sábado, 19 de junho de 2010

SER ou TER

O ser que chamamos de humano anda perdido diante da própria existência, alguns se escondem por detrás de maquiagem, outros tentam aparecer na imagem alheia. Que a humanidade está chegando ao fim, disso não tenho dúvida, mas talvez esteja voltando ao começo.

Quanto vale uma roupa velha no corpo de um meliante? Quanto vale um meliante dentro de uma roupa velha? Essas perguntas até parecem confusas, perdidas no meio deste texto que estou escrevendo, mas é necessário que saibamos: Pelé vestido de meliante, sem ser identificado... quanto valeria Ele para uma revista, para uma entrevista...?. E quanto valeria a roupa vestida por ele? Talvez uma bela exposição. Ao contrário do meliante e de sua roupa.

Estamos chegando ao fim, o ser que chamamos de humano perdeu ou está perdendo cada vez mais o SER. O que vale agora é o TER. Quanto vale a lavadeira para o dono da roupa em uma grande empresa? Bem menos do que vale uma lavadeira para o seu esposo e seus filhos no sertão brasileiro. A essência é tudo o que me resta.

Talvez eu seja julgado pela menina sentada por detrás de uma mesa de escritório, por eu não ter podido comprar um sapato novo para a entrevista. Talvez Pedro Henrique não passe na entrevista para aquela grande empresa, talvez o cérebro dele, aos olhos da entrevistadora, tenha menos valor do que a roupa rasgada que ele portava no momento da entrevista, pois as regras já tinham determinado o robô, em traje de humano.

SER. Não é fácil ser. Para ser precisamos saber que vamos encarar um mundo todo lá fora, que vamos precisar de sermos firmes diante dos nosso ideais, que vamos precisar pisar em espinhos para escrever o próprio nome com o sangue. Mas SER alguém, hoje, já é bem mais do que apenas existir, pois milhões e bilhões estão perdidos em estradas desertas e desconhecidas procurando pelo TER. E quando muitos encontram, se perdem ainda mais.

Talvez o mundo esteja voltando, nesse cícrulo, talvez o mundo esteja começando o início para o fim dessa humanidade.

É, e eu o que faço escrevendo?

Escrever pode não dizer nada. E quem disse que o autor quer dizer alguma coisa. A interpretação de um texto é conforme o conhecimento de cada um.

adenildo lima

Nenhum comentário: