terça-feira, 26 de outubro de 2010

o silêncio e um grito e um esquecimento

cansada, deitou-se na primeira calçada que encontrou. era madrugada, e o relógio central da praça marcava 3h. sentia fome, sentia frio; sentia saudades. a rua estava deserta, restava apenas um cachorro passeando sem destino. fabi sentiu medo da solidão, há mais de duas semanas não conseguia dormir; sentia-se só, e estava. o cachorro aproximou-se dela, beijou seus pés sujos, dando-lhe um sorriso amigável. fabi, sem perceber, deixou cair duas lágrimas dos olhos. o cachorro balançou o rabo, sorriu mais uma vez e saiu.

fabi sentiu vontade de dormir e nunca mais acordar. sentiu vontade de gritar, mas não existia ninguém para ouvi-la. o dia amanheceu, uma multidão de gente começou a passar na maior correria. ela enxergava a todos; mas infelizmente ninguém a viu, e uma gravata, despreocupada, atropelou-a.

de fabi, ainda lembro o sorriso daquele amigo inexperado que beijou os seus pés com tanto carinho.

adenildo lima

Um comentário:

Sam disse...

na simpliciade dos gestos reconhecemos nossos melhoress e verdadeiros amigos.

Bela história Adê,

Abraços, flores e estrelas...