quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Outra vez, Clarina

Clarina acordou cansada, queria voltar no tempo para rever alguns conceitos. "O tempo não volta", disse ela. Encontrava-se, ali, sentada na calçada de sua casa, numa pequena cidade. "Bom dia, dona Clarina", falavam os passantes. E ela respondia: "Bom dia". "Numa cidade pequena todo mundo se conhece", pensou ela. Quando criança, era travesseira. Na escola não dava mole para ninguém, gostava mesmo era de aprontar, mas no fundo no fundo era uma menina querida, já que era popular e conhecia quase todo mundo. Ao ficar adolescente ficou aborrescente. Parecia brava, tinha um olhar sério, e forte! Até dava medo. Namorou muito, muito mesmo!!! Era atraente e parecia perigosa, isso causava certo desejo nos homens.

Clarina ficou grávida...

Aos trinta e cinco anos de idade ela engravidou. A criança não nasceu. A causa nunca foi explicada. Continuou vivendo sua vida como gostava. Alguns diziam que não conseguia entender aquele jeito que ela tinha, parecia até mudar de pessoa. Ela jurava que sempre foi ela mesma. E ria.

Clarina ficou idosa...

Setenta e cinco anos de idade. "Ah, eu queria ter vivido mais, queria ter desfrutado mais, queria ter namorado mais, viajado mais... agora parece que a vida parou de vez", solitária, ali, ficava pensando. "Casei três vezes, namorei não sei quantas vezes e parece que vivi tão pouco, como a vida passa rápido". Pensou... Pensou ... e depois adormeceu encostada na parede de sua casa.

E a vida continua, dona Clarina...

adenildo lima

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