domingo, 27 de fevereiro de 2011

Caos na rua 21

Caminhando pelas ruas vejo tantos olhares perdidos, e num espelho qualquer, o meu. Uma criança me oferece um bom-dia. Rimos juntos sem entender bem o que sentimos, mas sabemos que um sorriso é tudo o que nos resta, e aquela criança me transmite um pouco de esperança naquele riso meio sem graça, mas tão sincero. Percebo que as casas continuam no mesmo lugar, mas em alguma janela um olhar não existe mais, e existem tantos olhares solitários. Olho de relance para a calçada, alguns jovens discutem sobre a existência de Deus. Eu apenas pergunto para mim mesmo: qual a importância de discutir a existência de Deus? Existem tantos deuses vivendo por aí na fé de quem acredita e, ainda mais, existem tantos abandonados esperando por um Deus, melhor seria que todos pudessem amar, e amar apenas é tudo o que eu quero.

No espelho um olhar mostra uma jovem cansada, revoltada com as consquêncisas do tempo, com a imposição dos deuses. Uma lágrima cai daquele olhar, e nele é possível perceber um sentimento humano. E ser humano é tão difícil. A rua continua sendo pisada pelos calçados daquela menina. Parece que a menina já não existe mais. A rua curva numa curva de uma esquina qualquer. No outro lado uma avenida enorme com milhares de carros. A criança cresceu e perdeu aquele sorriso inocente e tão humano. Um ônibus para no ponto e dezenas de pessoas tentam entrar. O espelho mostra a luta pela sobrevivência, pois viver já não vivemos mais. Eu continuo caminhando. Dois pássaros se beijam, um casal briga... mas não precisa correria; o trânsito está parado.

adenildo lima

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Arquivo N da Globo News entrevista C. Drummond de Andrade

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uma prosa em versos

o amor é uma folha jogada ao vento
natália
lembras dos momentos em que ficamos juntos
dividindo sentimentos e dores tentando vencer os espinhos
nas flores
era manhã, ou quase manhã
quando aquela folha ficou dançando igual uma bailarina no ar
confessei que estava apaixonado
você disse que apenas me amava
amar amamos a nossa mãe
o nosso pai
os nossos irmãos
os nossos amigos
e até mesmo o animal de estimação
mas deixo claro que estou apaixonado
pois para se apaixonar precisa amar
e para amar precisa se apaixonar um pouco mais
ah, a folha voando parece divertido, mas não adianta fugir
não adianta se esconder por detrás da amizade
amizade não pode ser máscara para esconder um sentimento de amor
natália
amizade, muitas vezes, é um grande alicerce para uma paixão

agora fuja de você mesma já que tem medo do espelho

adenildo lima

As sem-razões do amor - C. Drummond de Andrade

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

a via láctea - legião urbana

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O valor das coisas

Para que servem as palavras? - perguntou-me um senhor. Respondi que elas servem para aquilo que queremos que elas sirvam, e acrescentei dizendo que tudo o que existe serve conforme a escolha de cada um. E assim surgem as pessoas boas e más. Assim digo que não são as coisas que são ruins, somos nós que as usamos conforme os nossos interesses. E só!

adenildo lima

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

não chores mais - gilberto gil

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uma canção que fale de amor

quero compor uma canção que fale de amor, assim como as canções dos pássaros que encantam quando cantam com o encanto dos seus cânticos.

adenildo lima

domingo, 20 de fevereiro de 2011

lanterna dos afogados - paralamas do sucesso

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São Paulo, 20 de fevereiro de 2011.

Minha querida Clarice,

Neste momento, aqui, diante da máquina, veio-me uma lembrança boa: você. Passaram-se tantos anos, nem sei se você ainda lembra de mim, mas quero dizer que nunca te esqueci. Nunca! Lembro daquela noite em que você me levou para o seu apartamento. Conversamos bastante; bastante mesmo! Nos beijamos, nos beijamos, nos abraçamos, e ficamos rindo da vida, olhando a imensidão do tempo através daquela janela. E logo em seguida fui para casa.

Você pediu para eu ficar, para dormir contigo, disse, até, que queria fazer amor de verdade, pois fazia muito tempo que não vivia isso, um amor de verdade. Ri, e disse que não podia, e fui embora. Lembro que ficastes chateada. Olhei teus olhos olhando para mim. Tão lindos! Ah, e aquele corpo deslumbrante diante de mim, ali, com os bicos dos seios pontudos pela transparência de sua roupa. Lembro perfeitamente aquele momento.

Sei que o tempo foi passando e a cada dia mais que se passava você se sentia apaixonada por mim. E eu morrendo de medo de me envolver contigo. Sim, Clarice, eu tinha medo, e você sabia disso. Eu, um simples jovem, vivendo uma experiência louca naquela casa, ali, como segurança. E vendo você saindo a noite toda com vários homens. Confesso que tinha medo. E você sabia, eu sei que você sabia.

