segunda-feira, 23 de maio de 2011

Fragmentos

Ela queria de mim uma resposta. E eu respondi que amo sem nenhuma pretensão, que não espero nada da pessoa amada. E, aliás, nunca faço nada esperando alguma coisa em troca. Se alguém se aproxima de mim esperando alguma coisa está enganado, não tenho muita coisa a oferecer. Sou simples, não tenho dinheiro e muito menos patrimônio. Tenho transparência, não sei se isso serve. Principalmente hoje onde tudo é questionado. Verdade não existe mais. Talvez verdades. Mas a verdade de cinco minutos atrás, já perdeu a verdade para uma nova verdade, ou, que se diz verdade. Estamos vivendo em tempos de perguntas. E até mesmo as perguntas são questionadas. As referências estão ficando todas marrotadas, desfiguradas, mascarada. E quando ela me perguntou qual resultado eu espero por alguma coisa que faço. Sinceramente não espero nada. Faço por amor. E o que devemos esperar em troca quando fazemos algo por amor? O outro lado da face do amor deveria ser a mesma face que você viu no outro lado. Mas o amor também está perdendo o seu sentido real. Mas quem sou eu para falar de amor se apenas amo? Talvez isso seja papel para os estudiosos, já que é lei na academia falar sempre segundo fulano. Que assim seja né, se é segundo fulano eu não respondo por nada. E assim as responsabilidades de construir um mundo mais justo está perdendo o valor. Eu podia ter mostrado pra ela um poema. Mas as pessoas hoje não têm mais tempo para a leitura de uns versos. Poema exige reflexão e refletir exige tempo. E já não há mais tempo. E todo tempo do mundo está sendo controlado. E não somos nós que o controlamos. Sei que vou continuar sem respostas, e espero continuar assim já que considero as minhas palavras como simples sementes soltas no vento. Algumas ganham sentido, outras nem nascem. Mas isso não me preocupa, continuo fazendo a minha parte. Mas que neste momento lembrei dos lábios carnudos daquela morena sentada na outra mesa do bar, lembrei, sim. E assim sigo vivendo nesses fragmentos.

adenildo lima

Um comentário:

BigJaque disse...

Hoje em dia as pessoas não tem mais tempo pra nada mesmo, e sempre querem algo em troca. Essas coisas são realmente muito medíocres: pessoas que afirmam não ter tempo pra nada. Elas estão se negando prazeres culturais como um poema, uma história ou uma boa música. Me alegro em saber que tenho tempo pra ler poemas e textos como esse. Parabéns!