segunda-feira, 6 de setembro de 2010

personagem em primeira pessoa

eu estava sozinha. e era noite. liguei, convidando-o para um breve encontro. ele aceitou o meu convite. sentamos num lugar confortável. o garçom veio e nos atendeu com toda simpatia designada pelo chefe. faziam quase dois anos que não nos víamos mais. sempre mantivemos a amizade, através de telefonemas e e-mails. ele sabia que eu estava casada, mas ele não tinha ido ali para mim conquistar, ele foi por ser gentil e cavalheiro. (ele sempre foi gentil e cavalheiro; homem raro de encontrar em pleno século 21) pedimos um shop escuro. o garçom nos olhou querendo dizer que não tinha, ou que tínhamos errado o pedido, pois o nome do shop escuro é black, como se nós estivéssemos em um país de língua inglesa e fôssemos obrigados, para poder se comunicar, usar o idioma inglês. mas ele não teve coragem de nos corrigir.

ficamos umas duas horas ali, sentados, conversando; tantos assuntos tínhamos! ele perguntou como que eu estava no casamento. respondi que casar é uma ilusão percebida depois de alguns meses. ele riu. e em seguida disse que não pensava em casar no momento, pois preferia namorar. ri, e concordei com ele. perguntei se ele já tinha saído com alguma mulher casada. ele disse que não lembrava, e mudou de assunto. percebi que ele ficou meio sem graça, sem jeito. só não esperava onde eu queria chegar. sendo sincera, aqui entre nós, amigo leitor, eu sempre fui apaixonada por ele, aquele jeito simples, calmo, atencioso... sempre me deixaram encantada. e qual mulher não se apaixona por um homem assim?

olhamos para o relógio, os ponteiros marcavam 22h34 minutos. pedimos a conta. eu fiz questão de pagar. educamente ele riu, com um olhar querendo dizer que a cada dia que se passa as mulheres estão mais dona de si. e ele, por ser um jovem estudado, culto... sabia que era importante para mim, aquela posição tomada. por isso não revidou. parece que ele sempre leu meus pensamentos. e como foi importante naquele momento eu ter pago a conta, pois tinha tirado aquela noite para ser a narradora daquele história. quando levantei, ainda lembro, ele sem querer deu uma olhada de leve para os meus seios. estava com um vestido que deixava meu corpo atraente. perguntei se ele gostou do meu vestido. disse que sim. eu, sozinha, tinha tomado quatro shops, e ele, acho que seis. eu já estava a flor da pele, louca de desejos para concretizar uma vontade bem atinga. beijá-lo, deitar com ele e, realmente, fazer amor, coisa que nunca tinha vivido com o meu marido.

ficamos conversando lá fora, bastante tempo, depois entramos no carro. ele falou que não precisava levá-lo em casa. insisti, eu sabia que ele estava morando sozinho. e acrescenti dizendo a ele que não precisava se preocupar, pois o meu marido tinha viajdo. ele tremeu. mas e daí?, perguntou. ri, e falei que sabia que ele se preocupava comigo. e seguimos conversando normalmente. falei que queria beber mais, pois o shop já tinha acabado o efeito. ele riu, dizendo que eu estava ficando alcóolatra. passamos em um mercado e compramos um licor, um vinho e levamos para beber. percebi que ele não queria permitir que eu fosse beber na casa dele. naquele momento, enquanto saíamos do mercado, vi nos olhos dele que tinha desconfiado dos meus planos.

mas naquela noite, eu era a narradora da história e a personagem principal com vida e alma, e precisava viver cada detalhes do enredo.

adenildo lima


3 comentários:

Adriana Karnal disse...

os teus improvisos me pareceram grandes textos...gstei do blog e do poema q escreveste lá no meu...

Aline Oliveira disse...

Ah, muito bem. E vc, como tá?
Grande beijo =D

Márcio Ahimsa disse...

Valeria a pena cada cena vivida, rs...