sexta-feira, 13 de novembro de 2009

carinho ninar

Era sexta-feira, Viviane saiu rua afora, nas noites paulistanas. Desceu na estação brigadeiro, e ficou passeando pela paulista. Cabelos soltos, vestido ao léu, sentou num lugar qualquer, ficou observando as pessoas passando, indo e vindo vindo e indo. Observa também os bares, todos lotados, noite quente. E as pessoasali tirando um pouco do estresse do trabalho. Sentou-se, sozinha, numa mesa posta na calçada. Sentada e saboreando uma cerveja, ficou olhando o movimento dos transeuntes. Lá dentro, um rapaz cantava e tocava Zé Ramalho. E como o relógio não espera ninguém, já era meia-noite. Tirou de sua bolsa um diário e fez um rascunho qualquer.

o mundo corre na velocidade
do lugar onde você mora
as pessoas são o que é a cultura
daquele lugar
o ser humano é uma metamorfose
ao mesmo que é racional
é máquina
ao mesmo tempo que é máquina
é selvagem
nós somos o que sonhamos ser
e não somos o que somos
somos, na verdade, uma metáfora

Ela escreveu estes versos, embrulhou e pôs na bolsa. Não sabia se era um poema, apenas escreveu para expressar o que estava sentindo. Depois pagou a conta e foi passear abraçada à noite.

adenildo lima

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