domingo, 30 de maio de 2010

O lado bom da morte

O médico disse a Pedro que ele teria menos de um mês para viver. Pedro viveu mais do que toda a vida, aquele mês.

adenildo lima

sábado, 29 de maio de 2010

Quase uma crônica

Que a vida é cada segundo vivido, disso nao tenho dúvida, e cada segundo que passa é preciso saber aproveitá-lo. O amigo leitor de repente esteja se perguntando onde quero chegar com este texto. Na verdade eu nem sei, como sempre falo, nunca sei como um texto vai terminar, pois parto de um simples início e ele vai ganhando vida sozinho, conforme a história, os fatos... mas vou adiantá-lo um pouco, pois neste pequeno improviso, com cara de crônica, pretendo descrever, narrar um pouco do dia de hoje.

Uma amiga minha, muito próxima a mim, sempre me questiona, pois nos meus textos sempre falo que é ficção, e ela confessa que muitas vezes consegue enxergar algo vivido no dia a dia dela. Na verdade, o papel de quem escreve é este, fazer com o texto ganhe vida e possa fazer parte da vida de muitas pessoas. E é isso que eu pretendo fazer, ao escrever, mas deixo claro, escrevo sem compromisso, apenas com o compromisso de escrever, que já é um grande compromisso. E, aqui, neste parágrafo, eu até gostaria de citar o nome dela, mas é melhor não, de repente ela não goste, assim, deixo que os personagens deste texto que estou dando-lhe um nome de quase uma crônica, não tenha nome.

Um casal de amigo, hoje, no decair da tarde, ligou, convidando-me para sair, para ir comemorar alguma coisa que eu sempre chamo de vida. Fomos a uma pizzaria, bebemos comemos; antes, passamos em um restaurante. Muito caro, saímos, já que temos a liberdade da escolha, por que ficar bancando o abuso do comércio, com esses preços abusivos? Na pizzaria, a namorada do meu amigo (que também é minha amiga), disse que tinha algo para contar. Primeiro pensei que eles fossem casar e, em segundo plano, pensei que ela estivesse grávida. Errei os dois. Só não errei que eles vão casar, não agora. rs

Eles estavam fazendo um ano de namoro, e estavam comemorando (vejam que felicidade a minha, fui convidado para fazer parte desta festa, é muito honroso!). Comemos, bebemos, conversamos até sobre políticas. E como é bom termos amigos, pessoas que possamos conversar, brincar, se divertir.

Enquanto estávamos lá, falei com um dos garçons, ele me conhece. Falamos um pouco do passado, já que fazia muitos anos que não conversávamos. Em seguida, veio outro garçom, e falou comigo, todo feliz, falou da minha ausência e disse que estava sendo um prazer rever a minha pessoa. Esse garçom é muito gente boa, aliás, um profissional de grande competência. Em seguida entrou um colega com a namorada, falou comigo, e propomos marcar qualquer tempo um dia para uma reunião com amigos. Ele disse que seria muito bom.

Alguns minutos depois entrou uma jovem com um olhar bem familiar. Me olhou, eu a olhei fixamente, ela desviou o olhar... e eu falei comigo mesmo que a conhecia de algum lugar. E até o momento não tenho certeza se ela era realmente aquela que um dia trabalhamos juntos, que um dia eu a admirei muito, que por muitas vezes conversamos... É, não sei, só sei que tenho boas lembranças dela. E aquela aliança em sua mão esquerda fez com que eu não fosse a ela perguntar se realmente ela era ela; ou aquela. rs.

E assim vamos vivendo cada segundo, cada dia, cada momento. Afinal, a vida é um grande momento, basta que cada um saiba torná-la boa ou ruim. Cabe a você agora, amigo leitor, escrever sua crônica com momentos felizes, assim, como esses que descrevi aqui.

adenildo lima

Paz mundial

Que o ser humano é confuso, disso ninguém tem dúvida, ao mesmo tempo que quer a paz, luta contra, ao mesmo tempo que quer transparência na política, ignora quando tem.

É complicado entender a mente humana, o raciocínio de cada cidadão. Lembro claramente que milhões de brasileiros lutavam para que a políticia suja, aos poucos, fosse desmascarada. O senhor presidente da república Fernando Henrique Cardoso disse que não permitia aberturas de CPIs, para que não fosse cortado o próprio pescoço (sim, ele disse com outras palavras, concordo com você amigo leitor, ao discordar, mas não temos dúvida que ao interpretar, foi isso que ele falou) .

