sábado, 22 de janeiro de 2011

Mayara

Para quem conheceu Mayara, sabe do que este texto trata, pois em alguns momentos é possível que alguém que o leia diga: jamais isso seria possível acontecer! Mas a vida é cheia de surpresa, cheia de mistérios para serem desvendados a cada segundo que vivemos. Eu sei que pesa um pouco ter que retratar este tema, através da escrita. Sim, eu sei que pesa e muito, só que a escrita me liberta um pouco, me tira um pouco do sufoco vivido. E quem sou eu?

Até o momento o momento quem está lendo não me conhece. Diria a você que também me conheço muito pouco, até mesmo por ser muito crítico com tudo o que faço ou deixo de fazer como, por exemplo, eu me sinto culpado de algumas coisas diante do acontecido com Mayara. Para mim, digo com toda franqueza do mundo: é a mulher mais bonita que já conheci! Aqueles cabelos soltos por cima dos ombros, aquele olhar sedutor, aquela voz suave e doce, aquela pele macia e, principalmente, o sorriso dela. Ah, como sou apaixonado por aquele sorriso!!!

Nem sei direito por onde começar para descrever tudo o que aconteceu com a gente. Sei dizer que foram momentos maravilhosos. Maravilhosos mesmo! Nunca brigamos, até parece mentira. Vivemos nove anos juntos, seis de namoro, dois de noivados e um de casado. Aqui, com certeza, já começamos pensar sobre o que realmente aconteceu. E como pesa eu ter que descrever isso.

Éramos amigos - como todos sabem - de uma grande amizade há grandes possibilidades de se transformar em namoro. Primeiro pelo simples motivo que é o da admiração, o da convivência, o do carinho nas horas difíceis. E, em segundo lugar, é o momento em que nos deparamos diante da pessoa que passamos uma eternidade sonhando em encontrá-la. De repente a gente descobre: é ela! sim, ela, e eu nem tinha percebido.

Foi assim que aconteceu, fomos criados, praticamente juntos. Brincávamos, estudávamos, íamos para o colégio. E depois que crescemos começamos a frequentar teatros, shows, cinema, passeios. Sim, PASSEIOS é a palavra chave. Até poderia ter citado a palavra PARQUE, mas vou deixar como passeio mesmo.

Era um dia de sábado, sol estava deslumbrante e fomos. Ela me ligou na sexta à noite, na verdade nem foi à noite, era madrugada, acho que duas horas. Ela estava cansada do trabalho, tinha trabalhado muito durante o dia, pois o setor onde exercia sua função era muito estressante, lidava com o público. Sei que ela me convidou e eu aceitei o convite.

Adiantando um pouco a história, sei o quanto somos curiosos para saber como tudo vai terminar, vou adiantar, na verdade nem é adiantar e sim, voltar. Eu gostava dela, e sabia disso. Algo meio pulsante em mim dizia que tudo o que eu sentia era mais do que uma grande amizade. Parei até alguns dias para pensar sobre isso, mas nunca levei mesmo a sério, e até desconfiava que ela também era apaixonada por mim, mas, sei lá, é complicado.

Chegamos no parque, sentamos na grama, ficamos conversando por um bom tempo. Depois ela abriu a bolsa, tirou um chocolate branco e me deu. E eu adoro chocolate branco, acertou em cheio. Comemos, e continuamos o nosso diálogo. Em seguida levantamos e fomos passear pelo parque. Muito de repente, por uma força mais forte do que ela mesma, pegou minha mão, olhou dentro dos meus olhos e disse: "Não dar mais para ficarmos fingindo que somos apenas amigos. Nós somos apaixonados um pelo outro. E não diga nada". Fiquei parado sem reação. E dela recebi as carícias daqueles lábios. Doces lábios!

Depois ficamos uma hora mais ou menos calados. Sem nenhuma palavra. E voltamos para casa. E a partir desse dia começou o nosso namoro. E namoramos durante seis anos. Depois noivamos e ficamos durante dois anos. E em seguida casamos. E o casamento que era para ser o início, foi o fim. Ah, e tudo isso pesa em mim. Fico sem palavras para resumir toda uma vida.

Um dia eu estava passeando à toa, sem querer nada, apenas passeando para despertar o tempo. Vi uma multidão de gente numa rua qualquer. Fui até lá. Na verdade nem gosto de fazer isso, nunca gostei. Mas fui. Ao chegar estava deitado um corpo. E sabe de quem era o corpo?

É, você acredita que sabe, mas eu digo que não, você ainda não sabe. Não era o corpo dela. Era o corpo de um rapaz, ainda bem jovem.

Com poucos minutos depois fiquei sabendo que ele foi assassinado por uma jovem de vinte e cinco anos de idade. E o nome dela era Mayara. E sabe o motivo que a levou a fazer isso?

Não, não sabe, eu também não sabia. Eles eram amantes há um bom tempo. E ela propôs que ele ficasse com ela. E ele disse que estava vivendo apenas uma boa aventura. Foi aí que ela usou do que tinha além do cérebro: uma arma. Era delegada. E eu estou tentando acreditar see esta história realmente aconteceu, ou foi mera ficção criada por mim.

adenildo lima

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