sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O que resta de mim?

"O povo daqui só anda correndo, nem sabe pra onde"

Partindo desta frase, eu começo este texto, amigo leitor. Conversando com uma jovem que está aqui em São Paulo há menos de dois meses, ela fez essa observação. Podia ser uma frase como outra qualquer, mas para mim, não foi. Isso, para mim, é um resumo de todo um contexto da sociedade "dita" civilizada.

Os moradores de uma cidade grande corre corre sem saber para onde. A rotina de vida se torna algo abusivo: acorda pela manhã, pega ônibus, trens, metrôs... todos lotados. Os ônibus e os carros passam horas e horas no mesmo lugar. O trânsito sufoca, maltrata, estressa... Pior, o cidadão chega no trabalho e repete tudo o que fez ontem, amanhã a mesma coisa... e para sempre amém rs... volta para casa, deita, dorme, acorda... volta tudo de novo.

O ser humano, com essa globalização, põe valor em tudo, e falo de valores capitalista.s Você vale o quanto vale o seu carro, a sua casa... O humano em si, está morrendo, suicidando-se aos poucos nessa correria à busca de beleza que o mundo pós-moderno oferece. Quando a moça falou para mim "as pessoas daqui só andam correndo, nem sabe pra onde", ela definiu o que é a humanidade de hoje, sem objetivo, sem um ponto de partida e muito menos um ponto de chegada.

E que não levem a mal os gramáticos, mas coisar para mim, hoje, é verbo: a nossa sociedade civilizada está se coisificando coisa.

É, mas na arte ainda podemos ver um pouco do que resta de humano.

adenildo lima

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