terça-feira, 31 de maio de 2011

Apenas um continho de fada

Era um sonho que eu tinha, poder um dia namorá-la. Ficava observando cada detalhe nela. Mas o olhar dela era o que mais me atraía. Até hoje não sei o motivo daqueles olhos serem tão poderosos a mim. Ela morava num outro sítio, bem distante do meu. Foi nela que dei o primeiro beijo. Estávamos numa festa. E alguns começaram a dizer: beija ela, beija... e eu todo tímido beijei aquela face suave. Sinto o sabor até hoje da pele do seu rosto. Ela sorriu apenas. E eu fiquei todo envergonhado, triste pelos cantos da casa. Ela foi o meu primeiro amor. Eu era apenas uma criança. E criança ama de verdade. Sonhei acordado milhões de vezes em tê-la como minha namorada. Meus amigos e meus familiares diziam que eu era apaixonado por ela. Eu dizia que não. E insistia que não, mas dentro de mim, lá no meu coração de menino enamorado, eu sofria a dor de um amor não correspondido, mesmo sendo apenas uma criança. Não lembro bem a idade que eu tinha. Acredito que menos de oito anos. Só que eu comecei a vida muito cedo, inclusive a vida de trabalho, comecei a trabalhar aos cinco anos de idade. Fui adulto quando criança e sou criança quando adulto.

Ela cresceu. Eu também. Alguns foram a mim dizer que ela estava com paralisia, e que podia ficar deficiente das pernas. Fiquei triste. Não lembro se eu chorei, mas fiquei triste. Fazia um bom tempo que não nos víamos. Recordo que depois de uns anos eu a vi. Ela riu com tanta alegria. Falei com ela e tive vontade de relembrar o beijo da infância, não tive coragem. Acredita, amigo leitor? Não tive coragem. Quando a adolescência chegou, consegui controlar os sentimentos, mesmo sentindo vontade de namorá-la. Alguns dos meus familiares falam que ela mudou muito ao crescer, que ficou menos bonita, o que é natural do ser humano, ou não, já que beleza é algo relativo. Conseguiu superar a doença. Dizem que ficou com algumas sequelas, mas nada que deixasse o corpo dela deficiente. E agora nem sei o motivo que me levou a lembrar dela. Eu comecei este texto para escrever outra coisa, mas de repente ela veio a minha mente. E estou escrevendo.

Já morando em São Paulo, um dia fui buscar meu pai na rodoviária do Tietê; não lembro o ano. Por uma coincidência, não sei, ao olhar o ônibus em que meu pai estava, a vi. E a reconheci. Já fazia bastante tempo. E ao conversar com meu pai, ele disse que ela tinha perguntado por mim. Ela riu quando me viu, mas não veio a mim. Até esperei um abraço dela. Parece que ela estava com o marido, não lembro. Foi a última vez que a vi. Lembro dela até hoje. Gostaria de poder reencontrá-la, nem sei o motivo. Acho que ia perguntar se ela ainda lembra do beijo roubado. Ah, eu ia esquecendo de citar o nome dela: Rita. Mas eu a chamava de Ritinha. Ela era conhecida assim: Ritinha.

Tanto tempo já se passou, bastante tempo mesmo. Até gostaria de falar de alguns momentos brincalhões que tivemos, mas não recordo com precisão, acho melhor não falar. Quem sabe um dia eu a encontre...?...

Adenildo Lima

Milow - Ayo Technology

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Carma indolente

Era exatamente meia-noite, quando o poeta Pedro Alcântara da Cunha Cesar decidiu deixar de escrever poemas. Estava com cinquenta anos de idade. E trinta de vida ativa na poesia. Tinha cinco livros publicados. E um deles vendeu mil exemplares (acho que vender mil exemplares de um livro de poemas é o sonho de todo poeta). Foi o livro "Por detrás da face humana". Esse livro tinha poemas que mostravam, para um bom leitor de poesia, que detrás da face humana existe uma máquina. Só que pior do que uma máquina, pois além de ser uma máquina, tem um cérebro pensante cheio de ideias falsas e covardes, capaz de matar o seu próprio semelhante, apenas por inveja. Mas pedro era apenas um poeta. Um simples poeta.

