domingo, 30 de janeiro de 2011

o canto dos pássaros

sentado num lugar qualquer vejo a vida que passa
e que nada passa
mas passa
passa lentamente numa velocidade incontrolável
vejo o sorriso das meninas felizes
e tristes
pois a tristeza também é um disfarce perdido num sorriso
qualquer
e qualquer palavra que você me oferecer neste momento pode ser bem-vinda
a janela continua aberta e os pássaros continuam cantando uma canção ninar
para fazer despertar na criança aquele olhar inocente e tão decente
recente
com a esperança de um velho senhor que passa diante da janela
e eu
sentado num lugar qualquer vejo a vida que passa
e que nada passa
mas que passa velozmente
despertando muitas vezes uma lembrança na mente
de momentos felizes
e uma folha cai em plena praça pública querendo publicar alguma notícia boa
mas os jornais estão todos fechados e calados e rigidamente editados com códigos e leis
e a vida vai passando
sentado num banco qualquer ainda consigo ver uma mulher com seus cabelos negros
e pretos e morenos
com um olhar querendo dizer alguma coisa
alguma coisa que me faz descobrir que ainda continuo apaixonado
e nesses nados enamorados vejo a vida passando lentamente como a luz

adenildo lima

A rua e o quarto

Uma rua por si só já é uma grande festa. O vão infinito que os nossos olhos tentam alcançar dar prazer ficar flutuando na imaginação, ali, sentado na calçada, vendo a madrugada cair lentamente e, de vez e quando um vento para aliviar o bafo quente da temperatura com mais de 30º. E melhor ainda quando podemos observar as ninfetas dançando, mesmo que não seja uma música agradável, com suas roupas curtas e sensuais, tudo isso pode ser um colírio para os olhos.

A rua guarda seus mistérios na imagem de uma ninfa dançando e fazendo encantar a molecada em seu balançar de corpo ao ritmo de um som. Na minha frente, com um shorte curto, com uma roupa pronta para ir dormir, duas pernas com umas coxas interessantes e atraentes ganham a honra de uma carícia de minhas mãos, tudo isso ao som de umas músicas não muito interessante, mas a noite é misteriosa.

E nos mistérios da vida e da rua a madrugada vai caindo cada vez mais e aquela ninfeta rebola e quebra a cintura, uma deusa em figura humana. E muitas pessoas se divertem com seus goles de bebidas. Eu apenas aprecio a flor do campo num quarto onde os ruídos e som passam a ser segredos.

E a madrugada cai lentamente e prazerosa...

adenildo lima

sábado, 29 de janeiro de 2011

É inútil ou não?

Porque eu vivo, não sei. Só sei que vivo, e já que é inútil viver, pra que explicação? Como vim ao mundo, ainda mais, pouco me interessa. Só sei que existe milhões de perguntas formuladas, e sem respostas, então, acho melhor não perguntar. E perguntar a quem? Se você acha que tem amigos confiáveis, tudo bem, se você tem... ou pelo menos acredite, é bom acreditar em alguma coisa.

A vida passa muito rápido e não tenho tempo para ficar me perguntando sobre a existência dela. E também não procuro descobri-la nos livros. Livros não servem pra nada, apenas para seus estudos ou para enganar tua vida que no momento deve se encontrar sem graça ou para dizer que é sabido, inteligente e tentar menosprezar aos outros. Coitados de vocês ditos intelectuais!!!

E vamos lá também falar sobre amor. Qual o amor que existe? O que existe é foda, dinheiro e poder ou você acha que teu homem te ama ou que tua mulher te ama...?... Amor só de mãe, isso é quando algumas loucas não jogam as crianças no lixo. É complicado ficar fazendo perguntas das coisas. Tudo é inútil. Para um pouco agora neste momento e pensa na inutilidade que é viver. Não, você não vai parar. Foda-se! É um direito seu. E tem todo direito de ficar bravo ou brava comigo, afinal sou uma mulher de 33 que parando e observando o tempo que passou - que eu nem vi - que porra eu fiz?