Lembro das madrugadas em que nós dois ficávamos, ali, conversando, eu encostado e você diante de mim. Muitas vezes você ficava sentada no sofá e me olhava como se eu fosse um santo. Ficava assustado. Tinha medo. Percebia o teu olhar apaixonado, a tua vontade de viver um verdadeiro amor numa transa, como você mesma falou.

Sim, lembro que você falou que eu só não te queria pelo motivo de sua profissão. Fui sincero, e confirmei. E agora estou imaginando aquela cena, seus olhos derramando lágrimas de verdade. De verdade. Pensou em me abraçar. Pensou em sumir. Pensou em deixar de viver. Eu percebi. Suas lágrimas eram verdadeiras. E muito! Agora eu imagino o quanto você deve ter sofrido, mas como te falei, eu tinha medo. Medo de verdade. E você ajudou a superar aquele medo.

Clarice com seus 23 aninhos, sonhando como toda mulher sonha, o sonho de encontrar um grande amor, acreditando cegamente que eu era ou seria essa pessoa. Ah, Clarice, como fui apaixonado por você. Você se mostrava tão humana, doce, tão amável. Me desculpa se te fiz sofrer. Eu tinha medo!

Mas acredito que valeu a pena aquele momento de amor que tivemos. No momento em que eu tirava sua roupa, fiquei pasmo, senti seu corpo tremendo, e o seu coração batendo forte. Perguntei a mim mesmo: como pode uma mulher tão vivida sexualmente ficar assim? Parece que você me ouviu, pois ao falar ao meu ouvido dizia que nunca tinha amado, que nunca tinha sentido o que estava sentindo naquele momento.

Depois daquela noite, percebi que a história mudou um pouco, você passou a ter medo, pois se sentia inteiramente dominada pela paixão. E resolveu sumir. Nunca mais tive notícias suas. Espero que estejas bem, já que eu também tive medo, e acredito que o medo ajudou a nós dois.

Mil beijos,

Guilherme.

por adenildo lima

depois da tempestade

mesmo depois da tempestade, ainda há um sorriso de esperança no olhar das pessoas que perderam o sentido de sonhar, mas o sonho é tudo o que nos resta, e uma tempestade não pode levar o sorriso de uma criança, pois mesmo chorando, nela, há poesia e motivos para viver. a tempestade não pode destruir a força dos pés que tem uma mãe. ela sabe que acreditar vale mais do que apenas esperar. e acreditar é ir em frente e enfrentar o que está além do olhar. a tempestade neste momento é forte, e esta lágrima que cai dos meus olhos vale mais do que um rio.

a tempestade já invadiu o mar, o rio... formando uma barreira, mas não posso parar de sonhar. sonhar é tudo o que me resta

... sonhar...

adenildo lima

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

pra não dizer que não falei das flores - geraldo vandré

hino nacional contra a ditadura militar no brasil.

"Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão..."

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"Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão..."

"...ainda fazem da flor seu mais forte refrão..."

aos artistas é dado o dever de despertar na humanidade "que cruzar os braços diante da luta" é morrer e tornar-se cadáver ambulante, em vida.

o meu pai um dia me disse que essa era a música mais saudosa que ele achava, e sempre pedia pra eu cantá-la no violão. essa música, também, na minha vida, tem uma grande história.

adenildo lima

o artista na pista

o artista encena na cena da vida. o artista sofre na realidade vivida. o artista precisa existir, muitos falam. o artista na pista da lista arrisca nos versos versificados com sangue e lágrimas. o aritsta é apenas um ser que existe, muitas vezes, para você perceber a diferença de ser racional e irracional.

e amar já não é mais para os amantes passou a ser uma necessidade para quem tem sensibilidde.

adenildo lima

nunca serão - com imagens do filme tropa de elite - gabriel o pensador

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racismo é burrice - gabriel o pensador

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um diálogo com joão

eita, joão, como as flores e folhas secas no chão passam despercebidas. antes, quando elas estavam na árvore as pessoas até ficavam debaixo para usufruir de sua sombra. como as coisas são, joão, poucos percebem que aquela árvore pode voltar a sorri com suas folhas e flores soltas ao vento. hoje, ela está sozinha, você percebeu, joão? percebeu, sim, você é um cara sensível, e amigo.

as amizades são passageiras - será joão? como vamos saber né, é difícil penetrar a alma das pessoas. e pior, elas usam máscaras. você viu a árvore? quando ela estava com as folhas e flores dando alegria para quem passava por aí, era querida. hoje, parece que ela nem existe mais.

mas vamos esperar a primavera, pois as raízes continuam vivas...

