando as condições de vida da população carente.
Segundo cálculos da Fundação Getúlio Vargas, a desigualdade entre os brasileiros atingiu o menor patamar em 50 anos. Desde 2003, a renda per capita dos 50% mais pobres teve um ganho real de 68%, enquanto a renda dos 10% mais ricos aumentou 10%.

O consumo se ampliou em todas as classes, mas no segmento popular cresceu sete vezes ao longo de oito anos. De 2000 a 2010, segundo o IBGE, a mortalidade infantil caiu praticamente pela metade.
Os pobres passaram a ser tratados como cidadãos. Não governamos apenas para um terço da população, como se fazia antes, mas para todos os brasileiros
Em todo esse processo, coordenando o PAC e o conjunto da ação governamental, a então ministra e hoje presidenta Dilma Rousseff teve um papel fundamental e até é chamada de mãe do PAC.

Amigos e amigas,

A educação foi um dos carros-chefe desse novo projeto nacional de desenvolvimento. Ela é o alicerce sobre o qual se constrói a igualdade social.

Sempre insisti que o dinheiro público aplicado na educação é um investimento e não um gasto, pois ajuda a construir um futuro mais digno para as pessoas e para o país. E, sem medo de errar, posso dizer que investimos muito.

No total, mais do que triplicamos o orçamento da educação, que saltou de 17 bilhões de reais, em 2003, para 65 bilhões de reais, em 2010.

Tínhamos que ousar, e foi assim que lançamos, em 2007, o Plano de Desenvolvimento da Educação. O PDE é um conjunto articulado de 54 programas para fortalecer o sistema educacional público, com base em diagnóstico detalhado do setor. Ele se propõe a reduzir as desigualdades sociais e regionais na educação, ampliar a formação de professores e melhorar a qualidade do ensino, em parceria com estados e municípios.

O PDE tem caráter estruturante, com metas claras e um sistema transparente de avaliação dos resultados. A educação foi colocada como prioridade estratégica para o desenvolvimento do país, na busca de padrões de excelência das nações desenvolvidas.

O Brasil está conseguindo, com o PDE, superar a falsa contradição que vigorava nos anos 90, quando as políticas públicas tratavam como antagônicas a educação básica e a universidade. Pretendia-se, com aquele discurso, justificar o abandono a que havia sido relegada a rede federal de ensino superior. Mas a verdade é que nenhum outro nível de ensino foi realmente fortalecido.

Companheiras e companheiros, (eu estava com saudade de falar companheiras e companheiros)
Nosso governo provou na prática que é possível expandir e qualificar o sistema educacional como um todo, da pré-escola à pós-graduação.

Eu e o saudoso José Alencar fomos os primeiros brasileiros a chegar à Presidência da República sem possuir diplomas universitários. Parecia que tínhamos, mas não tínhamos. Pois bem. Orgulho-me de termos criado 14 novas universidades federais e 126 extensões universitárias, nas mais diversas regiões do país, democratizando o acesso ao ensino superior.

Simplesmente dobramos o número de vagas nas universidades públicas.

Além disso, garantimos, com o PROUNI, que mais de um milhão de  jovens de baixa renda, alunos das escolas públicas da periferia, pudessem cursar o ensino superior. E essa oportunidade não foi desperdiçada: os jovens do PROUNI tem se destacado em quase todas as áreas, liderando os exames do MEC em várias delas. Ou seja: bastou uma chance, e a juventude brasileira refutou com firmeza o mito elitista de que a qualidade é incompatível com a ampliação das oportunidades.

Na semana passada, o IBGE nos deu uma excelente notícia: o percentual de brasileiros com ensino superior completo aumentou, em dez anos, de 4,4% para 7,9%. Em números exataos fica mais forte (Dilma ajuda: “de seis milhões para doze milhões”).

Tenho certeza de que a política de cotas raciais, que o STF referendou por unanimidade, contribuirá para tornar mais justo o acesso ao ensino superior. 

