segunda-feira, 14 de junho de 2010

Escravo de mim, o tempo

Hoje lembrei de Ines, não a Inês de Castro, aquela nobre galega que foi amada pelo rei Pedro I de Portugal, de quem teve quatro filhos. E foi executada às ordens do pai dele, Afonso IV. Falo de uma Ines que eu conheço, a Ines com seu corpo esquelético, que ao passar pela minha frente, vejo pura poesia; poesia andante.

Mas Ines sumiu - não ela -, mas eu. Alguns conflitos internos deixaram-me um pouco taciturno, deixaram-me comigo mesmo. Acho que ela pensa que eu a esqueci. Não, não faria isso. Um homem não esquece uma mulher igual a ela, tão rápido assim. A vida tem dessas coisas.

Planejamos algo, sonhamos algo... e de repente tudo não ocorre como foi sonhado, desejado... E nesses momentos o poeta abraça a solidão, abraça o tempo, beija o tempo, fecunda a matéria. E a matéria é uma menina dos olhos caminhando por aí. O poeta pode até esquecer que o sol nasceu pela manhã, mas duvido se ele esquecerá o olhar atraente de uma mulher.

Ainda bem que o tempo é nosso escravo...

adenildo lima

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