segunda-feira, 11 de abril de 2011

o império das máquinas

uma folha caiu em plena avenida, no meio de centenas de carros parados pelo trânsito misturado com um estresse nos olhares perdidos e solitários. uma criança bate na porta de um bacana e oferece uma bala doce com um sorriso de esperança e transbordando uma inocência ferida. a folha é levada pelo vento e, ali, só o tempo percebe a existência dela. são cinco horas da tarde, os faróis se abrem, se fecham. vêm e vão carros de todas as qualidades. dona lourdes espera o ônibus chegar. sem querer, seus olhos enxergam seus patrões vindo. passam em seu carro e nem um sorriso deram. mas ela sabe que eles fingiram. o ônbus chega, lotado, um espaço apenas não sobra para dona lourdes encaixar seu corpo, mas empurrada pelos demais, consegue entrar. a criança continua tentando vender sua bala doce com aquele sorriso de esperança transbordado no olhar. mas os bacanas fecham os vidros dos carros. e a folha tenta encontrar algum lugar naquela avenida. já dona lourdes sofre apertada dentro daquele ônibus, vendo a vida passar em cada esquina. já os bacanas, controlam tudo em um simples aperto num botão.

adenildo lima

Um comentário:

Márcio Ahimsa disse...

hoje eu estava pensando, o homem é a alma das coisas, dos objetos. Os homens morrem, mas as coisas continuam e podem durar uma eternindade, como as pirâmides do Egito, as ruínas de Machu Picchu. E essas coisas vão escravisando a carne humana século após século.