quarta-feira, 28 de abril de 2010

Fazer amor

"Mãe, o que é fazer amor?"
"O quê?!! e eu sei lá o que é fazer amor, menino... que pergunta!"
"Ah, mãe, fazer amor, acho que a senhora sabe o que é e não quer me dizer."
"Mas onde tu viu falar nisso, menino?"
"Foi ontem, mãe, quando a senhora foi dormir, eu ouvi pai falar baixinho:'É hora de fazer amor'. E a senhora fala que não sabe... até parece."
"Oh, julinho, mas tu agora fica observando teu pai falar, é? Que coisa mais feia..."
"Coisa feia, a senhora fala... Feio é a senhora não me dizer o que é fazer amor, isso sim, é feio, a mãe não tirar as dúvidas do filho."
"Mas, Julinho, eu também não sei... e nunca ouvi dizer que se faz amor."
"Ouviu, sim. Pai falou ontem com a senhora."
"Julinho, você sabia que já é hora de dormir, já passa das dez da noite, e criança não pode dormir tarde. Vamos dormir, julinho."
"Não! Não vou dormir, a senhora não respondeu a minha pergunta."
"Tá bom, vou responder."
"Legal, mãe, eu sabia que a senhora é a melhor mãe do mundo..."
"Fazer amor é...."
"É o quê, mãe? Nossa como a senhora enrola... Oba, pai chegou, agora ele me responde... Pai, pai... o que é fazer amor?"
"O quê, menino?!"
"Fazer amor, pai, o senhor também não sabe...?"
"Ah, sei sim, filho. Fazer amor é acordar às 5h da manhã pra ir trabalhar , arrumar dinheiro e trazer alimento pra matar a fome de vocês, e ainda sobrar um pouquinho pra pagar as contas."
"Nossa, então fazer amor não é quando deita, e sim quando acorda, né?
"Ham, o quê, filho?!".

adenildo lima

terça-feira, 27 de abril de 2010

Mulher

Mulher, nunca esqueça o quanto te amo, o quanto amo esse poema andante, que, diante dos meus olhos é a obra mais perfeita já feita neste planeta chamado Terra. Teus cabelos, quer sejam longos, quer sejam curtos, quer sejam o que são, pois nunca deixarão de ser como ventos e tempestades, destruindo-me e, ao mesmo tempo, aliviando essa dor, aqui, neste peito que, na vida, só aprendeu a te amar. E como eu te amo, mulher! Esse teu corpo andante como nunca dantes vi obra de arte caminhar diante dos meus olhos. E quando me aproximo de ti, e aos poucos, as nossas roupas vão sendo tiradas por nossas mãos... mãos cheias de carícias! E quando sinto os bicos pontudos de seus seios encostando em mim, os nossos corpos se unem, deixam de ser dois corpos transitando em plena madrugada, e passam a ser apenas um, sim, apenas um: eu e você, você e eu. E nada mais!!!

adenildo lima

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Endereços e códigos

O medo é a derrota de quem nunca teve a coragem de conhecer a vitória.

adenildo lima

sábado, 24 de abril de 2010

Nauseando 8

"Depois do projeto de carta que me levou a escrever 30 cartas, volto a escrever o Nauseando. Gosto destes textos, pois eles me colocam diante da realidade e, aqui, transformo em ficção."

Natália, menina nobre, no sentido de educada, humana... Casou-se muito jovem, tinha apenas 18 anos de idade. O maior sonho dela era ser feliz, e felicidade para ela significava viver bem com um homem debaixo de um teto; já que ela nunca teve pai. Ela foi criança abandonada, viveu nas ruas de uma grande cidade até aos 12 anos de idade, isso, desde os 7 anos.

Garota esforçada, viveu como uma louca na vida. E era louca, já que loucura podemos interpretar como algo que foge dos padrões da sociedade, no sentido filosófico e humano do tema discutido. O nome do esposo dela era Ribeiro, talvez nem tivesse importância citar o nome dele aqui mas, como já citei, não vou tirar.

Ribeiro amou Natália com0 qualquer mulher neste mundo gostaria de ser amada. Era um homem presente na vida dela, carinhoso... E como eles eram felizes. Mas a vida é uma incógnita, quanto mais vivemos, mais queremos conhecê-la, e tão pouco a conhecemos, e se conhecêssemos, como seria chato viver.

Natália já estava com 21 anos de vida, quando soube que Ribeiro, o seu grande amor, estava morto, tinha sido assassinado em uma rua qualquer, sem motivos e sem explicação, apenas como reflexo de uma sociedade dita humana - esta sociedade capitalista em que vivemos. Ela quis morrer, cometer o suicídio, mas nada disso traria a vida do seu amado Ribeiro, de volta. Cabisbaixa deixou o tempo passar. Depois de 3 anos, sem se envolver com nenhum homem, descobriu que Ribeiro nunca tinha abandonado a sua primeira namorada. Isso foi pior do que a morte dele, para ela.