Nos últimos anos, o Brasil também conquistou os maiores avanços na educação técnica e profissional de toda a sua história. Em 93 anos, haviam sido construídas no Brasil 140 escolas técnicas federais. De 2003 a 2010, entregamos 214 novas escolas técnicas, espalhando-as por todo o país, pois antes elas estavam concentradas nas regiões mais ricas.

A boa qualidade de ensino nas escolas técnicas federais também abre as portas das universidades, mesmo para quem trabalha de dia, porque aumentamos em muito o número de vagas nos cursos universitários noturnos.

E esses jovens tem que continuar sonhando, tem que lutar para alcançar o mestrado, o doutorado e para trabalhar nos diversos centros de pesquisa e desenvolvimento tecnológico que existem no Brasil.

Por exemplo, a nossa Petrobrás, por exemplo, investe centenas de milhões de reais nos seus centros de pesquisa e desenvolvimento, porque tem pela frente um dos maiores desafios de uma empresa de energia: a exploração das gigantescas reservas de petróleo e gás do pré-sal.

Os centros universitários de pesquisa e desenvolvimento também tem muito o que mostrar. A Lei de Inovação, aprovada em dezembro de 2004, impulsionou fortemente o setor.

O número de pesquisadores envolvidos em P&D passou de 125 mil no ano 2000 para 210 mil em 2008. E o número de patentes depositadas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) cresceu de 21 mil em 2000 para 280 mil em 2009.

Amigos e amigas,

As metas educacionais da Presidenta Dilma são ainda mais arrojadas.

O Brasil ampliará progressivamente o seu investimento em educação, até atingir 7% do PIB em 2020 (na verdade era até 2014). O Plano de Expansão da Rede Federal de ensino Superior prevê a construção de 51 novos campi e 208 novos Institutos Federais de Educação.

O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego, o PRONATEC, vai beneficiar 8 milhões de brasileiro aprendendo o curso de uma profissão. A Presidenta Dilma, com o extraordinário programa “Ciência sem Fronteiras”, também criou mais de 100 mil bolsas de estudo para que os jovens brasileiros possam se aperfeiçoar no exterior.

E uma parte significativa dos recursos do pré-sal vai impulsionar ainda mais a educação e a pesquisa científica.

A meta do Plano Nacional de Educação, válido de 2011 a 2020, é garantir que todas as crianças e jovens, dos 4 aos 17 anos, frequentem a escola, e uma escola de boa qualidade. Até você, Pitanga, vai poder voltar para a escola com o Plano Nacional de Educação.

Eu, que antes do diploma de Presidente da República tinha somente o diploma de torneiro mecânico do SENAI, sei o quanto a educação é capaz de mudar a vida de uma pessoa, de uma família ou de uma nação.

Pois foi aquele diploma que me abriu a oportunidade de um emprego e de uma vida melhor.
Por isso, quero dedicar esses importantes diplomas de Doutor Honoris Causa a todos os que contribuem, com  a sua inteligência e o seu esforço, para melhorar a qualidade da educação no Brasil, dando esperança a milhões de jovens, e construindo um país mais justo e solidário.

Muito obrigado.


fonte: http://www.institutolula.org/2012/05/lula-agradece-as-universidades-e-diz-que-dia-sera-inesquecivel-em-sua-vida-leia-o-discurso/#more-1221

segunda-feira, 30 de abril de 2012

a vida

enquanto a chuva cai, em algum olhar lava a lágrima de alguém que contempla o tilintar dos seus pingos. um casal se beija, uma criança chora, uma família sonha e tudo faz parte da vida.

adenildo lima

sábado, 28 de abril de 2012

O amor

O amor transforma
Crianças em adultos
E adultos em crianças

adenildo lima

OBS:
       Estes versos foram um improviso, ontem, dia 27 de abril, no momento em que eu estava dialogando com os alunos referente ao tema "amor".

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Diálogo em família

- Mãe, já posso namorar?
- Namorar?!, você só tem 12 anos...
- E a senhora, começou com quantos?
- Num interessa!
- Como não interessa?!
- Não interessando e pronto!
- Ah, entendi, então já posso namorar?
- Vá pedir para o seu pai.
- Para o meu pai?
- Sim!!!