adenildo lima

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

R.E.M. - man on the moon

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as velhas cartas de amor

quando estamos cansados e oprimidos (da vida) acordar já não faz mais sentido e viver é uma luta constante hoje abri os olhos e tive raiva do tempo de mim das coisas da vida do existir até mesmo do sonhar pensei em ficar deitado esperando passar toda a turbulência mas o avião no ar não pode parar e pousar em qualquer lugar pode ser fatal afinal não posso ser tão covarde assim de ter medo de mim enfim espero o teu abraço nesses enlaços que chamamos de vida que ao acordar sonha em buscar fonte no nascer do sol só que o sol não existe mais e a noite está muito fria nesse calor enorme que me atormenta como flechas que me afugentam os sonhos os desejos medonhos ensejando alguma lembrança das velhas cartas de amor que já não escrevo mais pois não sou capaz de criar um verso que possa ter sentido neste universo que me encontro agora embora saibamos que tudo acaba uma hora mas já são duas da madrugada e me encontro em plena tarde do existir em mim vendo o dia entardecer e a noite me assusta talvez seja o frio que ela traz neste colibri que passa pela janela dando-me boa-noite na esperança pequenina de voar por cimas das navalhas que me ferem aos poucos nesse sufoco que só eu e eu posso viver jamais compreender talvez entender já que não vejo nem pontos nem vírgula nessa partida

adenildo lima

retrovisor

levei uma vida para dizer que te amava
e você levou apenas um segundo
para dizer que não valeu a pena

apenas riu de mim
assim
enfim
viver é um caminho cheio
de pedregulhos
embrulhos

um dia o teu orgulho passeará por ali
do outro da rua
te verei nua

e sem alma à busca da calma daquele amor
que plantei aos poucos para te entregar

te entregar como
flor

levei uma vida sonhando em ter-te nos braços
nos abraços mais loucos enlaçados nos laços
de um acalentar carinhoso e gostoso no gozo

do amor

mas você levou apenas um segundo para desapenar
a minha pena de amar
que amando me fez ganhar asas
para em teus braços voar

mas para quem ama tudo vale a pena
já que a pena
ganha asas e voa

adenildo lima

Tempos remotos

Estamos em pleno século 21, e este não é mais tempo de esperar, e muito menos, tempo de sonhar. Pelo menos é o que ouvimos, através de outras palavras, ditas por aí, por muitas pessoas. E este, ao meu ponto de vista não é mais tempo moderno, pós-moderno ou contemporâneo. É, na verdade, tempo em que a humanidade precisa de diálogo. Sim, diálogo. Sem ele, os conflitos ganharão mais vida, ganharão mais forças.

As pessoas estão cada vez mais taciturnas e estranhas com elas mesmas. E, também, solitárias. E não falo de uma solidão; aquela em que muitos usam como sinonímia, a falta de um amor. Não, não falo isso, falo da solidão que está presente no próprio olhar, na maneira de andar e no jeito de não saber mais amar. Mas como amar?

Talvez eu também não saiba, mas estamos vivendo em tempos remotos, e de controles remotos. Tempos em que as pessoas não se olham mais. Talvez possamos chamar de pós-modernidade, e é, como sempre chamo este século 21. E precisamos do diálogo para todas as situações, pois precisamos trocar a palavra punir por ouvir, principalmente nas escolas.

Tantas pessoas nesse tempo remoto já perderam os sonhos. E correm, e brigam, e disputam por um espaço. um espaço inteiramente individual.

Este já não é mais tempo de disputar termos, e sim, de olharmos um pouco mais para dentro de nós mesmos.

adenildo lima

Eddie Vedder - trilha sonora do filme "Comer, rezar, amar".

Para quem ainda não assistiu, assistam! É um excelente filme, gostei muito. Uma aluna comentou comigo que o livro, também, é excelente. Ainda não li.

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Milhões de faces

Menina, você ainda é muito jovem para entender a vida. A vida é uma criança malvada. Sei que você pode até dizer que não existe criança malvada; será? A vida é uma metáfora, meu bem, assim, como o amor. Quem o entende? A vida é como a madrugada para quem habita nas ruas. E quando o frio vem? E quando a noite cai? Onde buscar um cobertor? Sabemos que a noite é carinhosa; sabemos. Não, não me olhe desse jeito, esse seu jeito sem jeito até me parece perfeito para despertar em mim mais um sentimento de amor. Será que você sabe o que é amar? Para amar é preciso ter o dom. Pior que ainda guardo as lembranças de nós dois.

Mas lembranças são apenas lembranças que fazem despertar momentos bons ou ruins. E todos os momentos ruins são bons para despertar alguma coisa em nós. Mas não me leve muito a sério, como você sabe, sou poeta, e como você deve saber ainda mais do que escreveu Fernando Pessoa, o poeta é um fingidor. Talvez eu esteja querendo falar de outra coisa neste texto, e desabafo por detrás de palavras feitas por mim, cabe a você fazer, sua leitura.