E, diante do tempo, Natália descobriu que a felicidade é o que vivemos no presente. Assim, ela pôde casar mais uma vez, e não deixar de viver. Já que a vida de cada um é a vida que cada um vive, e faz. E Natália já nem quer mais ser feliz, quer apenas viver a felicidade em cada dia vivido.

... E viver é uma grande invenção...

adenildo lima

terça-feira, 20 de abril de 2010

Diálogo meio desagradável

"Bom dia."
"Bom dia."
"Carla, você lembra de mim?"
"Desculpa, nunca o vi antes."
"Nossa, você até falou que me amava."
"Querido, cai na real, lá eu sou atriz. Por favor, não misture personagem com vida real."
"Mas o que é real: a sua vida ou a sua personagem...?"

adenildo lima

O paraíso e a eternidade

Ah, o teu cheiro, menina, adentrando-me, fazendo o meu corpo tremer aos delírios que o amor... que este amor guardou para nós dois. O teu olhar diante dos meus olhos e a tua pele suave com sabor de mel faz com que eu não sinta mais a existência "que muitas vezes considero banal" vivida lá fora. O meu mundo é aqui contigo, abraçado ao teu corpo, sentindo a tua pele abraçada a minha, sentindo os nossos corpos deixando de serem dois para serem apenas um... como é gostoso ouvir seus sussurros de amor no meu ouvido. E obrigado à eternidade por fazer com que este momento seja um dos mais importantes vivido por nós.

E amar é se entregar...

adenildo lima

domingo, 18 de abril de 2010

Sem tempo

Amar é ultrapassar as barreiras do tempo, já que para o amor não há tempo, há tempo apenas para amar.

adenildo lima

o afogamento do peixe

Neste mundo capitalista em que vivemos, pobre já nasce morto, o que ele precisa fazer é ressuscitar.

adenildo lima

Passagem de tempo

A menina saiu para uma balada à procura de um homem para casar. Encontrou, mas infelizmente durou muito pouco, ele não se adaptou com a vida de caseiro.

adenildo lima

A crônica do dia anterior

Ontem, no período da tarde, fui à vila Mariana, alguns amigos me chamaram para bebericar umas conversas, junto com uma cerveja, e fui. Fui de ônibus. Sexta-feira, dia bonito, um pouco frio, um pouco quente, um belo dia para um encontro amigal, mas o que eu quero escrever neste texto, não é sobre o encontro com os amigos, que religiosamente a gente sempre se encontra, eu até acho que a única turma que terminou a facul e continua tendo os vários encontros, é a nossa. E voltando ao assunto, vou falar de algo que aconteceu comigo enquanto estava no ônibus.

Sentado, na poltrona, entram várias e várias pessoas, como de praxe, mas uma me chamou a atenção. Foi uma jovem menina, que aos meus olhos, linda demais! Sim, já estou enfatizando, pois, aos meus olhos ela é linda demais! Ela sentou na minha frente e, confesso, fiquei pasmo, olhei-a fixamente, o rosto, os cabelos, o olhar, a fisionomia dela, encantaram-me. Fiquei pensando comigo mesmo em um dia poder namorar uma garota linda, aos meus olhos, igual a ela, mesmo sabendo que já namorei garotas tão lindas quanto ela ou mais, mas não vivo de passado e, naquele momento ela era o meu presente.

Pensei em puxar um papo com ela, não tive coragem ou, talvez, não encontrei um assunto para iniciar, então, a única coisa que eu podia fazer era apreciar aquela obra de arte viva diante de mim. E foi o que eu fiz. Mas sem esperar algo aconteceu, algo que me deixou meio perdido, meio sem me encontrar.

- Olha como o sol está lindo, né?
- Ham, desculpa, não entendi.
- olha como o sol está lindo...

Ela repetiu. Sinceramente, eu não esperava que ela fosse puxar conversa comigo, mas iniciou. E comecei a conversar com ela, e em poucos minutos fiquei sabendo bastante da vida dela. Ela falou que fazia moda, e falou o nome da faculdade. Falei que tenho uma amiga que se formou em moda há pouco tempo. Ela falou que trabalha numa ONG, eu perguntei onde era, ela disse. Perguntei se ela g0stava, ela respondeu que sim, que gostava muito, pois trabalhava com crianças da periferia. Perguntei se ela morava na vila Mariana mesmo, ela disse que sim. Por fim, tivemos uma conversa bem conclusiva, inclusive ela falou que a mãe dela era professora. Falei que, também, sou. E ao falar sobre arte, eu disse que não entendia muito de moda, mas vivo neste mundo da arte. Ela perguntou o que eu fazia, eu disse que era escritor de literatura infantojuvenil e poeta.

Sinceramente, eu acho que ela não acreditou nas minhas palavras, mas fazer o que se eu estava apenas falando a verdade? Diante dela fiquei, como que paralisado. Sabe, amigo leitor, quando nós ficamos diante de alguém e não queremos perder o contato, foi assim que me senti. Veio-me uma vontade louca de ficar mantendo contado com ela, sei lá, de poder me encontrar com ela outras vezes, perguntei o nome dela e, se eu não esqueci, ela falou que se chamava Ana. Perguntei se ela estava com caneta para notar o link do meu blog, ela disse que não.