Vou lá então...

- Pai, eu posso namorar?
- Pode o quê?!
- Namorar, pai...
- Deixa de conversa, menina, você ainda é uma criança.
- Criança, não, já fiz 12 anos: sou adolescente!
- Adolescente...
- Sim, pai, adolescente. então, posso namorar?
- Vá conversar estes assuntos com a sua mãe.
- Com a minha mãe?!!
- Lógico! e isso é assunto de conversar com homem? Filha mulher conversa com a mãe...
- Filha mulher... já viu filha homem, pai?
- Oh, o respeito, menina... vai embora falar com a sua mãe.

O que eu faço agora?...

- Mãe, meu pai disse que sim.
- Que sim o quê?
- Que eu posso, é a senhora que decide.
- Eu que decido?!
- Sim, ele disse.
- Sei de nada não, garota.
- Então eu que decido, mãe?
- Não!!!
- Mas já sou adolescente...
- Adolescente... onde anda aprendendo essas coisas?
- Na escola, mãe..
- Na escola?!
- Sim, na escola se aprende até a namorar.
- O quê?!!

Adenildo Lima

Diálogo solo

"Você sabe qual é o motivo de existir?"
"Já ouvi alguns comentários."
"Mas você acreditou?"
"Acreditou em quê?"
"Ah, no que você ouviu..."
"Entendi."
"Entendeu o quê?"
"Caramba, você é complicado, hein!"
"Ah, sim, a vida é assim mesmo".

adenildo lima

sábado, 14 de abril de 2012

A uma passante

A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;

Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como basbaque extravagante,
No tempestuoso céu do seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.

Brilho... e a noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?

Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!

Charles Baudelaire - tradução de Guilherme de Almeida: Flores das flores do mal de Baudelaire. Editora 34, 2010, SP.

Canção de uma enamorada

Quando me fazes alegre
Penso por vezes:
Agora poderia morrer
Então seria feliz
Até o fim.

E quando envelheceres
E pensares em mim
Estarei como hoje
E terás um amor
Sempre jovem.

Bertolt Brecht - tradução de Paulo Cesar de Souza: poemas 1913,1956. editora 34, SP, 2000.

O nascido depois

Eu confesso: eu
Não tenho esperança.
Os cegos falam de uma saída. Eu
Vejo.
Após os erros terem sido usados
Como última companhia, à nossa frente
Senta-se o Nada.

 Bertolt Brecht - tradução de Paulo Cesar de Souza: poemas 1913,1956. editora 34, SP, 2000.

Não digo nada contra Alexandre

Timur, ouvi dizer, deu-se ao trabalho de conquistar a terra.
Eu não o entendo:
Com um pouco de cachaça a gente esquece a terra.
Não digo nada contra Alexandre.
Apenas
Conheci pessoas nas quais
Era notável
Muito digno da vossa admiração
O fato de que
Simplesmente vivessem.
Os grandes homens transpiram suor demais.
Eu vejo em tudo apenas a prova
De que não aguentarei ser sós
E fumar
E beber
E coisas assim.
E devem ser muito mesquinhos
Para que lhes possa contentar
Fazer companhia a uma mulher.

Bertolt Brecht - tradução de Paulo Cesar de Souza: poemas 1913,1956. editora 34, SP, 2000.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Os amores de Geraldo Vandré

Quem na vida  já viu o beija-flor beijando a flor?

                                   Se já, podemos falar de amor...
                                                                           De dor...
E quem sabe, das flores que ainda não enxerguei...