Logo em seguida apareceu o atual presidente Luís Inácio LULA da Silva, e permitiu que fosse feito todas as descobertas, essas que conhecemos através da mídia. E o povo brasileiro diz: como pode, tanta sujeira nesse presidente! Meu Deus, será que esse mesmo povo não tem senso crítico? Será que esse mesmo povo não sabe que é lavando a roupa suja que ela fica limpa? Pois é, é difícil entender a mente humana.

Agora ficamos diante de um acordo propondo para o mundo uma proposta de paz, com o Irã, assinado pelo presidente Lula e mais alguns representante de outros países. Incrível, como a mídia brasileira, uma parte dela, logo procurou ir contra. Incrível, como algumas pessoas crucificaram o presidente Lula por lutar com um acordo de paz mundial. Né isso que queremo? Né isso que o mundo quer? Por que lutar contra?

É difícil entender a mente humana, o raciocínio dessa humanidade e, diante de tantas desavenças, não vejo outra saída, a não ser a de fazer, sem medo, como faz o presidente da república do Brasil, Luis Inácio LULA da Silva. Ir sempre em frente sem medo do que virá, pois lutar pela paz já é uma grande vitória, ao dar o primeiro passo.

adenildo lima

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A partida

Antes que você parta, peço que, por favor, não parta meu coração. Sabemos que a partida dói, principalmente quando perdida. Vá, mas não esqueça as noites de amor que tivemos juntos, não esqueça o carinho, e todos os diálogos, não esqueça que além de namorados, sempre fomos amigos.

Parta, mas deixe que a partida não seja tão doída, deixando este coração partido. Tudo bem, saiba que estou convencido, e aceitei o seu NÃO, mas não faça isso, ser injusta justamente agora, nesta hora, embora eu saiba que não existe hora para ir embora.

E se na partida, o carro não der partida, lembre-se sempre que existirá novas vidas...

adenildo lima

segunda-feira, 24 de maio de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

Improviso 7

Em algum lugar do seu coração, sei que carregas reservado um espaço para mim, mas, por favor, não deixe que o seu noivo saiba.

adenildo lima

Improviso 6

Para mim, amar continua sendo a velhice mais inocente.

adenildo lima

Improviso 5

Não é que eu tenho medo do casamento, só não o vejo como última opção, e muito menos como a primeira.

adenildo lima

Improviso 4

Se você nunca percebeu, saiba que és a mulher que mais me encanta.

adenildo lima

Improviso 3

Tudo parecia perdido para ela, até o momento em que descobriu que ainda podia sonhar.

adenildo lima

Improviso 2

Ela deitou triste, cansada da vida. E nunca mais acordou.

adenildo lima

Improviso 1

Não, não tenho medo da morte, tenho medo de não viver o suficiente o que eu desejo.

adenildo lima

terça-feira, 18 de maio de 2010

Um dia no parque

O dia parecia simples, como qualquer outro dia, o sol tinha nascido meio envergonhado, no meio das nuvens, como se estivesse querendo se esconder, mas aos poucos foi surgindo, surgindo, surgindo... Eu e Paula saímos para um passeio, estávamos com vontade de abraçar a natureza, deitar em cima da grama de algum parque, ficar olhando as pessoas passando, conversando, rindo, brincando e deixando a tristeza do lado de fora do parque.

Fomos para um parque onde uma paz reina naquele lugar. Logo na entrada os funcionários deram-nos bom dia, recebendo-nos com um sorriso, estendendo as mãos e entregando o mapa do lugar. Eu e Paula entramos e, parece que algo nos abraçava, uma harmonia gostosa vinha ao nosso encontro; era a primeira vez que estávamos indo ali.

Enquanto passeávamos, ficamos olhando os detalhes do lugar, uma praça do amor - brincamos dizendo que íamos nos batizar ali -, logo depois um templo, alguns aquários ao ar livre, jardins de flores e, bem a nossa frente estava um mundaréu de água.

- Cauê, aquilo é uma represa?
- Sinceramente, não sei, Paula, mas parece.
- Nossa, que paz, que lugar sagrado, até o solo, onde estamos pisando remete harmonia.
- Realmente, aqui é maravilhoso, a partir de hoje, virei sempre.
- Ah, eu também, Cauê, e não vá me esquecer, tá?

