quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pássaros, folhas e sonhos

"Mãe, aquilo é uma folha que cai, ou é um pássaro que voa?"
"Não, filho, o que estás vendo são sonhos."
"Sonhos, mãe...?"
"Sim, filho, são sonhos. Sonhos são como pássaros e folhas soltas no ar, voam e vão para bem longe à procura de sorrisos e felicidades."
"Então pra ser feliz, mãe, não precisa de muita coisa, só precisa sonhar?"
"Sim, quem sonha está sempre feliz, assim como os pássaros que voam e como folhas que flutuam no ar.

adenildo lima.

sábado, 25 de setembro de 2010

A morte

São Paulo, 25 de setembro de 2010


Minha querida K,

hoje eu parei por um segundo para pensar na morte (desculpa, talvez nem seja justo tratar esse assunto contigo, mas no momento preciso de você). Ela, a morte, veio a mim através de pensamento, fiquei procurando encontrar algum motivo para justificá-la; não encontrei. Parece que não há explicação, existem apenas justificativas soltas no ar. Você sabe né, K, o motivo que me leva a tratar desse assunto?

Agora no dia dez de outubro completarão três anos que o meu pai partiu. Você acredita que a dor não passou? E o pior, ou talvez o melhor, não consigo acreditar que isso aconteceu. Lembro cada detalhe, cada momento, cada lágrima; já a dor, não sei definir. Até passei a observar a morte como a melhor resposta para vida, talvez eu esteja equivocado, mas comecei a vê-la como o maior motivo para à busca de nossos sonhos, do nosso viver; e viver bem.

Acho que você está entrando em conflito com isso que estou te escrevendo, mas não precisa tentar me entender, por favor, me ouvir nesse momento é o melhor que você pode fazer. Quando perdemos alguém, o silêncio, o carinho da outra pessoa... são tudo o que precisamos. Até pensei em tratar da sua dor, nesta carta, mas não me sinto no direito de fazer, e te peço desculpas, mas estou sem assunto, acredita, logo eu que tanto gosto de escrever...?

as esquinas e as ruas
calaram-se
as pessoas ficaram
taciturnas
meus amigos
todos
foram-se embora
fiquei sozinho
me senti sozinho
e só mesmo o olhar
relembrado e vivido
a memória do passado
me fez e faz
viver de novo
novamente
novo

adenildo lima.

Lembranças

2005. Lembro com todos os detalhes aquele momento que tivemos e vivemos. Foi um encontro à primeira vista. Você veio como quem não quer nada. Veio com um silêncio no olhar e com afago nas mãos.

- Érica, prazer.
- Prazer, Eduardo.

Suas mãos abraçaram as minhas domando o meu corpo. Seus olhos fixaram dentro dos meus. Fiquei sem reação. E percebi que esperavas de minha parte, ação. Como nada falei, fizestes perguntas soltas no ar. Olhei sua mão esquerda, algo brilhava forte, e quase me cegou. Percebi em sua fisionomia um riso disfarçado.

- Você sempre morou aqui, neste lugar tão deserto?
- Sim, respondi.
- Tem vontade de conhecer a cidade grande?
- Não.
- Como, não?

Não respondi, e procurei sentar na calçada. A lua estava bonita acompanhada por milhões de estrelas. Ela em seguida foi sentar comigo, e ficamos conversando.

- Você é casada?
- Sim, ela respondeu.
- Gosta de ser casada?

Ela mudou de assunto e começou a falar em música, poesia... falamos de vários escritores da literatura brasileira. Percebi que ela ficou admirada comigo, não esperava que eu lesse tanto. E disse que eu era muito inteligente. Ri.

...