Como qualquer artista, sonhava em ser reconhecido, ainda vivo. E sabia que isso é difícil de acontecer. Poucos conseguem. Via o ser humano com um olhar cauteloso. Sabia que ao mesmo tempo em que o humano procura interpretar as ações, é insensível à poesia da vida. Ele também descobriu que viver é uma caminhada árdua no corredor da morte. Todo ser humano caminha para a morte, dizia ele. E acrescentava "Por mais que queiramos fugir, estamos sempre no corredor, no corredor da morte". Muitas vezes ele brincava com a estupidez humana: "O que leva o homem ou a mulher a ter orgulho e se achar melhor do que o outro? Que estupidez! essas pessoas não passam de meros bonecos fabricados pelo sistema; aliás, somos o quê, a não ser um mero produto fabricado pelo sistema? Alguns até conseguem fugir dele mas dificilmente não é atingido, por isso prefiro parar de ser poeta".

Essa foi a decisão dele, deixar de ser poeta. E aqui entre nós, amigo leitor, poesia serve pra quê?

Ah, depois que ele deixou de escrever, morreu, mas nunca deixou de ser poeta.

adenildo lima

domingo, 29 de maio de 2011

amor à parte

dois amores
um à parte
outro partido
amor assim
parte o coração
de um lado
alivia a dor
de outro lado
a dor aumenta
amor assim
deixa o coração
numa tormenta

adenildo lima

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O que é normal?

A noite cai. A menina continua sentada, ali, naquela calçada fria. As pessoas passam e passam e não a percebe. É normal para a época em que vivemos. Normal?

adenildo lima

quarta-feira, 25 de maio de 2011

memoria

algum dia lembraremos dos momentos vividos. é uma maneira de trazer o passado para o presente. alguns chorarão, outros abrirão risos e gargalhadas de felicidade. já outros, chegarão à conclusão que deviam ter vivido mais. mas a vida é o que vivemos. assim como o passado que não existe, existem apenas lembranças guardadas em nossas memórias que memoria algum momento alegre ou triste, levando-nos para uma esperança nova. os amigos também ficarão nas lembranças. alguns serão reencontrados, mas outros nunca mais serão vistos. e isso não quer dizer que eles não são mais amigos. a nossa memória guardou isso. há sonhos, há lembranças, há luz no fim do túnel; há sempre uma esperança. quantas vezes vamos nos decepcionar com o ser humano? mas todos nós também somos humanos, ou, ditos, humanos. só sei mesmo que devemos fazer as coisas por amor. e isso basta. mas isso é no meu ponto de vista. já que você é uma outra pessoa e, inteiramente, diferente.

adenildo lima

terça-feira, 24 de maio de 2011

quintal

na eira ladeira bananeira asneira
flor de jasmim em mim esperando sim
teu sim enfim assim goteira na beira

imagens guardadas e relembradas
de cada instante do amor em mim
plantado e colhido naquelas estradas

que chamo de amor na dor e na flor
em cada espinho vivido amado e sofrido
recordo teu olhar e sinto teu calor
adentrando mi'alma em cada beijo colhido

mas a infância se perdeu na adolescência
de criança em mim só o amor revivido
e nascido na lembrança de uma fantasia
dessas recordações que em mim têm surgido