Seguimos nosso passeio, chegamos num lugar bem agradável, defronte para a represa, ali, em cima daquela grama, e sentamos. Paula me mostrou alguns poemas que ela tinha escrevido, li, comentamos, ela disse que estava selecionando, pois pretendia publicar um livro. Eu disse que admirava muito a arte poética, já que eu não consigo escrever nem um verso. Ela riu. Foi uma tarde maravilhosa, conversamos tanto sobre nossas vidas, sobre casamento, ela dizia que morria de medo de chegar aos 30 anos e continuar solteira. Ri tanto ao ouvir aquilo, ela ainda estava com 25 anos e já temia a solidão. Tentei convencê-la que a solidão é boa, mas não consegui.

Antes, eu nunca tinha me encontrado com ela, tinha nos visto apenas de relance, pois a conheci pela internet, e ficamos escrevendo e-mails e e-mails; e-mails tão lindos, tão românticos, muitas vezes até pensei que ela estivesse apaixonada por mim e, talvez, eu por ela, nós nunca sabemos quando estamos apaixonados, apenas ficamos bobos, mas como sou bobo de nascença, não consegui interpretar se estava havendo alguma diferença.

- Cauê, você namoraria uma mulher que está loucamente querendo casar?
- Ah, Paula, o casamento não pode ser antes do namoro, eu procuro alguém pra namorar, ir ao cinema, passear, assim, como estamos agora, mas casar, casar... é loucura a precipitação e você precisa largar esta besteira de querer casar e casar. Você é tão jovem, bonita, simpática, carinhosa... tem tudo para conquistar o homem que quiser.
- Ah, não é bem assim não, tá, apesar de que tem dez afim de mim.
- Nossa, tudo isso? Mas se lembre de uma coisa: o meu pai sempre dizia "Uma mulher pode ter cem afim dela, mas ela ama mesmo o cento e um".

Naquele momento, ela riu, e disse que o meu pai era muito inteligente. E, sem perceber, o sol estava indo, calmamente e, ali, a tarde terminava enquanto olhávamos o beija-flor beijando uma flor.

adenildo lima

A pessoa escolhida

- Você precisa acreditar em mim.
- Eu?!
- Sim, você mesma.
- Mas o que você tem pra dizer, é algum segredo?
- Sim, pois a vida me atormenta demais, a cada segundo que se passa me sinto mais e mais sufocado, procuro uma saída, não vejo, procuro alguém que possa dividir esta dor comigo, não vejo. Preciso que você me escute.
- Mas o que te atormenta tanto, pelo amor de Deus, estou ficando nervosa, o que está acontecendo?
- Estou pensando em partir, sumir e nunca mais voltar.
- Mas pra onde?
- Se isso acontecer, avise a todos que estou bem melhor, você é a pessoa escolhida para passar essa mensagem.
- Logo eu? ... "Mas pra onde ele tá querendo ir? ... Será?!!!..."

adenildo lima

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Virada cultural 2010

Nos dias 15 e 16 (sábado e domingo) deste mês, houve na cidade de São Paulo a Virada cultural. É um evento que tem como objetivo deixar a céu aberto cultura espalhada 24h pela cidade. Vem pessoas, praticamente, de todos os estados do Brasil e, possivelmente, de outros países.

Eu comecei a virada cultural muito cedo, exatamente no horário em que o evento inicia, às 6h da tarde. Fui para o Céu Vila Rubi, e assisti, como abertura, a banda Firma, por sinal, bem harmoniosa; gostei do som deles. Em seguida "O trio virgulino". O trio canta e encanta, lá uniu pessoas de todos os públicos, de crianças a adultos. Com boa música, três grandes profissionais, tendo no currículo shows em toda parte do mundo; cantaram e fizeram a festa para o povo. No no repertório tem músicas de Luiz Gonzaga a Falamansa e mesclando com outros grandes nomes como Roberto Carlos, Mamonas assassinas...

No horário das 10h da noite fui para o centro da cidade. Nas ruas e avenidas milhares e milhares de pessoas vivendo a cultura conforme seus costumes. Assisti alguns shows espalhados pelas avenidas. Lá, foi possível encontrar algumas pessoas, amigos e colegas, entre elas a Lorena Galati, atriz e estudante universitária, uma menina que tenho grande carinho por ela. Em seguida eu, meu amigo, conrado, meu irmão Roberto e mais algumas pessoas fomos para a Praça Júlio Prestes com o objetivo de assistir o TÃO esperado show da internacional bandaLIVING COLOUR, agendado para às 3h da madrugada. E, sem atraso, começou no horário marcado.

