quarta-feira, 7 de outubro de 2009

dona núbia

95 anos vividos, dona Núbia tinha assistido a muitas cenas da vida, inclusive cenas da 2ª guerra mundial, mas sexta-feira, de uma data não noticiada pelos jornais brasileiros, ela partiu, abraçando o seu corpo, deixando voar o pássaro que estava ali, em si. Dizem que o sol mudou de cor, que o vento abrandou as dores dos seus familiare e que no chão de concreto nasceu flores.

Dona Núbia, mulher forte, mãe de uma nação, partiu, deixando milhares de pessoas sonhando com uma vida mais humana, menos desigual. Antes de partir, ela chamou seus 200 netos, seus vários filhos e tantos parentes mais - ao todo somaram 1500. E, diante deles, lembrou dos 500 anos de Brasil, lembrou dos milhões e milhões de negros e índios assassinados; diante dessa lembrança, ela chorou.

Ela viu o engenho nascer e ser destruído pela ganância humana, viu as crianças correndo e sendo assassinadas pelo sistema capitalista-buracrático-moderno-pós-moderno; o sistema que a humanidade tanto gosta. Ela viu e assistiu à 1ª guerra mundial, e viu chegar a 2ª guerra, viu nascer o sonho comum, o sonho de um comunismo, cheio de idealismo. E, leu o manifesto comunista ainda em alemão; teve vontade de ser socialista, e foi.

Ela sempre soube construir o seu mundo, um mundo de paz, fora das guerras; mas quase foi assassinada por uma bala que saiu de uma indústria, e foi. Mas, mulher forte que era, nunca cruzou os braços, nunca vendeu seus sonhos. Dona Núbia viveu 9 décadas e a metade de outra, deixou uma história, deixou uma família... E deixou também uma herança, chamada amor.

Dona Núbia continua nos olhares de quem acredita que o mundo pode ser melhor, e será. Basta não vendermos a alma, pois em algum lugar existe alguém que ama.

adenildo lima

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