E depois de um passeio pela praça daquela cidade, voltamos para casa. A noite conspirava ao nosso favor, e tudo nos favorecia. Lembro cada detalhe que vivemos. E aquela noite nunca mais voltou, mas nunca conseguirei esquecê-la.

adenildo lima.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Português no Brasil

"...Mas eu não sei falar Português."
"Ham... não entendi... Você não sabe falar Português? Como assim?"
"Português, professor, essa língua é muito difícil."
"Mas quem te disse que você não sabe falar Português?"
"Tanta gente, o senhor nem imagina. Sabia que até hoje, mesmo no último ano do ensino médio não sei fazer redação, aliás, tenho medo?"
"Mas o que te leva a ter medo de escrever? E a dizer que não sabe falar Português?"
"As pessoas criticam o meu sotaque, a maneira que me comunico com meus amigos... são tantas críticas que nem sei explicar, por isso cheguei a conclusão que não sei falar essa língua."
"Vinícius, no momento em que uma criança diz "mamãe, quero mamar", ela já sabe falar essa língua difícil que você acaba de concluir com suas palavras. Não existe língua difícil, Vinícius, todos nós sabemos falar Português, esse nosso tão lindo e tão rico Português-brasileiro, que tem uma diversidade linguística muito grande, aliás, o Brasil é um dos países mais rico do mundo em seu idioma. Temos tantas influências: O índio, a África, a Europa e tantos países que estão aqui em nosso território. Posso te garantir que você fala muito bem o Português, o que precisa é saber onde usar as variedades; já o sotaque, todos nós temos sotaques, ignorância de quem carrega esse preconceito.
"Nossa, nunca tinha ouvido isso. Acho que agora vou até perder o medo de escrever redação."

adenildo lima

domingo, 19 de setembro de 2010

Palestra















Ontem, 18.9.10, no período da manhã, realizei uma palestra na EMEI JULITTA PRADO ALVES DE LIMA, SÃO PAULO/SP. Proferida para a comunidade da escola: pais, alunos; professores, direção e demais funcionários. Contou, também, com as presenças de Juraci (tubarão, amigo e responsável pela parte de vendas do livro), Ivanildo (irmão) e Márcio Ahimsa (amigo). Proferi a palestra referente à importância do meio ambiente, da leitura e da conscientização diante da natureza. Peguei como base o meu livro O COPO E A ÁGUA (Infantil, 2009) que já vendeu mais de 15.000 (quinze mil) exemplares, sem o apoio de nenhuma mídia. Nenhuma mídia, nem televisiva e nem virtual etc. Foi um momento bem prazeroso. Ressaltando que já faço esse trabalho de palestras, em cima do livro, desde o seu lançamento.

Aqui estão algumas fotos.

Vamos à luta!

adenildo lima

palestra 18.9.10

palestra 18.9.10

palestra 18.9.10

palestra 18.9.10

palestra 18.9.10

palestra 18.9.10

palestra 18.9.10

palestra 18.9.10

palestra 18.9.10

palestra 18.9.10

palestra 18.9.10

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

enlaces

o tempo está calmo, mas a vida está agitada; o sol não aparece, mas os nervos estão quentes; a avenida é larga, mas os carros não saem do lugar. um sorriso perdido procura encontrar um sorriso perdido no olhar de algum sorriso perdido; mas uma neblina encobre a face da menina que chora, por ter perdido a mãe; a menina está solitariamente só. e ela procura entender o motivo dessa loucura. as pessoas passam correndo sem rumos e sem direção. o olhar da menina procura um abraço que se enlace num laço de amizade; ela está sozinha, e a família chora. o trânsito está parado, a avenida é larga, e muitas pessoas estão morrendo enforcadas com as gravatas. e eu aqui apenas ofereço um abraço num enlaço da vida que mesmo sofrida é preciso ser sentida.

só não me digam que faltou tempo para aquele abraço.

adenildo lima

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Meu presente

Não, não tenho muito o que te oferecer, sou um simples rapaz, vindo da margem da sociedade - dita civilizada - sem dinheiro, sem conta bancária, sem heranças. E me acanho em te presentear. É um simples presente que tenho, tão simples que está até sendo excluído do mundo dos humanos, para muitos, quase não tem valor.

Mas, sinceramente, não sei o que é valioso para você, te conheço tão pouco; ou quase não conheço. Você é menina fina, de família de renome, conhecida pelos status. Já eu, como falei anteriormente, sou um simples rapaz, quase não tenho o que te oferecer. Te ofereço algo que talvez ninguém nunca tenha te oferecido, por isso, acredito eu que você nem queira receber.

Tenho apenas palavras, menina, saídas deste coração que aprendeu a amar sem nenhuma pretensão e sem interesses. Tenho apenas um poema guardado dentro de mim para dividir contigo. Esse é o meu presente para demonstrar o quanto és importante para mim.

Só não sei se ele terá algum valor para você.

adenildo lima.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A caminho da morte

Estamos a caminho da morte, por isso precisamos viver. Mas precisamos viver intensamente, viver cada segundo, cada momento, cada olhar. A vida é um pássaro que passa voando... que voa, que voa e voa. A vida é um voo elaborado com asas criadas por nós. Nós somos criadores dos nossos próprios voos. A vida passa muito depressa, e a pressa com muita pressa regressa. Precisamos ter calma, agir com a razão; precisamos ganhar voos controlados por nossos limites.

É, caro amigo leitor, a vida é a explosão de uma bomba, em nós mesmos. E viver já não é mais necessidade, é história construída e vivida por cada um.

adenildo lima.

domingo, 12 de setembro de 2010

reflexos da sociedade

a vida parece que corre por um fio. a cada dia que passa e que se passa o ser, que chamamos de humano, perde ainda mais o seu valor, e a vida cada vez mais fica desprovida de segurança, mesmo com tantos programas de proteção surgindo por aí.

a humanidade a cada segundo vivido perde mais a sensibilidade, parece que estamos nos tornando máquinas, e já somos, ao meu ponto de vista, o que é necessário é não perdermos os ideais. precisamos ter ideais para viver com sentido, para não cairmos em contraste. em cada esquina é possível encontrar um olhar perdido, sem rumo e sem direção. adolescentes sem referências para seguir. temos escolas desprovidas da realidade do aluno, temos professores mal pagos; temos famílias desestruturadas.

a família, sem dúvida, é a referência principal para as crianças, adolescentes e jovens. mas o que nós temos diante da nossa realidade, são crianças com pais ou mães presas, mortos, desempregados... sem um lar, que possamos chamar de residÊncia, onde possa reclinar a cabeça e dormir numa cama sem ser um papelão... sim, um papelão em suas várias interpretações. e isso e tudo isso são um caminho para fazer com que o adolescente entre em conflitos com a lei.

sabemos que as "fundação casa" - antiga FEBEM. ao contrário de educar o adolescente para conviver em sociedade, na maior parte das vezes, age inteiramente ao contrário, os adolescentes voltam piores do que foram.

mas o que não podemos fazer diante de tudo isso é baixar a cabeça.

adenildo lima

sábado, 11 de setembro de 2010

desfile

nua
viva e crua
solta
largada na rua
sua
toda sua
imagem andante
pensar ambulante
escada rolante
bailarina a girar
imagens soltas
no ar
noir
livre a voar
nua
viva e crua
largada na rua
lua

adenildo lima

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

personagem em primeira pessoa

eu estava sozinha. e era noite. liguei, convidando-o para um breve encontro. ele aceitou o meu convite. sentamos num lugar confortável. o garçom veio e nos atendeu com toda simpatia designada pelo chefe. faziam quase dois anos que não nos víamos mais. sempre mantivemos a amizade, através de telefonemas e e-mails. ele sabia que eu estava casada, mas ele não tinha ido ali para mim conquistar, ele foi por ser gentil e cavalheiro. (ele sempre foi gentil e cavalheiro; homem raro de encontrar em pleno século 21) pedimos um shop escuro. o garçom nos olhou querendo dizer que não tinha, ou que tínhamos errado o pedido, pois o nome do shop escuro é black, como se nós estivéssemos em um país de língua inglesa e fôssemos obrigados, para poder se comunicar, usar o idioma inglês. mas ele não teve coragem de nos corrigir.

ficamos umas duas horas ali, sentados, conversando; tantos assuntos tínhamos! ele perguntou como que eu estava no casamento. respondi que casar é uma ilusão percebida depois de alguns meses. ele riu. e em seguida disse que não pensava em casar no momento, pois preferia namorar. ri, e concordei com ele. perguntei se ele já tinha saído com alguma mulher casada. ele disse que não lembrava, e mudou de assunto. percebi que ele ficou meio sem graça, sem jeito. só não esperava onde eu queria chegar. sendo sincera, aqui entre nós, amigo leitor, eu sempre fui apaixonada por ele, aquele jeito simples, calmo, atencioso... sempre me deixaram encantada. e qual mulher não se apaixona por um homem assim?