Um texto tem milhões de faces. Costumo dizer que depois de publicado, ele não tem mais a cara do autor, tem a cara do leitor. O autor é um ser insignificante, serve apenas para fazê-lo. Já o leitor, tem até o direito de escolher o melhor para si.

Assim como o amor que tem a face que você tem. Já o meu amor é apenas meu, por isso, divido-o com quem bem quero.

adenildo lima

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

The love

The Love is my friend

But he is very bad

I want to play with him

I want to study the love.

Do you want?

Let’s go!

I’m not alone,

But want to love.

Please!

I don’t understand

The love.

Help me!

adenildo lima

si tu te vas (se você se for ) - enrique iglesias

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Tradução: adenildo lima

se você se for

se você se for
levará meu coração
e eu sem ti
não sei pra onde ir

se você se for
nunca poderei te esquecer
e fico aqui
só pensando em você

se você se for
a dor me consumirá
nenhum dia a mais
poderei viver sem você

minhas lágrimas formarão um mar
nadarei sem descansar
esperando você chegar

é que estou imaginando o final
e me dá medo pensar
que este dia pode chegar

se você se for

se você se for
todo o meu valor se vai
e eu sei que
nunca encontrarei outra igual

(...)

OBS: não é uma tradução nos moldes exigidos, na verdade, fiz mais no meu estilo.

adenildo lima

qualqu'un m'adit - carla bruni

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É preciso viver intensamente

Enquanto sonhamos, a vida passa lentamente como a luz. Viver é como está apaixonado pela primeira vez.

adenildo lima

Imagine - John Lennon

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sueño

ría
la vida es bella
el amor
un caracol
vivir
un sueño

pétalos y flores
amores y dolores
colores

vivir
es un sueño
el amor
piedras y ladrillos

vivir el un sueño
sueño
esperanza

mejor vivir

adenildo lima

Uma flor

Neste momento gostaria de escrever um texto que falasse de amor, apenas de amor. Mas é tão difícil falar de amor em tempos de guerra. Uma tempestade forte vem adentrando o mundo daquela criança, ainda tão inocente. Mas ela sobe no mais alto do prédio e fica sonhando que nasça flores no chão de concreto. Um senhor passa e diz que é lindo os sonhos das crianças. E sonha em ser criança também.

Uma bala perdida vem e acerta o peito dela. Ela cai lentamente no chão de concreto. E o concreto abala com a queda. Uma mulher vem e se desespera com o encarnado cinza correndo pela calçada. Mas a criança continua sonhando que ali nasça flor. Chorando, a mulher vai embora. A criança continua ali, deitada sobre a calçada.

Alguns dizem que não foi uma bala, foi apenas o sonho de uma criança sonhando que no chão de concreto nascesse uma flor.

E uma flor nasceu no outro lado da rua. E muitos passaram, mas nunca conseguiram enxergá-la.

Ah, uma flor. Logo eu que queria escrever um texto que falasse apenas de amor.

adenildo lima

Vamos fazer um filme - legião urbana

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"e hoje em dia como é que se diz eu te amo?"

Dust in the wind

Em algum lugar do universo a vida começa para alguém, e para muitos, termina. Assim é o círculo do existir. Estar sozinho, prender-se consigo mesmo, muitas vezes parece uma saída. Mas não há saída enquanto não tivermos controle da chave. Só que neste momento prefiro a solidão. Não que eu esteja sozinho, é que estou cansado de tantas máscaras nos rostos humanos. E já que todos os meus amigos morreram, ou nunca existiram, abraço o vento misturado com a poeira que ainda restou, no que chamo de esperança. Natália, e nem mesmo aquele beijo pode fazer com que eu mude de opinião, não é que eu não goste de você, aliás, nem nos conhecemos bem, mas tudo bem, assim é a vida.

Natália hoje deve ter acordado e deve ter lembrado de mim. As mulheres são românticas, e as verdadeiras mulheres levam o beijo tão a sério, e isso é muito importante. Pena que no momento prefiro poeiras soltas ao vento. Pior é se Natália nunca existiu.

Hoje quando acordei, fiz questão de observar o sol nascendo, até lembrei de nós dois, daqueles tempos em que o sol era ponto chave no nosso amor. Acordávamos e quando víamos o sol lembrávamos um do outro. E à tarde, aparecia a menina lua, e eu lembrava de você, sabe, tão carinhosa. Mas a vida passa, e tudo passa, e tudo muda, e tudo vai embora. Hoje até mesmo o sol não teve mais o mesmo brilho, não é que o sol tenha perdido o seu brilho, mas as coisas existem conforme a nossa existência, e neste momento nem sei se existo para você e você para mim.

