domingo, 27 de setembro de 2009

As estações

E surgia a Primavera no olhar da minha prima Vera. Flores começavam a nascer enfeitando a ilha. E a ilha era uma casa perdida no meio de um lago cercado pela natureza.

Mas flores crescem, formam jardins e até sorrisos nos olhares das crianças. Depois secam dando lugar ao Verão. E no Verão as crianças se apaixonam pela poesia deixada nas folhas secas de cada pétala de flor.

A prima Vera já não é mais criança, já passou duas estações na vida. Agora, ela entra num período de transição: o Outono começa.

Vera conhece as indústrias, a vida humana, a vida dos humanos. O poder humano é tão forte que faz despertar no lugar das flores um monstro. A minha prima Vera briga, xinga, trai e até mata.

Sem rosto, sem flores no olhar ela volta para ilha. Aquela casa perdida no meio da natureza, cercada por um lago. E a criança que nasceu na Primavera fica adormecida no olhar da prima Vera.

E depois do Outono vem a Primavera.

Adenildo Lima

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

maria

e pode, maria
nessa agonia
o que é ilusão
ou o que é fantasia?
maria,
já que pode,
ajuda à maria
a resolver a dor
que mais doía
e dói.
oh, maria!

adenildo lima

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Nauseando 5

Queridos leitores, este texto vai falar de uma paixão, diria que, proibida, acredito que todos nós já passamos por isso. É uma loucura, uma náusea destrói a gente aos poucos, né? O sentimento de paixão é bom, quem dirá que não? Mas é sofrido, principalmente quando vem com seus empecilhos. Mas vamos lá, antes que o amigo leitor se canse e desista da leitura deste texto que estou escrevendo com tanta inspiração, com tanto amor, intusiasmo para relatar os detalhes e causas dessa paixão nauseante.

Nauseante é uma palavra estranha, mas é da mesma família de náusea, não se assuste. Vamos lá, leitor, pois neste momento estou com a mesma sensação que você: como vai terminar? Como é essa paixão proibida? É, escrever é uma tarefa árdua, doce, amarga, prazerosa... Eu prefiro chamá-la de prazerosa.

Karina, ao fazer 19 anos, casou-se. Casou com um rapaz encantador, para ela. Ela namorava com ele desde os 14 anos de idade, parecia amor eterno, eteno amor, mas será que existe amor eterno ou eterno amor? Não sei, confesso que prefiro descobrir os mistérios desta palavra vivendo e convivendo, já que não existe nem passado, nem futuro, é preciso dormir e acordar no presente.

Aos 17 anos, Karina teve o seu primeiro ato sexual - ela conta que foi maravilhoso - foi um pouco difícil: a timidez, o medo... Esses sentimentos, no momento, deixou-a meio preocupada, mas ao sentir as mãos do seu grande amor, deixando-a despida, ela se entregou loucamente, e se amaram sem medidas.

A vida corre, os dias passam e Karina começa a faculdade aos 21 anos de idade. O casamento já não era o mesmo, a rotina estava levando, aos poucos, aquele amor. Ela conheceu Cauê, na hora do intervalo da faculdade. Cauê estava com um livro de poemas nas mãos, lendo, ali, no pátio da facul, todo despreocupado.

"Cauê, esta é minha amiga, Karina."
"Prazer."
"Você gosta de poesia, Cauê?"
"Gosto muito."
"É tão difícil encontrar um homem, nestes dias atuais, apreciando poesia."

Um dia sim, um dia não eles passavam de relance um pelo outro nas horas de intervalos, às vezes na chegada, noutras vezes na saída. Karina começou a ser dominada por um sentimento, que ela acreditava ser proibido. À noite, sonhava beijando Cauê, entregando-se a ele de corpo e alma. Deitada, e o sono não vinha.

É, amigos leitores, difícil ficar perdendo noites de sono, principalmente quando ao lado daquela pessoa tem alguém que divide o mesmo espaço, que se amaram um dia, que se entregaram como se nada mais existisse. Mas Karina estava inteiramente dominada por aquele sentimento, um sentimento às vezes bom, noutras vezes destruidor. E ela não sabia o que fazer.