Até estudei, e você pode até não acreditar, tenho até diploma, mas não serve pra porcaria nem uma. Continuo acordando todos os dias para ir trabalhar. E procuro trabalhar com dignidade, se você quer saber, ali, dando uma de ser humano atendo bem a sociedade. Porra de sociedade, pois um idiota que supervisiona o meu trabalho diz que não posso tratar a humanidade assim. Entendeu a minha revolta com a sociedade? Entendeu aquele idiota que se diz cidadão e fica bravo pelo motivo de... foda-se!!!

Pensando bem estou num ponto de largar mãos das ditas amizades. Amizade pra quê? Me responde. Viver solitariamente só, sabe... acho que você não sabe, e de achar que estou louca. Se você for capaz de me dizer o que é loucura, tudo bem... E deve achar também que eu perdi o sentido da vida. Que vida? Explica aí.... Pois é, sabe quem eu sou? Maxsiana Leite Feitosa Sousa.

Por
adenildo lima

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Assistam!!!

O vídeo por si só diz tudo...



fonte: http://www.youtube.com/watch?v=H34mLyobstc

adenildo lima

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

texto 5

sejamos adultos mas sem permitir que a criança morra

adenildo lima

texto 4

poesia é como a vida se não complicá-la é tão simples

adenildo lima

texto 3

amar ainda é o melhor remédio para destruir teu ódio

adenildo lima

texto 2

mãe é igual a flor mesmo com espinhos não perde a essência

adenildo lima

texto 1

enquanto sonhamos a vida passa brevemente se alimentando no próprio sonho de viver (bem)

adenildo lima

sábado, 22 de janeiro de 2011

Mayara

Para quem conheceu Mayara, sabe do que este texto trata, pois em alguns momentos é possível que alguém que o leia diga: jamais isso seria possível acontecer! Mas a vida é cheia de surpresa, cheia de mistérios para serem desvendados a cada segundo que vivemos. Eu sei que pesa um pouco ter que retratar este tema, através da escrita. Sim, eu sei que pesa e muito, só que a escrita me liberta um pouco, me tira um pouco do sufoco vivido. E quem sou eu?

Até o momento o momento quem está lendo não me conhece. Diria a você que também me conheço muito pouco, até mesmo por ser muito crítico com tudo o que faço ou deixo de fazer como, por exemplo, eu me sinto culpado de algumas coisas diante do acontecido com Mayara. Para mim, digo com toda franqueza do mundo: é a mulher mais bonita que já conheci! Aqueles cabelos soltos por cima dos ombros, aquele olhar sedutor, aquela voz suave e doce, aquela pele macia e, principalmente, o sorriso dela. Ah, como sou apaixonado por aquele sorriso!!!

Nem sei direito por onde começar para descrever tudo o que aconteceu com a gente. Sei dizer que foram momentos maravilhosos. Maravilhosos mesmo! Nunca brigamos, até parece mentira. Vivemos nove anos juntos, seis de namoro, dois de noivados e um de casado. Aqui, com certeza, já começamos pensar sobre o que realmente aconteceu. E como pesa eu ter que descrever isso.

Éramos amigos - como todos sabem - de uma grande amizade há grandes possibilidades de se transformar em namoro. Primeiro pelo simples motivo que é o da admiração, o da convivência, o do carinho nas horas difíceis. E, em segundo lugar, é o momento em que nos deparamos diante da pessoa que passamos uma eternidade sonhando em encontrá-la. De repente a gente descobre: é ela! sim, ela, e eu nem tinha percebido.

Foi assim que aconteceu, fomos criados, praticamente juntos. Brincávamos, estudávamos, íamos para o colégio. E depois que crescemos começamos a frequentar teatros, shows, cinema, passeios. Sim, PASSEIOS é a palavra chave. Até poderia ter citado a palavra PARQUE, mas vou deixar como passeio mesmo.

Era um dia de sábado, sol estava deslumbrante e fomos. Ela me ligou na sexta à noite, na verdade nem foi à noite, era madrugada, acho que duas horas. Ela estava cansada do trabalho, tinha trabalhado muito durante o dia, pois o setor onde exercia sua função era muito estressante, lidava com o público. Sei que ela me convidou e eu aceitei o convite.