Como eu, o Conrado e o meu irmão estávamos com credenciais para a área VIP, fomos sem precisar de ficar no tumultuado público. Mas antes ainda foi possível assistir, no mesmo palco, uma parte do show da cantora CÉU, uma excelente cantora, boa música e, fisicamente, muito bonita. Em seguida, enquanto os próprios músicos da banda Living Colour, montavam o palco, tivemos uma canja do grande e ilustre Zéu Brito, um cantor que admiro muito, com uma música bem humorada, com uma voz bem colocada em suas composições cantou poucas músicas e saiu, dando lugar para a banda estadunidense.

Eu, antes, não conhecia a Living Colour, mas ao assistir ao show, ali, tão próximo, fiquei encantado, músicos profissionais de primeira linha e, como artistas, inteiramente simples, bem comunicativo com o público, sem frescura, o vocalista muito louco, no sentido de arte, no final do show fez questão de subir, ao lado do palco, em cima das caixas de som para ficar mais próximo do público e, não ficando satisfeito, ao finalizar o show, desceu do palco e correu para o meio do povo para se sentir mais próximo daqueles que, ali, estavam o recebendo com muito carinho.

Por fim, cheguei em casa às 8h da manhã de domingo. Muitas outras coisas aconteceram no evento, mas, aqui, restrinjo-me apenas a isso.

adenildo lima

A arte

Na vida, precisamos fazer alguma coisa para suprir, satisfazer ou até mesmo enganar essa invenção - que chamamos de viver -, pois a cada dia que se passa é uma luta constante para encontrar um sentido para cada atividade feita e refeita.

Vivemos numa constante mutação, numa luta constante. Alguns abraçam a religião, outros abraçam as drogas, e eu, abraço a arte. Não que a arte seja o preenchimento para cada vazio encontrado nos labirintos da nossa alma, mas ela é uma ilusão para cada momento vivido e esperado, e para mim, a ilusão é a única coisa real.

Mas alguém já disse que não se vive de ilusão. Vive-se de sofrimentos, de amor, de luta, de perdas, de conquistas... Vive-se como se o último dia fosse aquele vivido, lembrando Renato Russo. E é preciso viver, mesmo que tudo conspire contra, pois na real, alguma coisa sempre favorece. A morte é apenas o começo.

Acho que aos artistas é dado esse direito de saber e ter a certeza que um dia morrerá, para as demais pessoas, acredito que mesmo tendo ciência da morte, não chega a acreditar. Mas a morte é teoria, real é ficar diante de alguém que amamos, vendo-o partir, isso, sim, é real.

E, mesmo que vocês não concordem comigo, digo que, a arte e o artista são tão desconhecidos e ao mesmo tempo tão íntimos um do outro. O artista é uma grande metamorfose enclausurada num casulo chamado corpo humano.Já a arte, cada um faça sua própria interpretação.

adenildo lima

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sentimento de amigo

"Sabia que sou loucamente apaixonada por você?"
"Loucamente mesmo, né? ... Caramba, só depois que eu casei você me fala isso!?"
"É que somos tão amigos, pensei que você nem pensasse que pudéssemos um dia namorar."
"É, eu poderia até não ter pensado, mas você podia ter despertado isso em mim, sempre te admirei tanto!".

adenildo lima

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Por nada

"Por que você não gosta de mim?"
"Por nada."
"Por nada?!"
"Sim, por nada, oh!"
"Nossa, por nada..."
"Exatamente, por nada."
"Nada, então, idiota".

adenildo lima

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A longa estrada que leva a lugar nenhum

Era magra, cabelos encaracolados, sorriso perdido no meio daquela estrada sem fim. Assim estava a adolescente de 17 anos caminhando sem saber pra onde. Fumava um cigarro de maconha e carregava um livro de poemas debaixo do braço.

O nome dela eu não lembro, mas sei um pouco de sua história. O namorado tinha terminado o namoro com ela há dois dias. Ele a pegou com outro rapaz numa esquina qualquer da cidade, transavam como se aquilo fosse o melhor orgasmo de sua vida. O que aquela jovem queria mesmo era prazer. Prazeres múltiplos.

