terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Milhões de faces

Menina, você ainda é muito jovem para entender a vida. A vida é uma criança malvada. Sei que você pode até dizer que não existe criança malvada; será? A vida é uma metáfora, meu bem, assim, como o amor. Quem o entende? A vida é como a madrugada para quem habita nas ruas. E quando o frio vem? E quando a noite cai? Onde buscar um cobertor? Sabemos que a noite é carinhosa; sabemos. Não, não me olhe desse jeito, esse seu jeito sem jeito até me parece perfeito para despertar em mim mais um sentimento de amor. Será que você sabe o que é amar? Para amar é preciso ter o dom. Pior que ainda guardo as lembranças de nós dois.

Mas lembranças são apenas lembranças que fazem despertar momentos bons ou ruins. E todos os momentos ruins são bons para despertar alguma coisa em nós. Mas não me leve muito a sério, como você sabe, sou poeta, e como você deve saber ainda mais do que escreveu Fernando Pessoa, o poeta é um fingidor. Talvez eu esteja querendo falar de outra coisa neste texto, e desabafo por detrás de palavras feitas por mim, cabe a você fazer, sua leitura.

Um texto tem milhões de faces. Costumo dizer que depois de publicado, ele não tem mais a cara do autor, tem a cara do leitor. O autor é um ser insignificante, serve apenas para fazê-lo. Já o leitor, tem até o direito de escolher o melhor para si.

Assim como o amor que tem a face que você tem. Já o meu amor é apenas meu, por isso, divido-o com quem bem quero.

adenildo lima

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