adenildo lima

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Fragmentos

Ela queria de mim uma resposta. E eu respondi que amo sem nenhuma pretensão, que não espero nada da pessoa amada. E, aliás, nunca faço nada esperando alguma coisa em troca. Se alguém se aproxima de mim esperando alguma coisa está enganado, não tenho muita coisa a oferecer. Sou simples, não tenho dinheiro e muito menos patrimônio. Tenho transparência, não sei se isso serve. Principalmente hoje onde tudo é questionado. Verdade não existe mais. Talvez verdades. Mas a verdade de cinco minutos atrás, já perdeu a verdade para uma nova verdade, ou, que se diz verdade. Estamos vivendo em tempos de perguntas. E até mesmo as perguntas são questionadas. As referências estão ficando todas marrotadas, desfiguradas, mascarada. E quando ela me perguntou qual resultado eu espero por alguma coisa que faço. Sinceramente não espero nada. Faço por amor. E o que devemos esperar em troca quando fazemos algo por amor? O outro lado da face do amor deveria ser a mesma face que você viu no outro lado. Mas o amor também está perdendo o seu sentido real. Mas quem sou eu para falar de amor se apenas amo? Talvez isso seja papel para os estudiosos, já que é lei na academia falar sempre segundo fulano. Que assim seja né, se é segundo fulano eu não respondo por nada. E assim as responsabilidades de construir um mundo mais justo está perdendo o valor. Eu podia ter mostrado pra ela um poema. Mas as pessoas hoje não têm mais tempo para a leitura de uns versos. Poema exige reflexão e refletir exige tempo. E já não há mais tempo. E todo tempo do mundo está sendo controlado. E não somos nós que o controlamos. Sei que vou continuar sem respostas, e espero continuar assim já que considero as minhas palavras como simples sementes soltas no vento. Algumas ganham sentido, outras nem nascem. Mas isso não me preocupa, continuo fazendo a minha parte. Mas que neste momento lembrei dos lábios carnudos daquela morena sentada na outra mesa do bar, lembrei, sim. E assim sigo vivendo nesses fragmentos.

adenildo lima

paralamas do sucesso e zé ramalho - mormaço

costumo dizer que no brasil tem milhares de cantores bons, mas, para mim, zé ramalho é excelente.

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adenildo lima

sábado, 21 de maio de 2011

Pedidos de desculpa

Desculpa, eu nunca quis que fosse assim, mas quando estamos apaixonados não passamos de crianças querendo colo. E choramos e brincamos e gritamos e esperneamos à espera de um abraço. Lembro dos milhares de e-mails que te mandei; você nem dava a mínima. E eu te peço desculpa pelo incômodo. Hoje descobri que para quem ama e está apaixonado não existe idade. Mas não lembro mais de você, como antigamente, tenho-te apenas como uma vaga lembrança do passado. Desculpa.

adenildo lima.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Parabéns, profa Amanda Gurgel - ASSISTAM!! É PRECISO...

Amanda, professora no estado do Rio Grande do Norte, faz um desabafo diante da secretária da educação e dos deputados. Amanda falou o que milhares de professores gostariam de falar. Mostrou para o mundo que realmente é uma professora, e é de professores assim que o Brasil precisa. Ah, como eu gostaria de um dia poder ter esta oportunidade que você teve, Amanda, mas me sinto realizado por você. Meus parabéns e orgulho por ti.

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adenildo lima.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Algumas fotos da 3ª palestra realizada na E.E. Beatriz Lopes

Nestas palestras trato dos temas: Violência nas escolas, a importância da participação da família no ambiente escolar, faço uma breve apresentação do papel do professor mediador nas escolas, dou ênfase a importância do diálogo para resolução de conflitos entre tantos temas mais....

