domingo, 27 de fevereiro de 2011

Caos na rua 21

Caminhando pelas ruas vejo tantos olhares perdidos, e num espelho qualquer, o meu. Uma criança me oferece um bom-dia. Rimos juntos sem entender bem o que sentimos, mas sabemos que um sorriso é tudo o que nos resta, e aquela criança me transmite um pouco de esperança naquele riso meio sem graça, mas tão sincero. Percebo que as casas continuam no mesmo lugar, mas em alguma janela um olhar não existe mais, e existem tantos olhares solitários. Olho de relance para a calçada, alguns jovens discutem sobre a existência de Deus. Eu apenas pergunto para mim mesmo: qual a importância de discutir a existência de Deus? Existem tantos deuses vivendo por aí na fé de quem acredita e, ainda mais, existem tantos abandonados esperando por um Deus, melhor seria que todos pudessem amar, e amar apenas é tudo o que eu quero.

No espelho um olhar mostra uma jovem cansada, revoltada com as consquêncisas do tempo, com a imposição dos deuses. Uma lágrima cai daquele olhar, e nele é possível perceber um sentimento humano. E ser humano é tão difícil. A rua continua sendo pisada pelos calçados daquela menina. Parece que a menina já não existe mais. A rua curva numa curva de uma esquina qualquer. No outro lado uma avenida enorme com milhares de carros. A criança cresceu e perdeu aquele sorriso inocente e tão humano. Um ônibus para no ponto e dezenas de pessoas tentam entrar. O espelho mostra a luta pela sobrevivência, pois viver já não vivemos mais. Eu continuo caminhando. Dois pássaros se beijam, um casal briga... mas não precisa correria; o trânsito está parado.

adenildo lima

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