Ali, no meio da estrada, ela perguntava para o vento o que era o amor. Jurava que amava o seu namorado, e que transava com outros para poder acompanhar na moda. Que moda? Eu perguntei a ela. Não soube responder. Parei diante dela e a elogiei, dizendo que ela era muito bonita, ela riu e perguntou se eu queria trepar com ela. Respondi que não.

Ela não conseguiu entender o porquê de eu ter recusado-a. Eu tinha meus 22 anos de idade, e não queria mais uma garota apenas, queria uma mulher que tivesse alma. Falei isso pra ela. Ficou pálida e de seus olhos caíram duas gotas de lágrimas.

─ O que é uma garota que tem alma? – ela perguntou.

Fez-me esta pergunta e me abraçou. Apertou o meu corpo fortemente e chorou como chora uma criança nos braços de sua mãe. Jogou o cigarro de maconha fora, olhou para o livro de poemas e comparou a sua vida com um poema de um poeta desconhecido.

Eu fui embora. Ela apenas agradeceu por ter me encontrado.


adenildo lima

"Bom dia"

Hoje eu acordei pra falar de amor, pois acho que estou inteiramente apaixonado. Acordei, e logo pela manhã vi passar a mesma mulher que passa todos os dias pela calçada da minha casa.

─ Bom dia – ela falou.

─ Bom dia – eu respondi. Nada mais ela fala. É apenas um bom dia, todos os dias. E o meu dia melhora mesmo. Não sei o nome dela, não sei se tem namorado. Sei que ela mora há pouco tempo, na mesma rua que eu moro. Seu sorriso é contagiante e atraente. Ela passa, às vezes com o cabelo amarrado, outras vezes com ele solto. O seu corpo segue os movimentos dos seus pés, como se fosse uma bailarina. Acho que estou apaixonado.

Mas o que é a paixão? Muitas vezes pergunto pra mim mesmo e não encontro respostas. E todos os dias ela passa, e eu, sinto a vontade de tê-la ao meu lado por alguns segundos a mais. E quando ela desaparece, ao virá a esquina, fico imaginando tantas coisas.

─ Acorda, Pedro! A minha mãe fala. Tenho um susto e me levanto rindo, meio perdido. Acho que todo mundo tem vontade de ter alguém pra está ao seu lado, poder dividir as dores, os amores; a própria solidão. Poder deitar nos braços da pessoa amada e olhar nossos olhos dentro dos olhos dela, é maravilhoso.

Eu posso está enganado, mas aquela mulher parece ser muito especial. E quantas vezes moramos ao lado de pessoas especiais e não percebemos, não temos coragem de perguntar o seu nome, de parar por um segundo e lhe dizer bom dia ou lhe perguntar como foi o seu dia? E assim a vida vai passando.


"Tenha um bom dia".


adenildo lima

a crônica da vida

a crônica da vida, acredito eu que, será um texto simples, porém, complicado para escrever, já que a vida não é tão fácil assim. estamos em pleno século 21, e o que podemos ver é uma correria, uma desestrutura familiar, um apego cada vez mais forte a beleza física, a bens materiais, por fim, um vazio enorme toma conta dessa humanidade pós-moderna.

milhões e milhões de jovens e adolescentes têm milhares e milhares de amigos - virtuais -, amigos invisíveis, amigos abstratos. e, esses mesmos jovens e adolescente passam horas e horas na frente de uma tela de um micro computador, procurando preencher um vazio que nem eles memos sabem que vazio é esse. sem dúvida, a internet não é culpada, aliás, a internet é a maior revolução da humanidade dita civilizada, o que precisamos e o que precisa é que essa sociedade seja educada para saber usá-la.

mas fugindo um pouco do mundo virtual, vou tentar entrar no mundo que me parece real. no dia a dia da vida procuramos ser forte e mais forte para aguentar o peso que é posto e imposto em nossas costas e, para fugirmos um pouco disso, procuramos pessoas em que possamos dividir nossas dores, pessoas essas que chamamo-as de amigos.

amigos. palavra bonita, quem de nós não precisa de um amigo? todos precisamos. mas quem são nossos amigos? realmente temos amigos? depois que o meu pai partiu parece que os meus amigos, todos, foram-se junto. não esotu dizendo que me sinto sozinho, aliás, amo a solidão e, sem ela, seira tão só, já que para escrever preciso dela, como estou precisando agora.

na vida, sempre fui forte diante das consequências, e sou muito forte, mas com o tempo descobri que ser forte demais não é tão bom o quanto imaginava antes. tenho vários amigos, sou bem popular, tristeza em mim, quase impossível encontrar, mas infelizmente ou felizmente, existem momentos em que a gente precisa dividir nossas dores.