E esse não me deixou meio triste, confesso, gostaria de poder manter contato com ela. Ela me encantou. Falei o nome do meu blog, e pedi pra ela acessar, ela disse que acessaria, mas acredito que não, que ela não vai acessar.

Assim é a vida.... encontros e desencontros do acaso....

adenildo lima

quarta-feira, 14 de abril de 2010

É para poucos

Amigos leitores, neste texto, vou confessar um pouco de mim, para vocês, talvez eu não consiga me expressar, assim, como muitos gostariam de saber, mas prometo fazer um breve relapso de alguns detalhes pessoais. E bem pessoais! Só que falar de nós mesmos é algo muito chato, até mesmo pelo simples motivo de não nos conhecermos bem. E se a gente se conhecesse, vamos ser sinceros, seria ruim, pois, já que a vida é uma longa descoberta. E descobrir em nós mesmos, mistérios que só as estrelas podem revelar, isso sim, vamos ser mais sinceros ainda, é para poucos. Acordar pela manhã e poder abraçar o sol, senti-lo adentrando a nossa alma, deixando fluir em nós um ar de liberdade, mesmo que seja em um lugar agitado, como nas grandes cidades, olhar o dia vindo de encontro a nossa existência, e fazendo parte de nossa história; vamos ser sinceros, é para poucos! E amar a todos sem se preocupar com o que vai receber, sem o interesse da troca, apenas amar por amar, e amar sem escolher a quem... amar as pedras que caminham pelas calçadas, amar os fantoches andantes, e poucos simpáticos, amar o grito do cidadão que luta por seus direitos, amar aos sobreviventes que habitam debaixo dos viadutos, nas calçadas... sobreviventes esses que nós mesmos abandonamos. Sim, vamos amar a moça que sentada por detrás de uma mesa de escritório, com um diploma guardado, quase sem ser utilizado, entrevista as pessoas, e escolhem alguém, conforme foi projetado pela empresa e, muitas vezes ignora até mesmo o sapato velho que o entrevistado usa. Coitado do entrevistado, já está desempregado e ainda ser obrigado a se vestir conforme exige o mercado empresarial. É complicado morar numa sociedade onde as pessoas não olham mais no seu rosto para te ajudar, olham, na verdade, para encontrar um deslize, para te condenar, é complicado viver numa sociedade onde o cérebro humano passa a ser os bens materiais, pois o SER nesta pós-modernidade, cada vez mais está sendo trocado pelo TER. Mas precisamos amar amar mesmo que a maré esteja forte demais contra nós. O que não podemos é repetir os atos desumanos, e já que temos essa consciência, só amando podemos mudar o mundo, e o mundo não está muito ausente, está dentro de cada um, no olhar de cada um...

Amar, neste tempo agitado, não é mais um verbo, é ação mesmo, e nossa!

adenildo lima

Diálogo curto

"Carolina, por que guardas tanto amor, aí, dentro de você, e nem me olha, deixando-me nesta maldita solidão? Por que, Carolina?"

"Porque se eu for dividir contigo, a sua solidão aumentará bem mais".

adenildo lima

sábado, 10 de abril de 2010

solidão noturna em pleno meio-dia

solidão é uma palavra bonita e suave aos meus ouvidos. e que digam os artistas! solidão não existe para quem conhece a vida, existe para as pessoas que nunca passaram por uma dor; digo: uma dor. perguntem para um habitante de rua, o que é solidão!? possivelmente ele responderá que é um vazio nos olhares das pessoas mascaradas com o uniforme imposto pelas mídias. e eu, pobre rapaz sonhador, já não consigo mais enxergar humanos caminhando; na verdade, nesta pós-modernidade, não caminham, correm, e pra onde, ninguém sabe.

parece filme, mas as cenas são bem cinematográficas. e bonecas enfeitam as passarelas, e correm pelas calçadas nas avenidas, e nas vitrines, os manequins estão perdendo espaço. hoje, de humano, talvez só reste a esperança de um beijo sem vir com uma faca pelas costas.

mas hoje me veio uma solidão através dos olhares perdidos destes passantes

adenildo lima

quinta-feira, 8 de abril de 2010

caixa baixa em ângulos iguais

menina, você procura em mim o seu ego, algo que satisfaça o teu egoísmo. você bateu na porta errada, impossível enxergar letras maiúsculas na minha face; letras maiúsculas diferenciam palavras num texto. Ontem abri a janela e vi pássaros fazendo festa no céu, cantavam festejando o sorriso no olhar de uma criança que brincava com flores vivas e secas no campo. menina, se você veio procurar em mim o seu ego ou algo que satisfaça teu egoísmo, em mim, não há letras maiúsculas.

adenildo lima