terça-feira, 30 de novembro de 2010

Uma carta ausente

São Paulo, 30 de novembro de 2010.

Prezada Natália,

hoje olhei o calendário e tive um susto, o ano está passando muito rápido. Lembrei da nossa ausência. Sei que você fica triste quando não escrevo, ou quando demoro para escrever, mas gostaria que você soubesse que não te esqueço, apenas procuro evitar alguma coisa. Estás prestes a casar, e eu descobri que a nossa amizade estava caminhando para um lugar mais íntimo; tínhamos tudo para sermos namorado. Talvez você nunca tenha realmente percebido isso, mas eu sempre percebi, e algumas coisas me assustaram. Quero que saiba que uma das melhores coisas que poderia acontecer em minha vida era poder te namorar, beijar seus lábios, ouvir sua voz nos meus ouvidos, e os nossos corpos se entregando, mas, como sabemos, nem tudo é como queremos.

Sim, nem tudo é como queremos, mas eu tentei várias vezes te falar, através de metáforas, que dependia de você. Você nunca deu um passo além. Na verdade, eu acredito que o teu orgulho te ajudou a não ir em frente. É, você é orgulhosa sim, Natália, com os teus saltos altos e os cabelos soltos por cima dos ombros, e a tua imagem resumida numa sigla diplomática, te ajudaram a não se envolver comigo, que sou um simples rapaz. Você, ao fazer a leitura desta carta, dirá que não, e acrescentará dizendo: se fosse isso eu não seria tua amiga!

Sim, somos amigos, mas somos amigos ausentes, você é que nunca percebeu isso, ou nunca procurou perceber. Nunca fomos a casa do outro: nem eu a sua e nem você a minha. Que amigos somos nós? Ficamos como meros adolescentes pós-modernos tentando manter a amizade por e-mails, nem telefonemas temos, nunca mais você me ligou e nem eu liguei para você. Eu reconheço que estou agindo de uma maneira que não te agrada, talvez ainda seja o sentimento de paixão escondido aqui dentro de mim, mas a vida continua, meu amor, o importante é que acredito que somos amigos.

Beijos no coração,

adenildo lima.

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