sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

História parte 1

Numa casa com um quarto, uma sala e uma pequena cozinha morava seu João. Sozinho. Sim, ele morava sozinho. Trabalhava como jardineiro de uma escola pública; cuidava das flores. (amigo leitor, a história de seu João é linda que me sinto emocionado ao descrevê-la, mas preciso contá-la, só que resumidademnte).

Cuidava das flores, quando chegava em casa não tinha muita coisa para fazer, sentia um vazio, uma solidão, nunca teve filhos, a esposa faleceu e ele não se casou mais. Até que um dia conheceu Juliana. Juliana era uma adolescente de apenas 15 anos de idade, morava com a avó, senhora tradicional. Juliana sofria muito nas mãos de dona Benedita.

De um lado seu João, do outro lado Juliana, jovem, simpática, mas vivendo, praticamente, da mesma vida que o jardineiro. Que eles eram solitários? Não, acredito que não, viviam apenas sozinhos. E o que é ser sozinho, né, amigo leitor?

adenildo lima

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Nauseando 7

Um poema. Pra que serve um poema? - Perguntou Elisa. Pra nada, ou pra tudo, vai depender do leitor. - Respondeu José. Um poema foi o que Elisa recebeu no dia do seu aniversário do rapaz que ela estava namorando. Esperava receber um presente de grande valor representativo, no sentido dinheiro. Mas não foi isso que Carlos deu pra ela.

Carlos amou Elisa por uma década e alguns anos mais. Muitas noites deitava e não conseguia dormir, ficava pensando em estar ao lado dela, vivendo com ela, amando-a e sendo amado. Por ela ele mudou o jeito de viver, a maneira de vestir-se, o comportamento; mudou inteiramente pra conquistá-la. E deixou até de arrumar namorada.

Elisa era do tipo menina-boneca, às vezes meiga, noutras vezes burguesinha. Carlos era o rapaz que de bem material tinha apenas um um par de chinelos, uma bermuda e uma camiseta e, no olhar, um pouco de poesia. Ele quando a via com outro, entrava em desespero, até chorava. Era um rapaz de uma sensibilidade incrível, respeitador, trabalhador; tinha tudo o que uma grande mulher procura num homem.

Com mais de 10 anos de batalha, ele conseguiu conquistá-la. Digo, namorá-la, conquistá-la não sei. O amigo leitor a partir de agora fica sabendo o que Elisa foi capaz de fazer com ele. E eu também ficarei sabendo, já que estou escrevendo sem saber como este texto vai terminar.

Elisa tinha olhos verdes, cabelos loiros, pele amarelada e media 1,60m de altura. Tinha um corpo em forma violonado e um sorriso contagiante. Ao começar namorar com Carlos, os primeiros dias até que foram bem legais, mas Ele era do tipo de homem que confiava tanto nela, e estava tão feliz por ter "conquistado-a" que não media palavra para falar dos seus sentimentos.

Elisa pela primeira vez percebeu que podia fazer o que bem quisesse com ele, já que ele estava cego, louco e incapaz de reagir àquela paixão. E foi o que ela fez.

Depois de 3 meses de namoro, desprezava-o, tratava-o como se ele fosse um incapaz. E foi justamente no dia do aniversário dela que tudo aconteceu. Ela rasgou o poema, jogando-o nos pés dele. "pra que eu quero um poema, deixa de ser brega, idiota!"

Ele ouviu aquilo e ficou sem querer acreditar, pois além do poema ele tinha comprado outro presente, o presente que ela tanto queria. Mas ela não sabia, era surpresa, pois o poema representava a sensibilidade de um homem apaixonado, mas quem disse que era isso que ela queria?

Carlos sentiu vontade de chorar, mas naquele momento ele descobriu o segredo da vida - pelo menos pra ele, pra vida dele - olhou pra ela fixamente, falou do presente que tinha comprado, cuspiu na face dela e finalizou com esta frase:

"Melhor seria se eu tivesse me apaixanado por um verme, já que você, neste momento, tem menos importância do que as bactérias que vão comer teu corpo."

Falou isso, virou-se e foi embora. E aprendeu a respeitar o tempo, sem perdê-lo nas ilusões improvisadas.

adenildo lima