"Cauê, você tem namorada?"
"Tô procurando, você tem alguma amiga, assim, sabe... que eu possa me entregar a ela e viver lindos momentos de amor?" - falou com um jeito bem distraído.

Karina, naquele momento, quase foi ao chão, ela queria dizer que a amiga que ele estava procurando podia ser ela mesma, mas quem disse que ela teria essa coragem, e outra, ela era casada.

O tempo foi passando, e esse tempo já era dois anos destruindo aos poucos a sensibilidade daquela menina de cabelos compridos, olhar distraído e com um sorriso que faziam todos rirem, quando estavam ao lado dela.

Cauê arrumou uma namorada. karina, sofreu bem mais, perdeu as esperanças, se posso usar esta frase "perdeu as esperanças". Em sua casa, o casamento não dava mais pra continuar, estava insuportável.

Sozinha, sem o marido, karina estava livre para namorar Cauê, mas Cauê estava namorando, e estava bem com a sua namorada. Karina nunca conseguiu demonstrar abertamente que era apaixonada por ele.

É, amigos leitores, e a vida vai passando, o tempo não espera, inclusive a mim, o tempo vai embora, exemplo: estou no trabalho e saio às 5h da tarde e agora são 4h32, quando falta 15 minutos pras 5h, eu deslico o PC, isso quer dizer que ainda tenho, agora, 12 minutos.

A namorada de Cauê terminou o namoro. Karina tinha o seu espaço livre para o concretizar seus desejos, seus sonhos. Aproximou-se mais dele, mas mesmo assim, um pouco ausente. Só que um abraço carinhoso, fez com que ele percebesse que ela estava gostando dele.

"Lucas, tua amiga tá gostando de mim, sabia?"
"Como assim? Ela é casada."

Lucas ainda não sabia que ela tinha se separado (os leitores deste texto ficaram sabendo primeiro do que o próprio amigo de Karina, tá vendo? ). Sim, ela tinha se separado. Depois da separação, Cauê e Karina ficaram mantendo contato, mais próximos, quase um ano.

Uma noite. Numa noite tudo pode acontecer. Eles estavam entre amigos, beberam, riram, brincaram. Karina, sem dúvida, acreditava que daquela noite não passaria.

Cauê, muito educado, foi levá-la até à estação de metrô. Enquanto caminhavam, beijaram-se loucamente. Karina nem conseguia acreditar no que estava acontecendo. Amou! ficou deslumbrada.

Os dias passaram.

"Karina, quer namorar comigo?"
"Sim, aceito."

E Karina aceitou o namoro com outro rapaz. Cauê, nem conseguiu acreditar no que aconteceu.

Mas assim é a vida. E os amigos leitores vão pensar que essa náusea é ficção, onde na verdade o escritor só escreve o que conhece.

Ainda não li. Escrevi direto, será que ficou bom? Agora são 4h43

adenildo lima

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Miniconto 5

Vinícius estava ao telefone. Desliga, logo em seguida sua namorada liga:

"Ana Júlia."

"Ana Júlia, um caralho, meu nome nome é Juliana, porra!"

"Nossa, amor, como você está nervosa, você nunca parou pra pensar que a junção de Ana e Júlia formam Juliana?"

"Desculpa, então."

Um tempo depois o telefone toca:

"Juliana"

"Juliana, pode ser tua mãe, meu nome é Ana Júlia, esqueceu?"

adenildo lima

Miniconto 4

Pensativo, olhando para o infinito do tempo, pensou no futuro, pensou no passado... Percebeu que tudo estava tão longe. Deitou-se, fazendo planos para acordar no presente.

adenildo lima

Miniconto 3

De uns dias desses pra cá eu não estou te entendendo. Você anda estranha, meio ausente, calada... Você não me ama mais?
"MAIS???!!!""

adenildo lima

Miniconto 2

A chuva continuava caindo,
já não era possível diferenciar as lágrimas.
"Logo, logo a chuva se vai e o sol surge, Gabi."

adenildo lima

Miniconto 1

"Amor, não fale palavrão, por favor."
"Ah, mas você já falou fudida".
"Ham????"

adenildo lima

Não é um assalto

Não, não, por favor, nao precisa tirar a carteira, tire apenas a máscara que te reveste.

adenildo lima

O prazer da dor

"Você não está errada, errado está o vento que te levou para outros braços."
"Mas você nem ficou triste?"