e eu já precisei várias vezes. uma dessas vezes, lembro muito bem, foi com uma namorada, paramos na estação de metrô e ficamos conversando e, ali, comecei a falar que não estava muito bem. ela riu, e riu, e riu. nada eu entendi. perguntei a ela o motivo do riso, ela disse que eu também passava por momentos assim, nem podia acreditar. continuei sem entender. ela finalizou "você é humano, nossa! você também sofre, e isso me deixa feliz". confesso que tive vontade de xingá-la, mas não, tentei entender a reação dela, só que ali, eu me fechava para desabafar qualaquer dor, mais pessoal. mas compreendi que ela sentiu uma felicidade por ouvir de mim, algo que talvez, aos olhos dela, me colocasse como fraco.

e o tempo passa, e eu percebo que quando vou conversar com alguém para falar, dividir algum sentimento pessoal, a primeira coisa que escuto é: nossa, mas você é tão forte, por que tá assim?"

e eu, agora, vou vivendo, talvez, acreditando que sempre estamos sós. e abraço a solidão, e como sou feliz. e já não sei mais o que é virtual ou real. sei que preciso viver, e bem. rs

adenildo lima


quinta-feira, 6 de maio de 2010

LB Persona, o filme














Galileu Garcia dirige o filme LB Persona, prestando uma homenagem ao seu amigo Lima Barreto, diretor de um dos filmes mais aplaudidos na Europa, na década de 50, O cangaceiro, e está sendo realizado pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz.

A Vera Cruz é a mesma que produziu o filme O cangaceiro, em 1953, que teve Galileu Garcia como assistente de direção e, também, atuando como ator. Justamente agora, depois de 33 anos sem produzir nenhum longa, ela volta levantando a poeira com LB Persona.

Hoje à tarde, liguei para o Senhor Galileu, e pude perceber como ele está empolgado, feliz - extraordinariamente contente - pela realização deste filme que, inclusive, ele é autor do roteiro. Um roteiro bem escrito, trabalhado com toda a sutileza pelas mãos dele. Ele que, sem dúvida, é patrimônio nacional, pois é impossível falar de cinema e não citá-lo.

Quando li o roteiro, ao pedido dele, o ano passado, tive uma felicidade muita grande, depois que eu li, conversamos aproximadamente umas duas horas. E ele comentou várias vezes sobre o cineasta Lima Barreto, da pessoa brasileira que ele era, e continua sendo, pois o artista não morre, e Lima Barreto não morreu, apenas partiu, assim, como todos nós faremos um dia, essa partida.

Aproveito também este espaço para comentar do livro escrito pelo senhor Galileu, que foi lançado o ano passado, na livraria cultura, no shopping Villa-lobos. O livro "O caipira mais caipira do Brasil" conta a biografia de Mazzaropi. Ficou um livro muito bem trabalhado, lembro as horas e horas em que eu e o Senhor Galileu nos reunimos para fazer o melhor. Eu fui coordenador da edição.

Mais informações sobre o filme que está sendo gravado, visitem a pagina: http://lbpersona.blogspot.com

adenildo lima

domingo, 2 de maio de 2010

encontro casual

Hoje, antes de acordar, sonhei com a felicidade, e ela estava triste. Corri ao encontro dela, e ela estava entre o abismo e o infinito. Ela, olhou para mim, convidou-me para ir com ela, tive medo. Ficou ainda mais triste. Mostrou-me o mundo e todas as possibilidades existentes, apontando para a palma da minha mão. Em seguida, pediu para que eu observasse cada lugar que os meus pés pisassem. E eu não entendi. Ela, triste, olhou para mim, e falou que o espelho estava deformado. Ao acordar, eu falei comigo mesmo: ainda bem que acordei antes de o dia amanhecer.

adenildo lima

lembranças

enquanto a vida passa
algo repassa dentro mim
lembro de nós dois
ali
na cama
ali
na lama
ali
na chama
e nessas lembranças
alguma coisa em mim
proclama
risos
beijos soltos ao léu
passeios
teatro
shows
festas
é
a vida é o que vivemos

adenildo lima

Flores e cinzas no asfalto

Ele bebeu, bebeu e bebeu. Depois entrou no carro, pegou a estrada em alta velocidade, e nunca mais voltou.

adenildo lima