domingo, 16 de janeiro de 2011

são paulo, 16 de janeiro de 2011

querida senhorita C,

há bastante tempo espero uma carta sua. abro a caixa do correio. e nada! mas nada mesmo. muitas madrugadas fiquei pensando em nós dois, senhorita C., acreditei por vários e vários dias que irias lembrar de mim. não, não aconteceu. chego a conclusão que és uma pessoa fria, medrosa e assustada com a vida.

poderias até ter me escrevido um e-mail, já que, de repente, o correio estivesse com fila. mas lembro claramente que prometestes que me escreveria uma carta. não se lembras a carta que te escrevi? acho que foi a maior declaração de amor que já fiz a uma mulher. mas hoje chego a conclusão que és fria, medrosa e assustada com a vida. tantos dias se passaram e só depois de muito tempo descobri que usasse a nossa amizade como uma máscara, para fugir da paixão que sempre sentistes, e sente.

desculpa a expressão das palavras, mas eu preciso desabafar. será que é falta de coragem para me escrever? não sei, o que é não me interessa. e muito menos me interessa se estás casada, solteira, viúva, namorando, noiva etc e tal. o que interessa para mim - é que você morreu - , apenas isso! pois me sinto um idiota ter transbordado tantas palavras de amor para alguém igual a você.

você pode até não saber do que estou sabendo, mas me falaram que você disse que eu era bobo em ficar escrevendo cartas de amor. quem nunca sonhou em um dia receber uma carta de amor? quem?! me responde, por favor!

senhorita C, quando acreditei que podia confiar em você, você apenas procurou me enganar, mas saiba que a enganada será você. e sinceramente não me arrependo das cartas que te escrevi. cartas de amor são tão lindas, mostram uma sensibilidade tão humana, tão infantil, tão dócil e doce.

só que chego a conclusão, senhorita C, que só para quem ama pode entender uma carta de amor. e já não espero mais uma carta sua, afinal, só quem conhece o amor pode escrever uma carta de amor.

desculpa, mas esta é a maneira que encontrei para me comunicar com você. e não me canso de dizer que descobri que você é fria, medrosa, tem medo da vida, e quem sabe, frígida. pois aos frígidos é viável tentar se esconder por detrás de alguma máscara. assim, eu te compreendo.

Vinícius.

adenildo lima

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