adenildo lima

Valores

"Você quer quanto, mesmo?"
"Amor, apenas me ame, já não aguento mais tanta solidão."

adenildo lima

Máquina fotográfica

Estou com sono, mas a calçada está dura e fria. Estou com fome, mas o cachorro acabou de comer as migalhas que sobraram. O meu corpo está frio, essa casa sem janela deixa entrar todo o vento que vem de várias direções, mas o sol nascerá, será?

adenildo lima

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sonho de criança

Estou procurando um amor que tenha um coração muito grande, um olhar sedutor, um sorriso transparente, um abraço forte e ardente. Procuro-o nas esquinas, não me interessa o endereço, numa rua qualquer, pode ser até num jardim com borboletas voando, ou, num deserto... junto à natureza. Apenas procuro-o.

De mim, eu não tenho muito o que falar. Serei um namorado que todas as manhãs viverá um novo dia, e um novo amor todos os dias com o mesmo amor. À noite sairei de mãos dadas procurando estrelas para cair na grama e ficar contando anedotas... Abrirei meu coração e viverei intensamente o que a alma pedir. Procuro um amor, será que você não tem pra mim?

adenildo lima

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Reticências

... hoje eu acordei querendo tirar suas roupas beijar sua boca sentir seu cheiro ouvir seus suspiros e em cada delírio te apertar mais e mais hoje acordei quebrando as regras tirando da vida todos os pontos vírgulas e travessão só não tirei as reticências elas são legais me dão esperança de te encontrar mais vezes numa esquina qualquer num quarto qualquer num lugar qualquer hoje acordei sentindo sua falta e lembrei daquele dia em que nós nos beijamos nos amamos sentimos nossos cheiros nos abraçamos loucamente entre unhas e dentes aguçando aquele momento e você sussurrava em meu ouvido se entregando mais e mais com uns gemidos sensuais ardentes delirantes gostosos de se ouvir lembro que gozamos sem regras sem compromisso sem motivos de fazer perguntas apenas nos olhamos e descobrimos ali mesmo que estávamos nos amando mas você se foi assim sem dizer nada você partiu como folhas secas que ganham o vento e se vão sem deixar o cheiro o carinho você se foi sem mais e sem menos assim sem pontos sem regras deixando em mim as lembranças de seu olhar e de suas palavras dizendo que a minha voz era muito gostosa aos seus ouvidos você se foi só as reticências ficaram comigo...

adenildo lima

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Júlia

Era manhã de quinta-feira, uma criança saía para passear com sua mãe, enquanto andavam pelo parque uma folha caiu e, antes de beijar a terra, saiu voando, pairando no ar como beijaflor beijando a flor. Admirada, a criança ficou olhando fixamente. A folha caiu, beijou a terra e abraçando-a carinhosamente. A criança, apenas riu. E a mãe da pequena menina nem percebeu o que aconteceu naquele momento. Mas Júlia, nunca mais esqueceu, hoje, ela já é crescida e admira os pequenos detalhes da natureza, pois tudo é tão lindo!

adenildo lima

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Espinho

Dona Marinalva tinha uma criação de porcos. Criava, aproximadamente 100 por ano, todos para vender, com exceção de alguns que ela criava para matar na festas de natal, de final de ano. Marinalva dava nome a todos: Pretinho, Fofinho, Rajado... Espinho. Espinho, ela tinha um carinho especial por ele, estava criando-o para matar na virada do ano, pois ia receber um filho que chegaria de viagem.

Espinho foi crescendo e se tornando diferente dos outros porcos, aos olhos da dona Marinalva. Era carinhoso, brincalhão e adorava bater na porta da casa todos os dias às 5h da manhã, quando ela não levantava esse horário, ele sabia que ela tinha se atrasado para a lida.

Deitava-se no terreiro para receber o sol pela manhã que vinha rompendo a floresta por detrás das montanhas, com seus raios. Espinho abria as pernas e ficava todo relaxado.

"Espinho, vamos passear." dona Marinalva chamava-o.

Ele levanta-se com cara de preguiça, aquela falta de coragem e saía todo faceiro, contando os passos. E passeavam bananeira adentro, procurando cachos de bananas maduro.