Algumas fotos da 3ª palestra realizado na E.E. Beatriz Lopes

Os monstros brincalhões

Andamos cansados, e como esta correria nos cansa. Olho para os lugares e vejo milhões de caminhos na minha frente. Preciso escolher um que me leve onde eu possa banhar os lábios com água e matar minha sede. Começo a caminhar lentamente, já que estou cansado. E caminhando devagar consigo enxergar muitos dragões esperando apenas por um descuido meu para me devorar. Uns monstros saltam e ficam me observando, enquanto caminho. De repente, mais uma vez, e mais outra vez vários caminhos surgem. Preciso tomar uma decisão. Preciso escolher uma estrada que me leve a um lugar onde eu possa sentir o ar fresco do tempo e um respiro de sensibilidade misturada com liberdade. Caio. E nem percebi que tinha caído. A luta do dia a dia me levou ao chão por alguns segundos. Sim, por alguns segundos. Um dragão se aproximou e verificou se eu estava morto, ou inteiramente desprovido de idealismo. Não, eu não estava. Em seguida vários monstros vieram. E mais uma vez quiseram me destruir. Mas perceberam que eu estava forte. Pois o dia a dia pode até me levar ao extremo do cansaço, e até mesmo ao estresse, mas jamais terá forças para me domar. Enquanto temos ideais e objetivos, os sonhos nos fazem ganhar asas e transportar montanhas. Pois viver na verdade é nada mais ou nada menos do que nunca perder a esperança de que amanhã o sol nascerá, mesmo que esteja uma tempestade e você não possa vê-lo, mas ele nascerá.

adenildo lima.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A morte do eu

Juliana nunca conseguiu entender o motivo do desaparecimento do seu diário. De repente ela se viu perdida e sem história. No lugar do seu nome, tinha um número. No lugar do seu olhar, tinha vários olhares observando-a. Ela não lembrava mais do passado, não lembrava mais de nada vivido, só lembrava apenas que nunca fez algo para cumprir uma pena. Sonhou em ter asas para voar, estava por detrás de quatro grades de ferro. Pensou em voltar para amamentar seu filho de 8 meses, mas já não tinha mais filho. Lembrou dos amigos e amigos e amigas, mas já não tinha mais amigos. Perguntou-se o que fazer? Não encontrou respostas. O eu existente nela, já não existia mais, estava morto, tinha sido assassinado. Precisava recomeçar sua vida, ou, aliás, nascer, ali, presa entre quatro grades. O estado que ela tanto lutou para fazer algo pela sociedade, colocou-a ali. E alguns falaram que ela podia se defender. Se defender de que se não fiz nada? Esta era a pergunta, a afirmação: Não fiz nada. Mas com o tempo ela acabou acreditando que era culpada, pois já não acreditava mais na tal sociedade. E foi quando ela depois de 10 anos saiu da prisão. Ela não era mais ela. Tinha morrido. Aquele Eu dentro dela não existia mais. E agora o que fazer para viver neste mundo estranho? Perguntou-se.

adenildo lima

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Cinzas e asfalto

Pessoas vão e vêm num passo apressado na correria que a vida persiste. O farol se fecha, as buzinas abuzinam transformando o silêncio da cidade em um barulho atormentador. Uma criança bate no vidro do carro de um bacana. A porta está sempre fechada. Já o farol se abre, mas continua fechado para ela. Uma garoa fina começa a cair. Uma notícia dizendo que alguém morreu. E este alguém era próximo de quem ouvia. Questionam a vida. Questionam a morte. Questionam a loucura do século 21. Questionam tudo. Só esquecem mesmo que podem fazer alguma coisa. Mesmo que não seja lá muita coisa. A criança cresce. E dizem que ela virou doutora. E muitos doutores continuam achando que o importante da vida é ter um título. Tantos símbolos, e não passam de símbolos. E o advogado preza o poder. Desculpa, doutor. A garoa continua. Mais uma criança nasce nos desprezos da vida. E aquela, descobriram que era doutora para sua mãe, pois lutava contra tudo para salvá-la da fome, da miséria, do descaso público. E eu já nem sei o que dizer quando todos abraçam as flores e esquecem de apreciar os espinhos. É preciso saber que toda verdadeira flor tem espinhos, ao contrário, não se engane!

Mas neste momento o que eu quero mesmo é que cada um faça a sua parte, e que nunca se permita à parte.

adenildo lima

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Respetiando as diversidades, eliminamos a violência...

Abaixo seguem algumas fotos da palestra que proferi hoje, a segunda, na E.E. Beatriz Lopes. Nestas palestras procuro tratar a importância do diálogo para resolução de conflitos no ambiente escolar, dou destaque a figura do professor mediador escolar e comunitário. Faço um breve resumo sobre Bullying etc.. Está sendo bem legal...

