terça-feira, 12 de julho de 2011

dois amigos e um sentimento oculto

cenário:

cena I

uma mesa de bar, dois amigos: natália e vitor bebem e conversam sobre coisas do cotidiano.



"sabe, natália, têm coisas que a gente nunca fala, nem mesmo pra um melhor amigo".
"mas você deixou de falar alguma coisa pra mim, vitor?"
"talvez, sim... talvez, não..."
"mas o que você deixaria de falar, já que conversamos sobre tudo e sobre nada?"
"nem tudo, natália".
"assim você me deixa preocupada, já nos conhecemos há 10 anos, qual segredo você guardaria de mim?"
"é algo meu, que sempre quis te falar, mas nunca tive coragem".
"aproveita e fala agora".
"continuo sem coragem".

cena II

natália fala sobre o seu namorado para vitor, enquanto pagam a conta e saem do barzinho.

"vitor, acho que até final deste ano eu caso".
"ham..."
"eu e lucas estamos planejando para casarmos até final deste ano".
"ah, entendi".
"nossa, vitor! você não fala nada?"
"desculpa".
"caramba, pensei que você estivesse feliz pelo meu casamento".
"sim, estou".
"então fala alguma coisa, né?"
"desejo que vocês sejam muito felizes".
"só isso?"
"nossa, e você quer algo mais do que felicidade?"
"tudo bem, vitor, deixa eu ir, estou cansada, foi bom ter te encontrado hoje".

cena III

vitor em casa, deitado em sua cama, ouvindo música, fica pensando em natália.

"como a vida é, 10 anos que nos conhecemos, nos damos tão bem, somos tão amigos, sempre falei tudo pra ela, e nunca tive coragem de expressar este sentimento. maldito sentimento! melhor seria se eu nunca a tivesse conhecido, mas a vida é assim mesmo, a gente ganha de um lado, perde do outro, somos felizes em algo, mas infelizes em outros aspectos... assim é a vida, fazer o quê?"

em casa natália, também deitada em sua cama, fica pensando no segredo que vitor nunca falou pra ela.

"o que vitor podia esconder de mim? tudo bem que eu também nunca falei que além de sermos amigos, sou apaixonada, e gostaria mesmo era de casar com ele, mas a vida é assim mesmo, quem disse que ele iria gostar de mim além desta grande amizade que temos?" - e, pensando consigo mesma, adormece.

cena IV

vitor escreve uma carta e deixa para natália.


"são paulo, 12 de julho de....

minha querida amiga natália,

escrevo esta carta para dizer o que nunca tive coragem de falar pessoalmente. lembra que falei no barzinho que têm coisas que mesmo sendo grandes amigos, ficamos sem falar? lembra, né? então, o que eu nunca tive coragem de dizer pra você é que sempre fui apaixonado por ti. sonhei por vários dias e noites te beijando, abraçando o teu corpo, sentindo o teu calor, mas, infelizmente o medo nunca deixou que eu falasse, mas tudo bem, você tá casando, fico feliz por você, e te desejo toda sorte do mundo, e que sejas muito feliz mesmo!!!

carinhosamente,

vitor"


cena final

natália recebe a carta.

"não, isso não é verdade, vou ligar pra ele" - pensou ela desesperada sem querer acreditar. ligou uma, duas, três vezes... ele não se encontra mais em casa. depois ela ficou sabendo que ele tinha ido embora sem deixar notícias, sem dizer pra onde ia. e, agora, restam apenas para natália lágrimas de um amor não correspondido.

adenildo lima.

Um comentário:

disse...

Obrigada pela visita no blog! Mas estou aposentando-o por um tempo.
Abraços!