Adiantando um pouco a história, sei o quanto somos curiosos para saber como tudo vai terminar, vou adiantar, na verdade nem é adiantar e sim, voltar. Eu gostava dela, e sabia disso. Algo meio pulsante em mim dizia que tudo o que eu sentia era mais do que uma grande amizade. Parei até alguns dias para pensar sobre isso, mas nunca levei mesmo a sério, e até desconfiava que ela também era apaixonada por mim, mas, sei lá, é complicado.

Chegamos no parque, sentamos na grama, ficamos conversando por um bom tempo. Depois ela abriu a bolsa, tirou um chocolate branco e me deu. E eu adoro chocolate branco, acertou em cheio. Comemos, e continuamos o nosso diálogo. Em seguida levantamos e fomos passear pelo parque. Muito de repente, por uma força mais forte do que ela mesma, pegou minha mão, olhou dentro dos meus olhos e disse: "Não dar mais para ficarmos fingindo que somos apenas amigos. Nós somos apaixonados um pelo outro. E não diga nada". Fiquei parado sem reação. E dela recebi as carícias daqueles lábios. Doces lábios!

Depois ficamos uma hora mais ou menos calados. Sem nenhuma palavra. E voltamos para casa. E a partir desse dia começou o nosso namoro. E namoramos durante seis anos. Depois noivamos e ficamos durante dois anos. E em seguida casamos. E o casamento que era para ser o início, foi o fim. Ah, e tudo isso pesa em mim. Fico sem palavras para resumir toda uma vida.

Um dia eu estava passeando à toa, sem querer nada, apenas passeando para despertar o tempo. Vi uma multidão de gente numa rua qualquer. Fui até lá. Na verdade nem gosto de fazer isso, nunca gostei. Mas fui. Ao chegar estava deitado um corpo. E sabe de quem era o corpo?

É, você acredita que sabe, mas eu digo que não, você ainda não sabe. Não era o corpo dela. Era o corpo de um rapaz, ainda bem jovem.

Com poucos minutos depois fiquei sabendo que ele foi assassinado por uma jovem de vinte e cinco anos de idade. E o nome dela era Mayara. E sabe o motivo que a levou a fazer isso?

Não, não sabe, eu também não sabia. Eles eram amantes há um bom tempo. E ela propôs que ele ficasse com ela. E ele disse que estava vivendo apenas uma boa aventura. Foi aí que ela usou do que tinha além do cérebro: uma arma. Era delegada. E eu estou tentando acreditar see esta história realmente aconteceu, ou foi mera ficção criada por mim.

adenildo lima

Máscaras do bem

Amigo leitor, começo este texto, mas não tenho muita esperança que ele seja útil para alguma coisa, pois palavras são apenas palavras saídas da boca ou das mãos de um falador, tão poucas ganham voo, outras se perdem antes mesmo que cheguem aos seus ouvidos. E eu fico apenas me perguntando para que servem as palavras. (?) Confesso que não encontro respostas. Continuo falando como um louco perdido num deserto, até mesmo por saber que diante das palavras tudo é incerto. Você, às vezes entende algo fora daquilo que eu estava sentindo quando escrevi. E isso é bom, mostra que as palavras são vivas, e elas cabem perfeitamente no estado em que você está vivendo.

Quantas palavras procuramos para dizer a alguém que a amamos? São milhões e milhões de frases construídas, elaboradas... e na hora tudo é diferente, até mesmo pelo simples fato de muitas vezes confundirmos amor com paixão, paixão com amor, amor com sexo, amizade com vaidade, vaidade com amizade, status...

Mas o complicado mesmo é que sempre falamos coisas bonitas para pessoas erradas. Me perdoem, amigos leitores, quero que divida comigo que é verdade que existem tantas pessoas que não são merecedoras nem de um sorriso seu, meu, nosso. E muitas vezes ficam ao seu lado por puro egoísmo, individualismo, apenas para preencher um vazio, te usando, ou, usando-nos para seus determinados deleites.