Às vezes acho que tudo o que eu falo, ou escrevo refletem alguma coisa que eu já vivi. Sinceramente não sei, são apenas palavras, e palavras não terão nenhum valor, se ao contrário, não tiverem o nosso respaldo. Peço desculpas pelo meu jeito agressivo, não é culpa minha, acredite, no fundo no fundo você sabe que sou uma pessoa boa, isso é, se podemos chamar alguém de bom. Mas como disse um dia um colega meu "sua alma é maior do que mundo". Acho que ele tem razão. Só que a vida é dura "viver é foda, morrer é difícil... vamos fazer um filme", como dizia Renato Russo. Melhor mesmo é fazer um filme, pois a realidade transformada em ficção é tão perfeita.

É, o dia vai passando, mais uma semana começa, mas acho mesmo que nada começou...

Importante é que o fim não existe, quando ele chega, é hora de começar.

adenildo lima

domingo, 13 de fevereiro de 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Despedida

São Paulo, 12 de fevereiro de 2011.

Prezada senhorita C,

Há alguns dias estive pensando. Pensei no passado, no presente e no futuro. Nenhum deles me convenceu. Resolvi, e acho que a melhor solução é uma despedida, mesmo que seja doída para nós. Sei que nos amamos muito, e como a gente ainda se ama. Mas como você sabe, existem momentos da vida que precisamos tomar decisões, e esse para mim, é agora.

Quero te pedir que me esqueça, que faça de conta que nunca me viu antes, que tudo o que vivemos foi apenas um sonho que passou no despertar do sono. Você precisa seguir novos rumos, e eu, preciso seguir o caminho que aparecer em minha frente. Sei que será difícil, mas você precisa entender que nós não podemos mais caminhar de mãos dadas por aí. Sim, não podemos mais, e você sabe o motivo. E se algum dia me encontrar sozinho pelas calçadas e ruas da cidade, não fique triste, e muito menos tenha dó de mim, saiba que estarei feliz, e muito! A solidão é um momento bom, é através dela que se aproximamos mais de nós mesmos. Sim, é através dela.

Siga seu caminho, esqueça aquela noite de amor que tivemos. Esqueça os nossos diálogos e planos. Esqueça tudo, só não esqueça que nos amamos, e muito! E ainda a gente se ama, sabemos disso. Mas existem momentos na vida que precisamos tomar decisões. Talvez você se sinta culpada, e na verdade foi você que escolheu assim, se não estava mais satisfeita com o nosso relacionamento - algo que você jura que está muito bem -, não precisava fazer o que fez. Não precisava.

Você traiu o que de mais importante um ser humano tem: a dignidade, o caráter. Mas não se lamente com isso, afinal somos humanos, e fracos, todos podemos passar por um momento desses. E quem disse que não? Eu mesmo posso passar, com certeza, mas não pretendo.

Te peço, também, que não me procure mais, ficar sem notícias suas é melhor para mim, acho que para nós dois. Foi bom tudo o que vivemos, mas viver é isso mesmo, é cada segundo que estamos vivos, precisamos aproveitar. E muito! E aproveitamos, você sabe disso.

Sem mais palavras de alguém que te amou além da própria imaginação,

Vinicius.

Por adenildo lima

DUST IN THE WIND - PAULA FERNANDES

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Gosto da voz dela, já faz um bom tempo. Ela com seu jeito misterioso, trazendo, assim, um olhar carente e encantador, deixa-a ainda mais, mais bonita.

adenildo lima

O sonho desnecessário

No meio a tantas guerras, não é mais preciso sonhar. O sonho passa a ser algo desnecessário. O que precisa mesmo é ir a luta. E como o povo tem poder. Aliás, eu sempre digo que o poder é do povo. Que me perdoem os intelectuais em suas ilustres poltronas, eles não dizem nada, são meros vermes esperando pela morte que nem eles mesmo sabem. Mas o poder é do poder. Fico emocionando vendo uma multidão de gente pelas ruas, gritando, chorando, clamando por dias melhores.

dias melhores

Uma criança diante do exército com uma lágrima caindo em sua face, por mais que os soldados sejam máquinas, por um segundo eles pensam que ainda podemos ter esperança, mas infelizmente o homem - a humanidade - é uma máquina construída pelos moldes impostos e postos pela dita sociedade que controla, poucos que lutam contra, muitas vezes, não conseguem alcançar o amanhecer. E tudo passa a ser metáforas, até mesmo no olhar daquela menina apaixonada por mim, jurando que me ama e, na verdade, nem sabe diferenciar o que é amor e o que é paixão, mas ela afirma que ama. E se é assim, tudo bem, enquanto acreditamos tudo existe, da nossa maneira.

