domingo, 3 de julho de 2011

Brincadeira de criança

Era uma criança com uma guitarra nas mãos, querendo tocar alguma canção: de amor. Observou o carro partindo com um casal que chorava. Chorava uma despedida: de amor. O sol tentava aparecer, meio que invergonhado, por detrás dos prédios onde em algum apartamento alguns jovens faziam algum ato: de amor. O vocalista cantava para uma plateia de solitários e de pessoas que buscavam algum sentido em alguma cena, ali, acontecida que fizesse lembrar algum sentimento: de amor. Já um policial prendeu o próprio pai, quase sem motivos, apenas pelo simples motivo de o pai dele ter agido com ele como pai, enquanto ele usava a fada do Estado e disse que o prendeu: por amor. Amor à pátria. Que amor!

A criança largou a guitarra, pegou um violão, tentou compor alguma canção que falasse apenas: de amor. A inspiração não veio, o violão não tocou, a mesma criança cresceu, ficou adulta e descobriu que fazer algo que fale de amor não é tão simples como pensava, mas continuou esperando por alguém que falasse apenas: de amor.

E o amor, hoje, deve está perdido em alguma esquina, onde muitos não conseguem vê-lo.

adenildo lima.

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