                                                        Tudo isso para não dizer que não falei...
adenildo lima

terça-feira, 10 de abril de 2012

Grajaú, onde São Paulo começa - documentário


Declaração de amor

O tempo passa. E o tempo é tudo o que eu tenho. Olhei pela janela, a neblina deixou meu olhar embaraçado. Quis chorar, as lágrimas acariciaram a minha face. O abraço-amigo, o abraço do amigo, o seu sorriso nos momentos tristes e felizes da minha vida era tão bom para mim, me fazia tão bem. Caminhando, no horário de quase meia-noite, ontem, enquanto vinha da escola que leciono, lembrei de você. Tudo pareceu tão vivo, tão lúcido, tão real em mim a sua presença. E hoje é dia dez. Foi justamente num dia dez que eu nasci, só que no mês de dezembro. E foi justamente, pai, num dia dez de outubro, há quase cinco anos, que o que chamam de morte, nos separou em vida. Diz que o tempo faz a gente escquecer. Maldito tempo, ou bendito; não sei, só sei que ele não é tão forte para vencer o amor: um amor de filho, um amor de amigo. Você me ensinou a ser amigo, pai, a respeitar todas as diferenças existentes neste mundo, inclusive me ensinou que ser humilde é a maior riqueza que alguém pode ter. Com você aprendi que o ódio é um sentimento que destrói primeiro a si, para depois destruir aos outros, por isso, o único sentimento que tenho é o de amar, se serei um dia compreendido, não me interessa; intressa-me apenas que estou fazendo a minha parte. Sonhei com você esses dias, você estava tão real, tão vivo... nas lembranças. E eu lembrei de uma frase que falaste: "Guarde as fotografias, depois somos só lembranças". Tudo isso me conforta. Lembro também quando tu falavas que o estudo pode não ser a saída, mas é um grande começo. E assim estudo, mesmo não suportando o linguajar enfurrado, ou selecionado para a construção de uma frase, porque sei que diamantes são apenas diamantes, por isso prefiro as pedras, pois sei que delas brotam água para saciar a minha sede. Aprendi que precisamos lutar por nossos objetivos. E como luto! E todos que batalhei, conquistei até hoje! São poucos, mas são os que eu almejo. E sinto que o mundo em breve, muito em breve receberá meus livros de poemas, já escritos; e são vários! E se demorar, para quem sonha e acredita, o tempo é apenas uma passagem onde nos faz refletir melhor. Pai, com você aprendi que viver é ter a sensibilidade de ouvir, talvez seja por isso que luto tanto para que o diálogo se faça presente na educação. Acredito que tudo isso me fez entender que flores sem espinhos não são flores.

adenildo lima

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Diálogo de bar: um poeta e um filósofo

Meu caro amigo poeta, falar de amor e escrever em versos é diferente da realidade. A mulher é inspiração nos seus poemas, mas você ainda não descobriu o poder que ela tem para domar o homem. É natural, caro poeta, é assim que a natureza fez e quer. Pela mulher o homem é capaz de deixar amigos, família, vida pessoal... e no final ainda é capaz de dizer que todos o abandonou.

Meu caro amigo filósofo, se algum dia eu não for capaz de ter o controle de mim mesmo, deixarei a vida solta nos arrebados das esquinas e ruas da cidade, e não mais farei versos, pois sou capaz e sempre fui de conviver com uma mulher e, antes de tudo, ela que saiba que amigo é coisa para se guardar, por isso não os deixarei jamais.

Tudo bem, Caro poeta, aprenda mesmo a guardar os amigos, em breve eles só existirão em suas lembranças.

O quê? Quer dizer que todos os meus amigos vão morrer, caro filósofo?

Não. Mas você será apenas um vulto ambulante caminhando por aí.

Se você me conhecesse jamais falaria isso...

Um intervalo de tempo...

Perguntou o filósofo a um amigo: por onde anda o poeta do bar? E ouviu: Já não existe mais, está preso pelo amor.

O quê...?...

Assim é a vida, refletiu o filósofo: em algum lugar alguém ainda irá ouvir as árduas palavras de um filósofo...

O bar continua, os amigos também, só não se sabe se todos continuam vivos, afinal de contas tudo aqui descrito não passa de mera ficção e se tiver algo a ver com alguma realidade existente, é mera coincidência, assim é a arte, já o poeta, talvez já nem beba mais...


adenildo lima.


