sexta-feira, 18 de junho de 2010

cachorro danado

Ô, cachorro danado, nunca deixa a gente em paz, toda madrugada às três horas ele fica latindo, chamando pra ir caçar. Até parece gente. Pensando bem, acho que ele deve ser quase humano. Lembro quando o dono dele foi embora pra outro estado. Nossa! Ele chorou, chorou mesmo, ficou uivando lá no morro, sem querer comer, sem alegria, sem latir nas madrugadas; até senti falta, pois mesmo tendo raiva já estou acostumado. Tem dia que ele vai pra mata sozinho, chega lá em cima do morro e fica chamando a gente. Minha mãe, muitas vezes, tem raiva, fica braba, mas quando a gente chega com uma paca bem grande em casa, ela fica toda feliz. Levanta à noite mesmo, vai pro fogão, pega as lenhas, bota fogo, ferve a água e pela a paca. Depois trata ela com maior carinho acompanhada com a luz do luar, aquela luz serena e calma. O cachorro fica olhando. Coitado dele, só come as tripas, e mesmo assim fica feliz. Ah, às vezes tenho pena, sabia? Acho que quando esse cachorro morrer, eu vou chorar. Vou sim, mas deixa pra lá, pensar em morte é deixar de viver, e não é isso que eu quero. Eita, cachorro danado, é como se fosse um filho.

adenildo lima

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