Eu e a professora mediadora Ilza na palestra de hoje

Respeittando as diversidades, eliminamos a violência...

Alunos do 3º ano do ensino médio

terça-feira, 10 de maio de 2011

você e você e você

sei que você acha que te esqueci, pois faz tempo que não escrevo aquelas lindas palavras de amor direcionadas a você. não sei, mas acho que você nunca aprendeu a valorizar todo aquele amor que continua sendo este amor. também sei que você teve medo de levar adiante aquele sentimento, que não vou descrever aqui, e a vida vai passando e tantas coisas boas deixamos de viver. perdemos de sentir os nossos lábios unindo os nossos corpos, perdemos de viver um amor tão atraente, sincero e amigável. você sabe que nas noites solitárias lembro de você? e lembro de tudo o que não vivemos. sendo sincero muitas vezes imaginei-me andando de mãos dadas com você, e sempre tive medo de algum dia vê-la dividindo isso com outra pessoa, que podia ser comigo. não que eu seja egoísta, mas te desejei várias vezes ao meu lado caminhando por aí, dividindo a mesma sala de um cinema, debatendo as mesmas maneiras de brincar com as coisas ruins da vida. e a vida é uma loucura, mas nós perdemos de viver tantas coisas boas, mesmo vivendo bastante. mas quero que saiba que não sou eu o culpado. você sempre soube que tudo isso esteve em suas mãos, mas nunca deu a atenção necessária, talvez por medo, talvez por se achar incapaz de levar esse amor adiante. você sabe que adiante é sempre um passo que podemos dar.

você e você e você um dia sentirá falta de tudo o que não vivemos, mas não se sinta culpada: um passo adiante é sempre um novo caminhar.

adenildo lima

legião urbana - eu era um lobisomem juvenil

"... se você quiser alguém pra ser só seu é só não se esquecer eu estarei aqui..."


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segunda-feira, 9 de maio de 2011

jogo de baralho

a vida é um jogo de baralho com milhões de cartas.

adenildo lima

sábado, 7 de maio de 2011

nupcias de amor

os casais celebram neste momento as nupcias de amor e vivem o gozo celebrado da esperança de uma vida feliz. ana ainda se sente menina aos 29. e elias disse que a vida começa aos 40; mas ele tem apenas 35 anos. casou por um motivo de honra para a família, mas nunca pensou em casamento. o sonho dele sempre foi viver as nupcias de um amor estrambulante, daqueles soltos numa noite estrelada. ana sempre foi a menina da mamãe, a filhinha do papai. cursou direito, namorou mais de 4 anos o mesmo rapaz. acabou! teve medo de ficar encalhada. e correu desesperadamente para casar. encontrou elias. e elias queria nunca a ter encontrado, pensou enquanto subia ao altar. mas a vida é assim mesmo, disse ele, cheia de aventuras. e essa também era mais uma aventura vivida, mesmo sabendo que seria um grande sacrifício sacrificar suas noites estreladas; noites de amor.

elisabeth já tem 6 anos e nayara 8. os pais já são pais. e os filhos seguem os passos que um dia foram traçados por eles. elias brinca no parque. ana ainda sonha com pedro nos seus braços amamentando, mas o leite dos seus peitos já não amamentam mais. a vida é realmente uma incognita.

adenildo lima

as duas faces do amor

deixei de falar a língua dos anjos
prefiro a língua das prostitutas
elas conhecem o amor
em suas duas faces

adenildo lima

convivendo com a morte

não tenho pressa
tenho ciência que morro
a cada dia que vivo

adenildo lima

silêncio sinistro

prefiro o barulho das crianças
ao silêncio dos adultos

adenildo lima

um deus mudo e outro morto

o universo acadêmico é um excelente lugar
para não deixar morrer os deuses
difícil mesmo é permitir
que algum deus vivo se expresse

adenildo lima

formigas

as pessoas são como formigas num formigueiro
basta olhar a movimentação numa estação de metrô
só que ao contrário das formigas, sem união.