LEGIÃO URBANA E PARALAMAS DO SUCESSO JUNTOS


 http://www.youtube.com/watch?v=akMr-ex4sds

sábado, 7 de abril de 2012

se...

hoje eu esqueci que tinha esquecido das palavras necessárias para falar de solidão, ausência, amor; amizade. tudo para ser válido é preciso ter como conclusão a amizade. é o sentimento maior, é respeitoso, é calmo, não quer nada em troca; é o verdadeiro amor em ação. e há quem diga que não há amor falso ou amores falsos. ela sumiu, desapareceu assim de repente. disseram-me: sara casou. casou?!!, perguntei, assustado. acho que casou ou está vivendo junto com um rapaz. legal! pensei comigo mesmo e disse: a nossa amizade não passou de um passa tempo para ela. as pessoas são gélidas geladas por dentro com um sorriso disfarçado no olhar. por quê? deixar de viver para si para viver para os outros é morrer e não perceber que está andando como um zumbi pelas estradas sem vida. sara, sara a dor em teu peito que só sara, sara quando descobrires que não há mais amor conservados por ti. aí ela aumentará e a solidão te fará companhia...

adenildo lima.

o novo cd de zeca baleiro - o disco do ano - acesse o link e ouça-o!

http://sonora.terra.com.br/cd/240610/zeca_baleiro_o_disco_do_ano

quinta-feira, 5 de abril de 2012

no meio o impasse

eu não queria. você também não. tudo foi tão depressa, e rápido! começamos bem: éramos amigos, companheiros e conversávamos sempre. não sei o motivo de ter mudado tanto. será que foi o casamento? o casar não seria para melhorar? confesso que não consigo compreender. namoramos durante dois anos. tivemos uma vida enamorada de dar inveja..., às vezes fico até querendo culpar o casamento.será que foi a falta de diálogo? é, cansamos um do outro. eu ficava o dia todo trabalhando. você também. chegávamos em casa à noite, muito mal olhávamos nos olhos. sim, o nosso olhar perdeu o sabor. antes, tinha gosto, transmitia prazer, harmonia. ficamos, posso dizer, como dois irmãos. e casal não é irmão. será que a nossa a amizade complicou? por que perdemos o tesão um pelo outro? por quê? será que  você já pensou como estou pensando agora? a vida passa rápido e tudo parece perdido. lembra quando nos vimos ontem? você me olhou como nos olhávamos antes do casamento. vi nos seus olhos que não guarda de mim nenhum rancor, e nem deveria, pois não há motivos, terminamos harmoniosamente. o que me incomoda é que nós não conversamos mais. por quê? não entendo. nós não somos inimigos. será que não conseguiremos enfrentar que não somos mais, vamos dizer assim: "namorados", e sim, eternos amigos...?

será...?

adenildo lima

quarta-feira, 4 de abril de 2012

esperar o amor chegar não é tão importante assim. importante é transformar os pequenos atos em momentos de amor.

