quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Vitor

Era noite, e uma chuva caía fortemente no telhado da casa de Vitor. A cidade estava repleta de água, o córrego da vila onde ele morava estava esborrando cada vez com mais intensidade. Sentiu vontade de chorar. Olhou para a mãe e perguntou:

- Mãe, viver é isso mesmo?
- Isso mesmo o quê?
- Sei lá, mãe...

Vitor tinha apenas 8 anos de idade. Trabalhava catando papel para reciclagem. Fazia algo tão útil e tão desprezado pela sociedade. Na escola, chegava sempre cansado. Só uma professora tinha olhos para ele, e procurava sempre conversar. Vitor já se sentia um adulto. E começou a fazer poesia num diário velho encontrado no lixo.

O diário estava com a capa rasgada e com algumas folhas destruidas. Aquele diário passou a ser seu grande amigo. A mãe dele, do Vitor, trabalhava em casa de família, era doméstica, e o dinheiro não dava nem mesmo para comprar o alimento necessário.

Vitor não tinha pai. Faleceu num hospital público, por descaso público, mas isso não foi a público. E Vitor começou a sonhar e a querer ser grande. Sonhou em ser um grande poeta.

E um dia descobriu que em vida já era a própria poesia andante. Chorou. Sorriu. E amou...

adenildo lima

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