sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O voo do pássaro que deixou a menina

O sol vem surgindo por detrás das montanhas artificiais, uma menina abre a janela do seu apartamento e abre os braços recebendo o calor e o carinho do menino sol. As avenidas estão todas paradas e, aqui de cima parece que lá em baixo é uma paz só; engano dos olhares meus que sonham com esse momento. A menina continua com os braços abertos, e um sorriso sai com ar de liberdade do seu semblante. Vem um vento e balança seus cabelos ondulados; o sol a aquece mais e mais - ainda são 7h da manhã -. Ela entra e resolve tomar um banho para lavar a alma e encarar o dia lá embaixo. Tira a roupa, se despe - fica nua - abre o chuveiro e uma água morna lhe aquece, e aquele corpo molhado é pura obra de arte: seios, pernas, sexo... olhar. A menina veste seu uniforme, calça seus saltos altos, põe maquiagem, pega a pasta e sai. A menina da janela já não existe mais. O trânsito a deixa nervosa, fora de si, alguns rapazes dão olhares perdidos pra ela, e ela faz de conta que não está vendo nada, mas em segredo, fica feliz por saber que está sendo observada. Chega no escritório, uma máquina toma conta daquela menina uniformizada. Ela, olha-se no espelho e não consegue enxergar aquele olhar que pela manhã abraçava o sol. É séria, é senhora... O dia passa, a lua surge perdida, misturada com as luzes da cidade. A menina chega em casa, tira aquele uniforme, deita em sua cama, e chora, e chora, e chora. A menina lua é tão carinhosa.

"Quem sou eu?" - Ela se olha no espelho, abre a janela do quarto, abre um sorriso para a lua, e voa.

adenildo lima


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