adenildo lima

sábado, 31 de março de 2012

'Sem voz estaria morto', diz Lula em entrevista exclusiva

Folha - Como o sr. está?
Luiz Inácio Lula da Silva - O câncer está resolvido porque não existe mais aqui [aponta para a garganta]. Mas eu tenho que fazer tratamento por um tempo ainda. Tenho que manter a disciplina para evitar que aconteça alguma coisa. Aprendi que tanto quanto os médicos, tanto quanto as injeções, tanto quanto a quimioterapia, tanto quanto a radioterapia, a disciplina no tratamento, cumprir as normas que tem que cumprir, fazer as coisas corretamente, são condições básicas para a gente poder curar o câncer.
Foi difícil abrir mão...
Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou. [Fica com a voz embargada e os olhos marejados]. Eu, que convivi com ele tanto tempo, não tinha noção do que ele passou. A gente não sabe o que é pior, se a quimioterapia ou a radioterapia. Uns dizem que é a químio, outros que é a rádio. Para mim, os dois são um desastre. Um é uma bomba de Hiroshima e, o outro, eu nem sei que bomba é. Os dois são arrasadores.
O sr. teve medo?
A palavra correta não é medo. É um processo difícil de evitar, não tem uma única causa. As pessoas falam que é o cigarro [que causa a doença], falam que é um monte de coisa que dá, mas tá cheio de criancinha que nasce com câncer e não fuma.
Qual é a palavra correta?
A palavra correta... É uma doença que eu acho que é a mais delicada de todas. É avassaladora. Eu vim aqui com um tumor de 3 cm e de repente estava recebendo uma Hiroshima dentro de mim. [Em alguns momentos] Eu preferiria entrar em coma.
Kalil [interrompendo] - Pelo amor de Deus, presidente!
Em coma?
Eu falei para o Kalil: eu preferiria me trancar num freezer como um carpaccio. Sabe como se faz carpaccio? Você pega o contrafilé, tira a gordura, enrola a carne, amarra o barbante e coloca o contrafilé no freezer e, quando ele está congelado, você corta e faz o carpaccio. A minha vontade era me trancar no freezer e ficar congelado até...
Sentia dor?
Náusea, náusea. A boca não suporta nada, nada, nada, nada. A gente ouvindo as pessoas [que passam por um tratamento contra o câncer] falarem não tem dimensão do que estão sentindo.
Teve medo de morrer?
Eu tinha mais preocupação de perder a voz do que de morrer. Se eu perdesse a voz, estaria morto. Tem gente que fala que não tem medo de morrer, mas eu tenho. Se eu souber que a morte está na China, eu vou para a Bolívia.
O sr. acredita que existe alguma coisa depois da morte?
Eu acredito. Eu acredito que entre a vida que a gente conhece [e a morte] há muita coisa que ainda não compreendemos. Sou um homem que acredita que existam outras coisas que determinam a passagem nossa pela Terra. Sou um homem que acredita, que tem muita fé.
Mesmo assim, teve um medo grande?
Medo, medo, eu vivo com medo. Eu sou um medroso. Não venha me dizer: 'Não tenha medo da morte'. Porque eu me quero vivo. Uma vez ouvi meu amigo [o escritor] Ariano Suassuna dizer que ele chama a morte de Caetana e que, quando vê a Caetana, ele corre dela. Eu não quero ver a Caetana nem...
Qual foi o pior momento neste processo?
Foi quando eu soube. Vim trazer a minha mulher para um exame e a Marisa e o Kalil armaram uma arapuca e me colocaram no tal de PET [aparelho que rastreia tumores]. Eu tinha passado pelo otorrino, o otorrino tinha visto a minha garganta inflamada.
Eu já estava há 40 dias com a garganta inflamada e cada pessoa que eu encontrava me dava uma pastilha No Brasil, as pessoas têm o hábito de dar pastilha para a gente. Não tinha uma pessoa que eu encontrasse que não me desse uma pastilha: 'Essa aqui é boa, maravilhosa, essa é melhor'. Eu já tava cansado de chupar pastilha.
No dia do meu aniversário, eu disse: 'Kalil, vou levar a Marisa para fazer uns exames'. E viemos para cá. O rapaz fez o exame, fez a endoscopia, disse que estava muito inflamada a minha garganta. Aí inventaram essa história de eu fazer o PET. Eu não queria fazer, eu não tinha nada, pô. Aí eu fui fazer depois de xingar muito o Kalil.
Depois, fui para uma sala onde estava o Kalil e mais uns dez médicos. Eu senti um clima meio estranho. O Kalil estava com uma cara meio de chorar. Aí eu falei: 'Sabe de uma coisa? Vocês já foram na casa de alguém para comunicar a morte? Eu já fui. Então falem o que aconteceu, digam!' Aí me contaram que eu tinha um tumor. E eu disse: 'Então vamos tratar'.
