sexta-feira, 13 de maio de 2011

Cinzas e asfalto

Pessoas vão e vêm num passo apressado na correria que a vida persiste. O farol se fecha, as buzinas abuzinam transformando o silêncio da cidade em um barulho atormentador. Uma criança bate no vidro do carro de um bacana. A porta está sempre fechada. Já o farol se abre, mas continua fechado para ela. Uma garoa fina começa a cair. Uma notícia dizendo que alguém morreu. E este alguém era próximo de quem ouvia. Questionam a vida. Questionam a morte. Questionam a loucura do século 21. Questionam tudo. Só esquecem mesmo que podem fazer alguma coisa. Mesmo que não seja lá muita coisa. A criança cresce. E dizem que ela virou doutora. E muitos doutores continuam achando que o importante da vida é ter um título. Tantos símbolos, e não passam de símbolos. E o advogado preza o poder. Desculpa, doutor. A garoa continua. Mais uma criança nasce nos desprezos da vida. E aquela, descobriram que era doutora para sua mãe, pois lutava contra tudo para salvá-la da fome, da miséria, do descaso público. E eu já nem sei o que dizer quando todos abraçam as flores e esquecem de apreciar os espinhos. É preciso saber que toda verdadeira flor tem espinhos, ao contrário, não se engane!

Mas neste momento o que eu quero mesmo é que cada um faça a sua parte, e que nunca se permita à parte.

adenildo lima

Um comentário:

Márcio Ahimsa disse...

à parte tudo isso,
o mundo dorme
enquanto acorda
os passarinhos...