sábado, 25 de setembro de 2010

A morte

São Paulo, 25 de setembro de 2010


Minha querida K,

hoje eu parei por um segundo para pensar na morte (desculpa, talvez nem seja justo tratar esse assunto contigo, mas no momento preciso de você). Ela, a morte, veio a mim através de pensamento, fiquei procurando encontrar algum motivo para justificá-la; não encontrei. Parece que não há explicação, existem apenas justificativas soltas no ar. Você sabe né, K, o motivo que me leva a tratar desse assunto?

Agora no dia dez de outubro completarão três anos que o meu pai partiu. Você acredita que a dor não passou? E o pior, ou talvez o melhor, não consigo acreditar que isso aconteceu. Lembro cada detalhe, cada momento, cada lágrima; já a dor, não sei definir. Até passei a observar a morte como a melhor resposta para vida, talvez eu esteja equivocado, mas comecei a vê-la como o maior motivo para à busca de nossos sonhos, do nosso viver; e viver bem.

Acho que você está entrando em conflito com isso que estou te escrevendo, mas não precisa tentar me entender, por favor, me ouvir nesse momento é o melhor que você pode fazer. Quando perdemos alguém, o silêncio, o carinho da outra pessoa... são tudo o que precisamos. Até pensei em tratar da sua dor, nesta carta, mas não me sinto no direito de fazer, e te peço desculpas, mas estou sem assunto, acredita, logo eu que tanto gosto de escrever...?

as esquinas e as ruas
calaram-se
as pessoas ficaram
taciturnas
meus amigos
todos
foram-se embora
fiquei sozinho
me senti sozinho
e só mesmo o olhar
relembrado e vivido
a memória do passado
me fez e faz
viver de novo
novamente
novo

adenildo lima.

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