Sendo sincero, muitas vezes a solidão é a melhor companheira, pois há momentos que as máscaras não nos satisfazem mais.

adenildo lima

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A paixão

Estar apaixonado é um momento da vida que todos nós queremos, mesmo, muitas vezes, sabendo que esse sentimento fere.

A paixão é como flores soltas ao vento. É um despertar do relógio fazendo com que a gente permaneça acordado, sonhando, flutuando e, na maioria das vezes, longe do próprio eu. Mas se apaixonar é algo que nós precisamos, e se possível, a vida toda.

É tão bom aquelas brincadeiras infantis - pois quando estamos apaixonados somos verdadeiras crianças -, sim, somos verdadeiras crianças sonhando com asas para beijar o infinito. E como é bom a gente se entregar aos momentos bons da vida.

Estar apaixonado é passar horas e horas no telefone e não perceber que o tempo passa, pois na verdade o tempo é apenas um meio para unir os corações enamorados. E que digam os adolescentes que pulam muros e quebram portões para poder ficar um segundo só ao lado da pessoa amada. E quem disse que não sou capaz de fazer isso, mesmo não sendo mais adolescente, pois a minha alma e o amor que me move é uma verdadeira criança querendo braços e abraços da mulher que os meus olhos instigam, levando-me aos delírios da paixão.

E estar apaixonado é não ter medo do perigo, é correr perigo juntos. É deitar em plena calçada e ficar contando estrelas, mesmo que não haja no céu...

Ah, estar apaixonado é tão bom, por isso estou sempre aberto para o amor....

adenildo lima

domingo, 16 de janeiro de 2011

poesia. o que é poesia?

poesia. o que é poesia? eu, sinceramente, não sei, e jamais conseguirei definir. para mim ela existe para ser vivida, sentida, apreciada, e dispensa definições. o que vale um poema? também não sei. para mim vale o ar que respiro. e agora eu pergunto: quanto vale um poema? não conheço poeta que tenha conseguido vender um poema. em toda minha vida só ganhei R$ 100,00 com poesia, e foi através de um concurso do catraca livre. uma amiga me avisou, participei e ganhei, e fiz um bom proveito com o dinheiro, comprei livros.

a poesia é como um feto, se faz, depois nasce. quando adolescentes - acho que todo adolescente já tentou rascunhar uns versos para impressionar tal menina ou tal menino. faz parte da idade, e isso é bom, só que conquistar alguém com poesia em pleno século 21?! desculpa, amigo leitor, mas se alguém conhecer me avise, tudo bem que não vou procurar conquistar mulher com poemas, mas é difícil, inclusive falei isso pra uma amiga. a sensibilidade humana anda tão sem existir por aí.

o importante da poesia é que não serve pra nada; só se você quiser. e não se faz poemas para namoro que acabou, sobre morte, sobre a prostituta na rua, sobre uma criança abandonada. sim, tudo isso têm muita poesia, mas ainda não é arte. a arte é o momento mais íntimo de um ser humano diante dos fatos, aí, ela vai se gerando, se formando, depois nasce. aí, sim, se cada momento for capitado pelo artista, vira arte, ao contrário são apenas cenas e fatos.

uma prostituta numa esquina de uma cidade, tem muita poesia; mas não é arte. uma criança abandonada é uma cena até, diria, que chocante, mas não é arte. a tempestade de um vendaval matando centenas de pessoas, tem muita poesia em todas as imagens vistas, mas não é arte. e o que é arte afinal?

e antes de responder essa pergunta, talvez eu nem responda. quero deixar claro, no meu ponto de vista, e aceito críticas, mas digo com toda veracidade em minhas palavras. um urubu tem muito de arte, mas não é arte. então colocar dois urubus em uma bienal e dizer que aquilo é arte. é o fim! é como se alguém estivesse dizendo que o ser humano perdeu a sensibilidade para fazer arte.

é...

arte só o ser humano pode fazê-la. a natureza, por exemplo, é um poema encantador... mas é arte?