E o tempo foi passando, já era dia 15 de dezembro. Dona Marinalva olhou para Espinho e sentiu uma dor no coração, pensou na morte dele, no corpo dele sendo cortado; pensou como seria a morte de Espinho. Imaginou consigo mesma numa morte diferente para o seu amigo, talvez uma morte com menos dor, uma morte diferente das dos outros porcos, já que ele era especial. Sentiu vontade de chorar.

"Não, não posso ficar assim, ele é apenas um porco". - pensou, com um olhar perdido para o infinito.

Espinho apareceu com um ar triste, enquanto ela pensava, acho que ele estava prevendo a sua morte, beijou a perna de dona Marinalva e saiu com seus passos lentos, todo faceiro, como sempre, só que diferente, estava triste.

Dona Marinalva começou a imaginar as cenas: um machado batendo na cabeça de espinho para fazê-lo desmaiar, e em seguida algumas pessoas pegando o corpo dele, ainda vivo, colocando-o em cima de um banco, e uma faca de oito polegadas entrando na garganta de Espinho, e ele dando um último grito. Ali, morreria o querido amigo de dona Marinalva.

Marinalva entrou, deitou em seu colchão de capim, ficou pensando, pensando, o dia amanheceu e ela não tinha conseguido dormir. 5h e alguns minutos, Espinho bateu na porta, ela levantou-se e foi cuidar da lida. Espinho acompanhou-a.

Chegou o natal. Foi matado um porco para a festa. Nesse dia Espinho saiu correndo, ao ver o corpo do seu amigo porco sendo cortado. Correu, gritou.... E nunca mais voltou!

adenildo lima


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Não é errado falar assim!

"Não é errado falar assim! em defesa do português brasileiro". Esta frase titula o mais novo livro do grande estudioso da nossa língua brasileira, o escritor Marcos Bagno, com prefácio de Sírio Possenti. Acabei de encontrar esse livro, agora mesmo, no site do Bagno http://www.marcosbagno.com.br. Em breve comprarei, sei o quanto Esse autor caminha em desefa do português brasileiro, um cidadão merecedor de respeito e atenção por todos nós, nessa sua mais nova obra, mais uma vez, pelo o que eu li no prefácio e na sinopse, o escritor continua com seus passos de um cidadão preocupado com a educação. Como ainda não li, não vou falar muito, mas sem medo, recomendo a todos, sei que é mais uma obra de arte viva da nossa língua materna.

BAGNO, Marcos. Não é errado falar assim! em defesa do português brasileiro. São Paulo, Parábola, 2009

Falar é expressar o que sentimos, conforme a nossa cultura!

adenildo lima

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Diferente

Vinícius acordou pela manhã, ainda não era 5h, decidiu fazer um caminho diferente do que ele fazia todos os dias. Até parece que ele não fez muita coisa, mas fez algo diferente em sua vida, mudou a rotina, teve uma nova visão, encontrou pessoas que nunca tinha visto antes e descobriu que todos os dias podia fazer algo novo, mesmo sem precisar de mudar de caminho.

Aquele Vinícius, hoje, já nem existe mais, é outra pessoa. E como foi bom para ele, essa mudança de si mesmo, consigo mesmo, até o mundo mudou, tudo está diferente.