Já a loucura não é mais abstrata. Poucos são os loucos, e muitos são os covardes, mas nos quatro cantos do mundo há uma guerra, e não é uma guerra de amor, por isso, prefiro as borboletas voando nos jardins a esses míseros seres humanos que só pensam no poder, no poder, no poder, no poder de ter mais e mais e mais... poder...

E em algum lugar algumas pessoas comemoram alguma coisa. E eu perdi o medo de me apaixonar. E a vida me olha com mais cautela. E eu abro os braços, mas a mesma menina que jurava amor e paixão por mim, não existe mais, ou, talvez, exista, nessa lembrança relembrada agora por mim. E neste momento aplaudo o povo do Egito. E neste momento digo que uma abelha é bem mais inteligente do que o ser humano. Alguém já parou para observar o que ela faz? Alguém já parou para observar a casa de um beija-flor, construída por ele?

Tudo o que fazemos por amor não é pecado, desde que não tenha a intenção de ferir, ou ferir, pois sonhar é desnecessário.

adenildo lima

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Caçador de mim - Milton Nascimento e Fabiano Medeiros

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As idas e vindas da vida

As idas e vindas da vida é realmente um grande ponto de interrogação sem respostas. Hoje prefiro as folhas em branco, elas me dizem bem mais do que as escritas, já que palavras são apenas palavras e, agora, busco o infinito. Uma rua com o nome de alguém, dando-lhe homenagem, não me interessa, o que me interessa neste momento é poder caminhar no vão.

As idas e vindas da vida é, sem dúvida, um grande caminho sem começo e sem fim, mas talvez, os cadáveres que são lembrados pelos vivos estejam felizes, já que os vivos vivem tão complexamente enrolados com os sonhos, e já que os sonhos, também, é uma grande ilusão; e os mortos nem sabem que os vivos estão lembrando deles. Mas o que me incomoda mesmo é este ponto de interrogação (?) : - Um amor não correspondido; um sonho não encontrado, apenas sonhado; um pai que partiu, e nunca mais voltou; os sorrisos das pessoas falsas e covardes; o néctar dos pingos de orvalho querendo me dizer alguma coisa, e eu sem conseguir entender; uma partida, uma ida, uma volta, uma subida, uma descida... no final tudo isso chamamos de vida. E o ponto de interrogação com uma exclamação bem grande ao seu lado me atormenta um tanto e quanto.

As idas e vindas dos poetas ambulantes são verdadeiros momentos de amor jamais entendidos pela sociedade. Quem entende as míseras metáforas de um poeta? Nem ele mesmo, pois sabe que o importante não é entender, e sim, viver. E viver é tão díficil, já que para quem parte não sabe o aconteceu. Mas o amor, caro amigo, é uma grande rosa cheia de pétalas e espinhos. Mas, afinal, o que é o amor? Logo eu que nunca amei, logo eu que nunca acreditei, nem mesmo na essÊncia das flores, como posso perguntar o que é o amor? ... Logo eu, que talvez esteja lendo agora...

As idas e vindas das paixões interrompidas são verdadeiros tópicos de um novo amanhecer, mas eu prefiro as folhas em branco, elas me dizem bem mais, já que busco o infinito. Será que o infinito existe? O que existe afinal? Talvez uma lâmpada acesa, um candeeiro apagado por não ter mais querosene, em cima da mesa.

E não sei se é pior ou melhor isso que nunca consigo esquecer: que era pecado beijá-la no altar da capela, ela disse. E eu fiquei me perguntando: como pecado se tudo o que é feito com amor é sagrado? Mas acho que ela esperava mesmo era ser beijada no dia do casamento. Já que casamento também nunca existiu...

... e assim é as idas e vindas da vida...

Ah, tinha esquecido de falar que a correnteza levou o piano, e agora como poderei cantar aquela canção?

adenildo lima

Catedral - R. Russo e Zélia Duncan

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O entregador de flores

O nome dele era Jodi, aparentava ter 75 anos, aproximadamente. Tinha barbas grandes, cabelos brancos e costumava andar com uma bengala. E mesmo velhinho nunca deixou de trabalhar, todos os dias ele levava uma cesta cheia de flores para que fosse distribuídas para os clientes do hotel; esse era o seu trabalho.

Michael era um escritor que estava hospedado naquele hotel para cumprir uma agenda de palestras. Toda manhã, normalmente, ele ficava sentado na recepção do hotel, observando as pessoas entrando e saindo. E aquele senhor era quem mais lhe chamava a atenção. E ele, Michael, fazia questão de ajudá-lo, quando ele chegava com aquele monte de flores na cesta. O senhor apenas sorria, e balançando a cabeça o agradecia.

Michael ficava encantado com aquele senhor. O senhor também se encantava com ele. Um dia aquele senhor resolveu chamá-lo, para conhecer a casa dele. Chamou-o usando a linguagem de sinais, pois disse que era mudo e surdo, como Michael entendia a linguagem conseguiu se comunicar com ele. E aceitou o convite.

