domingo, 17 de abril de 2011

o palco

acordar, deitar, dormir, levantar, andar, deitar, dormir, levantar... são rotinas do dia a dia, e a vida vai passando pela janela do olhar escondida e oculta em alguma lacuna existente. o beijo da mulher amada, passa a ser o beijo maldito, muitas vezes. o esconderijo do mandante passa a ser o medo dele mesmo. o sorriso da criança perde o sentido quando ignorado pelos adultos, e tão poucos adultos conseguem perceber aquele sorriso. uma cachorra perdida, na rua, abraça o primeiro ambulante que passa, e o tem como dono. deita em seus braços, beija o seu rosto; procura um carinho, um abrigo, pois sabe que está perdida, e sente medo... e o medo é a derrota de quem nunca teve a coragem de conhecer a vitória, mas aquela cachorra não tem esse medo, e ela vai à busca da vitória, de um abrigo, de um abraço, de um sorriso, talvez escondido na janela oculta de um humano perverso. acordar, deitar, levantar, dormir, levantar... são relapsos que vivemos todos os dias, mas o artista no palco faz o seu show, o público vai ao delírio e alguma música faz uma moça chorar, e só ela sabe o motivo daquelas lágrimas, mas aquelas lágrimas são observadas por alguém que na plateia também é público, só que poeta, e aos poetas é dado a sensibilidade de capitar as coisas, talvez consideradas mais simples, ou até sem valor para muitos. o artista apenas está no palco fazendo a sua parte, cansado, sorridente; brincando de ser feliz. e como a arte é inexplicável, o artista em si é apenas um humano sofredor cheio de dores e delírios da vida, mas a arte que ele faz serve para alegrar uma multidão. e eu que também sou público digo: que gosto mesmo é do palco, já que o espetáculo da vida é viver. e talvez o nomde daquela cachorra passe a ser vitória, pelo menos para mim.

adenildo lima

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