quinta-feira, 15 de setembro de 2011

santíssimo altar

1999. retiro religioso. centenas de jovens. eu estava na capelinha, em oração. ele veio com uma tentação dos diabos. ficou ao meu lado. começou a rezar. pegou minha mão. meu corpo tremeu. em silêncio falei: júlio, estamos num lugar sagrado. e ele respondeu: calma, karina, é pecado eu te amar? disse que não. todo mundo estava dormindo, eu acho. aos poucos fui sentindo minha mão sendo apertada pela dele. seus olhos brilharam diante dos meus. a luz suave da vela nos observava. parece que ela estava torcendo por nós.

- júlio, nós não podemos, convivemos juntos a tanto tempo...
- karina, se eu sou culpado por estar apaixonado por você, que deus me castigue, mas quero que saibas que tudo o que eu quero em minha vida é você.

a luz da vela já não existia mais para nós. fiquei parada com os olhos fixados nos dele. tremi. gaguejei. tive vontade de sair correndo. não tive coragem. "eu te amo", ele disse. sem querer, abri um sorriso. senti meus joelhos querendo criar forças para me levantar. ficamos ajoelhados. ele se aproximou de mim. seus olhos iam cada vez mais se misturando com os meus. ele me beijou.

quando senti os lábios dele encostando nos meus quase chorei. meu coração disparou. lancei meus braços sobre as costas dele e correspondi ao seu beijo entre suspiros. há quanto tempo eu também esperava por aquele momento.

- karina, eu te amo...

e ele sussurrava meu ouvido com um "eu te amo" tão doce. aos poucos nossas mãos foram apertando nossos corpos. ele me beijava o pescoço. acarinhava minhas pernas, suavemente, com as pontas dos dedos. eu suspirava mais e mais... quase desmaiando.

- mas o que vocês estão aprontando aqui, garotos?!!! por acaso aqui é lugar de fuleragem?!!!

- padre, tudo o que é feito com amor e não faz mal a ninguém não é pecado. foi o senhor mesmo quem disse ontem, não lembra?

júlio, menino corajoso, encarou até o padre.

adenildo lima

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