adenildo lima

sexta-feira, 6 de maio de 2011

logos e o dia

quando o diálogo acontece
o dia logo amanhece

adenildo lima

quarta-feira, 4 de maio de 2011

poemas novos

deixei de escrever poemas novos
estou aprendendo a rever cada momento
poemas novos podem ficar velhos demais
se por um acaso o poeta se enganar com a realidade

mas poeta é um fingidor, já dizia fernando pessoa
poemas novos não constroem novas felicidades
e felicidade para quem esqueceu de vivê-la
ficou bem no passado

prefiro molhar a face na correnteza de um rio
a escrever um poema novo
o gostoso da vida é o renovo
o beijo rebeijado na mulher amada
o abraço reabraçado nos velhos e tão novos amigos

o sonho ressonhado sempre

e sempre que renovamos
surge sempre um sorriso novo
e um sorriso novo não é um poema novo

novo mesmo é a maneira de viver
que inventamos todos os dias
revivendo o passado

e o passado é tão presente
ausente mesmo é o presente
que deixamos de viver

pois o futuro está desenhado nos sonhos
de quem ainda não aprendeu a amar

e amar só se ama no presente

um poema novo?
que novo seja sempre o jeito de enxergar as coisas...

adenildo lima

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

HOJE, DIA 4 DE MAIO DE 2011, PROFERI UMA PALESTRA NA E.E. BEATRIZ LOPES, FALANDO SOBRE A IMPORTÂNCIA DO PROFESSOR MEDIADOR NAS ESCOLAS, COMO UM MEIO PARA PREVENÇÃO CONTRA ATOS AGRESSIVOS NO AMBIENTE ESCOLAR. ENFIM, UM BATE PAPO COM OS ALUNOS. ESSA FOI A PRIMEIRA DE MUITAS OUTRAS QUE IREI REALIZAR NA E.E. BEATRIZ, AO CONVITE DA DIREÇÃO E DA PROFESSORA MEDIADORA ILZA.















adenildo lima

terça-feira, 3 de maio de 2011

Uma canção de amor

Como eu queria em todos os momentos da minha vida cantar o amor. Como eu queria tirar de mim os momentos de angústia... mas talvez não seja tão ruim assim os meus momentos descabidos comigo mesmo, pois até na minha expressão de ódio; é puro amor. Fico revoltado com a desigualdade humana, com o abuso de poder que o ser humano usa para tentar inferiorizar o próximo. Sei que sou um mero sonhador perdido neste planeta, talvez. Mas como eu gostaria que você cantasse junto comigo uma canção de amor. De um amor puro e sincero, sem interesse, apenas uma canção de amor, onde a melodia não tivesse tons desiguais, e mesmo tendo que fosse para harmonizar melhor o ritmo. Sei que não sou nenhum santo e muito menos um diabo mas desde o meu nascimento sonho com olhares que se abracem, que se beijem, que se amem sem precisar os bens materiais do outro. Sonho também que os chefes deixem de ser chefes e passem a ser líderes. E você que me olha, não me olhe pelos cabelos arrepiados eles não são a minha identidade mental. Não me olhe pelo meu jeito de moleque; não sou. Sou criança. E como seria bom se todos fossem crianças.

