quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ines

Juliane, todo dia, no entardecer, ficava sentada na calçada brincando com a pequena boneca que ganhou de dona Carmem, sua mãe, no aniversário de 5 anos. Corria para um lado, corria para o outro. Ia e vinha, vinha e ia com sua amiguinha nos braços. Beijava-lhe, ria, cantarolava uma canção ninar querendo fazer adormecer a pequena Ines.

Ines era uma bonequinha de cabelos loiros, olhos verdes e um corpo esquelético. Não falava muito, dizia apenas: "Olá, tudo bem?". Era só isso que ela conseguia falar. E Juliane respondia: "Tudo bem, minha amiga."

O tempo foi passando e Ines desapareceu. Juliane já estava com 10 anos de idade. Chorou, gritou, esperneou, xingou..., e não se conformou em perder sua amiga. Aliás, um amigo é algo precioso. Sim, e eu concordo e entendo as lágrimas dela. Mas só depois de completar 18 anos foi que Juliane entendeu a importância que teve, para ela, a perca daquela boneca.

Sim, foi importante, amigo leitor, a pequena Ines ter desaparecido. Juliane viveu uma infância fantasiada, sonhando em ser loira, pois a televisão tantas vezes mostrava aquela bonecas "ditas perfeitas" para ser mostrada numa tela. E dona Carmem só descobriu isso depois que Juliane falou.

Hoje, a boneca loira, de cabelos compridos e olhos verdes não existe no espelho de Juliane. A imagem refletida é de uma jovem forte e decidida com seus ideais.

adenildo lima

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