domingo, 6 de junho de 2010

Nauseando 9

Que a vida passa muito rápido, disso não tenho dúvidas, e cada segundo, muitas vezes, parece uma eternidade, mas tudo depende de como aproveitamos cada momento. De repente você acorda e já não tem mais 17 anos, de repente você acorda e já não é mais tão jovem assim e, de repente, muito de repente a vida passa e você esqueceu de vivê-la; e isso é grave.

Deixar de viver a essência existente numa flor jogada no asfalto, deixar de aproveitar o sorriso de uma criança te pedindo um abraço, deixar de viver as coisas mais simples da vida são detalhes que não podemos explicar, depois que acordamos de um relance que damos o nome de viver. E viver é uma grande náusea.

A menina, quando criança, sonhava em ser adolescente, pois sabia que a adolescência está bem próxima da juventude. E a adolescência chegou, viveu muito pouco e já sonhou com a juventude, pois sabia que a juventude é o passo para a vida de adulto. E a juventude chegou. Completou 18 anos, fez uma festa, foi a uma festa, e disse que agora era livre. Enganou-se totalmente. Sozinha, caminhando, conforme seus desejos, não soube viver, e num piscar de olhos, já estava com 23 anos. Sonhou em encontrar um namoro sério, sonhou em encontrar alguém para dividir as responsabilidades. Sentiu medo de ficar velha, e pensou em ser criança, adolescente... e não mais pensou na juventude, pois sabia que ser adulto é um passo para a morte. Teve medo.

E os 25 anos da vida dela passaram-se muito depressa, e uma angústia misturada com o desejo de casar-se invadiu todo o ser. Algo fez com que ela sentisse medo da solidão. E ficou pensando dia e noite em encontrar alguém para casar-se. E parece que esse esposo não aparecia. Sentiu vontade de suicidar-se, mas não teve coragem. E antes mesmo que percebesse já estava com 30 anos de idade. Foi aí que ela sentiu medo da vida, percebeu que viver é uma ilusão construída por nós, e vive bem, quem quer viver bem. Mas estava com medo da velhice.

E aos 30 anos já estava se sentindo velha, teve saudade da adolescência, e disse que podia ter aproveitado bem mais, se não tivesse se preocupado tanto em ficar jovem. Teve saudade da juventude, e disse que podia ter aproveitado bem mais, se tivesse sabido usar a liberdade de adulto. E aos 30 anos, descobriu que ainda não tinha vivido praticamente nada, por ter fugido do presente. E foi aos 30 anos que ela descobriu que ia começar a viver. Descobriu, também, que a vida é o que vivemos. Foi aí que ela descobriu que a juventude começa aos 30 e pode chegar aos 100 anos, basta que se viva cada momento, pois,

A vida é breve e dura o que vivemos.

adenildo lima

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