Mas cantar ainda é um dos meus desejos maiores. Sei que cantando posso entrar calmamente na sua intimidade infinita.

adenildo lima

Outros mundos

Lisa sentiu vontade de viajar para outros mundos. Outros mundos devem ser melhores do que esse que eu conheço. Estava com 31 anos de idade. Solteira. Sonhava em casar o mais rápido possível, mas não tinha mais esperança. Acordou de madrugada. O tempo estava aproximadamente uns 10º. Vestiu sua blusa quente, pegou sua bolsa, e saiu rua afora. Estava caminhando sem destino, pensava ela. Enquanto caminhava lembrou de Kléber, seu namorado há mais de dois anos. Sentiu uma vontade imensa de pegar o celular em plena madrugada e ligar para ele para terminar. Não fez isso, disse em seu silêncio que estava decidida a deixar tudo para ir conhecer outros mundos. Conhecer outros mundos era tudo o que ela sonhava. Pegou um taxi e foi para o aeroporto. Comprou a passagem e depois de duas horas já estava voando. Lá em cima sentia-se longe de tudo, nem lembrava dessa vida corrida e cheia de obstáculos. E olhava pela janela do avião querendo alcançar o infinito. O infinito parece que não existe, disse ela. Sem perceber sentiu cair de seus olhos uma lágrima. Pensou em voltar para seu habitar, mas resistiu e disse não. Vivemos rodeados de inimigos, em quem mais confiamos, com o tempo descobrimos que não podemos mais confiar e nunca devíamos ter confiado. As pessoas se aproximam d'agente por puro interesse. Aliás, o ser humano é individualista por natureza, e tudo o que faz é apenas para erguer seu ego, seus desejos..., pensou, ali, enquanto o avião rompia as nuvens. Depois dormiu, sem perceber. E o avião já deve ter pousado em algum lugar do planeta.

adenildo lima

domingo, 1 de maio de 2011

São Paulo, 1 de maio de 2011.

Prezada Nathalia Albuquerque,

Essa noite pensei bastante em tudo o que aconteceu nesses dias em que estivemos juntos. Sim, sei que o nosso relacionamento durou menos de seis meses, mas aproveitamos bastante. Afinal aproveitar a vida ao lado de alguém não é viver uma eternidade, e sim, viver bem os momentos em que estão juntos. E nesta carta quero deixar claro que sempre te amei, não apenas pelos ensejos da paixão. Sempre admirei em você a sua sensibilidade, é isso que prezo nas pessoas, pois um ser insensível é tão igual ou pior a um robô, uma máquina ambulante por aí.

Talvez você até fique brava com o que vou tratar agora, mas peço que me entendas. Ontem você ficou chateada quando eu disse que precisavas ser menos emotiva, que precisavas aprender a controlar a emoção, pois tentar agir com a força do poder, mata aos poucos a menina humana que és. Gostaria que parasses para pensar um pouco sobre isso, não quis ser rude contigo, e muito menos chato, mas como somos amigos, me senti nesse direito, e sei que no fundo no fundo entendes.

Todas as vezes que deixamos de analisar bem as coisas e impomos poder, não deixamos de ser meros seres brutos; é assim que eles se comportam e agem. Nathalia, você sabia que quando terminamos o nosso relacionamento eu pensei que nunca mais eu fosse falar contigo, por tudo o que aconteceu? Mas depois parei, pensei com calma, aceitei suas palavras de carinho e reconciliação, mesmo sabendo, na época, que nunca mais pretendia namorá-la; mas o tempo muda bastante o rumo das coisas, né mesmo?

E esta carta, na verdade, Nathalia, é uma maneira de ir ao seu encontro, já que nunca tive coragem de falar olhando dentro dos seus olhos que és muito especial para mim. E que podíamos parar mais um momento e, talvez, dar continuidade ao nosso relacionamento. Não que eu queira te convencer a isso, mas nos damos tão bem. O que passou, passou... essas coisas acontecem. Recordo cada momento em que dormíamos juntos, nossos corpos colados e unidos como se fossem apenas um, e era, na verdade. Nossos beijos ardentes, calientes como dois adolescentes descobrindo os prazeres da vida. Lembro cada momento. Sei que você também recorda. Se eu lembro, imagina você! Mulheres guardam cada momento vivido. Sei que você guardou, sim.

Deixo aqui em aberto um encontro para conversarmos sobre isso que falei nesta carta.

Carinhosamente,
de alguém que te admira muito,
Roger Cortez.

Por:

adenildo lima