olhamos para o relógio, os ponteiros marcavam 22h34 minutos. pedimos a conta. eu fiz questão de pagar. educamente ele riu, com um olhar querendo dizer que a cada dia que se passa as mulheres estão mais dona de si. e ele, por ser um jovem estudado, culto... sabia que era importante para mim, aquela posição tomada. por isso não revidou. parece que ele sempre leu meus pensamentos. e como foi importante naquele momento eu ter pago a conta, pois tinha tirado aquela noite para ser a narradora daquele história. quando levantei, ainda lembro, ele sem querer deu uma olhada de leve para os meus seios. estava com um vestido que deixava meu corpo atraente. perguntei se ele gostou do meu vestido. disse que sim. eu, sozinha, tinha tomado quatro shops, e ele, acho que seis. eu já estava a flor da pele, louca de desejos para concretizar uma vontade bem atinga. beijá-lo, deitar com ele e, realmente, fazer amor, coisa que nunca tinha vivido com o meu marido.

ficamos conversando lá fora, bastante tempo, depois entramos no carro. ele falou que não precisava levá-lo em casa. insisti, eu sabia que ele estava morando sozinho. e acrescenti dizendo a ele que não precisava se preocupar, pois o meu marido tinha viajdo. ele tremeu. mas e daí?, perguntou. ri, e falei que sabia que ele se preocupava comigo. e seguimos conversando normalmente. falei que queria beber mais, pois o shop já tinha acabado o efeito. ele riu, dizendo que eu estava ficando alcóolatra. passamos em um mercado e compramos um licor, um vinho e levamos para beber. percebi que ele não queria permitir que eu fosse beber na casa dele. naquele momento, enquanto saíamos do mercado, vi nos olhos dele que tinha desconfiado dos meus planos.

mas naquela noite, eu era a narradora da história e a personagem principal com vida e alma, e precisava viver cada detalhes do enredo.

adenildo lima


sábado, 4 de setembro de 2010

improvisos

não sei se você algum dia já observou que na vida tudo é improviso. improvisos são momentos importantes em nosso caminhar. um sorriso perdido no meio de um passear qualquer, indo solto ao encontro de uma folha caindo de um poste em plena avenida, ou de uma lâmpada despencando em plena floresta. aos meus olhos tudo isso é improviso. improvisos perdidos, que muitas vezes parecem sem sentidos. só que o sentido das coisas acontecem conforme o olhar de cada um.

ontem mesmo eu sonhei passeando numa floresta, e via as lâmpadas caindo através dos olhares das pessoas andantes e ambulantes; era uma floresta de concreto, e só depois de muitos anos vividos consegui descobrir. é, são tantas histórias misturadas que parecem até sem sentido. não sei o motivo, mas hoje eu lembrei de você. você veio toda sorridente, abraçando-me com um olhar solto e feliz; e me fez feliz. queria até citar o seu nome.

improvisos é acordar e perceber a imensidão que está a nossa frente.

adenildo lima.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

prédios abandonados

não sei se algum dia você parou para observar os edifícios abandonados, as paredes pichadas e as ruas em silêncio. não sei se você já observou os detalhes da rua sem saída, dos becos que gritam com os gritos dos aflitos. é, não sei se você observou que tudo (que tudo) que eu queria era um beijo, apenas um beijo; um beijo na face sólida da mulher amada, mas os prédios abandonados continuam lá. você já observou?

olha, enquanto estávamos conversando, pensei tantas coisas, pensei até em ser seu namorado, mas as ruas estão desertas, e a noite continua calada, e não sei de onde, mas um frio vem com um calor tão quente; é, eu sei, é tudo retundante - mas a nossa história não... -, a nossa história. não sei, mas eu acredito que você algum dia vai parar e verá no silêncio dos prédios abandonados algum sorriso meu.

adenildo lima