sexta-feira, 13 de agosto de 2010

K

Era uma tarde como outra qualquer. Aliás, podia ser uma tarde como outra qualquer, mas não foi o que aconteceu. Parece que a noite chegou muito rápido, e o dia terminou sem que eu percebesse, e cada segundo, parece que nem existiu. Podia ser cinco horas da tarde, mas não era. Podia ser meia-noite, mas a noite não veio. E podia ser, ainda mais, a eternidade, mas aquele momento estava flexível demais para perceber a atmosfera do tempo. Juliana podia ser Júlia, Valéria podia ser Valérias, mas Mônika naquele momento era apenas Monika, e com K.

Só lembro que vivemos um momento muito bom, mas, sinceramente não consigo recordar que horas foi. Ela veio a mim - tinha acabado de sair do banheiro -, com uma toalha cobrindo os seios e uma parte do corpo. Me olhou, disse que sempre me amou, mas nunca teve coragem de falar, por sermos grandes amigos. (estávamos sozinhos, naquele momento, ninguém se encotrava lá, talvez, nem mesmo eu e ela).

Abraçou-me. Senti a toalha caindo do corpo dela. Senti a ponta dos seus seios encostando em meu peito. Tentei falar, ela não permitiu. Beijou-me. Nossos corpos se uniram, se amaram; gozaram. E foi tudo o que vivemos. Em seguida deitamos, abraçados, sem nada falar; ela parecia muda. Sei que dormi sem perceber.

...


Ao acordar percebi e vi que a janela estava aberta, que o apartamento estava vazio. Levantei-me e fui até a janela. Lá em abaixo tinha bastante gente, tinha uma ambulância, alguns repórteres e, em cima do livro, que estava em cima da mesinha de escrever, estava uma frase. "Eu não podia partir sem antes viver um eterno amor". Assinada com K.

E eu nunca consegui entender porque ela sempre assinava com a letra K.

adenildo lima

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