segunda-feira, 10 de maio de 2010

A longa estrada que leva a lugar nenhum

Era magra, cabelos encaracolados, sorriso perdido no meio daquela estrada sem fim. Assim estava a adolescente de 17 anos caminhando sem saber pra onde. Fumava um cigarro de maconha e carregava um livro de poemas debaixo do braço.

O nome dela eu não lembro, mas sei um pouco de sua história. O namorado tinha terminado o namoro com ela há dois dias. Ele a pegou com outro rapaz numa esquina qualquer da cidade, transavam como se aquilo fosse o melhor orgasmo de sua vida. O que aquela jovem queria mesmo era prazer. Prazeres múltiplos.

Ali, no meio da estrada, ela perguntava para o vento o que era o amor. Jurava que amava o seu namorado, e que transava com outros para poder acompanhar na moda. Que moda? Eu perguntei a ela. Não soube responder. Parei diante dela e a elogiei, dizendo que ela era muito bonita, ela riu e perguntou se eu queria trepar com ela. Respondi que não.

Ela não conseguiu entender o porquê de eu ter recusado-a. Eu tinha meus 22 anos de idade, e não queria mais uma garota apenas, queria uma mulher que tivesse alma. Falei isso pra ela. Ficou pálida e de seus olhos caíram duas gotas de lágrimas.

─ O que é uma garota que tem alma? – ela perguntou.

Fez-me esta pergunta e me abraçou. Apertou o meu corpo fortemente e chorou como chora uma criança nos braços de sua mãe. Jogou o cigarro de maconha fora, olhou para o livro de poemas e comparou a sua vida com um poema de um poeta desconhecido.

Eu fui embora. Ela apenas agradeceu por ter me encontrado.


adenildo lima

2 comentários:

Agathóss disse...

Eu teria aceitado a proposta, só para depois concluir que o que havia experimentado estava longe de ser o que eu procurava, rs. Boa semana.

Aline Oliveira disse...

Boa tarde meu amigo!
Passando para agradecer sua visita e dizer que amodoooro seu blog.

Grande beijo... Amei esse Post!