é amigo leitor, o meu interesse mesmo neste texto é não responder nada, afinal é importante que cada um tenha a sua definição. eu rascunho algumas palavras por não ter o que fazer no momento....rs...

ps: ah, gosto muito dessa minha frase destacada em negrito, nem lembro quando a criei, mas a acho tão impactante....

adenildo lima

o sonho de thiago

thiago nunca quis muita coisa, sonhou apenas em poder amar, e amou. sonhou apenas em poder voar, e voou. thiago tinha um acordo consigo mesmo: o de nunca ficar sonhando o mesmo sonho.

adenildo lima

são paulo, 16 de janeiro de 2011

querida senhorita C,

há bastante tempo espero uma carta sua. abro a caixa do correio. e nada! mas nada mesmo. muitas madrugadas fiquei pensando em nós dois, senhorita C., acreditei por vários e vários dias que irias lembrar de mim. não, não aconteceu. chego a conclusão que és uma pessoa fria, medrosa e assustada com a vida.

poderias até ter me escrevido um e-mail, já que, de repente, o correio estivesse com fila. mas lembro claramente que prometestes que me escreveria uma carta. não se lembras a carta que te escrevi? acho que foi a maior declaração de amor que já fiz a uma mulher. mas hoje chego a conclusão que és fria, medrosa e assustada com a vida. tantos dias se passaram e só depois de muito tempo descobri que usasse a nossa amizade como uma máscara, para fugir da paixão que sempre sentistes, e sente.

desculpa a expressão das palavras, mas eu preciso desabafar. será que é falta de coragem para me escrever? não sei, o que é não me interessa. e muito menos me interessa se estás casada, solteira, viúva, namorando, noiva etc e tal. o que interessa para mim - é que você morreu - , apenas isso! pois me sinto um idiota ter transbordado tantas palavras de amor para alguém igual a você.

você pode até não saber do que estou sabendo, mas me falaram que você disse que eu era bobo em ficar escrevendo cartas de amor. quem nunca sonhou em um dia receber uma carta de amor? quem?! me responde, por favor!

senhorita C, quando acreditei que podia confiar em você, você apenas procurou me enganar, mas saiba que a enganada será você. e sinceramente não me arrependo das cartas que te escrevi. cartas de amor são tão lindas, mostram uma sensibilidade tão humana, tão infantil, tão dócil e doce.

só que chego a conclusão, senhorita C, que só para quem ama pode entender uma carta de amor. e já não espero mais uma carta sua, afinal, só quem conhece o amor pode escrever uma carta de amor.

desculpa, mas esta é a maneira que encontrei para me comunicar com você. e não me canso de dizer que descobri que você é fria, medrosa, tem medo da vida, e quem sabe, frígida. pois aos frígidos é viável tentar se esconder por detrás de alguma máscara. assim, eu te compreendo.

Vinícius.

adenildo lima

sábado, 15 de janeiro de 2011

a inutilidade da vida

a vida é uma passagem muito rápida. é um fechar de olhos e já não existimos mais. não consigo entender o motivo das pessoas carregarem tanto orgulho, e se sentirem deuses. não, não consigo entender. não consigo entender a ganância humana, a individualidade. meu deus, como a humanidade é mesquinha! e essas mesmas pessoas que levantam o nariz, que se acham ser melhores do que os outros, na verdade são elas que não servem nem para descarga de uma privada de uma casa de um ser humano.

sim, eu sei que ninguém sabe que a morte existe. ainda bem que ela existe. sim, ainda bem, ela é a única coisa que eu posso dizer que é justa: existe para todos, mas mesmo assim existem alguns seres ditos humanos que disvirtuam até o momento menos doloroso de muitas pessoas.

mas meus amigos não estou aqui para falar da morte, estou aqui para falar da vida. vivam!!! esqueçam a mesquenharia dessas coisas banais que o dia a dia te oferece. de que vale um carro se você não tem paz? é melhor erguer a cabeça e seguir... em paz.

adenildo lima

a vida em letras minúsculas

começo escrevendo este texto, desvendando de mim, um segredo: me sinto mal escrever meu nome com inicial maiúscula. pode até parecer besteira, mas, o fato, na verdade, é que eu não sei explicar o que me leva a isso. aliás, na minha vida tem milhões de coisas que não sei explicar; por isso escrevo. escrever, para mim, é uma maneira de fugir da tal realidade que tantos intelectuais procuram explicar - sendo sincero, não gosto de intelectuais-, ah, eles são chatos! gostaria tanto que a intelectualidade fosse vista como eu vejo. mas cada um cada um.