Michael teve uma surpresa muito grande ao chegar na casa dele. Aquele senhor entrou no quarto e nunca mais voltou. Mas em seguida veio uma moça de cabelos loiros, olhos verdes, com aproximadamente um metro e setenta de altura e muito sorridente. Se apresentou para Michael. Michael perguntou onde estava o senhor Jodi. Ela disse que descansando. E ficaram conversando por um bom tempo.

E algo aconteceu. Ela disse que estava apaixonada por ele. Mas como? ele perguntou, já que fazia pouco tempo que se conheciam. Ela disse que sempre o admirou, pois aquele velhinho que ele conhecia era ela sem aquela máscara.

Michael quase desmaiou...

adenildo lima

Monte castelo - Legião Urbana

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mi ausencia

mi ausencia es por amor
corrí para llegar más cerca de ti
disculpen por mi ausencia
te quiero
te amo y muy
pero yo estoy bien
el amor es como una flor
tiene pétalos y espinas

adenildo lima

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

À procura de algo

Vivemos sempre procurando alguma coisa: um sorriso perdido numa esquina qualquer, um abraço apertado e sincero de alguém especial, o olhar atraente e sedutor de uma mulher. Vivemos sempre procurando alguma coisa. E deixar de procurar é parar no tempo já que viver é uma busca constante!!!

Amor pode até não ser tudo, mas sem ele, um corpo nos padrões das normas ditas e ditadas pela sociedade é apenas uma moldura sem conteúdo, e sem nenhuma pitada de poesia ...

adenildo lima

LOOKING FOR SOMETHING - BANDA ERA

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Mother - Banda ERA

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Lapsos

A morte é um lapso da vida, que passa tão rápido que você não consegue enxergar o que aconteceu. É um segundo vivido vindo depois de milhares de horas. A dor mesmo é para quem fica, pois ficam as lembranças de tantos momentos felizes e, quem fica, não quer acreditar que aquilo aconteceu, e até pensa que poderia ter mudado aquela história.

Para quem foi, tudo bem, nem sabe o que aconteceu, apenas partiu para nunca mais voltar. E toda partida é um pouco triste, até mesmo quando, muitas vezes, é por motivos de felicidade. Viver é uma tarefa difícil, como costumamos dizer, é uma luta constante.

Sei que precisamos viver, pois quando perdemos alguém próximo parace que a vida perde o sentido. Sim, é viável e compreensível a tristeza, os lamentos e as dores. E é compreensível também que soframos por amor.

E nos cemitérios estão todos intactos, já que lá é um lugar realmente democrático.

adenildo lima

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

They don't care about us - Michael Jackson

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Espetáculo!

A vida é um palco e o dia a dia um grande público. Precisamos fazer espetáculos direto, ao contrário, os produtores nos cobram. Há milhões de pessoas nos observando, esperando apenas que o salto alto ou baixo escorregue na passarela. E comentários daqui, e comentários dali. E a passarela foi montada para a nossa apresentação no momento em que nascemos. E tenham certeza! eles não ligam pra gente. Eles querem espetáculos, querem que ultrapassamos e ultrapassemos mais de 100% do que podemos oferecer. E se isso não acontece já não servimos mais.

Os produtores exigem uma apresentação além do normal, e eles sabem que o público gosta de espetáculo!!!

adenildo lima

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

clock's - coldplay

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Relógios

É madrugada e, encontro-me aqui, sozinho, caminhando pela estrada afora, sem destino e sem hora embora eu saiba que estou taciturno. Vejo luzes, vejo trevas; temo à solidão deste madrugar, procuro amigos. Todos morreram, ou nunca existiram. Continuo caminhando, lembro de tantas coisas que fiz, e no final, começando aqui, parece que esta estrada não existe, é pura ilusão criada por mim para iludir esta dor.

Em algum lugar ouço vindo as batidas dos ponteiros de um relógio. E ele me obriga a correr mais e mais. Estou cansado, as minhas pernas estão cansadas, mas percebo que não são elas que estão cansadas, é que estou cansado mesmo. O meu olhar procura o chão. Tenho medo de ferir a minha face, me faço forte e obrigo as pernas a caminharem, mas a mente realmente está cansada e fica ouvindo mais e mais e mais as batidas do ponteiro do relógio. A rua se torna cada vez mais deserta e longa. Longa demais!

É madrugada e até mesmo o silêncio me atormenta. E em algum lugar um piano toca. Sinto vontade de chorar, mas já não tenho mais lágrimas, todas se misturaram com o néctar das flores da rua solitária, pois nem mesmo uma criança passa por aqui. Ah, se eu pudesse chorar. Mas de que adiantaria um choro neste momento se o meu lenço o vento levou? Se pelo menos existisse um amigo; pena! todos já morreram ou nunca existiram. Difícil é aceitar o barulho do relógio. Me atormenta tanto.