Existia a possibilidade de operar o tumor, em vez de fazer o tratamento que o senhor fez.
Na realidade, isso nem foi discutido. Eles chegaram à conclusão de que tinha que fazer o que tinha que fazer para destruir o bicho [quimioterapia seguida de radioterapia], que era o mais certo. Eu disse: 'Vamos fazer'.
O meu papel, então, a partir dessa decisão, era cumprir, era obedecer, me submeter a todos os caprichos que a medicina exigia. Porque eu sabia que era assim. Não pode vacilar. Você não pode [dizer]: 'Hoje eu não quero, não tô com vontade'.
O senhor rezava, buscou ajuda espiritual?
Eu rezo muito, eu rezo muito, independentemente de estar doente.
Fez alguma promessa?
Não.
Existia também uma informação de que o senhor procurou ajuda do médium João de Deus.
Eu não procurei porque não conhecia as pessoas, mas várias pessoas me procuraram e eu sou muito agradecido. Várias pessoas vieram aqui, ainda hoje há várias pessoas me procurando. E todas as que me procurarem eu vou atender, conversar, porque eu acho que isso ajuda.
E como será a vida do sr. a partir de agora? Vai seguir com suas palestras?
Eu não quero tomar nenhuma decisão maluca. Eu ainda estou com a garganta muito dolorida, não posso dizer que estou normal porque, para comer, ainda dói.
Mas acho que entramos na fase em que, daqui a alguns dias, eu vou acordar e vou poder comer pão, sem fazer sopinha. Vou poder comer pão com aquela casca dura. Vai ser o dia!
Eu vou tomando as decisões com o tempo. Uma coisa eu tenho a certeza: eu não farei a agenda que já fiz. Nunca mais eu irei fazer a agenda alucinante e maluca que eu fiz nesses dez meses desde que eu deixei o governo. O que eu trabalhei entre março e outubro de 2011... Nós visitamos 30 e poucos países.
Eu não tenho mais vontade para isso, eu não vou fazer isso. Vou fazer menos coisas, com mais qualidade, participar das eleições de forma mais seletiva, ajudar a minha companheira Dilma [Rousseff] de forma mais seletiva, naquilo que ela entender que eu possa ajudar. Vou voltar mais tranquilo. O mundo não acaba na semana que vem.
Quando é que o senhor começa a participar da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo?
Eu acho o Fernando Haddad o melhor candidato. São Paulo não pode continuar na mesmice de tantas e tantas décadas. Eu acho que ele vai surpreender muita gente. E desse negócio de surpreender muita gente eu sei. Muita gente dizia que a Dilma era um poste, que eu estava louco, que eu não entendia de política. Com o Fernando Haddad será a mesma coisa.
O senhor vai pedir à senadora Marta Suplicy para entrar na campanha dele também?
Eu acho que a Marta é uma militante política, ela está na campanha.
Tem falado com ela?
Falei com ela faz uns 15 dias. Ela me ligou para saber da saúde. Eu disse que, quando eu sarar, a gente vai conversar um monte.
E em 2014? O senhor volta a disputar a Presidência?
Para mim não tem 2014, 2018, 2022. Deixa eu contar uma coisa para vocês: eu acabei de deixar a Presidência da República, tem apenas um ano e quatro meses que eu deixei a Presidência.
Poucos brasileiros tiveram a sorte de passar pela Presidência da forma exitosa com que eu passei. E repetir o que eu fiz não será tarefa fácil. Eu sempre terei como adversário eu mesmo. Para que é que eu vou procurar sarna para me coçar se eu posso ajudar outras pessoas, posso trabalhar para outras pessoas?
E depois é o seguinte: você precisa esperar o tempo passar. Essas coisas você não decide agora. Um belo dia você não quer uma coisa, de repente se apresenta uma chance, você participa.
Mas a minha vontade agora é ajudar a minha companheira a ser a melhor presidenta, a trabalhar a reeleição dela. Eu digo sempre o seguinte: a Dilma só não será candidata à reeleição se ela não quiser. É direito dela, constitucional, de ser candidata a presidente da República. E eu terei imenso prazer de ser cabo eleitoral.

fonte:http://www1.folha.uol.com.br/poder/1069313-sem-voz-estaria-morto-diz-lula-em-entrevista-exclusiva.shtml

quarta-feira, 28 de março de 2012

No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade, declamado em vários idiomas

video



http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet269.htm

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
                              Carlos Drummond de Andrade
    

fonte:
http://www.memoriaviva.com.br/drummond/