mas voltando ao tema discutido no início deste texto digo que letras maiúsculas, parece que desigualam a harmonia dos sonhos construídos num texto e num contexto humano. acho tão bonito o meu nome escrito com letras minúsculas. ah, eu gosto, me sinto bem. ocupa um espaço pequeno no universo. e temos tão pouco espaço nesse planeta, principalmente para as pessoas humildes. e ressaltando a palavra humildade, falo dos humildes no sentido dos menos favorecidos mesmo, pois, para mim, ser humilde é o maior bem que um ser humano pode ter na vida. e ser humilde não é ser inferior, e muito menos superior.

às veze eu me pego pensando e até penso ser um único ser solitário. sim, um único ser solitário. não precisa leitor se preocupar em entender essa frase: um único ser solitário. esqueça a gramática, esqueça as regras que tanto nos controlam, já somos tão controlados por esse sistema. vamos começar a valorizar a essência humana. sim, a essência humana. ela é tudo que nos resta nesse mundo de máquinas com tantos cerébros maquinizados. agora volto aos momentos em que me pego pensando comigo mesmo.

eu penso, e acho que penso demais. aliás, não são apenas pensamentos, são sonhos. sonho vivendo num mundo onde todos possam dialogar, possam ser ouvidos, possam expressar seus pensamentos. eu sei que você, amigo leitor, pode até achar isso impossível, mas não precisa a gente querer mudar o mundo; vamos mudar o nosso mundo. se a mudança for interessante, pode ter certeza que muitos entrarão nele, nesse mundo.

é, você percebeu que eu comecei falando da vida em letras minúsculas, e falei tantas coisas.

ah, eu ia esquecendo de falar da mãe. calma!!!

mãe é igual a flor, mesmo com espinhos não perde a essência!

adenildo lima

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Um diálogo a dois e solitáio

Neste momento só lembro de você, meu bem. São lembranças fortes que vêm a mim. Você vem transparente cortando uma multidão de gente. E eu te venero, te admiro; te quero! A noite está com um ar carinhoso, e me abraça me levando em lembranças aos teus braços. O teu jeito de olhar os meus olhos me encanta e me fascina tanto.

Pena que você vem como o vento; são apenas imagens fotografadas de um tempo que não resta mais. E eu tenho medo de chamá-lo de passado, esse tempo. Lembro cada detalhe dos nossos encontros. Será que você lembra aquele dia que falei que você era linda, tão linda quanto os sonhos de um poeta? E eu nem sei se poeta sonha, eles são tão realistas. Mas naquele momento eu falava de uma beleza inexplicável. Ficamos ali sentados bebericando um shop. As pessoas passando indo e vindo vindo e indo, mas a gente nem percebia, pois naquela hora o mundo era nosso; e sempre foi assim em todos os momentos que estivemos juntos.

Ah, lembro de tantas coisas boas que até parece que nunca houve nada de ruim entre nós. Mas houve. Eu estava deprimido, caído, acabado, ferido... e o bom daquele momento foi que você me acolheu, e nem me conhecia, na verdade. Você é diferente de todas que já conheci. Já passaram mulheres em minha vida que me inspiraram tanto, até escrevi versos de amor, mas quem disse que elas entenderam?

Mas entender um verso de amor é para poucos, ou, só para quem ama, né verdade? E você sempre entendeu, acho que foi a única até hoje. Por que você sumiu...?...

Desculpa! Estas perguntas são apenas desabafos meus jogados em palavras ao ar. E, sendo sincero, nem espero que o vento os levem até você. Não reclamo nada do que vivemos. Vivemos tudo o que podíamos. Sim! vivemos tudo o que podíamos. E lembrar, eu quero que saibas, que não é motivo de tristeza para mim, eu me sinto feliz; por isso recordo.

