segunda-feira, 16 de maio de 2011

A morte do eu

Juliana nunca conseguiu entender o motivo do desaparecimento do seu diário. De repente ela se viu perdida e sem história. No lugar do seu nome, tinha um número. No lugar do seu olhar, tinha vários olhares observando-a. Ela não lembrava mais do passado, não lembrava mais de nada vivido, só lembrava apenas que nunca fez algo para cumprir uma pena. Sonhou em ter asas para voar, estava por detrás de quatro grades de ferro. Pensou em voltar para amamentar seu filho de 8 meses, mas já não tinha mais filho. Lembrou dos amigos e amigos e amigas, mas já não tinha mais amigos. Perguntou-se o que fazer? Não encontrou respostas. O eu existente nela, já não existia mais, estava morto, tinha sido assassinado. Precisava recomeçar sua vida, ou, aliás, nascer, ali, presa entre quatro grades. O estado que ela tanto lutou para fazer algo pela sociedade, colocou-a ali. E alguns falaram que ela podia se defender. Se defender de que se não fiz nada? Esta era a pergunta, a afirmação: Não fiz nada. Mas com o tempo ela acabou acreditando que era culpada, pois já não acreditava mais na tal sociedade. E foi quando ela depois de 10 anos saiu da prisão. Ela não era mais ela. Tinha morrido. Aquele Eu dentro dela não existia mais. E agora o que fazer para viver neste mundo estranho? Perguntou-se.

adenildo lima

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