adenildo lima

Uma carta de amor

São Paulo, 7 de setembro de 2009

Saudações,

é com muito amor e carinho que começo escrevendo esta carta pra você, faz tanto tempo que estamos ausentes, hoje, agora mesmo, me veio uma grande saudade de nós dois, lembrei de nossas brincadeiras, de nossas brigas tão saudáveis e carinhosas, senti falta de você. Estou escrevendo pra dizer que estou bem, mesmo nesta cidade solitária dar pra ser feliz, à noite, às vezes, abraço o silêncio e lembro de você, a nossa amizade era tão sincera, nem mesmo os beijos dados na boca, nos afastou, eles não existem mais, mas nossa amizade continua. Me lembro, nós, sentados na calçada com aquele violão, e eu cantando a música do Roberto Carlos "Como é grande o meu amor por você", e você cantou comigo, nós, desafinados, rimos de nós mesmos ao terminar a canção. Foram momentos tão lindos, né? a vida é assim mesmo. Aqui eu já conquistei novas amizades, sim, digo conquistei, pois amizade se conquista, acho que quando você estiver lendo esta carta vai ri, chorar não, né, pra que chorar? Estou pensando em voltar em breve, mas deve estar tudo mudado, mas as casas continuam as mesmas e as pessoas também, né? Muitos vão me abraçar, vão ficar feliz com a minha volta. E eu continuo a mesma merda de sempre: brincalhão, sorridente, bravo, revoltado com a situação do nosso país, a burguesia sempre no domínio... ah, falando nisso, hoje é 7 de setembro, ontem o presidente foi pra tv proclamar a segunda independência do Brasil - pré-sal - mas como você sabe, como nós sabemos, a burguesia quem vai ganhar com isso. E a educação, né, anda de pior a pior, sabe o que eu conclui em meus pensamentos? acho que você nao sabe, mas deve pensar agora "eita, adenildo, o que vem?" relembrando a sua fala, agora lembrei que você sempre me chamou de adenildo, muitas pessoas me chamam de adê, aqui também, sabia? mas você me chamou de adenildo, é engraçado (rs). Voltando ao assunto da educação no Brasil. Nós sabemos que é um processo histórico, mas que os doutores das universidades são os grandes responsáveis pela evolução da péssima educação, são sim, eles não fazem nada, ficam robotizados em suas poltronas, pior, nas salas de aulas quando encontram um aluno que tem um pensamento de criação, boas ideias pra ser discutidas, os professores proibem na hora. Sabia que às vezes tenho pena deles, eles escrevem aquelas teses 90% é tudo cópia e 10% é concordando com os imortais, loucura, né? ah, mas vamos mudar de assunto, assim, já estou terminando, mas aguardo notícias suas, tá? e nunca esqueça que te amo um montão....bjs

carinhosamente,

adenildo lima

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O que resta de mim?

"O povo daqui só anda correndo, nem sabe pra onde"

Partindo desta frase, eu começo este texto, amigo leitor. Conversando com uma jovem que está aqui em São Paulo há menos de dois meses, ela fez essa observação. Podia ser uma frase como outra qualquer, mas para mim, não foi. Isso, para mim, é um resumo de todo um contexto da sociedade "dita" civilizada.

Os moradores de uma cidade grande corre corre sem saber para onde. A rotina de vida se torna algo abusivo: acorda pela manhã, pega ônibus, trens, metrôs... todos lotados. Os ônibus e os carros passam horas e horas no mesmo lugar. O trânsito sufoca, maltrata, estressa... Pior, o cidadão chega no trabalho e repete tudo o que fez ontem, amanhã a mesma coisa... e para sempre amém rs... volta para casa, deita, dorme, acorda... volta tudo de novo.

O ser humano, com essa globalização, põe valor em tudo, e falo de valores capitalista.s Você vale o quanto vale o seu carro, a sua casa... O humano em si, está morrendo, suicidando-se aos poucos nessa correria à busca de beleza que o mundo pós-moderno oferece. Quando a moça falou para mim "as pessoas daqui só andam correndo, nem sabe pra onde", ela definiu o que é a humanidade de hoje, sem objetivo, sem um ponto de partida e muito menos um ponto de chegada.

E que não levem a mal os gramáticos, mas coisar para mim, hoje, é verbo: a nossa sociedade civilizada está se coisificando coisa.

É, mas na arte ainda podemos ver um pouco do que resta de humano.

adenildo lima

Momentos distraídos

"Você nem sabe o quanto estávamos rindo"
"É, 15 minutos dar para fazer tanta coisa, até mesmo para fingir".

adenildo lima

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

solidão

Perguntaram-me sobre solidão. Disse que não tinha definição. E acrescentei: talvez só Deus possa detalhar esse assunto, já que ele é único.

adenildo lima

terça-feira, 1 de setembro de 2009

brincando de pós-moderno 2

Viver, para o artista, se torna difícil pelo simples fato da intelectualidade não conseguir enxergar o presente.

adenildo lima

Um sorriso e uma eternidade

A humanidade é mascarada, com uma máscara na cara caminha parecendo anjo. E assim será por toda eternidade, pois até Deus que é eterno deixará de ser quando os 'ditos' humanos forem extinguidos da face da terra.

adenildo lima