Lembro a gente dialogando sobre o amor. E chegamos a conclusão que o amor é tudo de bom que vivemos. Pois amar é nunca encontrar uma resposta... é viver viver viver... Ah, só um segredo: eu ainda sinto saudades do sabor do beijo que você me negou.

adenildo lima

Média (bonecos uniformizados)

Rasguem-se

O ser

O ser dos olhos sem cérebros

E das mentes deturpadas

E viciadas

Nas regras ditas e ditadas

Pela mídia que na média

Faz uma grande média

Mediando o sorriso

Dos bonecos uniformizados

E das canetas controladas

Desses veículos

Que já têm um texto modelado

E escrito

Com seus vistos

E revistos de um editor

Ah

Para sentir o sabor da língua

Precisamos é de conhecimento

E amor

E aos leitores que ignoram

Um A

No lugar de um E

Ah

como faz falta a leitura

Para interpretar

E aprender

PS:Este poema é uma resposta para as pessoas que continuam ignorando a palavra PRESIDENTA, e têm preguiça de consultar um dicionário.

adenildo lima


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ines

Juliane, todo dia, no entardecer, ficava sentada na calçada brincando com a pequena boneca que ganhou de dona Carmem, sua mãe, no aniversário de 5 anos. Corria para um lado, corria para o outro. Ia e vinha, vinha e ia com sua amiguinha nos braços. Beijava-lhe, ria, cantarolava uma canção ninar querendo fazer adormecer a pequena Ines.

Ines era uma bonequinha de cabelos loiros, olhos verdes e um corpo esquelético. Não falava muito, dizia apenas: "Olá, tudo bem?". Era só isso que ela conseguia falar. E Juliane respondia: "Tudo bem, minha amiga."

O tempo foi passando e Ines desapareceu. Juliane já estava com 10 anos de idade. Chorou, gritou, esperneou, xingou..., e não se conformou em perder sua amiga. Aliás, um amigo é algo precioso. Sim, e eu concordo e entendo as lágrimas dela. Mas só depois de completar 18 anos foi que Juliane entendeu a importância que teve, para ela, a perca daquela boneca.

Sim, foi importante, amigo leitor, a pequena Ines ter desaparecido. Juliane viveu uma infância fantasiada, sonhando em ser loira, pois a televisão tantas vezes mostrava aquela bonecas "ditas perfeitas" para ser mostrada numa tela. E dona Carmem só descobriu isso depois que Juliane falou.

Hoje, a boneca loira, de cabelos compridos e olhos verdes não existe no espelho de Juliane. A imagem refletida é de uma jovem forte e decidida com seus ideais.

adenildo lima

diálogo infantil

"mãe, o que é o amor?"
"o amor é uma coisa boa, meu filho."
"mas, mãe, onde eu posso encontrar o amor, no mercado vende?"
"ham, o quê...?"
"o amor, mãe, vende em algum lugar?"
"amor não se vende e nem se compra, filho."
"mas se faz?"
"ham..."
"tô perguntando se se faz amor, mãe."
"se.... se.... faz.... amor.... mas que pergunta é essa, filho?!"
"ah, mãe, ontem eu ouvi karina dizendo que estava precisando fazer amor."
"ah, filho, você esqueceu que karina é doceira?"
"então amor é um doce?"
"também.... mas agora vamos dormir, amanhã você precisa acordar cedo para ir estudar."
"será que a professora sabe o que é fazer amor?"

adenildo lima

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ensejos

em cada fita
escrita
levo em mim
um sorriso teu
teu olhar feito borboletas
em cada letra desenho
o seu jeito de ser
a renascer em mim
fazendo assim
um sonho de desejos
vindo com ensejos
fazendo-me
sonhar com teus
abraços
e beijos

ah, sonhar
com teus abraços
e beijos

adenildo lima

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O retrovisor

Natália acordou. Foi ao banheiro, escovou os dentes, ficou observando por um segundo a água caindo da torneira. Lavou o rosto. Voltou para o quarto, olhou o relógio. Ainda sobra tempo para um banho, disse ela. Entrou no banheiro, mais uma vez. Tirou a roupa, olhou o corpo refletido no espelho e, firmemente, ficou observando os seios. Não são mais os mesmos de cinco anos atrás, pensou. A vida é uma grande loucura mesmo, eu tinha um corpo tão bonito, como está diferente. Sentiu raiva do espelho. Sentiu vontade de culpar as duas crianças. Não, elas não tem culpa, ressaltou.