Caminhando, acho que chego a algum lugar. É impossível alguém se perder enquanto sonha; mas o sonho também é uma grande ilusão. Parece que quer chover, parece que a madrugada quer esquentar o meu corpo com pingos de orvalho. Ah, a madrugada, às vezes ela é carinhosa. E se eu gritar, quem irá me ouvir? Não sei, já gritei tanto, já caminhei tanto, já amei tanto... e nem sei se alguém percebeu. Só o concreto desta estrada pode me ouvir e sentir as batidas dos meus pés aguçando momentos fortes e duros de um caminhante solitário.

Lembro dos sorrisos que já dei, dos abraços que já abracei, dos amores que já amei, mas nem sei se um dia realmente isso existiu, assim, como meus amigos que já não existem mais ou nunca existiram. E será que existem amigos - pergunta o meu coração, mas ele está cansado e sinto que as batidas dele agora se misturam com as batidas dos relógios. Malditos relógios!!!

Sabe, se eu pudesse transformaria esta rua num jardim de flores e ficava apenas colhendo o néctar das gotas de orvalho...

adenildo lima

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Se...

SE algum dia existir um sonho que eu possa sonhar, peço que não me permita que eu sonhe sozinho. Quero sonhá-lo com você, mesmo que não seja o mesmo sonho. Sei SE algum dia você conseguir enxergar uma lágrima caindo dos meus olhos; sei, você não vai ri de mim, pois sabe que é amor. SE a vida duvidar que juntos podemos sonhar, sabemos que um sonho junto já não é mais um sonho, mesmo que não seja realidade, mas está a caminho.

SE alguém ignorar por ainda andarmos acreditando que o mundo pode melhorar, sei que você não vai se recusar de convidá-lo a conhecer o nosso mundo. A vida passa muito depressa numa pressa que regressa SE deixarmos-a ir livremente sem a força da mente.

SE você entendesse a minha ausência talvez conseguisse entender o que é um verdadeiro amor...

adenildo lima

Se - Djavan

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Ponto de partida

Diante de tantas batalhas e correrias no dia a dia, sonhar continua sendo o meio mais viável para subir a montanha. Mesmo que seja com uma pedra nas costas (lembrando o mito de sísifo), mesmo que seja subindo e descendo todos os dias, pois no momento em que chegamos lá em cima vemos a pedra descer, voltamos cansados, depois de um breve descanso, e pegamos novamente a pedra, e subimos, subimos. O suor desce face abaixo, o cansaço nos atormenta, e tantas lembranças vêm. É nessa hora que descobrimos que o sonho também é uma grande anestesia.

E num piscar de olhos já estamos com trinta anos. E, em mais um piscar de olhos, estamos com quarenta anos. E a vida vai passando muito rápido pela janela dos olhos. Alguns têm filhos, para não morrer tão jovem - assim é a procriação da natureza -, outros procuram ajudar ao próximo para sentir sentido na inútil existência de viver. Outros mais, abraçam o universo para ganhar voo. E nos voos vemos a vida passar muito rápido e nem percebemos. É aí que resta os sonhos.

Sonhar ainda é um meio de não sentir tão forte a dor, sonhar é a partida para um lugar ainda desconhecido. E a imaginação vai criando e recriando imagens boas, às vezes ruins, mas dificilmente para quem sonha vai sonhar coisas ruins, já que o sonho ainda continua sendo tudo, ou quase tudo que nos resta.

E eu aqui apenas espero o seu abraço.

adenildo lima

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A última canção

Falar de amor nunca é fácil, principalmente quando falamos de amor que já não se encontra mais presente. Fica uma saudade, uma lembrança, às vezes boa, às vezes ruim. E é possível ouvir uma canção suave, que talvez tenha sido a última. E eu recordo cada momento que estivemos juntos, principalmente o último momento.

Pedi que ela ouvisse a última canção. A última canção de amor que eu tinha escolhido especialmente para presenteá-la. Aquela música com os acordes do piano tantas vezes me fez ganhar o infinito.

deixe tocar a última música
mesmo que não seja a última
mas eu preciso dizer que quando te olho
me vejo
vejo a nossa alma ganhando voo para abraçar o infinito

deixe tocar a última música
olhe para mim
e veja o quanto te amo
o quanto ainda espero por um momento a mais

ah
teu sorriso
teu olhar
teu jeito de andar

deixe tocar a última música
me abrace mais uma vez
vamos conversar
outra vez
precisamos de um momento a mais
você não pode ir assim
enfim

deixe tocar a última música

adenildo lima

When i look at you - Miley Cyrus

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