segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Rosa

O nome dela é Rosa, mas é conhecida por todos como Ângela. Como qualquer cidadão que carrega dentro de si a sensibilidade humana, ela tinha um sonho: o sonho de não apenas apreciar as flores, mas também conhecer a importância dos espinhos.

Passou muito tempo pregando o amor. Acreditava firmemente no amor. E via amor em tudo, até mesmo nos olhares revoltados das pessoas. Aprendeu na vida que não leva a lugar nenhum, criticar apenas, é preciso ter coerência nas críticas, afinal todos têm razão, quem diz que não, que prove!

Ângela costumava dizer que não gostaria de ter papel: brincando, questionei: mas papel em branco ou escrito? Ela riu. Lembro claramente, inclusive o silêncio da noite ajudou a minha simples observação.

Papel...

Mas Ângela sabia que a vida é um enorme papel em branco e, somos nós mesmos que vamos escrevendo uma história, a nossa. Talvez o medo dela era o de ter o papel que a sociedade procura, muitas vezes, impor. O que eu percebi mesmo em Ângela foi que ela também sonhava com a liberdade. E quem não sonha? Mas qual liberdade?


Sartre, filósofo, dizia que o homem está condenado a ser livre. A liberdade é um sonho... e todos os sonhos precisam ganhar asas para voar. Que o nosso sonho de liberdade parta sempre de nós mesmos. Teoria é algo chato, bom mesmo é a prática.

Morrer é um meio para se sentir livre? - não sei. Quem sabe Ângela possa nos dizer, já que ela não está mais entre nós...? Mas o simples narrador desta história não acredita em vida após a morte, acredita apenas em vida.

Possivelmente neste momento algum leitor pergunte: Mas Vinícius, o que é a vida? E eu respondo: Quem disse que eu sei, apenas vivo a minha e procuro fazer com que muitos se sintam bem com as suas.

Lembro também que Ângela chorou. Lembro também que ela sorriu. Mas o que eu fico perguntando mesmo é:

Qual o papel que a minha querida Ângela não queria, ou quis, e não me falou...?...

adenildo lima



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