Ligou o chuveiro. A água aquecia seu corpo. Água morna, e gostosa. Enquanto a água domava o corpo dela, algumas lembranças vieram. Sim, foram simples lembranças, amigo leitor, mas a fez chorar. O por quê? Não sei, juro que não sei. Só que ela era muito vaidosa, quando tinha lá seus vinte anos de idade. Até usava o corpo como produto para exibição, como se fosse seu verdadeiro cartão postal. Sim, Natália chorou por mais de dez minutos.

Sei que talvez você não acredite, e até diga que essa anedota, contada por mim - se posso chamá-la de anedota -, tem verossimilhança. Te garanto que sim. Natália, se formos buscar a história dela lá do começo, é possível descobrir e perceber que ela sempre foi uma jovem sensível. Foi criada nos moldes deste mundo capitalista. Foi educada que o dinheiro compra tudo, e foi isso que ela tentou fazer em toda a vida. Mas o tempo é um grande amigo (amigo?) das contravenções.

Amarrou a toalha no corpo cobrindo os seios um pouco decaídos e foi para o guarda-roupa. Tirou o uniforme, vestiu e ficou uniformizada, ou, se o amigo leitor me permitir digo: mascarada. Aquela roupa lhe dava poder. Tantas pessoas temiam àquele uniforme. Os saltos altos, quando ela andava, demonstravam um certo poderio. Cuide bem das crianças, Marieta. Falou dirigindo a palavra à empregada. E falou com seriedade. Acho que era reflexo do espelho.

Maldito espelho, saiu resmungando dentro do carro. Acelerou, cantando pneus, demonstrando imponência na avenida. Só não conseguiu mostrar-se forte para o retrovisor, pois a vida dela diminuía um segundo em cada acelerada que dava.

Natália chegou na porta da empresa, séria e determinada a dar ordens. Só não esperava ouvir de um mendigo que a vida dela era bem menos importante do que a dele.

adenildo lima

malogrado

não
não me venha com seu jeito malogrado
abrace-me com aquele sorriso
com aquele jeito feminino que só você tem
eu também já pensei fugir
desistir
sumir
sair de cena
mas o palco se inicia agora
e não temos mais hora
para esperar
aguardar
pensar

o espetáculo?

não me negue aquele beijo
ah, eu sei que este momento
sempre foi ensejado por você
e esquece esse mau relacionamento
que vive agora
embora, talvez, tenhas esperanças

mas já imaginou destruir seus sonhos num momento
vivendo assim algo sem sentimento?

sim
estou aqui
vai deixar de suas mãos
nosso amor
fugir?

e nem me venha mais com esse
seu jeito malogrado

é tão gostoso
um beijo sonhado
desejado
e amado

adenildo lima

domingo, 2 de janeiro de 2011

2011

o ano se inicia e se inicia junto com ele planos e sonhos. a mudança de ano realmente parece uma grande transição, e é. as pessoas se vestem de branco, outras choram, outras amam, e outras procuram rever algum conceito. fogos explodem no ar, num ar de felicidade. algumas lembranças vêm, é claro! e é importante que elas venham.

costumo sempre dizer, em meus textos que, "a vida é breve e dura o que vivemos". viver já é em si só uma dádiva. e dádiva é algo precioso que precisamos valorizar mais e mais. o maior sonho que me move é amar.

sim, amar, sinto uma necessidade enorme de amar. o amor é uma grande rama estendida que objetiva o sentido da vida, do sonhar, do acreditar, do viver. quando amamos é possível perceber a rama que se forma juntando pessoas e pessoas.

o ano se inicia. inicia-se, também, uma nova maneira de viver no olhar de cada pessoa. e como é gostoso sentir esse som sonoro soando dentro do nosso peito. ah, perdoa o meu jeito sem jeito sei que quando amamos pode até não tornar o mundo perfeito, mas amar é dar nomes a esse sujeito chamado humano.

adenildo lima